5. GEREÇ VE YÖNTEM
5.3 İstatistiksel Analiz
Nesta seção, focaliza-se apenas ilustrativamente uma situação de incongruência entre norma trabalhista e o contexto de realidade objeto do conflito judicial. A inadequação da norma geral que rege o término dos contratos de safra agrícola e a ausência de norma local de adequação da primeira a contextos de realidade, complexos, singulares e irrepetíveis são fonte geradora e perene de conflitos. Circunstâncias que, embora de abrangência coletiva, cuja “trivialidade” não desperta nenhum interesse do conjunto das instituições, tornam-se decisivas para a crise do sistema de realações de trabalho local. O teor da ata de audiência realizada em 22/05/2000, nos autos da demanda trabalhista ajuizada perante a Vara do Trabalho de Patrocínio/MG, processo n. 00259/00, bem explicita a situação-problema. Por ela denotam-se,
exemplarmente, a insuficiência e a inadequação da norma invocada para reger situação comum nas relações de trabalho desenvolvidas na cafeicultura da região do TMAP.158
O caso revela uma situação conflitiva historicamente instalada no âmbito das relações de trabalho na região de Patrocínio até seu franco enfrentamento pelo Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista de Patrocínio/MG.
Trata-se de “norma de efetividade impossível”, cuja serventia não é outra senão municiar as instituições do trabalho de critério valorativo de situações fáticas sujeita a sua ação repressiva. Nesse caso, em qualquer hipótese de aplicação, as partes estão sempre em situação irregular, uma vez que a conduta hipotética tipificada na norma torna-se inviável, dada a impossibilidade prática do seu cumprimento diante da natureza da atividade desenvolvida.
Tais situações criam um estado de rejeição generalizada por parte da totalidade dos destinatários da norma, sem condições de incorporar em seus códigos de conduta o comando normativo, por inviabilidade prática. Tais normas, no entanto, produzem efeito social em absoluto contraste com as suas finalidades e contribuem para a consolidação de um estado de indignação e revolta coletivas contra a ação das instituições do trabalho e um
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“As partes defrontam-se com a seguinte problemática: 1) A lei permite o contrato de safra sem precisão da data do término; 2) nesse caso a data do término será a data do término do serviço; 3) no sentido legal safra é qualquer atividade rural desde o preparo da terra até a colheita; 4) são atividades de safra: plantio, adubação, desbrota e colheita; 5) no término dos serviços turmas grandes de trabalhadores vão sendo reduzidas no número deles porque os serviços vão acabando paulatinamente; 6) ai vem um problema, o trabalhador sai, recebe o acerto e vem à Justiça e declara que saiu antes do término do serviço; 7) o empregador como o serviço restante não comporta o trabalho de todos que iniciaram no contrato de safra, alega que na medida em que a parte de cada um foi acabando foram sendo extintos os contratos de safra dos trabalhadores; 8) a prova testemunhal é sempre conflitante uma vez que as testemunhas dos trabalhadores dizem que foram dispensados do trabalho sem terem acabado a atividade; enquanto as do empregador diz que a parte na qual eles trabalharam realmente acabou. 9) e a questão permanece eternamente mal resolvida a despeito da boa-fé de ambos os lados: a safra acaba quando a totalidade dos serviços objeto do contrato de safra se encerra ou quando os serviços se encerram em cada pedaço da propriedade para o qual cada turma foi contratada; 10) se prevalecer a 1ª hipótese o empregador tem que manter todos os trabalhadores na sua propriedade, ainda que não precise dos trabalhos de todos até o último dia de trabalho na atividade do contrato de safra; 11) se prevalecer a 2ª hipótese a safra terminará na medida em que a parte para a qual os serviços realizados na parte para a qual o trabalhador foi contratado (o que na gíria tem sido chamado de talhão) ai tem-se que o contrato de safra termine em datas diferentes para turmas de cada talhão; 12) disto a lei não trata, a convenção coletiva local também não trata e é uma situação fática para a qual não tem norma a ser aplicada nem legal e nem convencional; 13) Se se aplicar de forma simplista o princípio da proteção do mais fraco o trabalhador quando vier à Justiça terá sempre razão neste caso escolhendo a Justiça situação mais favorável ao trabalhador; 14) só que esta conduta do judiciário por falta de norma, faz crescer a confrontuosidade entre as partes e o desanimo do empregador que quer cumprir devidamente a legislação trabalhista; 15) eis uma das situações que o Núcleo Intersindical, através do seu conselho Tripartite já deveria ter estudado e examinado e após negociação intersindical, produzir norma coletiva adequada e própria a situação descrita acima, suprindo-se a omissão e a impossibilidade legal de dar solução realista para a situação. 