1.ÇALIŞMANIN TASARIMI
3. Berg Denge Ölçeği (BDÖ)
A Ilha da Madeira pela mão dos seus poetas – Construção de um roteiro literário, 2.3. Roteiros Literários Nacionais
Em Portugal ainda não há uma aposta clara, por parte das agências de viagens e de turismo no turismo literário. Porém, estão já disponíveis variados roteiros literários para todos os que demonstrem interesse neste género de turismo.
Na página do organismo Turismo de Portugal S.I.19, uma entidade com responsabilidades no desenvolvimento do turismo em Portugal, não se encontra qualquer referência a roteiros literários, nem é visível qualquer estratégia de desenvolvimento do turismo literário em Portugal; esta entidade tem apostado sobretudo na promoção do turismo patrimonial e exitem roteiros desenvolvidos nessa vertente.
As câmaras municipais parecem desconsiderar, também, o potencial do turismo literário, apesar de haver exemplos de autarquias que têm disponíveis no seu endereço electrónico alguns roteiros literários: Câmara Municipal de Sintra e a Câmara Municipal de Ribeira de Pena, por exemplo. Grandes municípios como os do Porto e o de Lisboa não têm disponíveis roteiros literários nos seus endereços electrónicos, ignorando, assim, esta importante vertente do turismo cultural.
Um dos roteiros literários disponíveis em livro é a obra das escritoras Elvira Azevedo e de Zaida Braga, cujo título é Itinerários Literários: Viajando pela literatura portuguesa. Ao contrário do roteiro literário anteriormente analisado, esta obra encontra- se organizada por seis roteiros literários distintos: “Percurso Garrettiano”; “Camilo e a casa de S. Miguel de Seide”, “O Porto romântico”; “Lisboa Queirosiana”; “Sintra Queirosiana” e “Eça e a Casa de Tormes”. Também existe um outro percurso proposto, com a duração de três dias, que tem por base a tradição trovadoresca, com início marcado em Portugal e com término na cidade de Santiago da Compostela.
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2.3. Roteiros literários nacionais
Segundo as autoras, Itinerários Literários: Viajando pela literatura portuguesa é uma obra direccionada para um público jovem, para estudantes, embora possa ser utilizado também por um público com interesses literários, com o intuito de “fazer a ligação entre o real e a ficção, entre o texto e a sociedade, entre o texto e a história” (Azevedo, 1994: 9). Cada roteiro ou itinerário literário proposto está estruturado da seguinte forma: percurso a realizar, a que se associa um texto literário de suporte; informações de natureza prática e bibliografia consultada.
A obra Itinerários Literários: Viajando pela literatura portuguesa é um instrumento que para além dos itinerários literários acima descritos, fornece um conjunto de informações relevantes, desde entidades a contactar ao alojamento, como também, naturalmente, todos os dados sobre o percurso a seguir pelo visitante. Todos os capítulos são acompanhados de imagens que ajudam o visitante a identificar determinados edifícios ou monumentos. Esta será, com certeza, uma obra a ter em conta na elaboração do roteiro literário a que me proponho nesta dissertação.
O projecto Passeios Literários, disponibilizado por um conjunto de pessoas sem qualquer vínculo institucional a entidades públicas ou intuito comercial de natureza privada, é outros dos roteiros literários disponíveis que permite caminhar pela cidade de Lisboa ao “sabor” da referência à obra de vários escritores que escreveram sobre a cidade. Este projecto é concretizado por num conjunto de guias, com formação e experiência na área da literatura, que conduzem pequenos grupos de pessoas nas visitas à cidade de Lisboa; trata-se de um roteiro que está destinado a grupos de jovens estudantes, mas que poderá ser dirigido a outros grupos, bastando que, para isso, comuniquem os responsáveis atempadamente. Escritores portugueses de grande relevo, como José Saramago – sobre quem se propõe o itinerário “Lisboa majestosa e devota”; Luís de Camões – com um itinerário designado “(Des)Encontro em Belém”; Fernando Pessoa – a quem é dedicado o itinerário “Itinerário Pessoano”; Eça de Queirós – autor sobre o qual são disponibilizados itinerários sobre “Os Maias” e sobre “A relíquia”; relativamente a autores como Cesário Verde e Padre António Vieira são outros dos
2.3. Roteiros literários nacionais
A Ilha da Madeira pela mão dos seus poetas – Construção de um roteiro literário,
O projecto Passeios Literários permite também que o próprio grupo elabore o seu trajecto literário, conjugando todos estes escritores, o que certamente originará um roteiro literário único e especialmente interessante. Todos os passeios literários propostos neste projecto têm a duração de cerca de duas a duas horas e meia e são realizados tanto de manhã como de tarde, entre Segunda a Sexta-feira. É importante referir o facto de, neste momento, estes passeios literários não estarem disponíveis. Na minha opinião, trata-se de um projecto interessante que fornece a oportunidade de se poder percorrer a cidade de Lisboa da perspectiva e através do ponto de vista de um ou de vários escritores, seja ele do conhecimento e da eleição do visitante ou não.
