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2.6. Diz Osteoartiritinde Görülen Yürüyüş Bozuklukları

3.2.2. Uygulamalar

3.2.2.5. İstatistiksel Analizler

Ao se referir aos primeiros moradores de Barra do Dengoso e aos atuais, os entrevistados reforçam uma forte ligação entre eles. Conforme Maria do Carmo: “Aqui quem não é parente é compadre... é só você procurar um pouquinho e descobre que é parente... é primo do pai ou da mãe... aqueles parentes distantes né... primo do marido e por aí a fora”71. D. Maria de Jesus também informou que é difícil saber quem não é parente, compadre ou comadre e acrescenta “Ainda tem os que casa com quem num era parente nem nada... aí/pronto... vira parente né... esse Dengoso aqui é tudo assim né... misturado... parente mesmo”72. Essa rede de sociabilidade ancorada no parentesco, no compadrio ou em casamentos, segundo Costa (1999), é uma marca de grupos tradicionais em que as relações são mais simétricas e pautadas pela solidariedade.

Em décadas passadas, em que havia uma ausência total de agentes oficiais de saúde, por exemplo, eram os vizinhos, as comadres, as parteiras, as benzedeiras e os benzedores que socorriam quem necessitasse. Embora, atualmente, esses últimos tenham um espaço de atuação reduzido – no caso das parteiras, especificamente, nenhum dos entrevistados soube dizer de alguma ainda em atividade – as demais relações são mantidas e atualizadas. Exemplo disso, são as quitandas e “agrados” compartilhados entre vizinhos, comadres. Embora citando uma situação de relação assimétrica de submissão dos morenos de Brejo dos Crioulos a um fazendeiro local, essa prática, segundo Costa (1999), atualiza e fortalece as relações de solidariedade no grupo, mas precisa de um elemento que mantenha a rede: a reciprocidade.

Como as casas ficam próximas umas das outras, os quintais e terreiros se comunicam e os vizinhos mais próximos, geralmente parentes, formam “eixos de feixes de relações”, como afirma Brandão (1992, p.103). As crianças transitam entre as casas e os terreiros em comum, uma vez que não há muitas cercas. O terreno de D. Maria de Jesus, por exemplo, possui as cercas nos limites com o terreno de seu vizinho, não há cercas internas entre os terrenos dela, de seus filhos e, mesmo com o terreno de seu irmão. Ou seja, a cerca demarca o limite do terreno de seu grupo

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familiar com o de outro grupo. Só se vêem cercas no interior de terrenos onde se cria gado, evitando que os animais transitem por terreiros e estraguem as plantações ali existentes.

No meio rural, o trabalho é um eixo estruturador e central da vida familiar. As atividades são, de modo geral, compartilhadas pelo grupo familiar e as crianças, enquanto aprendem as lidas cotidianas, representam um reforço no potencial produtivo da família. De acordo com Brandão, os motivos para a iniciação dos filhos ainda pequenos de modo a co-participarem dos trabalhos do grupo familiar é de ordem prática. Diz ele,

(...) os motivos da co-participação podem, na face mais visível da fala, ser enunciados como necessidades da razão prática: a imposição da ajuda que multiplique o poder familiar da força de trabalho; a necessidade do aprendizado, que exige a prática de quem aprende submetida ao trabalho de quem sabe (...) (BRANDÃO, 1992, p. 103).

Também faz parte dessas razões práticas, de acordo com Brandão (1992) a companhia que um oferece ao outro, de modo que nunca se está só. As crianças pequenas ou ficavam com os idosos que não mais trabalhavam nas roças ou acompanhavam os pais ainda que só para não ficarem sozinhos em casa. Desde muito cedo filhas e filhos ajudam e, com o tempo, assumem os trabalhos junto com os pais, em uma dinâmica e rotina não muito diferentes da apresentada por Brandão (1983 e 1992). Esses espaços de socialização são muito comuns em comunidades rurais tradicionais em que a economia é, predominantemente, de subsistência. Os filhos crescem aprendendo com o ajudar a fazer e, à medida que vão fazendo e ganhando a confiança dos pais, crianças e adolescentes passam a assumir ou a compartilhar determinados afazeres. Passam de aprendizes a ajudantes e de ajudantes a companheiros de trabalho e, às vezes, superam a destreza dos mais velhos. Nesses espaços, a socialização e a aprendizagem inicial do que se precisa saber para conviver nos grupos familiares e de vizinhança se dão no próprio cotidiano e pela participação nas tarefas com os pais. É aí que são internalizadas as regras de convivência que servem tanto para o convívio doméstico quanto para outras formas de participação social em outros espaços de convivência.

É, também, no ambiente doméstico que são aprendidas algumas rezas e orações que todos devem saber tanto para o cotidiano, quanto para as situações

festivas. Pais, parentes ou pessoas próximas ensinam para as crianças os primeiros rudimentos sobre religião, isto é, o que julgavam que se deveria saber. No entanto, eram poucos os momentos em que havia um ensino direto, em que alguém parava para especificamente ensinar algo73. A participação em festas de santo, por exemplo, foi apontada por D. Justiniana, D. Rosa e Maria do Carmo como o principal estímulo à aprendizagem, à iniciação e, posteriormente, ao desempenho da função de rezadeira (SOUZA, 2003).

