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KAPSAMINDA FİZYOTERAPİ VE REHABİLİTASYON PROGRAMLAR

3. GEREÇ VE YÖNTEM

3.2.3. İstatistiksel Analiz

Outra função que Achilles Vivacqua desempenhou em sua história com a escrita foi a de cronista. Assumindo um pseudônimo feminino, Maria Thereza, o escritor publicou crônicas de moda na seção “A moda” da revista Semana Ilustrada, de Belo Horizonte. Aqui, apresentaremos algumas dessas crônicas, que revelam outro lado do escritor – um lado “feminino”, antenado às últimas tendências do mundo da moda de sua época.

A primeira que analisaremos foi publicada na já mencionada revista, ano I, n. 48, de 5 de maio de 1928.

A moda

A moda, em todos os tempos, sempre foi para a alma das mulheres um motivo de curiosidade e de prazer. É como as flores de cada estação: por mais exoticas que sejam apparecem ante seus olhos como um suave encanto. A moda, ultimamente, é uma sequencia de surpresas para o mundo feminino. A mulher, havia tempo, habituada ao uso das pequenas toucas e ao infallível doche de abas cahidas, que eram, pode assim dizer, seus invariaveis uniformes – nunca poderia imaginar que um dia viesse adoptar enormes capacetes de longas fitas; ou as formas complicadas, altas, desses barretes, e todas essas phantasias que tanto lhe satisfaz o desejo de mulher elegante – que procura o bizarro – tão variavel quanto a sua alma cheia de contrastes... Para que uma toillet se torne harmoniosa, é necessário a companhia de um chapéo que se afaste dos já fora de moda e habitualmente usados como uniforme esportivo.

Infelizmente, ainda vemos pelas avenidas, esta nota destoante. Se, porém, o chapéo pequeno tanta impressão produziu na vaidade feminina, não menos causou a moda do chapéo grande, que resurge como maravilhosa novidade.

Não pensem os leitores da Moda, que o chapéo pequeno cahiu totalmente. Não. Segundo alguns modistas mais afamados, elle é ainda o que melhor assenta em todas as physionomias. A casa Le Monnier, acaba de alcanças grande successo em dois lindos modelos. Um em bangkok preto, guarnecido com uma fita de setim da mesma cor e duma rosa bem pollido justo á esquerda. A aba é muito cahida dos lados e na frente, ao posso que atraz, é bem curto. O outro, despido de aba, feito em palha beige rosada, é formado de muitas pregas dispostas em leque, de um lado. O fundo modela estreitamente a cabeça. E, do lado esquerdo, onde se destende as pregas, elle deixa apparecer um pouco o perfil, tornando, destarte, a sua possuidora mais cheia de encantos.

Não fiquemos por ahi. Ha ainda muitas novidades que tem posto a mulher em duvidas. Ao passar numa vitrine, não sabe qual modelo escolher. Mas como a cor dos cabellos influe sobremaneira na escolha de um chapéo, a mulher verdadeiramente elegante, desfaz logo sua duvida. Uma dama de cabellos pretos ou castanho escuro, não vacillaria em escolher, entre outros chapéos um bonichon de grosso tulle, onde tivesse dispostas, baralhadamente, flores de todas as côres. É por ser um chapéo muito leve, seria para a sua toillet do meio dia. A mulher loira já não escolheria o mesmo. Procurava, provavelmente um que tivesse lindos jacinthos azues. E a senhora de edade? Esta, ou daria preferencia ao bonichon adornado de violetas negras e brancas, ou de amores-perfeitos de velludo. E para que tornasse mais encantadora as suas toillets, procuravam adquirir grandes ramalhetes de flores, identicos aos dos chapéos, collocando-os sobre a espadua...

Uma das maiores surprezas no mundo da moda, é o reapparecimento da barrete sob o chapéo, o que constitue uma grande novidade. Algumas modistas os têm guarnecido sob la posse. Collocanda ahi uma barrete com flores. Emfim, assignalemos mais um lindo modelo de chapéo, ultima creação de Mario Guy. É um

bonnet de palha azul-marinho, tendo, do lado esquerdo, um motino de plumas

brancas, e, cortado, num lindo movimento, do mesmo lado, acima dos supercilios... Maria Thereza

Nessa seção da revista Semana Ilustrada, Achilles Vivacqua, assumindo um pseudônimo feminino, escreve para o universo feminino; acreditamos que o público alvo era, sim, as mulheres, pela estrutura e pelo tom da crônica – mostrando conhecimento sobre a moda e suas tendências na época em que viveu. Aborda também alguns aspectos desse universo, mostrando os elementos que são da moda antiga e os que são lançamentos. Além de tratar sobre moda, Maria Thereza também disserta a respeito da própria mulher, suas vontades, seus anseios, seu modo de ser.

