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DİNİ, FELSEFİ, PSİLOLOJİK VE SOSYOLOJİK BOYUTUYLA VİCDAN

3.2 FELSEFİ BOYUTUYLA VİCDAN

3.2.2 İslam Felsefesi

O perigo de perder injustamente a terra pela qual seus antepassados lutaram constitui, como afirma GIARRACCA (2001), uma motivação para a ação coletiva. No discurso geral do movimento, expresso em diferentes documentos, a defesa da terra manifesta-se como a defesa da soberania (BIDASECA; MARIOTTI, 2001), diante de um processo de concentração de terras monopolizado por empresas multinacionais. No depoimento de Emma destaca-se sua motivação pessoal:

“(...) el testimonio nuestro a lo mejor te aporta a qué nos lleva a nosotros [a se

engajar] el amor por la tierra, el amor por defender el patrimonio, que yo creo

que es la lucha más digna, la defensa del patrimonio familiar (...) Yo creo que estar segura de lo que querés, segura de lo que vas a perder, seguro de que ese modelo económico te lleva a la crisis, a perder todo (…)”

Desta maneira, observaremos que os depoimentos das entrevistadas revelam o vínculo afetivo e identitário com a terra48, no qual a memória individual e coletiva opera

48Lucy de Cornelis, expressava esse sentimento em uma entrevista “A veces me preguntan por qué no vendo el campo, pero para mí sería como arrancarme el corazón. Nuestra lucha está ligada al amor por

116 como nexo entre as lutas do passado e as do presente. Neste ponto é importante considerar, como explicita SILVA (2006) que, em nível das representações, a terra possui uma materialidade física e uma simbólica, sendo esta última “prenhe de significados que dizem respeito não somente ao momento presente, mas ao passado e também ao futuro” (id. ibid., p.54). A memória individual e coletiva amalgama esses tempos, sendo o passado recuperado como projeto no presente e envolvendo, também, as próximas gerações. Desta forma, com seu engajamento no movimento, Emma revela o desejo de deixar a seus descendentes não apenas a herança da terra senão também sua defesa:

“Aunque le dejes un pequeño patrimonio a tus hijos y a tus nietos no le dejaste lo otro, que es la lucha por el patrimonio, por mantenerlo, por cuidarlo, por tenerlo, por mantener tu existencia, porque acá no estamos luchando por cinco mil hectáreas en la pampa húmeda, estamos luchando por el pan de todos los días, por el trabajo.”

Essa compreensão norteará uma das principais mudanças na sua trajetória: o desenvolvimento de um itinerário político, a partir do seu engajamento no MML. Nesse sentido, Silva (2006) aponta que “o passado não faz parte de um tempo acabado”, senão que reavivado pelas lembranças constitui um ingrediente de um devir. O trabalho com a memória tem a potencialidade de transformar o presente. É, na reinterpretação do passado, que “a memória é libertadora, na medida em que ela escreve a história que vem de baixo, do subterrâneo” (SILVA, 2004, p.46).

Emma expressa, em diferentes momentos, que nunca imaginou muitas das coisas que aconteceram a partir de seu engajamento, usando frases como “todo eso son cosas

que nunca imaginamos para nosotras”, por exemplo. A mesma projeção internacional do movimento que possibilitou que Ana fosse convidada para dar uma palestra em um congresso no Equador, e o próprio fato de estar sendo entrevistada para uma pesquisa de doutoramento:

“Una cuando empieza algo así que está con gente seria, no medita hasta dónde puede llegar. Yo era una mujer que viví toda mi vida en el campo, eh, nunca pensé, en esto por ejemplo, en esta charla con vos, una persona como vos abocada a esto, que tiene interés por lo que hacen mujeres del campo, me entendés. Eso es algo que no estaba en mis cálculos, no estaba ni pensado siquiera, son cosas en las que vos entrás si tenés la suerte de estar con gente seria no medís. [pausa]”

la familia, nuestra tierra es para nuestros hijos, es el lugar que te ganaste en el mundo.”(MONJE, 1999:2).

