8 Ölçme, analiz ve iyileştirme
8.5 İyileştirme
A história dessa família coloca em xeque o argumento para o acolhimento por uma situação que se apresenta de modo frequente: o acolhimento de um dos filhos, enquanto alguns de seus irmãos permanecem com a família.
Em 02/04/11, João chegou ao acolhimento, com idade presumida de seis meses (data de nascimento em 10/11/10). Motivo: situação de risco. A denúncia consta que a mãe estava sendo agredida, quando segurava o filho bebê e que populares tomaram a criança e o agressor se evadiu, sendo a mãe encaminha a Delegacia de Defesa da Mulher. Por estar alcoolizada, a mãe não sabia dar informações sobre com quem poderiam deixar provisoriamente a criança. Também foi relatada a prática de mendicância com a criança. As informações prestadas pelos familiares foram de que a mãe cuidava bem da criança. O pai afirmou que seria a primeira vez que teria acontecido uso de álcool depois do nascimento da criança.
Desde o acolhimento do filho, os pais tomaram empenho em mudar sua situação e promover melhor local para recebê-lo de volta e visitando-o diariamente.
Em julho de 2012, quando o casal apareceu com uma criança de 15 dias (Dênis, acolhido em março de 2014) para visita, foi realizado atendimento social. Na ocasião, o pai se queixou que tudo o que lhes foi solicitado foi feito: ajudava a esposa que havia largado o álcool, tinham alugado uma casa, já havia sido realizada visita e, ainda assim, o filho João não tinha voltado para casa. A resposta técnica foi alegando que o endereço havia sido mudado e eles não haviam informado, e que a decisão de retorno da criança cabia ao poder judiciário e não à equipe da unidade de acolhimento. Uma vez incluídos no sistema, sob os olhos dos profissionais da assistência e da Vara da Infância e Juventude, torna-se difícil para a família sair da tutela estabelecida pelos profissionais.
No final de 2012 foi realizada visita e a situação se mantinha, com todos os ajustes solicitados à família, com renda de 400 reais e sem inscrição no cadastro único do SUAS (Sistema Único de Assistência Social). A esta época, João já havia completado 02 anos, e estando há 1 ano e 6 meses no acolhimento. Em maio de 2013, a situação perdurava, tendo a família já se mudado outras vezes, sempre sendo realizada visita domiciliar para averiguar as condições de moradia. O filho caçula, Dênis, então com 09 meses, permanecia na companhia dos pais e sempre havia solicitação por partes destes de que João pudesse retornar para casa.
Em 20 de março de 2014, Dênis também foi acolhido por ter sido encontrado em uma praça no centro da cidade, em companhia da mãe que maltratava a criança e estava alcoolizada.
Os últimos contatos da unidade com a genitora, no segundo semestre de 2014 já apontavam uma posição diferente: a mãe teve uma recaída em relação ao uso de álcool e já não apresentava condições de retorno familiar.
Em relação aos documentos jurídicos, encontramos preocupação com as condições materiais e emocionais dos pais. Em janeiro de 2012, houve decisão para passagem dos fins de semana da criança João com a família, mas a equipe da unidade não compreendeu haver condições dos pais para tal, não restando claro os motivos para tal.
Questionamos a demora do juizado em permitir o retorno familiar, de modo que a situação da família novamente se agravou. Não significa que a situação se agravou pela demora do retorno familiar da criança, mas que João foi privado de estar com sua família por motivos materiais e estruturais. Por vezes, a decisão do acolhimento se dá de forma precipitada, sem maiores averiguações e, após ser acolhida, a mudança da situação de acolhimento é muito demorada, ficando a família submetida à vigilância constante. Há uma discrepância entre o tempo que se leva para avaliar a situação da criança antes do acolhimento e para o retorno familiar, deixando a família impotente e, assim, incapacitada de prover os cuidados dos filhos.
Também questionamos o intervalo que houve entre o nascimento do segundo filho até seu acolhimento, já que se a situação não era favorável ao retorno, também não haveria de ser para a permanência do caçula. O que, do ponto de vista jurídico, sustentou essa decisão?
O que podemos observar é que, na verdade, não houve propriamente uma decisão judicial. Pelos documentos que são apresentados no prontuário desses irmãos, não há audiências realizadas, nem periodicidade de relatório, o que nos leva a crer que houve uma negligência por parte dos profissionais envolvidos no encaminhamento do caso.
De qualquer maneira, resta um argumento injustificável porque uma criança permaneceu com a família e a outra não retornou. Ponderamos que o tratamento dispensado aos irmãos de um grupo familiar pode não ser o mesmo, e, se tomarmos como referencial a Psicanálise, podemos afirmar que sempre é diferente a relação de um pai com cada filho. Entretanto, o que transparece nessas situações não é a violação de direito e fragilidade de vínculo com um filho e com o outro não, mas sim uma situação em que o que se apresenta é a consideração acerca da realidade objetiva em detrimento da afetiva.
Ao prolongar o acolhimento pela estrutura física da casa da família, fica clara a postura de dar ênfase aos aspectos higiênicos, materiais, em detrimento dos afetivos, apostando que a criança ficará melhor no abrigo do que com os pais, aparecendo novamente a tutela das famílias. Deixa-se de lado o investimento da família pela criança e o aspecto afetivo, central no ordenamento jurídico brasileiro, e desconsiderando o que há de singular na relação entre pais e filhos.
É costumeiro que se observe a situação de risco da criança como uma incapacidade dos pais, mesmo momentânea, ao passo que desconsidera, por outro lado, que algo foi proporcionado à criança até aquele momento, senão não estaria mais ali. Isso não significa que isto seja suficiente do ponto de vista da criança enquanto sujeito de direitos e nem significa que se pretenda o mais básico do cuidado: significa unicamente que é preciso considerar a dimensão do cuidado que houve, por exemplo, neste caso, e que foi pouco valorizado.