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16. Yabancılara Verilen Sağlık Hizmetlerinde İstisna

16.2. İstisnanın Uygulanması

A Reunião das Três Horas é um evento que ocorre, mediante a participação das romeiras e dos romeiros de vários lugares do Nordeste, além dos organizadores e colaboradores que atuam no movimento romeiro, tanto em Juazeiro do Norte quanto em outras localidades. É importante situar a forma de participação evidenciada nesse evento, suas características, possibilidades e limitações, tendo em vista que considero a participação, oportunizada nesse espaço, como um fator preponderante no processo de empoderamento de seus participantes.

Participação é uma expressão de difícil definição, por não existir um consenso claro sobre seu significado, entretanto pode ser definido como ação e efeito de participar (tomar parte, intervir, compartilhar, denunciar, ser parte de). O conceito de participação social é muito utilizado para designar: a) integração, para indicar a natureza e o grau da incorporação do

indivíduo ao grupo, e b) norma ou valor, pelo qual se avaliam tipos de organização de natureza social, econômica, política, religiosa, etc. (RIOS, 1987).

Desde os anos setenta que vem crescendo a discussão acerca das diversas formas de participação direta da sociedade civil nas instituições públicas e privadas, em projetos não governamentais, assim como em grupos religiosos e leigos, como foi o caso das Comunidades Eclesiais de Base, que surgiram a partir das experiências pastorais, vinculadas ao processo de renovação da Igreja Católica, resultante da efervescência política e social desencadeada pós Concílio Vaticano II45.

Participação pode ser definida como uma forma ativa de integração de um indivíduo a um grupo, podendo, ainda, ser compreendida como um instrumento ou como ações que diferentes forças sociais desenvolvem para influencia as atividades realizadas, em diversas instâncias sociais. O significativo desse termo adquire conotações diferentes, dependendo do grupo, categoria ou instituição que utilize. Assim, a concepção de participação social para representantes do governo federal, estadual ou municipal, dos grupos ligados à Igreja Católica, das associações de moradores, dos conselhos entre outros, expressa diferentes situações da realidade social brasileira.

De acordo com Demo (1988, p. 18), a participação é um processo “em constante vir-a-ser, sempre se fazendo. Assim, participação é, em essência, autopromoção, e existe enquanto conquista processual”. Dessa forma, não pode ser entendida como dádiva, como concessão e nem como algo já preexistente, ou seja, se hoje é possível usufruirmos de espaço participativo é porque este foi conquistado.

Existem fatores que facilitam ou obstaculizam a participação, pois, embora as pessoas gostem ou sintam necessidades de participar, tanto em organizações formais quanto informais – escolas, igrejas, empresas, sindicatos, partidos, associações profissionais, associações de moradores etc., nem sempre existem condições favoráveis para que haja um engajamento e uma participação mais efetiva. Às vezes, essas barreiras que impedem a participação dizem respeito às características pessoais dos que compõem essas organizações. Portanto, podem existir condicionamentos políticos, econômicos e sociais que influenciam nos

45 Os concílios são um momento de revisão, afirmação e transmissão da tradição da Igreja, feitos pelo Magistério,

que num esforço comum buscam a preservação, defesa ou guarda e clareza da Fé e da doutrina Católica. O Concílio Vaticano II (XXI Concílio Ecumênico da Igreja Católica), foi convocado no dia 25 de Dezembro de 1961, através da bula papal "Humanae salutis", pelo Papa João XXIII; foi inaugurado no dia 11 de outubro de 1962, terminando no dia 8 de dezembro de 1965, já sob o papado de Paulo VI (PASSOS, 2014, p. 5).

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níveis de participação (SILVA, 2008, p.15).

Não só as formas de sistemas influenciam na participação, mas também os tipos de liderança ou direção, ou seja, o tipo de liderança democrática facilita a participação, enquanto o tipo oligárquico ou centralizado dificulta. A própria estrutura da organização, porém, pode inibir a participação, principalmente quando a distribuição das funções não se dá, de forma flexível e descentralizada, impedindo, assim, uma participação ativa de seus membros. Deve existir, também, uma flexibilidade da programação, para que se garanta uma maior participação.