A crônica que apresentamos traz também certo lirismo, certa poesia, que faz com que enxerguemos também o Achilles poeta. Outra observação que podemos fazer acerca do texto é que ele é dirigido a uma determinada classe social (privilegiada, alta burguesia), sendo, de certo modo, elitista. Podemos fazer tal afirmação pelas referências que o cronista faz a Paris, usando termos em francês específicos do mundo da moda e pela busca de elegância, que consistia em interesse da classe alta.

Por meio da crônica e, também, das descrições e comentários que Maria Thereza tece sobre as mulheres do período, sobre seu modo de se vestir e de se portar, podemos também apreender um pouco sobre a Belo Horizonte da década de 1920, o cenário dessa cidade ao mesmo tempo provinciana e “moderna”.

Achilles Vivacqua, disfarçado de mulher, demonstra domínio sobre o mundo da moda. Cita nomes de lojas famosas e renomadas, de itens da moda que representam alta tendência, de estilistas conhecidos, etc. É interessante notarmos também que, mesmo se assumindo como mulher, Achilles não se coloca no texto como uma figura feminina,

mostrando certo distanciamento. Ele não faz uso de elementos, por exemplo, como “nós mulheres”. A nosso ver, talvez, com essa atitude, ele quisesse focalizar a leitora da crônica.

A próxima crônica que iremos trabalhar foi publicada na mesma revista, ano I, n. 48, de 12 de maio de 1928. Esta é interessante, pois é estruturada em formato de carta, dirigida a Cora, na qual Maria Thereza retrata o que viu em uma viagem que fez.

Cora, minha boa amiga: – Só agora, de volta de um lindo passeio ao Corcovado, – posso satisfazer a sua curiosidade de mulher elegante. Ou a sua vaidade? Sim porque ella é para mim uma virtude, mui embora haja quem diga o contrario...

Bem sei o medo que tem do ridiculo, apparecendo na Avenida ou no baile, com uma toilette que não seja moldada pelo ultimo figurino. Conhecedora como sou da sua elegancia, não poderia me furtar ao pedido que me fez, na gare da estação, quando foi me levar o seu abraço de despedida: – falando-lhe da moda. Já estou presentindo daqui o quanto vão agradar-lhe os modelos dos novos vestidos que nos offerece o figurino que lhe envio, tão cheio de sobria elegancia. Quão diversa, minha amiga, é a moda de hoje, da do Segundo Imperio. Como sabe, eram as fantasticas Crinolinas que dominavam. Occupavam ellas um logar de grande importancia entre os muitos acontecimentos do reino. Calcula, Cora, que cresceram à taes proporções que attingiram mais de quatro metros de largura. Por esse motivo foi preciso alargarem- se as portar para permittir passagem às mulheres... Deixemos, porém, a Crinolina para outra oportunidade. Falemos dos modelos de vestido da nossa época que, para V., é muito mais interessante. Esses vestidos nos proporcionam uma collecção inexgotavel e de grande distincção. São de uma variedade bizarra de cores. Temol- os para a noite e a tarde, em crepe picador azul prestel, com mangas largar e ajustadas, sendo que, a golla, é atada pela frente. A banda das costas é muito curiosa: terminada por um draperie, forma de um só lado, uma especie de copa. Constitue também grande novidade para a noite. O vestido de rendas pretas, collocadas sobre um fundo negro, – tendo duas grandes asas partindo dos hombros, que descem até a parte inferior da saia, num movimento muito elegante. Alguns vestidos são bem caracteristicos: feitos em mousselina de seda branca bordade levemente de strass na frente; as costas ornado de longos panneaux brandamente tenues de musselina tambem de seda, cahindos da golla dos hombros descem até em baixo... Os mais usados, para a tarde, são confeccionados em musselina e crepe estampados. Usa-se com grandes manteaux de elegancia verdadeiramente nova. Pois elles não trazem mais as detestaveis gollas de pele. Ellas foram substituidas agora por leves echarpes que se atam do lado, deixando cahida as pontas para as costas. Quasi sempre as barras dos vestidos são pesadas: Uma grande tira de renard faz cahir, com justa precisão, as suas dobras. Imagine, Cora, um manteaux dos mesmo tom dos vestidos que acabo de me referir, com a companhia de um bonichon em plumas de aves enrolladas ou colladas, ou um coiffeur inteiramente feito de fitas de clina enroladas ou lisas, em forma de macacão, tendo, na frente, um véo muito longo e muito franzido! Não é verdadeiramente encantador? Sim, é muito moderno tambem para o inverno. Já que tocamos de passagem nesses chapéos, é justo que se diga que elles vieram occupar o logar dos de feltro, ha muito fóra da moda e ainda por nós usados. Ha, como já disse, para a confecção dos novos modelos de vestidos, uma variedade enorme de tecidos modernissimos, estampados em diversos desenhos. Enumeral-os todos seria difficil mister. Os vestidos, em geral, são menos longos na casa de Lucien. As linhas permanecem delicadas, e com o corte do planejamento levemente affectando as formas de encantadoras figuras geometricas. As costuras muito molles; as barras das saias desiguaes. O branco também é muito usado à noite, porém com um pouco de azul levemente misturado de gris.