117 Os primeiros tempos do engajamento têm o sabor das lembranças das lutas de avôs e bisavôs unidos contra o latifúndio, das visitas à FAA junto ao pai, e dos relatos vívidos da vida como arrendatários. Porém, quando ela começou a participar do movimento, e da interdição dos leilões de propriedades de pequenos e médios produtores e produtoras rurais endividados, seu marido e filhos “no entendían bien” o que ela fazia e a questionavam. Desta forma, observamos que sua trajetória revela diferentes articulações das dimensões familiar e política no curso do seu itinerário biográfico. Essas articulações são colocadas a partir não somente do relato de situações do cotidiano, mas também de acontecimentos marcantes, pontualmente destacados pela narradora, pondo em evidência eventos que assinalam pontos de inflexão e momentos de recomposição da trajetória (BATTAGLIOLA et al., 1991, p.36).

Na televisão, apareciam imagens de Emma ao lado de outras companheiras do movimento cantando o Hino para impedir o leilão, e nas ocasiões em que fornecia um depoimento, aparecia seu sobrenome de casada. O filho, que na época estava no colegial, ficava bravo com ela porque seus colegas de escola zombavam dele dizendo: “Qué es tu mamá que canta y canta el himno,¿patriota?”. Para evitar a situação de constrangimento do filho caçula, ela decidiu começar a usar seu sobrenome de solteira. Explica que esse problema deve-se ao fato de que na Argentina, quando as mulheres se casam passam a ser “fulana de”, fazendo alusão ao costume de deixar o sobrenome próprio e, ao nome de solteira, agregar a preposição “de” para incorporar o sobrenome do marido.

Em “Minha história das mulheres”, Michele Perrot refletindo a respeito da invisibilidade das mulheres diz: “As mulheres não têm sobrenome, têm apenas um nome” (PERROT, 2007, p. 17). No caso argentino, tem o sobrenome do marido. Essa identidade subsumida, que reflete o termo “fulana”, se recupera a partir do engajamento tendo consequências sobre a identidade. Atualmente, com o reconhecimento obtido pelo movimento, o filho e a família em geral se orgulham da atividade da mãe e reclamam que ela não utiliza o sobrenome familiar.

Nossa entrevistada também rememora a preocupação de sua mãe quando ia impedir um leilão, e comenta que, muitas vezes, optava por não lhe revelar nada sobre o assunto. Porém, o leilão em Rosario era televisado por isso sua mãe ficava sabendo. Ela relaciona essa preocupação da mãe com o medo de qualquer tipo de atividade de denúncia ou reivindicação manifesto por outras pessoas, e os interpreta, inicialmente, como resultado da experiência de repressão vivenciada durante a última ditadura militar.

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“Lamentablemente, yo no sé si el proceso que se vivió en la década del setenta [a ditadura militar] que obnubiló a la gente, en cuanto que lucha no, que entonces la gente tiene miedo. Mi mamá cuando yo empecé en el movimiento vivía mi mamá, murió en el noventa y siete, en el noventa y ocho falleció mi mamá. Ella tenía miedo cada vez que yo iba a un remate (…)”

Neste sentido, Calderón & Jelin (1987) observam que nos países em que viveram ditaduras militares, os processos de transição democrática operaram em um contexto marcado por um recolhimento para a vida privada e caracterizado por “uma incomunicabilidade no interior da trama das relações sociais e entre a sociedade e os partidos políticos que, por motivos repressivos ou outros, foram-se distanciando da vida cotidiana” (id. ibid., p.82). Nesse sentido, Araújo (2001) assinala que a “exceção” é um fator que agrava ainda mais as possibilidades de visibilidade política para grupos ou setores que foram excluídos da política. Porém, o contexto democrático também apresenta riscos para o desenvolvimento da atividade política, mais ainda quando se veicula uma denúncia. Emma diz: “Porque acá al que hablan lo bajan”. Assim, refere- se aos crimes impunes49 acontecidos durante os regimes democráticos, “Entonces no es

fácil eso, viste tenés que tener coraje y un compromiso, primero para con uno, después para con tu familia y para con la sociedad, porque vos no solo ponés el cuerpo, ponés el rostro”.