A participação pode se dar em nível macro, quando se refere à sociedade como um todo, e em nível micro, quando o processo envolve apenas grupos e associações. Nesse sentido, pode-se dizer que a microparticipação serve como base e prepara para a macroparticipação (SILVA, 2008, p.17); um exemplo claro disso é a participação na comunidade, na escola e grupos ligados à Igreja Católica, como no estudado aqui.

A participação que ocorre na Reunião das Três Horas pode ser configurada como participação social, pois engloba desde momentos de integração, informação e partilha de saberes, até momentos de mobilização e luta pelos direitos dos romeiros, seja de deslocamento, como é o caso da luta pelo direito de viajarem em caminhões pau-de-arara, seja por acomodação digna nos diversos ranchos espalhados na cidade, dentre outras.

Essa reunião tem favorecido uma integração e formação para o engajamento das romeiras e dos romeiros ao movimento de valorização de sua cultura sociorreligiosa; além de ser um instrumento prático de acolhimento ao povo romeiro, que, como sabemos, foi, durante muito tempo, rejeitado e considerado fanático pelos poderes eclesiais locais. Através de sua tradição religiosa popular, os romeiros resistiram a esse cenário hostil, sustentados por sua fé e devoção ao Padre Cícero e à Mãe das Dores. Com isso, foram conquistando, gradativamente, a aceitação de suas expressões religiosas e o reconhecimento de sua participação como principais protagonistas do fenômeno a romarias em Juazeiro do Norte.

Desde as primeiras iniciativas de Padre Murilo, ainda no final da década 50, percebe-se que foram sendo desenvolvidas ações que se tornaram fatores de agregação favorecendo essa participação, tais como: as iniciativas de aproximação por parte de alguns religiosos, o uso de linguagem e expressões da cultura popular nordestina e a criação de um espaço de acolhimento.

Além disso, um ambiente festivo, que conjugava e ainda hoje conjuga ações devocionais de caráter mais popular com momentos de evangelização e escuta de suas experiências, contribui para um engajamento cada vez mais efetivo de seus participantes; tais fatores fizeram com que esse evento se tornasse obrigatório, no itinerário romeiro, em Juazeiro. Outro fator que contribuiu para a crescente participação das romeiras e dos romeiros nessa reunião foi a atuação das lideranças na condução dos encontros, no caso aqui, entendida como os idealizadores e propagadores dessa ideia, como coordenadores, agentes pastorais e os próprios romeiros e romeiras, inicialmente marcada pela liderança carismática de Padre Murilo que, com sensibilidade, soube ouvir a voz do povo romeiro e, posteriormente, pela presença acolhedora e amorosa de Irmã Annette e Irmã Ana Teresa. Elas criaram uma estrutura organizativa, baseada nos ensinamentos da Teologia da Libertação e na prática das CEBs, inspirada ainda na pedagogia de Paulo Freire, onde a preocupação não era atingir um número grande de romeiros e romeiras, mas, antes de tudo, criar um ambiente de diálogo e despertar da consciência da condição romeira, como destacado por Irmã Annette:

Quando faço a reunião com 100 ou 200 romeiros, não é o número que me importa, é a qualidade da relação!’. É para os romeiros um momento de tomada de consciência da dignidade que cada um tem. Estudei muito a pedagogia de Paulo Freire, a pedagogia do oprimido, e a gente sabe que quem pode sair da opressão é o próprio oprimido, não é o opressor! Então, temos que utilizar métodos pedagógicos aonde o romeiro vai poder ter certeza e consciência de que ele tem valor e tem algo a dizer, a ensinar! E nós, os intelectuais, temos que aprender a ser éticos e não fazer de conta que temos que aprender do povo, do oprimido! Porque tem intelectual que faz um joguinho: deixa o romeiro falar, mas pensa que o que ele fala é bobagem!

Dessa forma, as irmãs foram criando uma organização para o encontro romeiro, onde o principal elemento é “dar voz” as romeiras e aos romeiros, através da valorização de sua cultura: isso inclui sua linguagem popular, suas expressões e práticas religiosas, principalmente a tradição dos benditos que professam suas experiências e saberes, seus testemunhos que contam histórias de fé e sacrifício. O “dar voz”, por meio do microfone, é um aspecto destacado por Ir Annette, porque reconhece que esse instrumento de comunicação pode ser manipulador.

