TARİHİ SÜREÇ İÇİNDE PANİONİON’UN GELİŞİMİ
II.6. III. Aleksandros Döneminde İonia Bölgesi ve Panionion
O Maranhão localiza-se na porção ocidental da Região Nordeste do Brasil (FEITOSA, 2006a). A região metropolitana da grande São Luís, composta pelos municípios de São Luís, Paço do Lumiar, Raposa e São José de Ribamar, está situada na costa do Estado, limitando-se ao norte com o Oceano Atlântico, ao sul com a Baia de São José e Estreito dos Mosquitos, a leste com a Baia de São José e a oeste com a Baia de São Marcos, com coordenadas 020 22´ 23´´e 020 51´ 00´´de Latitude Sul: 440 26´ 41´´ e 430 59´ 41´´ de Longitude Oeste.
Situada no Golfão Maranhense a área se caracteriza como um grande complexo estuário; segundo AB’SABER (1960), o Golfão Maranhense teve sua evolução geomorfológica começando no Plioceno final do Terciário, quando ocorreu o surgimento da faixa litorânea ocasionando a superimposição da rede de drenagem e Formação Barreiras. A Ilha de São Luís tem feições morfológicas que compreendem planícies de maré lamosas e arenosas, praias de areias finas quartzosas, dunas móveis e fixas, falésias, pontais rochosos, restingas e manguezais. Segundo Feitosa (2006b), a fase mais significativa da erosão teve seu processo em condições climáticas mais secas que dos atuais períodos em que foram formados os horizontes de canga ferruginosa (solo laterítico) por iluviação.
Nas décadas de 1960 e 1970 grandes projetos começaram a se instalar na Ilha do Estado do Maranhão para alavancar empregos e melhorar as condições de vida da população ludovicence; projetos de grande envergadura como o Consórcio Alumar e a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), localizados no Distrito Industrial, trouxeram para a Capital do Estado grande quantidade de pessoas, porém gerou grandes problemas para boa parte da população que já habitava a área.
A chegada destes dois grandes projetos gerou a desapropriação de um contingente de pessoas causando assim um grande aumento de ocupação desordenada de áreas próximas aos grandes centros urbanos, surgindo bairros sem infraestrutura de saneamento básico e energia, entre outros; nessa corrida desordenada, a Bacia mais prejudicada foi a do Bacanga por estar mais próxima dos projetos.
A população estimada da cidade de São Luís, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, era de 1.014.837 habitantes em 2010 (IBGE, 2012).
3.1.1 Vegetação
Segundo estudo realizado por Feitosa (1989), a Ilha do Estado do Maranhão apresentava formação vegetal original composta por florestas, cerrados, babaçuais, campos, dunas, manguezais e restingas. Na área pesquisada predomina principalmente a floresta perenifólia de várzea, sendo as mais abundantes a palmeira do buriti (Mauritia flexuosa) e a palmeira da Juçara (Euterpe edulis), (OLIVEIRA, 2003).
Considerando as condições climáticas e a localização, a vegetação da área apresenta também características de Floresta Amazônica e de Cerrado; os domínios fitogeográficos evidenciam espécies que compõem resquícios da flora original como a paparaúba, andiroba, pau-d`arco, guanandi, etc. (FARIAS FILHO et al., 2009).
A fauna é basicamente constituída de pequenos mamíferos, répteis, anfíbios, aves e peixes do ecossistema de mangues (CARVALHO et. al., 2009); como a área tem característica rural, os moradores ainda praticam a caça principalmente de roedores, como a cotia e a paca. Essa atividade aliada às de desmatamento, agricultura de subsistência e a extração de vegetal ou mineral tem reduzido a quantidade de animais silvestres.
Ambientes ricos em recursos naturais são responsáveis pela manutenção da biodiversidade, mas vêm cedendo, ao longo dos anos, lugar para o desenvolvimento de atividade humana da área de pesquisa.