O manteaux, Cora, não é mais em lamé. Agora está muito em voga o setim do mesmo tom do vestido, com uma linda barra e golla de renard ouro cinza ou azul. A

de «biscuit», muito em uso para as tardes. O anno passado, o desenho que predominava era o de duas cores o que ainda permanece com apurado gosto. Notamos, entretanto, mais preferencia pelo cinza escuro, pelo beige claro e fechado. O que porém mais tem chamado attençao, pelo seu caracter pessoal, é uma série de blusas de Jersey, representando os doze signos do zodiaco, collocados sobre um fundo claro, desenhados num modernismo attrahente. O Peixe, por exemplo, forma um lindo motivo de crepe da China no meio de uma blusa da mesma côr; o Capricornio atravessado num vestido claro, raiados de linhas escuras, e o proprio Sol, bem em cima do hombro, com os raios feitos em finas nervuras, guarnece totalmente o pequeno casaco amarello... Fiquemos, Cora, por hoje aqui, não deixando no emtanto de assignalar o apparecimento de Jersey para o Sport, num conjunto de listas ou losangos, onde domina o gris o que é muito encantador e de uma elegancia verdadeiramente nova...

Maria Thereza

Aqui, Achilles Vivacqua assume a persona feminina. Ele “é” Maria Thereza. Como já havíamos antecipado, o que vemos é o relato de uma viagem ao Corcovado, no Rio de Janeiro, realizada por Maria Thereza e descrita a Cora. Na carta, a primeira descreve à amiga o que observou sobre o mundo da moda. Além disso, dá dicas a Cora, faz contrastes entre a moda do Segundo Império e a da época e faz uso de uma linguagem própria do mundo da moda.

De uma maneira geral, o que notamos na crônica é o grande conhecimento que a remetente apresenta sobre o tema e uma característica sensibilidade para o assunto. Maria Thereza é bem descritiva, como na crônica anterior, e detalhista ao fazer referência a certas vestimentas. Ela mostra o “modernismo” que se encontrava presente no mundo da moda no período.

A última crônica que iremos analisar foi também publicada na Semana Ilustrada, ano I, n. 50-51, de 26 de maio de 1928. Ao contrário das outras que abordamos, ela trata sobre a moda masculina; o subtítulo da seção, chamada “Moda”, é “Elegância Masculina”.

A elegância masculina, para muitos, é de somenos importancia. Julgam que a roupa nada influe na sua personalidade. É um erro. A moda, desde os seus primordios foi, para o homem ou para a mulher elegante, um dos pontos de summa importancia. Nas recepções, por exemplo, das Tulherias, as mulheres usavam crinolinas-clock, em “gros de Tours” de sumptuoso banquete, tafetás magnificos; luxuosas lustrinas Montespan, chamalotes antigos, ricamente ornamentados de pedras preciosas, scintillaçoes de estofos, numa riqueza e numa elegancia grandiosas, cujas caudas excediam de quatro metros de comprimento, as as «manteaux» de corte constituiam uma necessidade. E os homens tambem seguiam a moda da epoca com apurado gosto. O homem, para realçar hoje a personalidade individual, não necessita de exagerados trajes. Os figurinos muito soffrem com os nossos moços “elegantes”. Pensam elles que a moda é deturpar a moda. Si os modelos que nos ditam os figurinos são curtos, tratam eles de diminuil-os ainda mais. Dahi a moda dos paletos curtos, das calças demasiadamente largas, que demonstram tão mao e tão ridiculo gosto. A roupa é uniforme. Deve sempre obedecer os figurinos onde encontramos os modelos em toda sua elegância, creados com fino gosto pelos alfaiates mais conceituados de Paria, Nova-York, etc. Mas succede justamento o contrario. Cada

um transforma à sua maneira de vestir, resultando, dest´arte, esse tom profundamente deselegante que vemos nos trajes dos moços da cidade.