A Fundação Eça de Queiroz disponibiliza um roteiro literário baseado na obra “A Cidade e as Serras”, do escritor homónimo, intitulado “O Caminho de Jacinto”, personagem do referido romance, no qual a realidade urbana e a realidade do campo se interligam, iniciando-se o percurso pedestre na Estação de Tormes e tendo o seu término na Quinta de Vila Nova (local onde está situada a Fundação). O principal objectivo da Fundação é a preservação da memória e das obras do escritor Eça de Queiroz, razão pela qual se elaborou o roteiro literário mencionado como forma de divulgar uma das grandes obras do escritor, mostrando, uma vez mais, como o Turismo se pode articular com a Cultura. “O Caminho de Jacinto” é um roteiro que está disponível o ano inteiro; é possível ser realizado por qualquer pessoa, tenha conhecimento ou não da obra que inspirou o trajecto, e o itinerário pode não ser feito com a colaboração de um guia. Está disponível outro roteiro literário com inspiração em obras de Eça de Queiroz, como por exemplo: “Sintra através dos Maias” – roteiro que foi desenvolvido em articulação entre a Câmara Municipal de Sintra e a Fundação Eça de Queiroz.
Como foi possível observar anteriormente, com o projecto Passeios Literários, há também um roteiro literário da cidade de Lisboa com base numa obra de Eça de Queiroz., constatando-se que este é, com certeza, um escritor objecto de promoção pelas entidades com responsabilidades na área do turismo literário.
2.3. Roteiros literários nacionais
A colecção de livros “Viajar com… Caminhos da literatura”, um projecto de roteiro literário promovido pela Delegação Regional da Cultura do Norte, “surge na sequência de iniciativas anteriores eu tiveram como objectivo a organização de roteiros literários em torno de escritores ligados à Região Norte”. Continuando a descrição, destaca-se que
“este projecto pretende implementar uma acção de carácter regional que potencie a temática da literatura e património, numa lógica de cooperação e de rede (…)”. (Castro, 2005: 1).
Um dos livros desta colecção é intitulado Viajar com… Camilo Castelo Branco e encontra-se dividido em quatro partes: “O Homem, escritor”; “Espaços de Inspiração”; “Topografia Literária” e “Nas entrelinhas”. Na primeira parte, existe uma breve cronologia do escritor e referência à bibliografia seleccionada. Na segunda parte estão descritos todos os locais que serviram de inspiração para o escritor, aos quais ia buscar tranquilidade para a sua escrita; há ainda a particularidade de esses mesmos locais estarem datados. Na terceira parte há excertos das suas obras, com a descrição de locais a que se foi referindo na sua obra literária. Na quarta e última parte deste roteiro, “Nas entrelinhas”, apresentam-se breves excertos da obra camiliana com o objectivo de despertar o interesse para a leitura das suas obras. Na contra capa do livro está disponível um pequeno mapa dos locais abordados na obra. Todos os capítulos desta obra são acompanhados por imagens dos locais a visitar, de objectos e de pessoas que se encontram referenciados no roteiro literário. Este é um instrumento distinto de todos os outros até agora analisados, pois obriga a que seja o próprio leitor a organizar a sua viagem e tudo o que isso implica, não estando disponível qualquer guia para acompanhar o respectivo itinerário. Os restantes livros desta colecção seguem a organização do livro que acabei de descrever.
