4. VISUAL BASIC SCRIPT (VbScript)
4.3. IF-THEN Karşılaştırma Komutları (IF-THEN Statement)
Há diferentes normas e critérios para a definição e classificação do que seja baixa visão, conforme o fim a que se destina e as circunstâncias sócio-históricas, assim como
em relação à própria terminologia que tem sido utilizada. Inicialmente, nos Estados Unidos, referia-se ao termo cegueira legal, depois visão parcial e finalmente baixa visão19 (CORN e LUSK, 2010, p. 6-9). No Brasil, tanto a terminologia “amblíopes” como “cego social” eram utilizadas até a década de 1970, a partir daí a “visão subnormal” foi amplamente utilizada, até que atualmente o termo “baixa visão” tem sido o termo mais adotado.
Na literatura há uma variedade de definições e descrições do termo baixa visão, não havendo até hoje uma única e definitiva que seja universalmente aceita. Algumas definições buscam caracterizar baixa visão em termos funcionais, como: “uma perda visual severa o bastante para interferir na habilidade de realizar tarefas diárias ou atividades e que não pode ser corrigida com óculos ou lentes de contato” (JOSE, 1992, p.209). Outra definição considera uma pessoa com baixa visão como:
... quem tem uma visão mensurável mas tem dificuldade em realizar ou não pode realizar tarefas visuais mesmo com lentes corretivas prescritas, mas pode melhorar sua habilidade em realizar estas tarefas com o uso de estratégias visuais compensatórias, dispositivos para baixa visão, e modificações ambientais. Dispositivos para baixa visão incluem os ópticos (por exemplo, lentes de ampliação, lentes prismáticas, lentes filtrantes de luz), não ópticos (por exemplo, papel com linhas mais grossas, tiposcópio, uma abertura retangular em um papel cartão que deixe ver apenas uma linha de cada vez), e eletrônicos (por exemplo, vídeo-ampliador, formalmente chamado de circuito fechado de TV- CCTV). (CORN e LUSK, 2010, p. 4-5)
Outras definições se baseiam em critérios clínicos como medida da acuidade visual e campo visual, como a seguinte da Organização Mundial de Saúde (OMS):
Uma pessoa com baixa visão é aquela que tem um prejuízo da função visual mesmo após tratamento e/ou com refração óptica, e tem uma acuidade visual de menos do que 6/18 à percepção de luz, ou um campo visual de menos do que 10 do ponto de fixação, mas que usa, ou é potencialmente apta a usar, a visão para planejar ou executar uma tarefa. (WHO, 1992, p.23-24).
A OMS, na sua Classificação Internacional de Doenças até início da década de 1970 utilizava apenas o termo “cegueira”, demonstrando claramente uma dicotomia entre
cegos e videntes. A superação desta dicotomia, passando a levar em conta que 80% dos classificados até então como cegos tinham visão capaz de fornecer-lhes informações úteis, tanto para o seu desenvolvimento como para a realização de muitas tarefas visuais, só aconteceu oficialmente em 1975, na Nona Revisão, da Classificação Internacional de Doenças (CID-9). Nesta, além da denominação “Cegueira”, foi acrescido o termo “Baixa Visão” e suas subcategorias foram estabelecidas. Em extensão, na reunião do Conselho Internacional de Oftalmologia em 1978, foram adotadas categorias, além do uso de nomes descritivos para diferentes níveis de visão.
As classificações propostas pela OMS buscam uma padronização para a descrição e intervenções em saúde para as populações num contexto internacional. As classificações ao padronizarem internacionalmente a linguagem sobre a saúde e condições relacionadas a ela se tornam ferramentas importantes de investigação científica, de enquetes populacionais, de política social e educacional. São utilizadas por diferentes setores tais como seguros, seguridade social, trabalho, educação, economia, política social, desenvolvimento de políticas e de legislação em geral e alterações ambientais.
Dentre a “família” das classificações a mais atual é a CID-10, Classificação Internacional de Doenças- Décima Revisão, que apresenta uma classificação das doenças, perturbações ou outras condições de saúde, com uma estrutura de base etiológica. Esta classificação é complementada pelas informações adicionais fornecidas pela CIF- Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (OMS, 2004;
International Classification of Functioning, Disability and Health, ICF [WHO, 2001], atual
ICIDH, que aborda a funcionalidade e a incapacidade associadas aos estados da saúde. Em conjunto, as informações sobre o diagnóstico e sobre a funcionalidade, dão uma imagem mais ampla e mais significativa da saúde das pessoas ou das populações.
A CIF a partir de uma determinada condição de saúde aborda a questão da funcionalidade e incapacidade. Funcionalidade diz respeito às funções do corpo, das possibilidades de atividades e participação. Incapacidade, ou deficiência, é um termo que inclui limitação da atividade ou restrição na participação. A funcionalidade e a incapacidade de uma pessoa são concebidas pela CIF como uma interação dinâmica entre os estados de saúde (doenças, perturbações, lesões, traumas, etc.) e fatores pessoais e ambientais. Os fatores ambientais interagem com todos os componentes da funcionalidade e da incapacidade, facilitando ou limitando.
