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İttihat ve Terakki Partisi Mensuplarının Tutuklanması ve Yargılanması

BÖLÜM 2: EKİM 1918 – ARALIK 1919 ARASI DÖNEM

2.3. İttihat ve Terakki Partisi Mensuplarının Tutuklanması ve Yargılanması

A história desse trabalho pode ser dividida em várias fases. Uma primeira que chamamos do desejo inicial. É aquele momento em que se tem a intuição do que deve ser feito. Mas na qual só se tem claro o objeto de estudo e nada mais. Nesta, só o tema era claro: “As bênçãos e a prática de exorcismos na segunda metade do século XX, no curato de Cascalho”. Foi tão forte que resistiu aos anos de pesquisa sem mudanças, só com uma pequena modificação: em lugar de “curato”, preferimos dizer “paróquia” de Cascalho. O tema era definitivo e impossível de abandonar. Já estava delimitado, era uma porção da minha vida. O que faltava era definir outros

pormenores para um projeto: apresentação, justificativa, objetivos, método, bibliografia, etc.. E isso fui aprendendo no caminho.

A segunda fase foi justamente a do projeto inicial. Este tempo foi marcado pela necessidade de justificar o tema e de apresentar as primeiras idéias em torno do padre Luis, e pela dificuldade de inserir-me no mundo da pesquisa científica. Hoje, olhando para o primeiro projeto, fico surpreso pelas suas aspirações tão diferentes dos rumos que fomos dando ao trabalho. Eram dois objetivos: em primeiro lugar, tentar fazer uma reconstrução histórica das crenças acerca do poder das bênçãos e práticas exorcistas, enquanto modalidades de “cura psicológica”; e, em segundo lugar, realizar uma análise teórica do fenômeno da possessão e exorcismos dentro da história da psiquiatria. No projeto inicial, deixávamos para um futuro doutorado a pesquisa sobre o que sobrevive da imagem de Stefanello na memória das diversas gerações.

Mas, uma terceira fase surgia, e posso chamá-la de caminhos. Os primeiros relatórios de pesquisa apontam uma busca totalmente teórica da compreensão do fenômeno do exorcismo e seu significado para a psicologia. Em seguida, uma preocupação em mostrar dentro da história da psiquiatria as semelhanças e diferenças das cerimônias de cura exorcísticas com os grandes sistemas de psiquiatria dinâmica. Só que o projeto contemplava as entrevistas com os velhos. E estas foram dando uma nova orientação para o trabalho. As transcrições começaram a ser feitas vagarosamente, mas a descoberta de um material único e bonito, nos fazia prestar mais atenção para outra possível direção da pesquisa. Começamos a nos interessar pelo tema da memória, e era uma urgência aprender mais sobre ele. Era preciso encontrar também um caminho para interpretar as falas, um método que nos possibilitasse deixar o “povo” de Cascalho falar mais. Assim, foram de grande valor

as contribuições e sugestões vindas do Professor Dr. Miguel Mahfoud e, sobretudo, de um curso - Memória, História e Identidade em Paul Ricoeur -, em novembro de 1999, organizado por ele, e ministrado pelo Prof. Dr. Aníbal Fornari. Neste curso, o professor Aníbal teve ocasião de analisar os projetos de pesquisa e indicar sugestões para as pesquisas dos alunos que freqüentaram as aulas. A principal sugestão sobre o nosso trabalho foi a de olhar para Stefanello como um mestre, categoria que encontra apoio nas teorias de Paul Ricoeur. E, nesse momento, começou uma fase intensa de leitura das obras de Paul Ricoeur, e a tentativa de, a partir das entrevistas, organizar um universo de categorias que servisse como orientação de trabalho. Os temas mais recorrentes eram: o padre como educador da comunidade; as famílias - relação italianos e brasileiros; o mal e o mundo das almas; as bênçãos e os enfrentamentos cotidianos. Com estes grandes tópicos é que o trabalho foi estruturado para o exame de qualificação.

Nesta penúltima fase, que chamamos justamente de exame de qualificação, o trabalho recebeu novo encremento. Neste momento, que é tão importante para o pesquisador, houve o reconhecimento de que o material e os dados recolhidos tinham consistência e de que possuía uma grande autenticidade por tentar mostrar a saga do padre Stefanello. Neste exame, inúmeras sugestões foram feitas, mas uma - compartilhada pelos dois examinadores - fez com que reformulássemos o trabalho inteiro: era necessário aplicar com maior rigor o método fenomenológico, deixando que o padre e o povo de Cascalho falassem mais; e que a teoria fosse utilizada para iluminação do sentido inerente aos dados. É importante salientar a sugestão do Prof. Dr. Miguel Bairrão: maior atenção em articular os pares complementares do trabalho, os termos relacionais, ou seja, o bem e o mal na cultura popular e nas relações entre

Brasil e Itália, destacando que a utilidade do trabalho - uma de suas contribuições, portanto - seria a de repensar a presença da cultura popular européia no campo do Brasil, supostamente demasiado afro.

A última fase é a do texto definitivo. Quantas mudanças... Foi preciso ler os depoimentos de novo e interpretá-los fenomenologicamente. Para isso, foi fundamental a leitura da FENOMENOLOGIA da Religião, de VAN DER LEEUW, que desenvolve um método de compreensão dos fenômenos religiosos a partir da experiência vivida do homem que se encontra diante de uma potência. O texto “definitivo” obedece a toda essa trajetória. O grão está mais maduro e à espera da colheita...

5. Objetivo

Dizer que o homem é capaz de agir significa o mesmo que reconhecê-lo capaz de dar início a algo novo, a algo que antes não estava previsto. O homem por seu nascimento é início. E quando este homem singular dá inicio a alguma coisa, sua ação incide sempre sobre uma teia já existente e ali se imprime algumas marcas, que afetam não só a esfera do homem singular, mas que provocam a vida de todos os outros ali envolvidos (ARENDT, 1999).

Nesta pesquisa queremos abordar a história do padre Stefanello, sem nos enlaçarmos numa simples descrição de suas qualidades ou virtudes, mas considerando aquilo mesmo que saiu da “boca do povo”. Nosso intento, portanto, é revelar o que sobrevive da imagem do padre Stefanello na lembrança dos mais velhos do bairro e, com isto, mostrar que essas lembranças compõem, no conjunto, uma história. Mas é uma história de relacionamentos onde não é possível dizer de um sujeito que seja o autor do resultado final, mas participe de um processo onde o padre

aparece como aquele que imprime um certo ritmo e movimento, e que se faz a si mesmo pelo movimento que vem das famílias e das pessoas do bairro ou de outras localidades.