1.ÇALIŞMANIN TASARIMI
D. İSTATİSTİKSEL DEĞERLENDİRME
III
1. Proposta de elaboração de um roteiro literário sobre a Ilha da Madeira
1.1. Justificação
Na presente dissertação apresento importantes referências e contributos para a construção de vários roteiros literários sobre a Região Autónoma da Madeira, cujos títulos, eventualmente, poderão vir estar relacionados por várias temáticas: “as flores”; “o clima”; “património cultural”; “toponímia”; “festividades” e “natureza”. Enumerarei, em capítulo subsequente, um conjunto alargado de poemas que resultaram de uma investigação aprofundada sobre o corpus poético produzido com referência à Madeira – e que servirão para a construção dos roteiros propostos –, uma investigação com grande importância na medida em que foi constatada a inexistência de roteiros com estas características.
Devido à sua complexidade e dimensão, os roteiros literários aqui propostos não contemplarão todas os géneros literários, concentrando-se na poesia que tem como cenário e referência concreta a Região; considero que este é já um pequeno passo para o estímulo do aparecimento de outros importantes instrumentos tanto de divulgação como de protecção da memória colectiva da Região Autónoma da Madeira na sua dimensão cultural e literária em particular.
Existe um enorme património literário sobre a Região, relevante contributos para a sua divulgação e preservação, descrições muito particulares e generalizadas, tanto da paisagem urbana como da campestre. Este património é um marco importante para a cultura madeirense, tanto para quem visite a Região, como também para quem nela viva,
1.1. Justificação
A Ilha da Madeira pela mão dos seus poetas – Construção de um roteiro literário,
pois permite a visitantes e a naturais da Madeira descobrir uma Região através de outro olhar, por outra perspectiva, seja ela mais idealizada ou mais realista. Poderá afirmar-se que há uma região poética específica de autores como Herberto Helder, José Tolentino Mendonça, Viale Moutinho, Irene Lucília, diferenciadas entre si e da de (para acrescentar outro exemplo, José Agostinho Baptista). Todas estas diferentes perspectivas poéticas – porque decorrentes de uma percepção subjectiva da realidade – têm a Região como pano de fundo, estando ao dispor do visitante e do habitante a opção de poder determinar quais das perspectivas poéticas pretende seguir na construção de um itinerário literário; assim, a proposta de roteiro literário que a seguir se apresenta pode vir a constituir um importante instrumento para a divulgação e para a promoção da Madeira como destino de Turismo Literário pois o trabalho de pesquisa efectuado permitiu reunir, num mesmo roteiro, perspectivas poéticas distintas conjugadas a favor de um mesmo objecto, a construção de um olhar poético sobre a Ilha da Madeira.
Na selecção de poemas e poetas foi tido em consideração o factor contemporaneidade porque parece ser, essencialmente, a partir desta época que é observável a insularidade na produção dos poetas madeirenses; de facto, há, de certo modo, um estilo com especificidades caracteristicamente insulares, como se pode conformar na tese de doutoramento Tendências da literatura na ilha da Madeira nos séculos XIX e XX, de Mónica Teixeira (um relevante estudo que veio colmatar a falta de investigação na área histórico-literária sobre a literatura madeirense), na qual se conclui que existe uma especificidade insular na literatura portuguesa:
“Embora os autores estudados se revelem em estreita consonância com as vozes dos seus pares continentais, com o tempo foram-se isolando progressivamente, acabando por encontrar o seu próprio caminho. E todos eles guardam em si uma certa especificidade insular. Na escrita madeirense surge, assim, a acumulação de duas realidades literárias: continente e lha.” (2005: 417).
O poeta madeirense Herberto Helder, num artigo intitulado “Actividade Literária Madeirense”, publicado na Voz da Madeira em Novembro de 1954, citado por Mónica Teixeira, afirma que se “(…)verifica[...] que esta literatura existe quando há “uma linha
1.1. Justificação
de continuidade na produção de obras literárias, linha que mantém certos elementos característicos e que se enriquece continuadamente.” (2005: 429). Com este estudo histórico-literário é possível comprovar que há uma estrutura e um fundamento literário sólido para que se afirme a existência de uma produção literária especificamente madeirense.
As propostas para a construção de um roteiro literário baseado na poesia madeirense são, portanto, sustentadas na produção literária madeirense por se tratar de um roteiro sobre a ilha da Madeira e, na minha opinião, os escritores madeirenses possuem naturalmente uma visão particular e distinta de outros poetas que visitem a ilha.
Para Mónica Teixeira, para se contemplar o campo específico da literatura madeirense, é imperativo anotar que
“(…) todos estes escritores são madeirenses porque nasceram nesse espaço ou porque o adoptaram para viver e não porque a sua obra apresente homogeneidade de tradição ou riqueza temática e linguística que constituam um valor estético que lhes permita constituir uma Literatura à parte da Literatura Portuguesa” (Teixeira, 2005: 430).
Os itinerários literários aqui sugeridos constituem, em certa medida, um esboço do “mapa poético” completo da Região, mas serão, certamente, um importante ponto de partida para a tarefa mais exaustiva de reunir toda a produção poética de outras épocas que referencia a Ilha da Madeira. No sentido de comprovar que é possível fazer um roteiro literário com recurso à produção de poetas que não nasceram na Região, seleccionei poemas de João Miguel Fernandes Jorge – poeta que passou uma temporada na Ilha – e de Carlos Nogueira Fino, poeta que, não sendo poeta natural da Madeira, vive nesta há muito tempo, o tempo suficiente para enraizar características insulares na sua poesia e, por esse facto, estar num patamar distinto de João Miguel Fernandes Jorge.