6. PİLOT BÖLGEDE ENERJİ TASARRUFU ÇALIŞMALAR
6.3. Isıtma Yükleri İle İlgili Öneriler ve Hesaplamalar
Sabendo que na práxis da Igreja Católica o Concílio Vaticano II (1962-1965) foi um marco de transição e inovação para a ecle siologia e as relações de poder nos ministérios exercidos por homens e mulheres, iniciaremos esta parte relatando o poder religioso e em seguida as relações e implicações do poder das mulheres na práxis da Igreja. Os Concílios sempre foram relevantes para a história católica e neles está o conteúdo e fundamento da fé católica. Eles também são marcos geradores de novos conceitos doutrinais e pastorais e nestes acontecem relações de poder entre os gêneros humanos atuantes nas esferas eclesiais.
Para FOUCAULT na verdade, as relações de poder não passam de novos meios de domínios surgidos em meio às outras relações humanas, e entre estas, surge com muita força posturas arrogantes no meio religioso. Afirma ele sobre o catolicismo:94
O caso da Igreja depois do Concílio de Trento. De modo geral, penso que é preciso ver como as grandes estratégias de poder se incrustam, encontram
92 MOORE, H. L; Cadernos Pagu (14) 2000 do Núcleo de Estudos de Gênero da UNICAMP; p. 15 93 Idem p. 154 -155.
suas condições de exercício em micro-relações de poder. Mas sempre há também movimentos de retorno, que fazem com que as estratégias que coordenam as relações de poder produzam efeitos novos e avancem sobre domínios que, até o momento, não estavam concernidos.
Na escala social, FOUCAULT analisa as relações de poder, sobretudo no âmbito religioso, por meio de diversos mecanismos. Afirma que existem micro-poderes ocultos nas estruturas e que, na maioria das vezes, originalmente, partem de esferas dominantes e são exercidos também pelas esferas dominadas. Escreve ele:
Na medida em que as relações de poder são relações desiguais e relativamente estabilizadas de forças, é evidente que isto implica em um em cima e outro em baixo, uma diferença de potencial.
A transparência e força dessa relação de poder, de certa forma velada pela estrutura opressora, podem ser demonstradas abaixo por meio de um relato desses micro-poderes, ou seja, por uma resposta ao nosso questionário de campo. Para uma das mulheres entrevistadas fica claro o emaranhado de decisões em que ela estabelece o seu poder. E ela sabe relatar porque convive em meio das relações de poder, muitas vezes enganosa. A conclusão dela é a seguinte:95:
Também na minha paróquia e na comunidade a participação das mulheres é sempre superior a dos homens. Então as decisões gerencias ou das missões, pastorais são tomadas na maioria das vezes pelas mulheres.
Essa afirmação faz pensarmos que é nesse contexto desigual e estabilizado por forças pré-estabelecidas masculinas que as mulheres agem e expressam sentimentos e decisões, expõem os seus talentos, incrustam relações e tomam decisões poderosas.
São nas relações de um determinado lugar, chamado ponto ou momento por FOUCAULT, que estabelecem-se os poderes, muitas vezes ameaçadores, outras vezes pervertidos, e outras vezes ainda, rompedores de limites impostos pelos dogmatismos das autoridades empodeiradas e já legitimadas em meio das estruturas.
FOUCAULT afirma que é tão complexa a desestruturação de poder que é preciso um processo de desconstrução para poder recriá-lo, ou seja, desempoderar trata-se de uma tarefa bem mais difícil, por ser um aglomerado de relações, constituído de acontecimentos de diversas origens. Para ele é um fenômeno a ser deduzido empiricamente e só depois teorizado. Ele afirma:
O poder não existe. Quero dizer o seguinte: a idéia de que existe, em um determinado lugar, ou emanando de um determinado ponto, algo que é um poder, me parece baseada em uma análise enganosa e que, em todo caso,
não dá conta de um número considerável de fenômenos. Na verdade o poder é um feixe de relações mais ou menos coordenado. [...] Se o objetivo for construir uma teoria do poder, haverá sempre a necessidade de considerá-lo como algo que surgiu em um determinado ponto, em um determinado momento, de que se deverá fazer a gênese e depois a dedução. Mas se o poder na realidade é um feixe aberto, mais ou menos coordenado ( e sem dúvida mal coordenado) de relações, então o único problema é munir-se de princípios de análise que permitam uma analítica das relações de poder.96 O advento da civilização industrial, a globalização econômica, o fundamentalismo político e religioso e a intolerância ao diferente propiciaram uma maior complexidade, e consequentemente, uma não abertura às novas teorias das relações de poder. Muitas outras manifestações desempenham importantes papéis nas relações atuais, e com isso, o processo de desempoderamento de certas categorias se torna bem mais difícil.
Ao longo dos séculos foram construídas diferentes tipologias de poder por grupos dominantes, ou seja, de cima para baixo. Elas não apenas serviam de modalidades a serem geridas e transformadas, mas também que necessitavam ser teorizadas a fim de poderem ajudar nas redefinições sociais futuras. É difícil se desprender do poder ainda mais quando ele já se instalou e se tornou posse de determinados grupos específicos. Quando ocorrem novos movimentos e manobras, há quem os chame principalmente nas instituições religiosas, de atos de solidariedade. Isso por ser uma atitude coletiva, social e populacional que se estabelece nas relações.