3.1.2 O clima
O clima de São Luís é considerado tropical e semiúmido, por sua localização influenciada pela Zona de Convergência Intertropical, e presença de pequenas reservas formadas pela floresta amazônica que resistiram ao processo de urbanização, conforme a classificação de Koppen (STRAHLER, 1960).
Os dados de pluviosidade de 2011 e 2012 (Figura 3.1) são da Estação Meteorológica da Universidade Estadual do Maranhão.
Figura 3.1 - Histograma de pluviosidade de 2011 e 2012
Fonte: Estação Metereológica da Universidade Estadual do Maranhão
Em geral, a estação chuvosa tem início em dezembro, mas isso não ocorreu em 2011 e 2012, observa-se que 2012 (1122,6 mm) teve menor pluviosidade em relação ao ano de 2011 (2700,5 mm).
3.1.3 Geologia
A Ilha de São Luís está localizada numa feição geológica geomorfológica denominada Golfão Maranhense, considerada uma articulação da costa brasileira, sendo um grande sistema estuarino, tendo como principais unidades estratigráficas as Formações Itapecuru de idade cretácea, Barreiras do período Terciário e Açuí, terrenos mais recentes, (PEREIRA, 2006).
A Bacia de São Luís é formada por rochas sedimentares da era Cenozoica e Mesozoica apresentando alguns tipos de minerais onde o calcário predomina; os principais rios que fazem parte desta bacia são o Bacanga, que flui ao longo do Parque Estadual do Bacanga, e o Anil, que separa a cidade moderna da cidade velha, compondo o centro histórico da capital. A Tabela 3.1 apresenta a Estratigrafia da bacia hidrográfica de São Luís, conforme estudos de Pereira (2006).
Tabela 3.1 - Estratigrafia da Bacia Hidrográfica de São Luís/MA
Era Período UNIDADE
ESTRATIGRÁFICA Litologia Mineral
Terciária Cenozoica Terciário Meso- Mioceno Terciário Mioceno Formação Barreiras
Areia fina a média com concentrações ferruginosas, imatura, intercalações argilosas cauliníticas. Argila Laterita Água Subterrânea Terciária Paleogênica
Areia fina a silte, com bola de argilito, estratificação ondulada e cruzada. Areia Argila Água Subterrânea Quaternária
Antropozoica Quaternário Pleistoceno Formação Açuí Areia fina a média matura a submatura, argila arenosa. Areia Argila Secundária Mesozoico Cretáceo Formação Itapecuru Membros: Alcântara Psamítico
Calcilutitos, silte e areia muito fina com argila texturalmente imaturo.
Argila Calcário
Água Subterrânea Arenito fino a médio,
quartzo com feldspato, caulinizado, nódulos ferruginizados. Fonte: Adaptada de Pereira (2006).
3.1.3.1 Formação Barreiras
Na Formação Barreiras, as feições morfológicas que integram são muito variadas,
incluindo as faixas de praias, os campos formados por dunas, as planícies flúvio marinhas, as planícies lacustres e falésia e as planícies das marés, com estrutura horizontal característica de planícies com modelo plano e ondulado que se modifica nas áreas ocupadas pelas formações de dunas.
Segundo Brandão (1995), a Formação Barreiras é constituída de sedimentos areno argilosos, não ou pouco litificados de coloração avermelhada creme ou amarelada com aspecto mosqueado, granulação de fina a média com horizontes conglomeráticos e níveis lateríticos associados à percolação de águas subterrâneas; a matriz é a argila caulinítica com cimento argilo ferruginoso e às vezes silicoso.
A estratigrafia da Ilha está representada por sedimentos Cretáceos da Formação Itapecuru, Terciários da Formação Barreiras e Quaternários da Formação Açuí (CAVALCANTI et.al., 1988). Estudos realizados pelo IBGE (2002) identificaram solos do tipo latossolo amarelo e podzólico amarelo concrecionário com vegetação caracterizada por florestas ombrófilas densas e formações com influência marinha e flúvio marinha, como manguezais e restingas.