16) Eis um dos aspectos em que o núcleo Intersindical é de fundamental importância para o aperfeiçoamento das relações de trabalho de acordo com a realidade local e para a prevenção dos conflitos de trabalho. O Recdo [reclamado] nesse caso tão somente por examinar a questão do custo benefício da presente demanda e ainda considerando que os autores vieram de cidade vizinha de carona, sem dinheiro e encontram-se em estado de indignação total e ainda considerando suas limitações intelectuais para compreender situação de tamanha complexidade técnica, aceita a celebração de um acordo e paga aos rectes [reclamantes] neste ato a importância de R$ 15,00 que serão pagos no escritório da recda [reclamada], ainda hoje”. [Cf.Processo n. 00259/00, documento n. 00649]
sentimento coletivo de “injustiça”, ínsito ao próprio sistema normativo, desprovido de racionalidade no seu confronto com a realidade. Outro efeito social mais grave e decorrente da deslegitimação da ação pública diz respeito à instalação de uma cultura do descumprimento amplo, sistemático, deliberado e generalizado da legislação trabalhista por boa parte do empresariado, como forma de reação à irracionalidade do sistema.
Não se trata aqui de endossar o realismo jurídico de Alf Ross, segundo o qual “é o fato de a norma ser percebida como obrigatória, e portanto o fato do comportamento por ela estabelecido ser realizado, é que a torna vigente”159. Ao contrário, quer-se ressaltar que a
incongruência da norma com a realidade sobre a qual ela incide torna-a inócua, desprovida de efetividade, a não ser como critério de valoração e orientação da ação repressiva do Estado. Nesse caso, qualquer situação de fato estará sempre irregular diante de tais normas.
Isso explica, de certo modo, o surgimento do jocoso jargão presente no debate jurídico nacional, por meio do qual se reconhece como natural a existência de leis que “pegam” e outras que “não pegam”.
Finalmente, tais situações relativas às normas de caráter meramente instrumental- burocrático contribuem para o recrudescimento da falta de efetividade das normas constitutivas de direitos dos sociais dos trabalhadores.160
O sistema padece de um vácuo institucional capaz de estabelecer uma conexão positiva entre o ato de aplicação e de atribuição de sentido à norma e os contextos de realidade. E, mais além, quando a questão da norma não é de adequação161, mas de substituição da norma, a autonomia coletiva, mediante ação isolada dos sindicatos, padece de dois sintomas inibidores de sua atuação e criatividade: a) inércia cultural dos sindicatos quanto ao alcance da negociação coletiva; e b) reação conservadora das instituições do trabalho, oriunda do legicentrismo e do estatismo culturais.
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ROSS, Alf. Sobre el derecho y la justicia. 5. ed. Buenos Aires: Eudeba, 1994, p. 70 e ss apud GALUPPO, Marcelo Campos. Igualdade e diferença – Estado democrático de Direito a partir do pensamento de Habermas. Belo Horizonte: Mandamentos, 2002, p. 113.
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A ausência de efetividade de maior gravidade e que se sobrepõe à das normas de cunho estritamente patrimonial é aquela relativa a normas que resguardam a integridade física e moral do trabalhador rural. O depoimento parcial extraído da ata de audiência (doc. 00567) dos autos do processo n. 00259/00, em ação ajuizada perante a Vara do Trabalho de Patrocínio, bem espelha a ausência generalizada de cumprimento da legislação trabalhista na região nos períodos precedentes à criação do Núcleo Intersindical de Conciliação Trabalhista de Patrocínio/MG: “Os autores narram ainda fato preocupante: foram levados pelo seu chefe chamado “Zé” para trabalhar no local em que havia sido recentemente aplicado veneno, vários dos trabalhadores passaram mal e o estado mais grave foi o do Arnaldo e da autora Maria. O Arnaldo foi conduzido em estado grave de saúde e o “Zé”, gerente, deu suco para que o Arnaldo tomasse outras providências médicas. Já a Maria foi para o Pronto Socorro tendo sido atendida pelo médico Dr. José Carlos, cujo atestado foi entregue ao Sr. Renato, em cujas mãos desapareceu...”.
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Cf. GÜNTHER, Klaus. The sense of appropriateness. New York: State University of New York, 1993,