• Sonuç bulunamadı

4.1. Análise Bibliométrica

A bibliometria é um conjunto de métodos de pesquisa em constante evolução, desenvolvido pela Biblioteconomia e pelas Ciências da Informação, que utiliza análises quantitativa, estatística e de visualização de dados, fundamentalmente usado para investigar (Vanti, 2002):

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A 2 / 2 0 0 5

As tendências e o crescimento de uma área de conhecimento; As revistas do núcleo de uma disciplina;

A cobertura de revistas secundárias; Os usuários de uma disciplina;

Previsões de tendências de publicação;

A dispersão e a obsolescência da literatura científica;

A produtividade de autores individuais, organizações e países; O grau e o padrão de colaboração entre autores;

Os processos de citação e co-citação;

O crescimento de determinadas áreas e o surgimento de novos temas, entre

outros.

A bibliometria é, portanto, usada para mapear a estrutura do conhecimento de um campo científico, e também como uma ferramenta primária para a análise do comportamento dos pesquisadores em suas decisões na construção desse conhecimento.

Segundo Wormell (1998), há na área das Ciências da Informação um “caos terminológico” que não permite distinguir de forma clara os conceitos individuais de seus sub-campos de análise – bibliometria, informetria, cienciometria e tecnometria. Por esse motivo, não temos aqui pretensão de fazer a diferenciação desses diversos sub-campos e, portanto, adotaremos o termo “bibliometria”, como o mais genérico dentre eles, para designar a metodologia utilizada.

Segundo autores da área (ex.: WORMELL, 1998; VANTI, 2002), são cinco os principais tipos de metodologias utilizadas pela bibliometria:

1. Análise de citações – estabelece as relações entre autores e/ou seus trabalhos, periódicos acadêmicos, campos de estudo, países etc.;

2. Análise de co-citação – estabelece a similaridade de objetos entre dois ou mais artigos;

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A 2 / 2 0 0 5

3. Agrupamento bibliográfico – estabelece uma ligação entre artigos que citam os mesmos trabalhos;

4. Co-word analysis- analisa a co-ocorrência de palavras-chave; e

5. “Webometria” – estuda a relação entre os sites da Internet.

O presente trabalho enfoca e utiliza a primeira dessas metodologias (análise de citações) e, por esse motivo, aqui iremos nos deter especificamente nesse tipo de estudo, suas origens, potencialidades, aplicações e limitações.

4.2. Origens do Uso de Citações Para Análise de Publicações Científicas

O estudo de citações, apesar de pouco difundido ainda no campo da Administração no Brasil, não é tão recente quanto possa parecer na história da ciência. O primeiro índice de citações surgiu em 1873, nos EUA: o Shepard’s Citations (WEINSTOCK, 1971). Esse índice foi criado inicialmente com o propósito de fornecer uma ferramenta para os juristas pesquisarem a jurisprudência e quais foram os precedentes legais em que as decisões anteriores estavam baseadas. Não se tratava de um índice da literatura jurídica, como é hoje, mas um índice de anais de processos jurídicos e as interpretações dadas pelos juristas a determinadas situações. Sucederam essa iniciativa, projetos semelhantes em diversas áreas.

Os primeiros índices foram construídos com base em palavras-chave, termos ou frases que apareciam nos abstracts e títulos dos papers e estavam sujeitos à subjetividade tanto por parte de quem inseria as informações no banco de dados quanto de quem procurava por um determinado assunto ou tema. Além disso, na melhor das hipóteses, as palavras escolhidas representariam apenas superficialmente o real objeto do artigo, assim muitas das informações inseridas seriam irrelevantes, tornando o banco de dados sem utilidade para pesquisas profundas, ou que abordassem temas secundários nos artigos, ou ainda que contemplassem a multidisciplinaridade.

Fazia-se necessário, portanto, a criação de um índice que fosse capaz de comunicar toda a comunidade acadêmica a mesma informação. Este novo índice poderia então diminuir o gap de subjetividade criado pelos anteriores. Acreditava-se que um índice baseado nas referências dos autores, ou seja, na bibliografia citada, seria capaz de realizar essa tarefa, abrindo as portas para tantas interpretações quantas fossem possíveis a respeito das idéias, conceitos e assuntos tratados por determinados autores, áreas, grupos de pessoas etc.

