As romeiras e os romeiros foram criando e recriando condições materiais e simbólicas de autonomia para suas expressões religiosas. Isso implicou modificações nas formas de relacionamento estabelecidas entre a Igreja Católica e o povo romeiro, principalmente a partir das iniciativas de Padre Murilo, que, além de olhar de forma sensibilizada para as condições precárias de acolhimento praticadas até então, desenvolveu estratégias de celebração eucarística, confissões e festividades que foram transformando os sentidos atribuídos à própria romaria, como expõe José Carlos dos Santos, em entrevista concedida, em outubro de 2015, enquanto ocupava a função de coordenador da Pastoral de Romaria.
Quem, na verdade, estruturou toda essa movimentação das romarias foi padre Murilo, porque ele foi tomando iniciativas para poder dar um sentido e significação da própria romaria, porque, antes do padre Murilo, os romeiros vinham para Juazeiro, só que, como a igreja não dava muita assistência, então o romeiro fazia sua romaria da forma que era possível; às vezes, tinha a missa, mas, depois, a igreja fechava a porta e pronto. Não tinha acolhimento, não tinha padres confessando, as missas não tinham uma celebração com os cânticos dos romeiros. A partir da chegada do padre Murilo e desse olhar pastoral dele pras romarias dentro do sentido próprio, hermenêutico [...] Então ele adotou uma prática de acolhimento, teve a iniciativa de colocar na festa da padroeira os noitários e dentro de alguns noitários a participação específica de alguns grupos religiosos e civis, alguns movimentos de Juazeiro como, por exemplo, a noite dos chamados carregadores, chapeados e carroceiros. Daí foi
criada a procissão das carroças; aquela noite tem quarenta e três anos de existência, e essa procissão era exatamente nesse sentido de congregar o que em Juazeiro tinha muito naquela época, os chapeados, os carregadores de feiras e os carroceiros.
Padre Murilo, além de abrir as portas da igreja matriz não só durante as missas e confissões, criou celebrações específicas para o público romeiro, valorizando seus cânticos e expressões devocionais, como foi o caso das procissões que se tornaram tradição, dentro da programação da Romaria de Nossa Senhora das Dores. Foi iniciativa, também, de Padre Murilo a Procissão dos Caminhões e ônibus que homenageiam Nossa Senhora das Dores, no dia 14 de setembro, num cortejo que atravessa a cidade, de forma alegre e festiva. Nessa procissão, iniciou-se a tradição de os romeiros e romeiras, que estão dentro dos carros, jogarem bombons para os moradores da cidade; em troca, os moradores oferecem água aos participantes da procissão. Essa é uma das procissões mais movimentadas das romarias juazeirense.
Figura 5 – Fotografias da Procissão de caminhões e ônibus, da Procissão das carroças.
Fonte: Arquivos da pesquisa
Padre Murilo criou, também, a Despedida do Romeiro e a Bênção do Chapéu que, desde sua época, é um momento de bênçãos dos objetos considerados sagrados, adquiridos na romaria, como os terços e as imagens de santos. São abençoados, ainda, os carros, pois os romeiros e romeiras acreditam que, recebendo essa bênção, terão um retorno para suas casas em segurança; essa tradição persiste até os dias atuais. Essa celebração acontece, ao meio dia,
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na Basílica de Nossa Senhora das Dores, e é marcada por um clima de emoção, saudade e agradecimento, como pude observar, durante a pesquisa de campo.
Figura 6 – Fotografia da Despedida do Romeiro, Bênção dos objetos sagrados.