Neste contexto, a presença da imprensa imprime maior segurança às participantes do movimento, pois a polícia evita reprimir quando sua atuação está sendo registrada e pode ser transmitida pela televisão. Por outro lado, no depoimento a seguir, a presença de um jornalista evitou que o leiloeiro saísse do procedimento legal:

“(…) empieza el remate, entra uno de los periodistas, viste la carita visible del periodismo en los noticieros, el chico que dirige el noticiero de Canal Cinco, que es fan nuestro, nos aprecia mucho. Como no había lugar para entrar, pone el micrófono por la ventana, había una ventana con rejas, pasa el micrófono por la reja. Cuando el martillero ve el micrófono de Canal Cinco, se puso blanco y eso es lo que ayudó también en el remate. Si no están los medios la pasamos muy mal, porque como los medios graban y después muestran eso es lo que a

49 Na década de noventa, três crimes canalizaram, na forma de protestos, a indignação popular e exigência

de justiça. Em 8 de setembro de 1990, María Soledad foi assassinada por filhos de funcionários do governo provincial. Sua morte despertou o pedido de justiça da comunidade de Catamarca, que iniciou as "marchas del silencio". Finalmente, os assassinos foram presos e uma coalizão opositora continuou ganhando as eleições, acabando com um caudilho regional. O segundo crime foi o do jovem soldado Carrasco do Regimento de Zapala, encontrado morto em 6 de abril de 1994, na Província de Neuquén. Sua morte, além do pedido de justiça, influiu para que, oito meses mais tarde, fosse eliminado o serviço militar obrigatório. Em 31 de janeiro de 1996, foram julgados e condenados pelo crime, um subtenente e dois soldados. O terceiro crime, que ainda motiva protestos, foi o de José Luis Cabezas, fotógrafo da revista Noticias, em 25 de janeiro de 1997. Na reconstrução dos fatos, o tribunal e o fiscal coincidiram em que Cabezas foi assassinado por seu empenho em fotografar o empresário Alfredo Yabrán, acusado de ser o “chefe de uma máfia incrustada no poder”.

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ellos [lhes incomoda], si a vos te maltratan y lo pasan, viste, es una mala prensa para el gobierno (…)”

Retomando as dificuldades que enfrentavam no lar, cada vez que deviam impedir um leilão, Emma explica que tudo era feito às pressas. Mesmo com a notificação judicial de leilão, os produtores sempre acreditavam que iam conseguir pagar a dívida e tinham dificuldade de reconhecer o problema e pedir ajuda. Assim, muitas vezes recorriam ao movimento na véspera do leilão; telefonavam pedindo sua intervenção, a altas horas da noite. Comenta que impedir um leilão, às vezes numa cidade vizinha, implicava reorganizar as tarefas domésticas, negociar algumas delas e até cozinhar às 5 h da madrugada para deixar o almoço feito.

“Entonces es todo un contratiempo, a mí por el hecho de vivir en el campo se me complicaba mucho, porque yo mientras mis hijos iban al colegio los tenía que llevar e ir a buscarlos en auto. Entonces cuando yo no lo podía hacer le complicaba la vida a mi marido, que tenía que ir mi marido. En lo personal eso es lo más importante, porque la familia también te cuestiona, a veces en la semana tenés que salir dos veces y te dice „Escucháme, yo tengo mi trabajo‟, el otro también tiene razón, me entendés. Pero bueno cuando es algo que a vos te desarma y que lo sentís con pasión, te cuesta porque te sentís que te dividen en dos aguas, viste. Eso a nivel personal (…)”

Assim, ela manifesta que, com seu ingresso no movimento, começa a ter uma dupla batalha “una adentro para poder irnos y otra afuera contra el sistema” (MONJE, 1999, p.2). Considera que todas as mulheres têm uma luta forte com seus maridos para poder sair da casa e que “si vas a parar un remate, ese día tenés que portarte como una

mujer 10 para que te reprochen un poco menos.” (id. ibid.). Boni (2004) também salienta as dificuldades de conciliar a militância com as atribuições do espaço privado “em que as mulheres são mais cobradas, pois tradicionalmente foram considerados seus papéis a educação dos filhos, os afazeres domésticos, a lida com as pequenas criações e também o trabalho na lavoura” (id ibid., p.296).

