2.2. İSTİSMAR
2.2.2. İstismarı Açıklamaya Yönelik Kuramlar
Objetiva-se com o presente subitem trazer informações de como as Forças- Tarefa (Task-Force) atuam nos Estados Unidos. Primeiro por ser um dos primeiros e poucos locais onde uma Força-Tarefa permanente atua de forma constante e estável, ao contrário do que ocorre no nosso Estado, segundo por ser um dos modelos que mais se aproxima do que se busca aperfeiçoar no Rio Grande do Sul e objeto da presente pesquisa.
Mendroni destaca que os Grupos denominados Task-Force – Força-Tarefa são considerados pelos Agentes Norte-Americanos o melhor sistema para o efetivo combate às Organizações Criminosas:
Concebidos sob a ideologia da mútua cooperação entre os diversos órgãos de persecução detentores de atribuições variadas para atuar em conjunto, com unidade de atuação e de esforços, com o direcionamento para a investigação, análise e iniciativa de medidas coercitivas voltadas para o desmantelamento das estruturas criminosas, utilizando-se dos mais variados instrumentos de investigação e mecanismos legais (2002, p. 30).
O relatório The Organized Crime Drug Enforcemenrt Task Force Program – Briefing for the Delegation from Brazil (2006), escrito pelo The Department of the Treasury, Department of Justice e U.S. Department of Homeland Security assim descreveu The Organized Crime Drug Enforcement Task Force Program (o Programa Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado e Drogas) 79:
PAPEL:
O Programa Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado e Drogas combina a perícia e recursos de suas sete agências federais afiliadas (membros), junto com Promotores de Justiça e com autoridades policiais estaduais e municipais, para desestruturar e desmantelar sofisticadas organizações de tráfico de drogas que operam regionalmente, nacionalmente e internacionalmente, assim como os sistemas financeiros que as suportam.
79 Dados coletados através do material entregue ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, em 2006, durante visita aos Estados Unidos. Ver Anexo VI.
Ela se esforça para reduzir o abastecimento de drogas diretamente amparado pela Estratégia Nacional de Controle de Entorpecentes e pelo Plano Estratégico do Departamento de Justiça.
HISTÓRIA:
A Força-Tarefa foi criada pelo Presidente Reagan, em 1982, como uma resposta para a epidemia das drogas que envolvia uma rede de grupos criminosos, cujos principais líderes eram freqüentemente isolados das atividades diárias de suas organizações.
A missão do programa era se concentrar “naqueles que dirigem, supervisionam e financiam o comércio de drogas ilícitas”, separar, e finalmente destruir a bem costurada rede de criminosos que vivem do tráfico de drogas e de crimes a ele relacionados.
O então Presidente dos EUA, baseado na noção de que um único órgão não possui a perícia, recursos e competência (autoridade legal) para realizar a missão sozinho, criou esse mecanismo de investigação.
Originalmente estabeleceu Forças-Tarefa paralelas (coligadas), porém, refere que, com o passar do tempo o Programa perdeu seu foco.
A partir daí, houve o reestruturamento do PFTCCOD (Programa Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado e Drogas).
REESTRUTURAMENTO DO PFTCCOD:
Em março de 2002, o Procurador-Geral dos Estados Unidos (Ministro da Justiça) anunciou uma estratégia abrangente de coação para reduzir o abastecimento de drogas ilícitas, identificando, desestruturando e desmantelando grandes organizações de abastecimento de drogas e lavagem de dinheiro, por meio de investigações nacionalmente coordenadas tendo como alvo toda a infra-estrutura dessas organizações.