Fonte: Arquivos da pesquisa
Portanto, foi através das iniciativas de Padre Murilo que novos sentidos foram sendo agregados ao fazer das romarias e, consequentemente, foram ampliando o movimento de recepção ao povo romeiro. Foi acontecendo uma estruturação e ressignificação dos momentos de celebração e práticas romeiras dentro da própria organização das romarias, assim como na forma de perceber e envolver o povo romeiro na programação oficial. Conforme José Carlos, com essa atitude, padre Murilo valorizava as práticas e iniciativas romeiras e com isso fortalecia sua autonomia e presença:
Ele deixava porque as pessoas quando chegava a Juazeiro, trazia muito os seus rituais próprios como entrar na igreja de joelhos e cantando, de trazer o andor dos santos da sua comunidade. O local pra colocar as imagens, então todas essas vamos dizer assim, essas manifestações eram extremamente valorizadas. Vinham muitos grupos como os Penitentes de vários estados, os índios e os quilombolas. Então todo esse publico vinha. Os cantadores populares,
também, vinham e entravam na igreja cantando e padre Murilo deixava que eles se manifestassem da sua forma, o mais espontâneo e mais voluntariamente possível. (Entrevista concedida em outubro de 2015)
Com a chegada das Irmãs Annette Dumoulin e Ana Teresa Guimarães, na década de 1970, essa forma de acolhimento ganha uma nova configuração, implicando, também, novos sentidos e ressignificações atribuídas ao itinerário romeiro. Dentre essas reconfigurações, a mais preponderante foi a atitude de incentivar a expressão das romeiras e romeiros por meio de suas falas e testemunhos. Pedagogicamente, é possível dizer, que essas ações ajudaram essas pessoas perceberem seu lugar nesse contexto e se sentirem sujeitos desse processo.
Figura 7 – Fotografias de Irmã Annette e Irmã Ana Teresa
Fonte: Arquivos da pesquisa
As duas irmãs vinham de uma experiência de estudo e participação nas Comunidades Eclesiais de Base em Recife, o que foi extremamente positivo para o que elas desenvolveram, posteriormente, em Juazeiro. Além disso, Irmã Annette, antes de chegar ao Brasil, tinha se graduado em Ciência da Religião e fez Mestrado e Doutorado em Ciência da Educação, com especialidade em Psicologia da Religião; isso ocorreu entre 1964 e 1970, quando decidiu conhecer o Brasil e as CEBs.
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Fonte: Arquivos da pesquisa
Sem sombra de dúvida, essa formação, aliada a sua experiência de vida, a qual traz a marca das lições apreendidas com o pai, durante a Segunda Guerra, de que “a felicidade consiste em ajudar os outros”, foi a base para seu engajamento na luta pela valorização da cultura romeira, influenciando seu olhar de sensibilidade, diante dos devotos de Padre Cícero e Nossa Senhora das Dores38.
[...] a gente ficou tão empolgada, tão emocionada, como religiosa, não somente como pesquisadora, de ver milhares, milhões de romeiros chegando, precisando de uma acolhida, do amor, da compreensão, da escuta, que eu logo percebi, em uma noite de São João, eu me lembro, ainda, lá no Horto, eu percebi que meu lugar não era em Louvain, toda a minha formação era pra chegar aqui, pra ser cantora de romeira, pra ficar no meio deles (Entrevista concedida em 01/02/2014)39.
No início, elas ajudavam Padre Murilo com as confissões, devido ao grande número de pessoas para confessar, pois, nessa época, ele quase não contava com a ajuda de outros padres, fazia praticamente sozinho esse trabalho. Isso acontecia, segundo José Carlos dos Santos, devido a uma baixa participação de outros padres:
38 Eu e Ercília Maria Braga de Olinda construímos a história de vida de Irmã Annette, que foi apresentada no texto
A presença evangelizadora da Irmã Annette Dumoulin: viver como Cristo viveu, ensinar como Cristo ensinou!, o qual compõe o livro Vidas em Romaria.
39 Utilizei nesse texto fragmentos de duas entrevistas realizadas com Irmã Annette, uma realizada no dia
01/02/2014, de caráter mais exploratório, e outra na perspectiva da entrevista narrativa, realizada no dia 05/02/2015. Esta última foi realizada juntamente com a professora Ercília; posteriormente, trabalhamos essa entrevista e construímos a história de vida de Irmã Annette, como exposto na nota anterior.
