2. BÖLÜM
2.2. YENİLENEBİLİR ENERJİ KAYNAKLARI VE ÖNEMİ
2.2.4. Jeotermal Enerji ve Önemi
. Entre 1886 e 1889, Vallé-Inclán viveu e estudou em companhia de seu irmão mais velho Carlos, em Santiago de Compostela. Influenciado pelo pai, iniciou os estudos de Direito na Universidade de Santiago de Compostela, mas nesse período, a cidade o seduzia mais do que os livros e os passeios no campo mais do que as aulas. Valle Bermúdez, seu pai, era então Secretário do governo em Pontevedra e seu prestigio político abria as portas da sociedade local para os filhos que passaram a frequentar as tertúlias literárias e assim participar da vida intelectual da cidade. Na ocasião predominava um sentimento de “regionalismo” na sociedade expresso, inclusive, pelo uso do dialeto galego.38 Mas Valle-Inclán não foi influenciado pelo “regionalismo galego”: era um centralista, defensor da unidade nacional e da língua castelhana. Nesse sentido afirmou: “[...]hay que unificarlo todo, empezando por el idioma e imponiendo el castellano, que es el español [...]”.
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ALBERCA, Manuel & GONZÁLEZ, Cristóbal. Valle-Inclán – La fiebre del estilo. Madrid: Espasa Calpe, 2002, p. 41-43.
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Fenômeno social e político caracterizado por duas correntes bem diferenciadas: uma de caráter mais liberal e progressista, representada por Manuel Murguía; e outra mais conservadora e tradicionalista, defendida pelo professor de Direito de Santiago, Alfredo Brañas, com quem Valle-Inclán provavelmente cursou alguma disciplina. Brañas defendia um projeto regionalista descentralizador que pretendia recuperar a essência do galego; ou seja, propunha o regresso a uma espécie de sociedade medieval tradicional, na qual se valorizava principalmente, tudo aquilo que impedia e atrasava econômica e socialmente a Galícia. Cf. ALBERCA, Manuel. & GONZÁLEZ, Cristóbal. Op.cit., p.51- 52.
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Em 1888, Valle-Inclán debutou na literatura ao publicar seu primeiro poema intitulado Babel, na revista Café com Gotas, de Santiago de Compostela. Em 1889, publicou o conto A media noche, no periódico La ilustración ibérica de Barcelona. Nesses anos se interessou pelo esoterismo e fez amizade com o doutor Manuel Otero Acevedo, com quem colaborou em alguns experimentos parapsicológicos. Após a morte de seu pai em janeiro de 1890, mudou-se para Madri, onde sobreviveu às duras penas. No Heraldo de Madrid publicou o seu conto El mendigo (edição de 7 de junho de 1891) e no El Globo aparecem seis artigos seus, entre agosto deste ano e fevereiro de 1892. Nesse mesmo ano, retornou a Pontevedra.39
A partir dessa volta à sua região, Valle-Inclán decidiu abandonar os estudos e realizar uma viagem para o México: embarcou no navio Havre em 12 de março de 1892, chegou no dia 8 de abril no porto de Veracruz e, poucos dias depois, já estava na capital.
Essa permanência no México, país “exótico”, deixou marcas profundas no jovem espanhol: quando retornou à Espanha e se fixou em Madri, andava pelas ruas e cafés vestido com um poncho e um grande chapéu mexicano.
A escolha da viagem ao México se explica pelo fato que o país recebera uma grande leva de emigrantes galegos. Desde a segunda metade do século XIX a Galícia conhecia uma grave crise no setor industrial doméstico, o ramo dos tecidos de linho feitos manualmente - que era um dos grandes produtos da região – já não podia concorrer com os tecidos de algodão e de linho produzidos industrialmente. Muitas famílias encontravam-se em situações difíceis porque não tinham outros setores de atividades para compensar a mão de obra deste setor. Ao lado da crise nesse setor, apresentou-se a crise do setor agrícola entre os anos de 1850 a 1860 que
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desestabilizou a economia rural galega. Também o serviço militar, fez com que as famílias à época das optassem pela imigração.
No final do século XIX, os espanhóis naturalizados mexicanos durante o porfiriato buscavam a possibilidade de introduzir-se na vida cultural e política da República Mexicana tanto ao trabalhar na redação de periódicos ou diários como também na pedagogia, junto às Universidades, na pintura, no teatro, nos espetáculos, juntando-se principalmente à classe mais privilegiada do porfiriato.40
Entre 1821 a 1877, ocorreu o primeiro grande fluxo migratório de galegos para a Cidade do México. Nessa época, houve um aumento da população na Galícia, que ainda não havia se industrializado e estava isolada, pois encontrava-se distante das redes ferroviárias espanholas. O segundo grande fluxo ocorreu após a Primeira Guerra Mundial, e se produziu entre 1920 e 1970. Nessa época, como veremos mais a frente, a Espanha já desenvolvia uma política oficial de maior aproximação com as suas ex-colônias, através de criação de centros Ibero-americanos, e no caso dos galegos, o Centro Gallego de México, no qual se difundia as especificidades da cultura galega aos interessados.41
Assim, Valle-Inclán buscou no México um lugar propício para se fazer fortuna na América, ou de iniciar a sua carreira como literato. Como podia contar com a hospitalidade de parentes que viviam no país, sua estadia se tornava mais fácil.