O PFTCCOD era a peça central dessas estratégias. Dentre elas apresentaram:
1) Diretrizes aperfeiçoadas para se concentrar nas mais significantes; 2) Para cada investigação criminal conduzida pela Força-Tarefa, há a exigência de uma investigação financeira;
3) Exigência do desenvolvimento anual de Planos de Estratégia Regional para incluir a identificação das Organizações Alvo das Prioridades Regionais;
4) Estabelecimento de medidas de desempenho e implementação de relatórios para todas as investigações da Força-Tarefa;
5) Criação de uma central de informação, contendo agentes e analistas dos diversos órgãos desenvolvidos, com a função de cruzar os dados das investigações, identificando a conexão entre as organizações-alvo, concentrando os esforços nos componentes financeiros dessas organizações;
6) Estabelecimento de definições padrão de desestruturamento/ desmantelamento;
7) Exame dos acordos reembolsáveis do órgão e;
8) Revisão das exigências extraordinárias, estaduais e locais, para acordos e reembolso, objetivando melhor supervisão e controle.
MEMBROS:
AFT: Álcool, fumo, armas de fogo e explosivos; DEA: Administração de combate às drogas; FBI : Departamento Federal de Investigação;
ICE: Serviço Nacional de Imigração e Vistoria Aduaneira, Serviço Interno de Receita/Fisco;
USCG: Serviço Nacional de Guarda Costeira; Os 94 Gabinetes dos Promotores de Justiça dos Estados Unidos e;
USMS: Serviço de Delegados dos Estados Unidos; Departamento de Justiça Criminal e Divisão de Taxas e Autoridades Policiais Estaduais e Municipais.
REALIZAÇÕES DO PFTCCOD:
Os resultados dessa nova política indicaram alto grau de eficiência: os membros da Força-Tarefa:
1) Os membros do PFTCCOD desmantelaram 20 organizações-alvo consolidadas como prioridade e desestruturaram a operação de outras nove, entre os anos de 2003 e 2005. Além disso, desestruturaram e desmantelaram 238 organizações relacionadas aos alvos estabelecidos como prioridades em 2005;
2) Ao final de 2005, 402 investigações foram relacionadas aos alvos da lista de prioridades, e 420 foram relacionadas aos alvos das prioridades regionais;
3) Aproximadamente 95% das investigações do PFTCCOD iniciadas em 2004 e 2005 envolveram investigações financeiras. Isto é mais de 14% das investigações iniciadas em 2002;
4) Em 2005, o PFTCCOD confiscou pouco menos de US$ 322 milhões ou 123% do que foi confiscado em 2004 e 184% do confiscado em 2003 e;
5) Igualmente em 2005, 90% de todas as investigações ativas do PFTCCOD eram multijurisdicionais, isto é, um acréscimo de 19% das investigações dessa categoria em meados de 2003 e 50% dessa categoria ao final de 2003. Além do mais, 40% de novas investigações são de escopo internacional.
O CENTRO DE FUSÃO DO PFTCCOD: Objetivos:
1) Combinar os dados das investigações financeiras e de entorpecentes em uma central;
2) Time de agentes e analistas de órgãos diversos para desenvolver diretrizes;
3) Identificar conexões entre alvos e organizações por meio das linhas regionais e estaduais;
4) Melhorar esforços para se concentrar nos componentes financeiros das organizações e;
5) Criar uma imagem completa e inteligente para o campo.
A partir da implementação das Forças-Tarefa, 95% de suas investigações, iniciadas em 2004/2005, envolveram investigações financeiras, o que corresponde a mais de 14% das investigações iniciadas em 2002. Tão-somente no ano de 2005, foram confiscados aproximadamente US$ 322 milhões de dólares, o que representa 123% a maior do que foi confiscado em 2004 e 184% do que fora em 2003.
Nos Estados Unidos, conforme Mendroni (2000), normalmente integram os grupos de Força-Tarefa todas as polícias com atribuições locais e as agências federais:
1) Polícias municipais; 2) Polícia dos condados; 3) Polícias estaduais e;
4) Agências Federais como FBI, DEA, US-Customs, US-Marchals, IRS, etc.