cabacinha onde Irmã Annette e Terezinha escreveram que voltariam a Juazeiro "minha vocação é aqui, com os romeiros"
"a mãe dos romeiros"
É importante destacar que não vinham muitos padres romeiros, como vêm hoje; a presença dos padres era mínima. Os padres viam com muita desconfiança às romarias. E não existia nenhum apoio e nenhuma participação da Diocese. Não era prática comum os padres da Diocese irem confessar. O bispo só ia no dia da festa da Padroeira, igualmente como ele ia a todas as paróquias da Diocese, a missa das nove horas e tudo. Na época das romarias, o bispo não ia confessar, não ia celebrar na igreja de Nossa Senhora das Dores. Não havia essa participação, tudo era sustentado pelo Padre Murilo, que conduzia tudo. Há vinte anos, não tinha também uma ação pastoral nem nos Franciscanos, nem nos Salesianos, nem na Igreja Coração de Jesus e nem no Horto, a não ser o oferecimento dos sacramentos, missas e confissões. Quer dizer, as manifestações eram do povo mesmo fazendo a sua própria romaria. Com a chegada das irmãs, então vai ter essa nova configuração do acolhimento aos romeiros e tudo que elas se propõem. Nesse sentido, tem vários aspectos: primeiro, não havia nenhum apoio da Diocese; segundo, havia a ameaça de mexer com essa estrutura, retirar Padre Murilo. Foi um processo de perseguição, muito grande. Padre Murilo foi o primeiro, a dar um viva ao Padre Cícero. E por isso recebeu muitas acusações de aliciador de romeiros, que ali era uma indústria da fé e que Juazeiro era um centro de fanatismo. Essas eram as denominações que vinham. Porém, acredito que muitas dificuldades que a igreja e a Diocese tinham de retirar o Padre Murilo de lá, era porque não tinha outra pessoa que assumisse esse trabalho, que tivesse a disponibilidade que ele tinha. Apesar de ele ter sido formado pra ser contra o movimento de Juazeiro, contra as romarias, ele se sensibilizou com a causa romeira e fez tudo o que fez. (Entrevista concedida em outubro de 2015)
Nesse relato, destaco que foram decisivas as iniciativas de Padre Murilo e que a chegada das irmãs trouxe uma reorganização para o que ele vinha fazendo. Irmã Annette e Irmã Ana Teresa foram se inserindo gradativamente nesse cenário, absorvendo e sendo absorvidas por esse contexto. Nas palavras de Irmã Annette:
Então, assim, começamos a trabalhar; primeiro, foi extremamente difícil de ser aceita pelo próprio Padre Murilo, porque o coitado estava numa corda bamba, numa dificuldade medonha: ser, ao mesmo tempo, Padre dessa diocese e acolhedor dos romeiros. [...] No começo, perguntamos o que poderíamos fazer para ajudar: ‘Vocês quem sabem, procurem!’ foi a resposta. Eu acho que ele fazia tudo pra nos convidar a desistir. Mas ele não conhecia a gente, então a gente começou a ajudar nas confissões comunitárias e ele só escutando, observando. (Entrevista concedida em 05/02/2015)
Nesse período, a função delas era preparar as romeiras e os romeiros, através de cânticos, reflexões e orações para a confissão comunitária. Esses momentos foram ganhando expressividade entre a nação romeira, que encontrou nesse formato uma oportunidade para se expressar e compartilhar coletivamente momentos de evangelização.
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Figura 9 – Fotografia Padre Murilo, Irmã Annette e Irmã Ana Teresa.
Fonte: arquivos da pesquisa
Em 1979, surge a ideia de criar a Reunião das Três Horas, um momento pastoral de acolhimento e reflexão de temas sociorreligiosos, quando as romeiras e os romeiros falam de suas experiências de romaria, dão testemunho de graças alcançadas, cantam benditos, fazem orações, compartilham notícias de suas localidades e celebram num clima festivo a romaria. Figura 10 – Fotografia de Irmã Annette coordenando a Reunião das Três Horas.
Nesse período, também foi criada a Sala de Informação ao Romeiro, local onde eles registram suas romarias. Normalmente, esse registro é feito pelos coordenadores de romaria ou pelos fretantes, que informam o local de procedência, o número de pessoas que vieram com ele e onde ficam hospedadas. Inicialmente, funcionava dentro da igreja, na sala de confissões, posteriormente foi transferida para uma sala exclusiva. Durante um bom tempo, essas informações foram organizadas em fichas preenchidas manualmente e arquivadas por ano; quem ficava à frente desse trabalho era Irmã Ana Teresa, como relatou Irmã Annette.