Experiência semelhante é encontrada nas trajetórias de vida de outras mulheres que decidem desenvolver a participação política como, por exemplo, no estudo de Antunes (2006) a respeito das quebradeiras de coco babaçu50. São mulheres que também tiveram que “travar uma luta dentro de sua casa para que sua escolha de participar no movimento pudesse ser efetivada” (id. ibid., p.142). Os depoimentos de

50 A relação entre as participantes do MML e as do MIQCB foi abordada em um trabalho de Karina

Bidaseca intitulado “Un estudio acerca de las luchas de las mujeres rurales en Argentina y Brasil desde

la perspectiva de género”, e apresentado nas Primeras Jornadas de Jóvenes Investigadores, na

120 duas lideranças do “Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu” (MIQCB) e do MML revelam conquistas semelhantes na superação dessas dificuldades:

“Esses empecilhos que tudo o que fizeram pra atrapalhar a minha participação não conseguiram, eu venci todas. (...) E hoje eu tenho minha autonomia. Se eu disser ao meu marido „hoje vou para Pedreiras‟, ele só diz „quando voltas?‟” Dada, 2002 (ANTUNES, 2006, p.143)

“A mi casa llamaban en forma anónima para decirle a mi marido que yo estaba en otra parte, te imaginás adónde, y muchas veces cuando volvía de parar algún remate o de visitar algún funcionario me encontraba la puerta cerrada con llave desde adentro. Me dejaban afuera, bah. (...) Hoy, cuando salgo, solo me preguntan cuando vuelvo (...)” Lucy de Cornelis (MONJE, 1999, p.2)

Outro estudo, que analisa a participação de trabalhadoras rurais nas greves, identificou que as mulheres casadas eram impedidas de comparecer pelos maridos, com a justificativa de preservar a moral delas, devido à visão de que “a mulher que participa

de greve é porque quer estar no meio dos homens” (SILVA, 1999, p.296). À oposição

do marido somava-se a reprovação moral dos vizinhos. Também, Valdete Boni explora essa questão na experiência de lideranças sindicais e cita um depoimento de uma das dirigentes:

“Eu me sinto muito discriminada. Uma por sair de casa, a dificuldade de sair de casa, deixar a família. As pessoas falam por você ser mulher, por você estar saindo de casa. Eles acham que você não vai trabalhar, que você não tem capacidade de construir alguma coisa e sim de só ser mulher de programa. É isso que os homens pensam né?” (BONI, 2004, p.296)

A interdição da participação da mulher no espaço público/político explicita o controle de sua sexualidade, em nome da moral, da preservação da honra, da honestidade. Estas proibições são frutos da dominação de gênero (SILVA, 1999). Assim, conquistar um espaço de participação implica confrontar os homens que exercem seu domínio nesse espaço, mas também com companheiros, pais, maridos e até com outras mulheres do entorno próximo. Desta maneira, Silva (op. cit.) afirma que:

A consciência de gênero e identidade de gênero femininas são processos históricos, produzidos pelas práticas sociais de homens e mulheres de uma determinada realidade social. Em se tratando de processo, é algo que se faz no bojo de contradições, de ambiguidades coletivas e individuais (id. ibid., p.299)

Antunes (op.cit.) avalia que o que levou as mulheres do MQCB a enfrentar seus marido e lutar pela sua participação foi o fortalecimento adquirido durante os conflitos de luta pela terra. Afirma que durante esse período as mulheres saíram para a esfera pública e essa experiência mostrou-lhes suas habilidades e capacidades, aumentando sua

121 autoestima e estimulando sua organização (id. ibid., p.143). Porém, destaca que o caminho do empoderamento é progressivo, e cheio de altos e baixos, “cada mulher se apropriou e utilizou de forma diferenciada o poder alcançado na esfera pública, para lidar com e transformar os desequilíbrios de poder dentro de suas casas” (id. ibid., p.147).