Sendo essas últimas que mantém a gerência dos grupos integrantes.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América e HIDTA – HIGH Intensity Drug Trafic Area – North Texas apresentaram diversas recomendações para a organização de um grupo de Força-Tarefa, que restaram identificadas por Mendroni (2000, p. 43-46):
FUNÇÕES DE PLANEJAMENTO:
1) Desenvolver a estrutura; 2) Decidir a composição;
3) Estabelecer Comissões de Trabalho e;
4) Decidir sobre as obrigações dos membros da Força-Tarefa (nível de autoridade, quem vai fazer, o que, quando, etc.).
PAPEL DO LÍDER:
1) Providenciar treinamento para os membros quanto às suas funções (cursos, treinamentos no local de trabalho, visitas a outras Forças-Tarefa, etc.);
2) Desenvolver estratégias;
3) Estabelecer avaliação do risco;
4) Trabalhar de acordo com as orientações dos órgãos; 5) Reconhecer as limitações do orçamento;
6) Planejar a estrutura financeira da Força-Tarefa; 7) Indicar Órgão Fiscal;
8) Desenvolver procedimentos financeiros;
9) Aperfeiçoar políticas de pessoal e controle de pessoal;
10) Recrutar a participação de pessoal da área judicial e de policiamento no Grupo;
11) Definir quem patrocinará a Força-Tarefa;
12) Decidir sobre o tipo de apoio financeiro para a Força-Tarefa (requerimentos, salários, veículos, horas extras, equipamentos, relatórios);
13) Examinar os papéis gerais de cada órgão (memorandos, contratos de trabalho) e;
14) Estabelecer a sede-escritório, móveis e bens e equipamentos técnicos.
RECOMENDAÇÕES DE ORGANIZAÇÃO DE 0 A 60 DIAS:
1) Desenvolver estratégias e planejar como a Força-Tarefa irá funcionar; 2) Estabelecer relacionamentos com os órgãos participantes;
3) Desenvolver contatos com outras Forças-Tarefa; 4) Obter treinamento e gerenciamento financeiro;
5) Desenvolver memorandos de entendimento (compartilhar bens, etc.) e; 6) Desenvolver contratos de trabalho.
DE 60 A 120 DIAS:
1) Aperfeiçoar a avaliação de risco, estratégia e grupos individuais;
2) Desenvolver um orçamento geral e prioridades de recursos financeiros; 3) Decidir sobre políticas de compras;
4) Controlar o inventário;
5) Buscar recursos para pessoal e equipamento;
6) Desenvolver a planta do espaço da sede para a Força-Tarefa; 7) Definir a necessidade da Força-Tarefa;
8) Estabelecer o orçamento e;
9) Fazer considerações a respeito da locação e construção.
DE 120 A 180 DIAS:
1) Estabelecer relacionamentos com a comunidade e os líderes políticos; 2) Iniciar, efetivamente, as atividades da Força-Tarefa;
3) Desenvolver objetivos gerais da Força-Tarefa;
4) Começar a fazer acompanhamento das realizações do primeiro ano até o momento (mantendo estatísticas de tudo) e;
5) Desenvolver um diretório de políticas e procedimentos.
DE 180 A 360 DIAS: 1) Mudar para a Sede;
3) Iniciar a revisão e avaliação dos membros da Força-Tarefa e; 4) Desenvolver programas de treinamento avançado.
OUTRAS RECOMENDAÇÕES:
1) Buscar fontes adicionais de financiamento e recursos financeiros (doações, contribuições, etc.);
2) Não se comprometer muito financeiramente com base somente na possibilidade de obter recursos financeiros futuros;
3) Estabelecer prioridades financeiras gerais para a Força-Tarefa e;
4) Realocar recursos financeiros conforme o necessário para sustentar necessidades gerais.
O Relatório80 apresentado pelos membros do Ministério Público do Rio Grande do Sul confirma o destacado por Mendroni (2002), no sentido de que as Forças-Tarefa continuam sendo utilizadas nos Estados Unidos como forma de desmantelar as organizações criminosas.