A Reunião das Três Horas, eu inventei logo. Eu percebi que o microfone é uma ‘arma’ perigosíssima. Se você usa um microfone, você manda o povo calar. Você manda o povo cantar na hora que você manda, é você que manda! Ele obedece! É horrível! É terrível! É perigoso! Pode se tornar ditatorial o

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microfone! Por isso, pensei: vamos fazer uma reunião onde o microfone fica na mão do romeiro! Vamos dar esse meio de comunicação também para o romeiro! Então fazemos um tipo de encontro, em dois momentos. Porque eles querem também que eu fale, eles querem que eu cante, eles querem que eu conte história. Nesse primeiro momento, fazemos com eles um tipo de contrato. Digo para eles: ‘Eu vou contar uma história, se vocês me prometem contar a mesma história lá da sua terra!’. Eles acham a proposta interessante e prometem! Para eles, é como uma promessa! É interessante, pois eles se tornam eles mesmos evangelizadores. Eles não voltam do Juazeiro apenas com o presente de uma medalha, uma lembrança para oferecer, mas têm uma mensagem do Evangelho a transmitir. Eles se tornam evangelizadores! E depois começamos a segunda parte, a mais importante da reunião, que é reservada para eles, onde podem usar o microfone, cantar seus benditos, testemunhar para todos ouvirem e reagirem! (Entrevista concedida em 05/02/2015).

Essa pedagogia social agregou valores à expressão da experiência romeira, propagou a ideia de que eles podem e devem ser ouvidos, que suas histórias também compõem a história das romarias de Juazeiro. Ao dar importância e sentido à voz do povo romeiro, Irmã Annette mostra o lugar de protagonismo de suas histórias e das romarias; ela ensina que eles são sujeitos históricos, capazes de gerar transformações nas relações de opressão a que foram submetidos.

Resgatando essa história, percebe-se a intensa mobilização sociorreligiosa, processada para criação e consolidação do movimento de acolhida às romeiras e aos romeiros, como “povo de Deus”. Essa forma de acolhimento encontra suas bases ideológicas no Concílio Vaticano II, que trouxe o conceito de “povo de Deus”. Esse carisma renovador, presente no Concílio Vaticano II, foi um marco histórico fundamental que revelou a necessidade de a igreja se compreender como servidora da humanidade, a partir do conceito de “povo de Deus”46, considerado por muitos como principal contribuição teológica desse concílio. “Mais ainda: ‘povo de Deus’ é o conceito que mais expressa o ‘espírito’ do Vaticano II. Se quiséssemos, numa palavra, exprimir o que trouxe o Vaticano II para a Igreja, precisaríamos dizer: lembrou à Igreja que ela é povo de Deus”. Através do Pacto das Catacumbas, assinado, no dia16 de novembro de 1965, por 500 dos 2.500 bispos do Concílio, entre eles bispos brasileiros, foi

46 A concepção de povo de Deus evidencia a pertença a Deus e a constituição de pessoas humanas, vivendo na

igualdade e na distinção. Povo de Deus manifesta o que existe de comum a todos os membros da Igreja. Todos, pertencem ao povo, anteriormente a qualquer distinção interna; assim, num primeiro momento, todos no povo de Deus são iguais, cidadãos do Reino. “Este povo se torna povo de Deus, na medida em que, formando comunidades de batizados, de fé, esperança e amor, animado pela mensagem de absoluta fraternidade de Jesus Cristo, se propõe, historicamente, a concretizar um povo livre, fraterno e participante. Esta realidade histórica não constitui apenas um produto de um processo social simétrico, mas, teologicamente, significa a antecipação e preparação do Reino de Deus e do Povo de Deus escatológico” (BOFF,1982, p. 185).

firmado um pacto de propagação de uma Igreja servidora e pobre. Esse pacto inspirou, posteriormente, Medellín47 e Puebla no seu compromisso em favor da justiça e na opção da Igreja preferencialmente pelos pobres48 e por sua libertação, enquanto postulado original do Cristianismo (COMBLIN, 2002, p. 9).