Ana Teresa ficou mais na Sala de Informação ao Romeiro, no contato individual com os romeiros, em conversas que duravam, às vezes, mais de meia hora. Ela deixava o romeiro desabafar. Confessou muitos romeiros que não podiam se confessar; uma maneira de falar, pois ela não podia dar a absolvição, mas, como eles precisavam desabafar, então eles contavam as suas histórias a Ana Tereza. E ela escutando, acolhendo e sorrindo. Ela fez um bem imenso aos romeiros, porque ela tinha um jeito de acolher. Ela ajudou muito, ajudou as pessoas que se perdiam, e as que eram roubadas; ela sempre ajeitava, dava um jeitinho de ir buscar o dinheiro na comunidade, fazer um prato de comida. Muito boa Ana Tereza; foi uma pessoa maravilhosa. (Entrevista concedida em 05/02/2015)
Essa parceria entre o Padre Murilo e as irmãs possibilitou a realização de pesquisas que abordavam o universo místico e simbólico dos romeiros, a partir da criação, em 1976, de dois centros que se complementam em suas ações: o Centro de Informações-Romeiros e o Centro de Psicologia da Religião (C.P.R.)40, “onde se reúne até hoje o maior número possível de documentação e os arquivos ligados à história do Juazeiro” (DUMOULIN; GUIMARÃES, 2015, p.57).
Para as Irmãs Annette Dumoulin e Ana Terezinha Guimarães (2015, p.57):
Quanto mais se entra nesse trabalho psicopastoral, mais se percebe a necessidade de falar ao romeiro e devoto do Pe. Cícero. Silenciar é uma falha pedagógica e pastoral que leva o povo a preencher o espaço vazio com uma imagem mítica do Padre, não fundamentada na realidade. Apresentar o Pe. Cícero apenas através da óptica dos que o defenderam ou condenaram é um risco de perpetuar uma polêmica viciosa.
40 Conforme Dumoulin e Guimarães (2015, p.59), este centro “dispõe, atualmente, de umas 180 fotocópias de
cartas ou borrões de cartas escritas” por Padre Cícero. Correspondem ao período de 1874 a 1934. “São cartas oficiais ou íntimas, de esclarecimentos ou desabafo, mensagem de intimação ou de conselhos aos afilhados, cartas de conteúdo religioso ou político, de negócios ou de amizade”.
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Essas pesquisas têm contribuído para a compreensão da cultura romeira e o contexto sociorreligioso, econômico e político que caracteriza as romarias a Juazeiro, como destaca Irmã Annette.
Para nós, foi uma riqueza ter ‘casado’ dois centros: um centro de pesquisa, que se alimentava do centro de acolhimento do romeiro, e o centro de acolhimento de romeiros, que nos ajudava a pesquisar mais nos arquivos. A pesquisa nos ajudava a acolher melhor o romeiro, a entender melhor. Então eu acho que isso foi uma graça imensa, acho que poucos pesquisadores têm essa chance de poder casar a pastoral e a pesquisa científica. Continuar pesquisando, mas que os resultados da pesquisa sejam realmente a serviço do povo e vice-versa! Isso foi uma experiência maravilhosa. (Entrevista concedida em 05/02/2015)
Com as pesquisas realizadas, as irmãs foram trazendo à tona outro lado da história do Padre Cícero, inclusive obtiveram a permissão do Bispo Dom Newton para estudar os documentos que estavam arquivados na Diocese de Crato, até então desconhecidos por parte dos pesquisadores e da própria igreja. Essas pesquisas fortaleceram, ainda mais, a posição de Padre Murilo de receber bem os fiéis que chegavam a Juazeiro e a escolha das irmãs por continuarem em Juazeiro e ampliar as ações direcionadas ao povo romeiro e os estudos sobre o Padre Cícero.
