1.4. Faizsiz Bankacılığın Ortaya Çıkış Nedenleri
1.4.1. Dini Nedenler
Ressalto que a coleta dos dados foi realizada a partir dos instrumentos escolhidos, visando a alcançar os objetivos propostos. Tanto as narrativas orais, quanto as escritas se configuraram o corpus de análise dessa pesquisa, na busca de um resultado, para interpretação dos dados. Procurei, primeiramente, traçar um perfil biográfico dos colaboradores através dos dados do questionário. De posse dessas informações, foi possível ter uma visão panorâmica de quem eram esses professores. Conforme exposto abaixo.
Dessa forma, Cientista, mecânico e professor, com 35 anos de idade, casado, sem filhos, com formação em Magistério, lecionava na Escola Treze de Novembro, em um acampamento, no município de Maiquinique, na Bahia. Morava nessa cidade e, para chegar à escola na zona rural, utilizava seu carro ou sua moto. Era um professor efetivo, aprovado em concurso público municipal, lecionava há menos de um ano em uma classe multisseriada de Jovens e Adultos, no noturno e achava difícil ser professor e escrever cartas e diário.
Já Matilde era professora há pouco mais de um ano, casada, mãe de apenas um filho, morava “na roça” no município de Macarani, na Bahia, com o marido, enquanto seu filho residia na cidade com a avó. Lecionava na Escola José Soares do Bonfim, que fica na mesma fazenda onde morava, em uma classe multisseriada de Jovens e Adultos, no noturno, Tinha 28 anos de idade e era contratada. Além de lecionar, também ajuda o marido com seus afazeres da roça. Dizia ter afinidade com a profissão de professor, mesmo não tendo formação para ensinar, achava fácil ser professora, escrever cartas e diário.
Então, após a coleta e a análise desses dados, já tendo conhecimento das características dos colaboradores, parti para a próxima etapa. Através das cartas pude promover os diálogos com os professores, e dos diários, explorei informações sobre a trajetória pessoal-profissional desses sujeitos e aspectos da prática cotidiana, das subjetividades, das vivências, configurando como uma segunda leitura dos dados (pois outros dados sobre a história de vida já vinham sendo explorados através das cartas). Após a leitura sistemática de todas as cartas e diários, procurei
identificar as temáticas e separá-las para melhor organização da análise interpretativa. No momento seguinte, foi realizada uma terceira leitura dos dados, para uma maior familiarização com os mesmos, através dos quais pude então confirmar através das narrativas (auto)biográficas e das práticas de (auto)formação de professores da zona rural nos anos iniciais da carreira docente, que cada ser é singular em sua história. Posteriormente, esses dados foram cruzados entre si, buscando obter maior consistência dos resultados no processo da pesquisa.
Isso foi importante para identificar o poder socializador da atividade biográfica com os sujeitos envolvidos (colaboradores e pesquisadora), necessária nesse contexto de formação, já que tem uma intenção estritamente formativa. Dessa forma, os dados das narrativas se configuraram como momentos importantes de produção e narração das histórias de vida, como ressalta Moraes (2004, p.169):
Ouvir a história de vida do professor vem se apresentando como uma alternativa, entre outras, para formar o professor. Entretanto, é importante salientar que não é suficiente somente dar voz ao professor: é necessário fazê-Io refletir sobre as nuances que teceram essa formação. É necessário oportunizar momentos nos quais, a partir da reflexão, seja possível enxergar com mais clareza e consciência como ele vem se tornando professor.