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A 2 / 2 0 0 5

A partir dessa carência, na metade da década de 1950, Eugene Garfield sugeriu a criação de um sistema de citações que “avaliasse a relevância de um trabalho e seu impacto na literatura e no pensamento do período”(Garfield, 1955, p. 108). Em 1961, Garfield criou então o primeiro índice de citações em genética (Genetics Citation

Index) e estabeleceu o Science Citation Index (GARFIELD, 1978). Em 1973, Garfield

criou o primeiro índice de citações em Ciências Sociais e, em 1978, um índice semelhante para Artes e Humanidades (GARFIELD, 1978).

Os Índices de Citações foram imediatamente aceitos pois na época havia nos EUA uma grande pressão por parte do governo para que as universidades gerassem conhecimento e publicassem em veículos de informação de modo a comunicar suas descobertas à comunidade científica. Porém a disseminação de conhecimento não se dava de forma rápida e muitas vezes a mesma pesquisa acabava sendo feita em universidades diferentes, consumindo recursos inutilmente e/ou ignorando o conhecimento gerado anteriormente a respeito do mesmo assunto – Unintentional

Duplication of Research (MARTYN, 1964; COLE e COLE, 1972). Nesse sentido, os

“Citation Index” foram criados com o objetivo de difundir o conhecimento adquirido de forma rápida e eficaz.

4.3. O Que Podem Indicar as Citações na Pesquisa Científica?

A principal função das citações é fornecer ao leitor referências importantes sobre o campo de estudo em questão e a contribuição de autores predecessores para o trabalho atual. É, portanto, uma evidência de que o autor do artigo referenciado fez uma contribuição relevante para determinar a fronteira de estudos daquele assunto e que aqueles que quiserem ultrapassar essa fronteira devem citá-lo. As citações simbolizam assim a origem ou fundamento dos conceitos e idéias que o autor discute em seu texto. Essas associações conceituais foram descritas por Merton (1983) como um reconhecimento formal de “débito intelectual” com os autores que trataram do tema anteriormente.

De acordo com Vergara e Carvalho Jr (1995), as referências bibliográficas utilizadas por um autor são, além de suporte de argumentação, representação de suas “preocupações, preferências, suposições e metodologias” (p. 170), e evidenciam o quanto aquele autor atribui de importância à determinada produção científica de um determinado país, região, instituição etc.

Kostoff (1998) afirma que quanto menor um trabalho científico, maior a chance de ser lido em sua totalidade, uma vez que muitos dos cientistas não podem se dar o luxo de passar grande quantidade de tempo procurando extrair algo de útil um único trabalho. Nesse contexto, as citações funcionam como uma referência condensada a uma base

RE L A T Ó R I O D E PE S Q U I S A 2 / 2 0 0 5

de informações muito maior, e aqueles que tiverem interesse em acessá-la podem fazê- lo voltando aos originais em que o autor se baseou.

Um outro papel exercido pela análise das citações é o de ligação entre as diversas

influências intelectuais que impactam um pesquisador ou uma área específica do

conhecimento: analisando o percurso dessas ligações, é possível verificar qual é a linha de pensamento seguida, ou qual é o paradigma utilizado pelos autores na construção de seu raciocínio apenas pela observação dos trabalhos, autores e veículos mais citados na pesquisa.

Além desses fatores, é importante considerar também um problema encontrado por todo pesquisador, bastante questionado ultimamente: como medir o impacto e os benefícios gerados por determinada pesquisa científica. A análise das citações permite, nesse caso, que se verifique o fluxo documentado e a evolução de uma determinada pesquisa ao longo do tempo e pode servir, portanto, como fonte para se avaliar ou medir o impacto – direto e indireto – de uma pesquisa em particular, de um grupo ou instituição de pesquisadores, ou ainda de veículos de divulgação científica, em seu campo científico (FUJIGAKI, 1998).

4.4. Utilizando Análise Bibliométrica na Análise de Produção Científica

No mundo são diversos os exemplos de estudos de citações nas mais diversas áreas, como por exemplo na Física, na Química, na Botânica, na Economia e menos freqüentemente na área de Administração (STREHL e SANTOS, 2002; BIGNETTI e PAIVA, 2002).

A utilização dos Índices de Citações tornou-se uma prática comum, principalmente nos EUA, servindo como fonte para remuneração dos pesquisadores de diversas áreas. Os recursos cada vez mais escassos do governo para o financiamento de pesquisas têm sido alocados de acordo com medidas de impacto das pesquisas de determinada instituição ou grupo de pesquisadores. Periódicos totalmente voltados para a publicação do impacto de outros periódicos ou de pesquisas ganham cada vez mais popularidade, como é o caso do Journal of the American Society for Information

Science.