A Formação Barreiras é mais recente que a Formação Itapecuru e é representada por rochas calcárias, areníticas e argilosas (ALMEIDA, 1986); os sedimentos pliocênicos apresentam leitos de conglomerados com seixos de quartzo e folhelhos além de um perfil imaturo com sedimentos inconsolidados.
Estudos realizados por Rosseti (2008) mostraram que as falésias são constituídas por material friável, altamente suscetível à erosão tanto pela ação dos ventos como por processos marinhos; os desmoronamentos são muito comuns no período chuvoso; as falésias podem ser encontradas em quase toda orla marítima brasileira, permeando do Amapá ao Estado do Rio de Janeiro.
3.1.3.2 Terciário paleogênico
Os sedimentos do Terciário Paleogeno são pelíticos arenoso com espessuras de 15 m a 20 m, ocorrem em extensão contínua na porção setentrional da Ilha e na porção oeste entre as planícies de inundação dos Rios Aurá e Pericumã (PEREIRA, 2006); são sedimentos laterizados com pacotes caulinizados intercalados a bancos arenosos de cor rósea. O Terciário Paleogeno é constituído de siltitos e argilitos de cores variadas com tons esbranquiçados e róseos avermelhados intercalados de arenitos finos e médios, onde os depósitos são poucos consolidados.
3.1.3.3 Formação Açuí
A Formação Açuí representa um grupo muito presente na Ilha de São Luís formada por sedimentos argilo-arenosos originados pela aproximação entre o Pleistoceno Superior e o Holoceno. Ela se caracteriza por composição com argilas de cor cinza, maciça, salobra e adensada, contendo alguns fragmentos de areia fina disseminada; os sedimentos Holocênicos desta Formação são representados por aluviões e coluviões fluviais.
Segundo Machado Júnior (2005), esta Formação foi formada em um período mais recente e os depósitos flúvio-marinho são compostos por cascalhos, areias, siltes e argilas inconsolidadas que ocorrem nas faixas dos rios; as aluviões são constituídas de areias médias e finas mal selecionadas, quartzosas, submaturas a imaturas intercaladas por lamas ou formadas por sedimentos lamosos, enquanto os coluviões são formados por materiais grosseiros, mal selecionados acumulados nos sopés das encostas.
As paisagens litorâneas e costeiras de São Luís foram datadas do Quaternário Superior (Formação Açuí) de idade Holocênica quando houve variações de configuração geomorfológica das variações das marés; este fato configurou as unidades paisagísticas da região e individualizou o Golfão Maranhense, caracterizando um vasto e complexo sistema estuarino ambiental de notável hidrodinâmica regional, podendo alcançar em média 6 m de amplitude; na época, surgiram faixas de restinga e campos de dunas (AB’SÁBER, 2004), e as faixas de praias e as zonas de mangues (planícies litorâneas).
3.1.3.4 Formação Itapecuru
Estudos de Lisboa (1914) designaram inicialmente esta Formação como Camada Itapecuru e posteriormente (CAMPBELL et al. 1949) como Formação Itapecuru, considerada uma associação de arenitos médio-finos, carbonáticos, de coloração avermelhada intercalada de síltitos, argilitos e folhelhos vermelhos e esverdeados distribuídos por todo o rio Itapecuru.
A Formação Itapecuru foi elevada a nível de grupo por Rossetti e Truckenbrodt (1997) que reconheceram como Formação Alcântara o que era denominado anteriormente de Membro Alcântara, aos depósitos do Neoalbiano ao Eocenomaniano que afloram principalmente na Baia de São Marcos e no Cujupe (Cretáceo Superior).
A Formação Itapecuru tem características de maré rasa com presença de sedimento costeiro não marinho e de ambientes estuarinos (PETRI et. al, 1983), apresentando grandes concentrações de sedimentos finos a muito finos justapostos aos sedimentos mais grossos como é o caso da areia que origina os arenitos característicos desta feição estratigráfica, unidade muito visível em sopés das falésias do litoral da Ilha de São Luís.