Quando avalia as dificuldades enfrentadas para a participação, Emma diferencia entre as participantes que moram no campo e as que moram na cidade, porque as primeiras sempre estão diretamente envolvidas na atividade produtiva, como no seu caso.

“Yo no trabajo en el campo pero toda esa cosa de ir al banco, de mandados, que por ahí se le pincha una goma y bueno „Lleváme la goma a la gomería y esperála‟ o „Andá al taller y traéme tal cosa‟. Digamos, no vas a trabajar al campo pero estás involucrada en la actividad.”

Refletindo a respeito da experiência de outras companheiras do movimento, destaca que o fato de ter uma trajetória familiar vinculada ao gremialismo, como no caso da atual presidenta do movimento, Ana Galmarini, facilita a situação no sentido que a família compreende o compromisso e até pode acompanhar. Outra situação favorável seria o caso das mulheres solteiras ou as mulheres que têm “los hijos ya

criados”, como comentava outra entrevistada. Consideramos que estas últimas, potencialmente, são as que teriam mais chances de desenvolver seu itinerário político no contexto em questão, pois respondem a um modelo de participação política legitimado da mulher: a mãe que já cumpriu seu papel social. Essas duas condições apontam uma faixa etária favorável para a militância, que começaria na casa dos quarenta anos.

No caso do MML, Norma Giarracca que entrevistou dez das principais lideranças assinala que as mais novas tinham por volta de quarenta anos, enquanto as mais velhas, sessenta e cinco anos (GIARRACCA, 2001, p.141). Durante o trabalho de campo que realizamos, todas as mulheres do MML contatadas estavam pouco mais de um lustro acima dessa faixa etária demarcada pela pesquisadora, numa média de cinquenta anos, coerente com o passo do tempo em relação ao ano de produção do seu texto.

Quando nossa entrevistada começou a participar do MML, seus filhos eram adolescentes e frequentavam o colegial. Portanto, o fato de morar no campo era uma dificuldade para ela, pois tinha que levá-los todos os dias para a escola. Assim, nos dias que tinha que interditar leilões o traslado dos filhos era uma tarefa renegociada com o

122 marido. O depoimento a seguir, expõe suas estratégias de reordenação das tarefas, as alternativas geradas e, também, as resistências encontradas na família:

“Por ejemplo me pongo a cocinar a las once de la noche para dejarle la comida lista a mi marido, porque mi marido puede dejar (de trabajar) para ir a buscar a los chicos al colegio, pero tampoco puedo darle la tarea de que haga la comida para él y para los chicos. Después, desde que tengo el freezer me solucionó un montón de cosas, aunque a él no le gusta la comida de freezer, pero bueno. Yo por ejemplo suelo tener salsa, entonces un arroz yo lo dejo preparado, vos solamente tenés que prender la cocina, les enseño a los chicos a hacer arroz. A eso se niegan, los varones, se niegan a (cocinar). Y bueno, en eso te complica un montón, en la vida cotidiana, tenés que salir así de improviso. Ahora no sabemos, me parece que el veintitrés de marzo tenemos que ir a Mercedes, entonces ahí ya dejo todo preparado, organizado a parte que ahora mi hija no trabaja, entonces se puede ir a mi casa. Ya deja organizado, como te dije yo tengo salsa preparada, hervís unos fideos, le ponés un arroz y ya está, una milanesa (…)”

Em Bogado (2008), percebemos algumas mudanças na prática social de cozinhar no espaço privado decorrentes do desenvolvimento da militância política. Desenvolver uma militância soma mais uma jornada para as mulheres, trabalhem fora ou não, implicando na sobreposição de funções e tarefas. Inicialmente, elas se valem de diversas estratégias e rearranjos para conseguir militar, reorganizando as tarefas domésticas, administrando o tempo51 de novas formas, mas também renegociando funções com outros membros da família. Esses rearranjos, quando diferenciados pelo gênero, podem reproduzir a divisão de tarefas tradicional.

Essa necessidade de reordenação das rotinas e de maior participação do marido e dos filhos para possibilitar que as mulheres desenvolvam um itinerário político é

Benzer Belgeler