Os momentos das entrevistas, das produções das cartas e da escrita dos diários proporcionaram essa reflexão. A partir desses instrumentos, os professores foram estimulados a falar de si, dos seus processos formativos, a socializar as suas escritas, refletir sobre o que estava sendo proposto. O outro (sendo aqui a pesquisadora) foi muito importante nesse processo, como sendo aquele que “me ouve”, que tem uma escuta sensível às minhas “minhas histórias”. As narrativas e os diálogos ocupam, nesse contexto, o lugar de um trabalho reflexivo, resultado da interação entre mim e os professores participantes. Ao mesmo tempo em que coletava os dados para realização da pesquisa, através dos diálogos, pude proporcionar a estes colaboradores momentos de reflexão sobre a formação. Enquanto recebiam e escreviam cartas, os colaboradores grafavam o diário (auto)biográfico e eram visitados periodicamente por mim. É importante relatar também escrevi um diário, durante esse período, envolvendo diferentes aspectos relacionados à pesquisa e que também serviu com fonte de dados e como registro do processo de análise ao longo do percurso
Trabalhei com o gênero textual (autobiográfico), com textos orais e escritos, inscritos no paradigma das ciências humanas e sociais. Em ambos, as narrativas de vida são tomadas “como um fragmento do mundo sócio-histórico” (PASSEGGI, 2000). Como gêneros autobiográficos, foram trabalhados, nessa pesquisa, em suas particularidades, diferenças e semelhanças, promovendo a confiabilidade da análise e a interpretação dos dados, tomando as suas dimensões, contextos, demandas, expectativas e finalidades, tentando “abarcar a globalidade de uma das dimensões da vida e procurar entendê-la em sua dinâmica própria: a formação para a docência [...]” (PASSEGGI, BARBOSA, CÂMARA, 2008, p.74). Estes têm como efeito sobre o ator/autor a apropriação do poder da autoformação, da autoavaliação, ou seja, promove a reinvenção de si, através das narrativas, que em educação, “dentro do mesmo espírito, foi concebida como um processo de intervenção, tendo como prioridade colocá-la a serviço do narrador, visando à sua transformação” (PASSEGGI, 2000).
Ressalto que as notas de campo foram utilizadas para complementação do estudo, através do registro das impressões e observações, escritas em meu diário, durante esse processo. As notas de campo, segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 150), são configuradas como “relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha”. As notas, então, foram recolhidas tanto no momento das visitas, onde eram realizadas conversas informais com os colaboradores, quanto no momento das entrevistas e tornaram-se um importante instrumento de análise e reflexão.
Quanto à análise desses dados, foi feita a partir do referencial teórico já explicitado nas seções anteriores, e, posteriormente, foram descritos e tabelados, com vistas a propiciar a compreensão do todo. Para a análise e interpretação dos dados, lancei mão também do diário produzido por mim, visando fazer a comparação com outras fontes da pesquisa, cumprindo e fortalecendo o âmbito da pesquisa-formação.
Nessa pesquisa, a análise dos dados baseou-se em estudos nacionais e internacionais sobre o objeto pesquisado. Assim, formação de professores, desenvolvimento profissional, pesquisa (auto)biográfica, início da carreira docente de professores rurais foram temas da discussão teórica e contribuíram para a análise dos dados que foram avaliados em eixos temáticos sendo: prática de
formação de professores iniciantes da zona rural e desenvolvimento profissional; e subeixos: prática pedagógica, ruralidades e formação, descritos a seguir.
CAMINHOS DOS PROFESSORES
INICIANTES DA ZONA RURAL: uma construção
narrativo-formativa
E o caminho proposto pela “Metodologia das Histórias de Vida em Formação” é a narrativa, pois ela permite explicitar a singularidade, e com ela, vislumbrar o universal, perceber o caráter processual da formação e da vida, articulando espaços, tempos e as diferentes dimensões de nós mesmos, em busca de uma sabedoria de vida.
Josso (2004), propõe o uso da metodologia das histórias de vida através das narrativas, pois esta abarca as singularidades, suas dimensões, temporalidades e espaços. Através das narrativas orais e escritas que se configuraram corpus desse estudo, foi possível perceber a (auto)formação e como se tornaram professores da zona rural, conforme explicitado nesta seção.
As seções anteriores apresentaram questões inerentes ao desenvolvimento profissional docente, a (auto)biografia como possibilidade de formação, as narrativas como uma importante prática de formação de professores e a pouca visibilidade que o meio rural tem na perspectiva da educação, políticas públicas, formação de professores e outros, mostrando que a área é carente de estudos. A seguir, buscarei revelar essa trajetória formativa que ocorre em um contexto (zona rural) em que não existem muitos trabalhos.