Recém chegado à cidade do México, logo se deixou contagiar pelo gosto dos mexicanos de se envolver em polêmicas e logo deu provas de sua habilidade nesse
40 GONZÁLEZ, A. V. La emigración gallega. Migrantes, transporte y remessas. In SÁNCHEZ
ALBORNOZ, N. (Org.). Españoles hacia América. La emigración en masa, 1880-1930. Madri: Alianza Editorial, 1988, p. 80-104.
41
SÁNCHEZ-ALBORNOZ, N. (Org.). Españoles hacia América. La emigración en masa, 1880- 1930. Madri: Alianza Editorial, 1988, p.35-38.
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sentido. A oportunidade surgiu quando o diário El tiempo publicou, no dia 12 de maio de 1892, uma carta assinada com o pseudônimo “Óscar”, por meio da qual esse autor anônimo atacava os gachupínes.42 Valle-Inclán não perdeu a oportunidade de se promover e se dirigiu ao diretor do jornal, exigindo um duelo com aquele que se escondia por trás do nome de “Óscar”. O diretor se negou a revelar quem de todos aqueles que estavam na redação era “Óscar”. Valle-Inclán se impacientou e lançou a seguinte ameaça: “Señor mío, se acabaron ya los tiempos de tirar la piedra y esconder la mano. En asuntos de honor, ya no se admiten esas camandulerías. Espere usted la visita de dos caballeros. Quede usted con Dios”43. “Óscar” era o próprio Valle-Inclán.
Além desse episódio, meteu-se em muitas outras confusões que resultaram em “surras” prisões e multas”.44
Instalado, com apoio de parentes, na capital, Valle-Inclán começou a colaborar no periódico El correo español, porta-voz da colônia espanhola na cidade e, ao mesmo tempo, no El Universal, jornal no qual ingressou graças a uma carta de apresentação de algum parente ou amigo da familia. Na redação desse importante periódico, entrou em contato com boa parte da intelectualidade mexicana.
42 A palavra gachupín se popularizou na América hispânica entre os séculos XVI e XVII para designar
o espanhol que havia enriquecido nas Américas em contraposição ao termo criollo que dava conta apenas do espanhol estabelecido na América. A palavra teve uma grande difusão no México e na América central justamente com esta acepção de “espanhol enriquecido” e foi usada como bandeira dos independentistas do século XIX aravés de dizeres como “Mueran los gachupines”. Valle-Inclán se valeu desse termo para se referir aos hacendados criollos que perderam terras na Revolução Mexicana, e também, posteriorente, em seu romance Tirano Banderas como mostra Antonio Alatorre em seu estudo sobre o significado dessa palavra. ALATORRE, Antonio, Historia de la palabra gachupín. In E. Luna Traill (coord.), Scripta Philologica in honorem J. M. Lope Blanch. México: Instituto de Investigaciones Filológicas, UNAM, 1992, vol. II., p. 275-303.
43
ALBERCA, Manuel & GONZÁLEZ, Cristóbal. Valle-Inclán – La fiebre del estilo. Madrid: Espasa Calpe, 2002, p. 39.
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Em novembro de 1892, voltou para Veracruz, convidado para co-dirigir um diário da colônia espanhola que vivia na cidade e nela “fizera fortuna”, chamado La crónica mercantil. As colaborações na imprensa garantiram o sustento durante os doze meses em que viveu no país. Segundo grande parte dos historiadores literários estudiosos de sua obra, foi a partir dessa aventura que o autor vislumbrou o seu caminho como intelectual. Segundo Alfonso Reyes, “as marcas profundas deixadas por essa primeira viagem de Valle-Inclán ao México teve a virtude de acender para sempre a lâmpada de sua vocação literária”.45
Em 25 de março de 1893, Valle-Inclán embarcou de volta da Espanha, fez uma breve parada em Cuba, chegando à sua pátria natal um mês depois. A partir de então, viveu em Pontevedra com sua família e passou a frequentar os círculos literários da cidade – principalmente, os que ocorriam na Casa del Arco - centro da vida literária local. Nessa casa, o jovem escritor assistiu a muitas reuniões literárias e muito se valeu da biblioteca que costumava estar em dia com as vanguardas da época.
A partir dessa experiência, Valle-Inclán passou a reescrever relatos escritos anteriormente que formariam o seu primeiro livro: Femeninas. Seis historias amorosas, publicado em 1895. Essa obra foi notadamente influenciada por Eça de Queirós (1845-1900) e D’Annunzio (1867-1916).46
45 REYES, Alfonso. "Presentación" a Ramón del Valle-Inclán. Públicaciones periodística
anteriores a 1895 (edición, prólogo y notas de W.L. FICHTER). México: El colégio de México, 1952,
p.7.
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SOLER, Manuel Aznar. Ramón del Valle-Inclán. In. MAINER, José-Carlos (org.). Historia y
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1.3. Madrid: a presença de Valle-Inclán nas tertúlias literárias