O modelo proposto pela CIF para entendimento do que seja deficiência é o modelo “biopsicosocial”, ou seja, integração entre dois modelos opostos: o médico, e o social. O modelo médico considera a incapacidade causada diretamente pela doença, trauma ou problema de saúde, sendo um problema do indivíduo, cujos cuidados em relação à incapacidade resultante tem por objetivos a cura, a mudança de comportamento e a adaptação do indivíduo. No modelo social, a incapacidade é um problema social, que decorre de um conjunto complexo de condições, muitas das quais criadas pelo ambiente social e traz no seu bojo a necessidade de mudanças atitudinais da sociedade no âmbito ideológico e político. Assim, a CIF busca uma síntese que ofereça uma nova visão sobre funcionalidade e incapacidade que não fique restrita às consequências da doença, mas que, leve em conta, o contexto ambiental na determinação da deficiência, o que inclui uma dimensão política, social e cultural à definição de deficiência (FARIAS, BUCHALLA, 2005).
O Quadro 1 e a Figura 1 ilustram a classificação dos níveis de deficiência visual de acordo com a CID-10, na sua revisão de 2010.
Quadro 1.
Classificação dos níveis de deficiência visual – CID 10
Categoria Acuidade visual apresentada
Máxima menor que: Mínima Igual ou maior que:
0 Sem ou leve comprometimento 6/18
3/10 (0.3) 20/70
1 Comprometimento visual moderado 6/18 3/10 (0.3) 20/70
6/60 1/10 (0.1) 20/200
2 Comprometimento visual severo 6/60 1/10 (0.1) 20/200 3/60 1/20 (0.05) 20/400 3 Cegueira 3/60 1/20 (0.05) 20/400 1/60* 1/50 (0.02) 5/300 (20/1200) 4 Cegueira 1/60* 1/50 (0.02) 5/300 (20/1200) Percepção de luz
5 Cegueira Ausência de percepção de luz
9 Indeterminada ou inespecífica
* ou contar dedos (CD) a 1 metro.
Fonte: http://apps.who.int/classifications/icd10/browse/2010/en#/H53-H54 Tradução do autor
Estrutura do orgão
Figura 1. Aspectos relacionados à visão apresentados pela CID e CIF:
Fonte: COLENBRANDER, A..Towards the development of a classification of vision-related functioning- a potential framework. In:GORDON,N.D,, BAX, M. (Eds). Visual impairment in children due to damage to
the brain. London. Mac Keith Press, 2010. p.286. Tradução do autor
No Brasil de acordo com o Decreto nº 3.298 de 20 de dezembro de 1999 (BRASil, 1999), que regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989 (BRASIL, 1989), que dispõe sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, “Deficiência Visual é acuidade visual igual ou menor de 20/200 no melhor olho, após a melhor correção, ou campo visual inferior à 20º (tabela de Snellen), ou ocorrência de ambas as situações”. Esta definição corresponde à “cegueira legal ou regulamentada, ou econômica” para fins de legais e de benefícios sociais, como a aposentadoria por invalidez.
A legislação brasileira no Decreto Nº 5.296, de 02/12/2004 (BRASIL, 2004), que estabelece normas gerais e critérios básicos para promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência, utiliza os mesmos critérios da OMS para definição de deficiência visual, e dispõe:
...deficiência visual: cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores...” (BRASIL, 2004)
O SISTEMA VISUAL A CRIANÇA
Exemplos Catarata Acuidade visual Conhecimento Educação Dano cerebral Campo visual Reconhecimento Qualidade de vida
Contexto Anatomia Fisiologia Pessoa Sociedade
CID Patologia Comprometimento Inabilidade Desvantagem
CIF Estrutura do corpo Função do corpo Atividades e participação
Visão Funções visuais Visão funcional
Como o sistema visual funciona Como a criança se desenvolve e funciona
Funcionamento do orgão Estrutura do orgão Desenvolviment o e habilidades Consequencias sociais
A Sociedade Brasileira de Visão Subnormal realizou reuniões em 2006 e 2007 com o objetivo de direcionar a discussão da terminologia a ser adotada pelos profissionais da área da baixa visão. Destas reuniões foi elaborado o I Consenso da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal. Com vistas à uniformização da terminologia e conceitos no que diz respeito à comunicação entre profissionais e para investigação científica o I Consenso adotou a CID-10 e recomendou para os serviços de atenção à baixa visão a definição conhecida como Definição de Bangkok 20. Ainda segundo o documento que ratificou as normas adotadas pelo Conselho Internacional de Oftalmologia, de abril de 2002, a terminologia a ser empregada pela comunidade oftalmológica deve ser:
-Cegueira – a ser empregada para perda total da visão e para condições nas quais o
indivíduo se utilize, de forma predominante, dos recursos de substituição da visão.