Um homem verdadeiramente elegante pode apresentar-se, no espaço de vinte e quatro horas, com cinco trajes differentes; – palitó sacco, jaquetão, frack, smoking ou casaca.

Para prehencher com discreção as horas de occupações, a roupa mais apropriada pela sua simplicidade – é o palitó sacco bem talhado, todo abotoado, combinado com o collete; a camisa da fazendo mais em voga, combina harmoniosamente com elegante gravata, e o collarinho pode ser molle, mas nunca de pontas demasiadamente grandes! Tudo isso constitue um simplicidade agradavel. As cores mais apropriadas para esse fim, são o azul escuro e o cinza em todos os tons, para assistir a um casamento ou baptisado revestido de alguma cerimonia, nas primeiras horas do dia, leva-se o jaquetão e à tarde é sempre preferivel o fraque. Num banquete ou numa festa de grande gala, smoking ou a casaca, que pelas suas linhas mestas do modo, dá ao homem um tom de requintada distinção. O uso das polainas de lã, como o jaquetão, o palitot sacco, o smoking ou o casaco, tem sido nos ultimos tempos, degenerado por aquelles que não observam com eloquência, a maneira de vestir. No verão encontramos, não raro muitas pessoas de apurado bom gosto, trazendo polainas de lã comchapéos de palha, e, muitas vezes, até destoando do terno. Creio que elles foram mais para o inverno. Proteje os pés contra o frio. Pelo menos é o que dizem as revistas de Paris e de Londres. O Valladares Maciel, Romeo Jacob e tantos outros moços de nossa sociedade que se vestem muito bem, em pleno verão usavam polainas de lã com chapéo de palha... Nesse principio de inverno mesmo, ao envez de trazerem as polainas de lã com chapéos de lebre, usam-nas com o de palha, capa e bengala. Esquecem que o complemento da toilette deve ser observado com rigor de accordo com a estação. Ha porém, para o verão polainas de brim. A côr mais preferida é a parda. Érico e Mónsã, no entanto, de Janeiro a Dezembro, faça sol ou faça frio, os dois finos artistas do lapis, tão vaidosos no vestir, não se trajam com apurado gosto. É bastante mudal-os durante a estação, já que elles tornaram um complemento indispensavel à sua toilette, o que muito os caracterisou...

Maria Thereza

Nesta crônica, a elegância masculina é o tema-chave. Inicialmente, Maria Thereza fala sobre a importância da moda, que, desde o início, significou tanto para o homem quanto para a mulher “elegante” um dos pontos de grande importância. O cronista, aqui, descreve a moda mais comum encontrada pelas ruas de sua cidade, em uma linguagem, como encontramos nos outros textos aqui expostos, detalhista, descritiva, objetiva e suave.

Outro elemento abordado na crônica são os trajes femininos e masculinos usados pelas pessoas da moda, elegantes. Com um olhar observador e crítico, a autora faz críticas a certos aspectos vistos nas vestimentas das pessoas da sociedade de sua época. Além disso, alega que, para alguns, “a moda é deturpar a moda”. Para ela, roupa consiste em uniforme, e que, por conta disso, deve obedecer os figurinos em que há os modelos em toda a sua elegância, criados “com fino gosto pelos alfaiates mais conceituados de Paris, Nova-Iorque etc.”.

Outra afirmação de Maria Thereza diz respeito ao que ocorre em sua cidade. Segundo ela, “cada um transforma à sua maneira de vestir, resultando, dest’arte, esse tom profundamente deselegante que vemos nos trajes dos moços da nossa cidade”.

Com relação à visão da autora, podemos dizer que se trata de um olhar fortemente conservador. Maria Thereza mostra em seu texto que no mundo da moda, para se ficar elegante, é necessário seguir certas normas.

Aqui, também, a “persona” de Achilles Vivacqua mostra conhecimento sobre o tema e apresenta as últimas novidades do universo da moda.

Benzer Belgeler