Como fruto dessas pesquisas, destaco: os artigos e livros escritos pelas irmãs41 e a criação do Livrinho do Romeiro, que teve seus primeiros fascículos impressos, ainda no final da década 70. Este passou a ser usado nas missas e na Reunião das Três Horas, como destaca José Carlos dos Santos:
Uma das coisas que foi extremamente positiva foi a criação do livrinho dos romeiros, porque o livrinho era uma coisinha simples, vendido por um valor relativamente barato para atingir o objetivo de maior divulgação entre os romeiros. Eles incluíram no livro uma questão muito pedagógica, que era iniciar o livrinho com uma história que relatava histórias de vida dos romeiros, por isso foram muito explorados dentro da Reunião das Três. Esses livrinhos eram constituídos de cânticos romeiros. Eu acho que, atualmente, está se descaracterizando essa ideia inicial, pois estão sendo inseridas outras coisas além dos hinos e benditos de romeiros. Antes, podia acrescentar até o Ofício de Nossa Senhora, mas, no final, porque o foco era os benditos dos romeiros. Os livrinhos também faziam referência ao tema da Campanha da Fraternidade e, através disso, abordavam as histórias do caminho, da experiência romeira. Foi num momento, também, que a Irmã Annette estava começando a fazer
muitas pesquisas e muito do que ela estava pesquisando ia para os livrinhos, como os benditos. Era a paróquia que financiava o livrinho, e o lucro era revertido em obras sociais da paróquia, como o trabalho desenvolvido na Associação dos Artesões Poço de Jacó. Na época, era a única coisa que a igreja vendia para os romeiros, não existiam campanhas como hoje. O que tinha era arrecado com as intenções de missas e a venda dos livros, Padre Murilo sempre preservou isso. (Entrevista concedida em outubro de 2015)
Figura 11 – Fotografias do Livrinho do Romeiro – Canto do Povo de Deus.
Fonte: Arquivos da pesquisa
Essa estruturação que, sobretudo, valoriza a experiência de seus participantes, marca o movimento de acolhida ao povo romeiro, de maneira mais institucionalizada. Atualmente, as ações de acolhida à nação romeira, inclusive a Reunião das Três Horas, são organizadas pela Pastoral Diocesana de Romaria, que foi criada em 2008, para favorecer uma pastoral orgânica e de conjunto entre os diversos santuários de Juazeiro, como destaca José Carlos dos Santos:
Na época do Padre Murilo, ainda houve a tentativa de criar uma Pastoral de Romaria, no sentido de poder reunir os centros de visitação dos romeiros, as igrejas: Basílica, Salesianos e Franciscanos. Numa perspectiva de criar uma pastoral de conjunto, mas isso é naquele tempo tinha uma adversidade muito grande, porque não havia o apoio do bispo. Outra coisa, a romaria, ela não estava dentro das linhas da pastoral da igreja. A criação da Pastoral de Romaria veio dentro da perspectiva desse novo olhar da Diocese em relação à romaria, a partir de Dom Fernando. Então foi a partir de 2008 que começamos
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a pastoral; até então, as referências era toda voltada para o Padre Murilo, porque ele tinha a experiência, tinha vivência, tinha o jeito de fazer, tá certo? (Coordenador da Pastoral de Romaria, entrevista concedida em outubro de 2015)
Figura 12 – Fotografia dos membros da Pastoral da Romaria e da Logomarca.
Fonte: site da Basílica de Nossa Senhora das Dores
A Pastoral de Romaria é responsável pela programação institucional das romarias a Juazeiro do Norte, englobando desde as atividades litúrgicas, como as missas, as confissões, os ofícios e os devocionários, ocorridos nas igrejas consideradas santuários de Juazeiro42. Abrange, ainda, as festividades sociais, como a quermesse e o Show do Chapéu, e, também, o encontro com a nação romeira, no Círculo Operário. Além dessa intensa programação, que se inicia entre quatro e cinco horas da manhã e termina com o Show do Chapéu, às oito horas da noite, são disponibilizados serviços e lugares específicos para atender ao público romeiro.
Dentre esses destaca-se a Sala de Informações aos Romeiros, em que podem ser feitos: registro da viagem, pedido de bênção, anúncio para documentos e pessoas perdidas ou encontradas, distribuição de panfletos expondo a programação e informativos contendo orientações sobre lugares e serviços públicos em Juazeiro, ou reflexões sobre o tema da romaria, entre outros, como dito anteriormente. Essa sala recebeu o nome Irmã Therezinha Stella Guimarães (Irmã Ana Tereza) e está, atualmente, localizada dentro do Centro Paroquial de Assistência ao Romeiro (CPAR), órgão da Basílica de Nossa Senhora das Dores, inaugurado
42 Basílica Santuário de Nossa Senhora das Dores – Matriz, Capela do Socorro, Santuário Sagrado Coração de
Jesus – conhecido como Igreja dos Salesianos, Santuário São Francisco – conhecido como Franciscanos, Santo Sepulcro – Colina do Horto entre outros.
em 26 de maio de 2012. O CPAR é um grande centro de prestação de serviços e lazer que a Basílica oferece às romeiras e aos romeiros, tendo, entre outros equipamentos, bebedouros,