-Baixa visão – a ser empregada para níveis menores de perda visual, nos quais o
indivíduo possa ser auxiliado, de forma significativa, por recursos para melhor resolução visual.
-Deficiência Visual – a ser empregado quanto à diminuição de visão é
caracterizada por perda de função visual (como acuidade visual, campo visual, etc.) por alterações orgânicas. Muitas dessas funções podem ser mensuradas quantitativamente.
-Visão Funcional – a ser empregado para descrever as habilidades da pessoa no uso de sua visão para o desempenho de tarefas de sua vida diária. Essas podem ser descritas de forma qualitativa.
-Perda visual – a ser empregado como termo genérico, tanto para perda total ou
perda parcial, caracterizado pela deficiência visual ou perda funcional. (pg. 12-13).
Quanto à definição educacional de cegueira e baixa visão proposta em textos publicados pelo Ministério da Educação (MEC) observa-se a ênfase na definição a partir da visão funcional mais do que em termos de quantificação das funções visuais. Nessa linha temos a de Bruno (BRASIL, 2006a):
As crianças com deficiência visual são as crianças cegas e com baixa visão. A definição educacional diz que são cegas as crianças que não têm visão suficiente
para aprender a ler em tinta, e necessitam, portanto, utilizar outros sentidos (tátil, auditivo, olfativo, gustativo e cinestésico) no seu processo de desenvolvimento e aprendizagem. O acesso à leitura e escrita dar-se-á pelo sistema braille. Entre essas crianças, há as que não podem ver nada, outras que têm apenas percepção de luz, algumas podem perceber claro, escuro e delinear algumas formas. A mínima percepção de luz ou de vulto pode ser muito útil para a orientação no espaço, movimentação e habilidades de independência.
As crianças com baixa visão (anteriormente denominada visão parcial ou visão subnormal) são as que utilizam seu pequeno potencial visual para explorar o ambiente, conhecer o mundo e aprender a ler e escrever. Essas crianças se diferenciam muito nas suas possibilidades visuais. Embora necessitem aprender a utilizar a visão da melhor forma possível, podem também utilizar os outros sentidos ao mesmo tempo para a aprendizagem, aquisição de conceitos e construção do conhecimento (BRASIL, 2006a, p.13)
No documento “Saberes e Práticas de Inclusão: Desenvolvendo Competências para o Atendimento às Necessidades Educacionais Especiais de Alunos Cegos e de Alunos com Baixa Visão” os autores enfatizam na abordagem educacional o desempenho visual individual de cada criança com baixa visão e a necessidade da avaliação da visão funcional (BRASIL, 2006 b).
Apesar dos esforços para o uso de uma terminologia comum aspectos relacionados ao fim a que se propõem irão direcionar a escolha da mesma. Os documentos oficiais e o I Consenso da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal irão privilegiar a quantificação de medidas de funções visuais como acuidade visual e campo visual para o uso do termo “deficiência visual” ou mesmo “deficiente visual”. Quando há apenas referência à “perda funcional” o Consenso indica o uso do termo “perda visual”, apesar de se basear na CID-10, que inclui a categoria 9 – indeterminado ou não especificado, para quando não seja
possível determinar quantitativamente o nível de acuidade visual ou campo visual. Não fica claro no documento se, para caracterizar os indivíduos que não tenham possibilidades de responder aos testes padronizados de quantificação de funções visuais, mas que demonstram um uso funcional muito pobre ou ausente da visão, a designação de “deficiente visual” pode ser empregada. Nessas situações a própria legislação brasileira ainda não prevê a categoria indeterminada, como já está na CID-10.
Frente aos novos desafios no que diz respeito às perdas visuais relacionadas aos comprometimentos perceptuais visuais e viso-motores em função de lesões neurológicas,
especialmente nos casos de bebês e crianças com DVC, o que se observa é que as definições que são baseadas em perdas funcionais dirigidas aos adultos não compreendem os deficit específicos que limitam o desenvolvimento de funções visuais de alta ordem num cérebro ainda imaturo.
Estas dificuldades se apresentam, especialmente, em função da complexidade e variabilidade de aspectos da visão que podem estar comprometidos, que não são abrangidas pelas classificações tradicionais, baseadas em medidas da acuidade visual e campo visual (COLENBRANDER, 2010). As classificações tradicionais são importantes na alocação de recursos e normatização com objetivos de padronização científica voltada à deficiência de origem ocular. Na DVC, cujas disfunções perceptuais e cognitivas visuais podem comprometer as habilidades visuais de acordo com a natureza da tarefa, mais do que, em razão do grau deficit visual, a falta de reconhecimento legal dessa condição como deficiência limita o acesso aos bens e serviços necessários à população com DVC.