Também relacionado com o escritor Camilo Castelo Branco, a Câmara Municipal da Ribeira de Pena disponibiliza um roteiro literário intitulado “Roteiro Camiliano em
2.3. Roteiros literários nacionais
A Ilha da Madeira pela mão dos seus poetas – Construção de um roteiro literário,
Ribeira de Pena”, percurso que está dividido pelas freguesias que compõem o município, sempre com base nas obras do escritor Camilo Castelo Branco.
O escritor português Miguel Torga elaborou um roteiro literário cujo nome é Portugal e no qual
“[a]través do roteiro literário de viagens Portugal (1950), Miguel Torga empreende uma viagem física e cultural pelas catorze regiões do país do território continental, com a apresentação que se segue: O Minho, Um Reino Maravilhoso (Trás-os-Montes), O Douro, O Porto, A Beira, Coimbra, O Litoral, A Estremadura, As Berlengas, O Ribatejo, Lisboa, O Alentejo, O Algarve e Sagres.” (Mateus, 2009:1).
Portugal é outro exemplo de um roteiro literário cuja estrutura difere substancialmente dos anteriormente apresentados, mas que não deixa de ser interessante observar, sobretudo por se poder verificar como, em 1950, havia já o despertar para a relevância das viagens literárias, a preocupação em apresentar a cultura do país por meio da construção de um roteiro literário. Nesta obra Miguel Torga conjuga a imaginação e o sonho com a realidade, tornando esta uma viagem transversal, ajudando a que o leitor se torne um viajante e despertando nele o interesse em conhecer o país que o escritor descreve no seu roteiro. Este é um instrumento distinto dos restantes roteiros literários turísticos, pois é um registo bastante pessoal e subjectivo, pois não se trata propriamente de um roteiro literário que visa acompanhar e ajudar o visitante a percorrer os espaços físicos, mas pretende motivar o leitor para visitar o país, para exercitar a sua imaginação e abrir horizontes sobre a cultura portuguesa.
O escritor José Saramago, tal como Miguel Torga, realizou uma obra – intitulada Viagem a Portugal –, que pode ser considerada um roteiro literário, pois baseia-se numa viagem de Norte a Sul do país, e na qual se podem observar factos curiosos descritos pelo olhar do escritor, tal como podemos verificar na obra de Miguel Torga. Viagem a Portugal é uma obra que inclui fotografias de paisagens e de monumentos, de modo a fundamentar e a ilustrar o texto escrito. Esta é mais uma opção disponível ao turista literário, que mesmo não sendo objecto de divulgação pelas entidades públicas e
2.3. Roteiros literários nacionais
privadas, possui uma inquestionável qualidade e só reforçaria a diversidade da oferta cultural do país, sem quaisquer encargos financeiros.
Outro exemplo de roteiros literários é a antologia de textos de escritores dos séculos XIX e XX intitulada Portugal A Terra e o Homem, editada pela Fundação Calouste Gulbenkian, da autoria de Vitorino Nemésio, de David Mourão-Ferreira, de Maria Elzira Seixo e de Jaime Cortesão. Sobre esta antologia, Vitorino Nemésio descreve o seu objectivo primordial:
“Vamos assim ao encontro da curiosidade do lusófilo incipiente, portador de um simples impulso de simpatia por Portugal e talvez de mera imagem criada acasos de turismo ou num breve contacto com homens ou notícias de cá. Levando longos trechos de grandes escritores da nossa língua, dá através deles alguns quadros essenciais da vida portuguesa: o território, o povo, os costumes, as terras” (1978: 7).
Portugal A Terra e o Homem constitui-se como uma obra de referência neste campo de trabalho e pode ser mais um instrumento a ser utilizado para potencializar a divulgação cultural do país, com um roteiro literário consistente baseado em excertos em prosa e na qual está representado Portugal visto por escritores do século XIX e XX. Contudo, alguns dos textos estão desactualizados, porque a paisagem sofreu entretanto profundas modificações, mas a essência da sua beleza tal como descrita pelos escritores antologiados continua a ter relevância enquanto memória cultural e literária do país.