Quanto às opções de entretenimento, quando não se está em casa diante da televisão, foram observadas: visitas a vizinhos e/ou parentes; jogos e encontros nas vendas; futebol nos finais de semana, especialmente aos domingos; atividades na igreja; o deslocamento para a escola em grupos a pé ou de bicicleta e, mais recentemente, no ônibus de transporte escolar; as celebrações e festas de santo que ainda são realizadas em algumas casas; e algumas festas, especialmente, de casamento74. Nesses eventos são observadas as redes de solidariedade: vizinhos, parentes próximos, comadres, dentre outros, se unem para ajudar a fazer a festa que tem como principal destaque a mesa farta. Para os jovens, há uma maior oferta de lazer na comunidade vizinha, a Colonização I, onde a maioria estuda. Lá existem, por exemplo, alguns barzinhos e há uma maior frequência de atividades festivas promovidas pela escola.

As vendas e o campo de futebol são os principais locais de encontro diário e, em certa medida, disputam com a Igreja a frequência dos moradores, especialmente do público masculino, nos finais de semana. As vendas são abertas diariamente ao final da tarde, depois que seus respectivos proprietários encerram outros afazeres cotidianos nas roças, e são frequentadas predominantemente por homens. Tal situação está associada ao fato de as mulheres terem de cumprir mais uma jornada ao fim do dia – cuidar da casa e dos filhos, preparar o jantar – e a certo preconceito sobre mulheres frequentarem bares que ainda são vistos como espaço masculino. H:' 0 %%P ! . / / / * / C < " 6 " ( HI * 5 * . " * 7 / , / / ! 5 L +. ) ' ; ! ! / > * ' ! / ( / ! ! *

A igreja é outro espaço que atrai muitos moradores. Ela foi construída no fundo do campo de futebol e ao lado da casa de Maria do Carmo que durante as décadas de 1980 e 1990 atuou como dirigente da comunidade. Progressivamente, a igreja passou a concentrar diversas atividades, algumas estreitamente relacionadas à religiosidade, como encontros de casais; as festas de santo com novenas e leilões – como a festa do padroeiro da comunidade, São Benedito, e a do Divino Espírito Santo; catequese para crianças e adolescentes; encontros de grupos de jovens; celebrações semanais do culto dominical; celebração de missas, batizados e, mais raramente, casamentos. No espaço da igreja também acontecem outras atividades como as reuniões da Associação de Produtores Rurais da comunidade, mais recentemente, a realização das aulas do Programa “Cidadão Nota Dez” e as campanhas de vacinação. Por ter passado a ocupar um lugar central na comunidade, é na igreja, ao final das celebrações ou encontros, que são dados os avisos e informes diversos sobre datas e eventos importantes como convite para celebrações, novenas e missas, cadastro escolar e vacinação.

Além das atividades na igreja, há as rezas e festas de santo realizadas em casa de devotos. Conforme dados de estudo anterior (SOUZA, 2003), esses eventos diminuíram significativamente ao longo da década de 1980, quando passaram a ser realizados na igreja ou deixaram de acontecer por motivos diversos, conforme dito na introdução deste texto. Todos os entrevistados guardam fortes lembranças daquele tempo, das longas caminhadas pelas estradas em noites escuras ou com lua, das orações e da animação quando “a reza” terminava e as pessoas podiam se divertir conforme o grupo de interesse: crianças podiam brincar nos terreiros iluminados por fogueiras; os jovens podiam fazer rodas de conversa e de brincadeiras em que moças e rapazes, muitas vezes, iniciavam namoros; os homens, em volta da fogueira, se informavam sobre fatos acontecidos, acertavam/combinavam trabalhos; e as mulheres, até então concentradas na condução das orações e cantos, passavam à cozinha ajudando a dona da casa a servir o café com quitandas diversas.

Nessas rezas, destacavam-se as rezadeiras e alguns rezadores com seus amplos repertórios de orações, cantos e benditos aprendidos e enunciados oralmente sem apoio de material escrito. Os entrevistados se lembram de um ou outro rezador ou festeiro que possuía um livro de orações, mas afirmam que não

adiantava ter livros já que a maioria das pessoas não sabia ler. Predominavam os terços cantados e ofícios, cuja melodia era seguida, especialmente nos refrões, mesmo sem total domínio do texto. Como se trata de orações marcadas pela repetição, elas eram mais facilmente memorizadas e acompanhadas pela maioria dos presentes. De modo geral, essas celebrações eram longas e tornavam-se muito cansativas para crianças, adolescentes e jovens.

Muitos desses eventos terminavam com apresentação de foliões que tocavam violões e tambores, cantavam benditos diversos e, posteriormente, dançavam batuque, instigando os demais presentes a também participar. Esses eram os principais momentos de encontro das pessoas, de atualização das crenças e da religiosidade e estreitamento dos laços de pertencimento do grupo75. Chama a atenção o fato de a comunidade não possuir templo de outras filiações religiosas ou ter praticantes que se reúnam para celebrar. Também são poucas as pessoas que não são católicas. Segundo informação obtida com uma ex-dirigente, apenas uma senhora – que já atuou como dirigente na comunidade – tornou-se evangélica e, com ela, os filhos.

1.3 A escrita no cotidiano da comunidade: ausência, presença e mudanças

Benzer Belgeler