Outro aspecto, que podemos correlacionar com as diretrizes do Concílio Vaticano II e as bases organizativas da acolhida aos romeiros, diz respeito à importância do diálogo como instrumento de comunicação e partilha de saberes. No Concílio Vaticano II, é considerado como palavra-chave, como destacado por Maria Cecília Domezi, em sua obra O Concílio Vaticano II e os pobres. Para ela, “[...] a acolhida das diferenças, até então vistas como estranhas, ameaçadoras e mesmo inimigas, foi o espírito que conduziu os padres conciliares, na busca dos métodos e dos fundamentos do diálogo com as exterioridades da Igreja” (DOMEZI, 2014, p.11).

Como destacado anteriormente, foi exatamente isso que aconteceu, no cenário das romarias a Juazeiro do Norte. A partir da década 70, a Igreja começou um movimento de acolhida aos seus fiéis, independente de suas tradições religiosas populares, mesmo que inicialmente em ações pontuais e até isoladas. Enquanto a acolhida aos romeiros foi se estruturando e tornando-se um evento oficial, no calendário das romarias, foi-se estabelecendo um diálogo entre os representantes da Igreja, que estavam à frente desse evento, com os romeiros e romeiras vindos de diferentes Estados do Nordeste e até mesmo de outras regiões. Esse diálogo marca um novo jeito de interagir com os devotos de Padre Cícero, pois traz em seu bojo a intenção de aprendizado coletivo da condição romeira, de comunicação e de partilhas de saberes baseados na experiência, no vivido em romaria.

Como pontuado por Paulo Freire (2008, p.13), “o diálogo é, em si, criativo e re- criativo”: nesse sentido, é uma necessidade da natureza humana. “O diálogo sela o ato de aprender, que nunca é individual, embora tenha uma dimensão individual”; portanto, fundamental numa via de comunicação e aprendizado coletivo, como observado no encontro romeiro (FREIRE, 2008, p. 14). Ainda para Freire, o diálogo “não é um espaço livre onde se

47Após três anos do término do Concílio, realizou-se a segunda Conferência Episcopal latino-americana, na cidade

de Medellín; dessa conferência emerge, pela primeira vez, a importância das comunidades de base, esboça-se a teologia da libertação, aprofunda-se a noção de justiça e de paz ligada aos problemas de dependência econômica, coloca-se o pobre no centro da reflexão do continente (BEOZZO, 1993.p. 117-118).

48“Enquanto na Europa se espalhavam as críticas ao conceito de “povo de Deus”, o episcopado da América Latina

deu-lhe uma expansão notável. Apesar de muitos apelos e da sugestão de João XXIII, o Concílio não pôde chegar a uma teologia da Igreja dos pobres, como dizia o Papa. Esse passo foi dado na América Latina, em Medellín e Puebla. Ali se chegou à percepção clara de que o “povo de Deus” é, na realidade, o povo dos pobres (COMBLIN, 2002, p. 10).

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possa fazer o que se quiser. O diálogo se dá dentro de algum tipo de programa e contexto” (2008, p.123). No encontro com os romeiros, o diálogo é pautado pelas ações de acolhimento, escuta e aconselhamento, que se tornam a principal via de comunicação com o povo romeiro, que também é “povo de Deus” e povo pobre.

Nesse sentido, o encontro romeiro é um meio propiciador de empoderamento de seus participantes, possibilitado pelo apoio social empregado em suas ações. Segundo Valla (1999, p. 10), o apoio social compreende “[...] qualquer informação, falada ou não, e/ou auxílio material oferecido por grupos e/ou pessoas que se conhecem, e que resulta em efeitos emocionais e/ou comportamentos positivos”. Esse apoio, normalmente, se passa entre pessoas que se conhecem e se encontram de forma sistemática, razão pela qual geralmente se dá em torno da frequência a alguma instituição. Segundo a teoria do apoio social, o apoio material, emocional e de informação prestado às pessoas, de uma forma sistemática, exerce um efeito positivo sobre a vida das pessoas envolvidas.

O conceito de apoio social está também relacionado ao conceito de empoderamento, na medida em que os indivíduos e comunidades, por meio do apoio social, passam a experimentar uma sensação de maior poder sobre suas vidas. Vivenciam também um aumento da autoconfiança e da capacidade de enfrentar e superar seus problemas, conquistando um estado de maior satisfação com a vida. Com isso, tornam-se capazes de atuar mais efetivamente na direção de transformar suas vidas e os seus ambientes (BAQUERO, 2012, p.174).

Pensar o apoio social, a partir dessa perspectiva, levou-me a entender que as formas como as pessoas vivenciam seus problemas são diferentes, porém estudos realizados em torno da temática do apoio social e empoderamento, relacionados ao campo da saúde, têm demonstrado, como destaca Valla (1999), que os apoios disponíveis em instituições e grupos sociais podem influenciar positivamente na condução e resolução dos problemas individuais e coletivos, no sentido que proporcionam fatores de proteção psicossocial, melhorando a confiança pessoal e a satisfação com a vida. Nesse sentido, agem como fator propiciador de um empoderamento individual e coletivo.

Historicamente, o conceito de empoderamento está associado a formas alternativas de se trabalharem as realidades sociais, como sinônimo para habilidade de enfrentamento, suporte e apoio social, formas cooperativas, formas de democracia participativa, autogestão e movimentos sociais autônomos. É também usado como sinônimo para eficiência pessoal,

competência, autoestima e autossuficiência. Nesse sentido, pode englobar aspectos individuais e coletivos (BAQUERO, 2012, p. 174). Em âmbito geral, pode ser compreendido como um processo, pelo qual indivíduos, comunidades e organizações obtêm controle sobre suas vidas. Vasconcelos (2001, p. 5) define empoderamento como “o aumento do poder pessoal e coletivo de indivíduos e grupos sociais, nas relações interpessoais e institucionais, principalmente daqueles submetidos a relações de opressão e dominação social.” Portanto, está associado às formas de enfrentamento, sejam elas individuais ou coletivas, podendo referir-se aos diversos âmbitos da realidade social.

Para Zimerman (1990), enquanto abordagem conceitual, o empoderamento pode ser analisado, a partir de três níveis: o psicológico, organizacional e comunitário. O empoderamento psicológico ou individual contempla uma noção de indivíduo comedido, independente e autoconfiante, gerado por estratégias socioeducativas que fortaleçam sua autoestima e sua capacidade de adaptação ao meio; esta abordagem é tida como “comportamentalista”, pois se volta mais para a mudança de comportamento sem, no entanto, estar ligada a processos que demandem uma visão crítica da realidade vivenciada, ou seja, não estão, necessariamente, ligados a ações emancipatórias.

Entretanto, é importante pontuar que esse nível é imprescindível, para que os outros (organizacional e comunitário) se estabeleçam, pois, sem esse grau mínimo de empoderamento, fica difícil atingir uma motivação mais ampla. Essa forma pode ser expressa, quando lideranças e participantes de grupos expõem suas posições ideológicas, políticas e sociais com confiança, quando demonstram se sentirem competentes em determinadas situações, ou que sua experiência é significativa para a aprendizagem grupal.

O empoderamento organizacional está profundamente ligado à organização, independentemente de ser pública ou privada, pois é gerado para seu fortalecimento enquanto instituição. Embora se compartilhem informações e poder nesse nível, não se verifica um sentido coletivo de redistribuição de poder; os esforços são na direção de uma mesma meta (PERKINS; ZIMMERMAN, 1995).

Já o empoderamento comunitário implica a “disputa pelo controle de recursos e na redistribuição de poder”. Assim, tal enfoque envolve a participação, o controle dos indivíduos e comunidades e a definição de ações coletivas para a efetiva melhoria da qualidade de vida. Na escolha desse caminho, entra em pauta a capacidade de indivíduos falarem sobre os próprios problemas e os processos que vivenciaram ou vivenciam. As ações educativas visam a uma

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reflexão por parte desses indivíduos e das comunidades das quais participam para uma ação crítica sobre a realidade (PERKINS; ZIMMERMAN, 1995).

O empoderamento, como tem sido abordado no Brasil, é um conceito complexo e não tem um sentido universal, como pontua Gohn (2004), tem sido entendido como o processo de capacitação para a aquisição de poder técnico e político por parte dos indivíduos e da comunidade. Em âmbito geral, está ligado ao processo, no qual indivíduos, comunidades e organizações conseguem assumir o controle sobre suas vidas, a partir do aumento do poder pessoal e coletivo, principalmente daqueles submetidos a situações de opressão e vulnerabilidade social.

Tanto poderá estar referindo-se ao processo de mobilizações e práticas destinadas a promover e impulsionar grupos e comunidades – no sentido de seu crescimento, autonomia, melhora gradual e progressiva de suas vidas

Benzer Belgeler