1. BÖLÜM
1.4. Nevşehir İline Ait Şer’iyye Sicilleri
2.2.1. İsimler
Devemos diferenciar as formas jurídicas que uma organização da sociedade civil pode assumir, dos títulos que ela pode vir a obter após o reconhecimento jurídico de sua existência.
Uma organização sem fins lucrativos no Brasil pode tomar a forma de associação ou fundação. De acordo com o Novo Código Civil Brasileiro (BRASIL, 2002), “[...] constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos”. Já as fundações são dotações especiais de bens destinadas pelo seu instituidor, por escritura pública ou testamento, para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência.
Ao registrar seu estatuto em um cartório de registro civil de pessoas jurídicas, a entidade ganha seu reconhecimento legal por uma dessas duas formas.
Após se constituir como associação ou fundação, a organização pode buscar a obtenção de diversos títulos e certificados em todos os níveis de governo. Atentaremos apenas para aqueles de âmbito federal, uma vez que a OSCIP trata de um novo modelo de qualificação federal.
Assim, até a promulgação da Lei nº 9790/99 tínhamos no âmbito federal a Declaração de Utilidade Pública, o Registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) e o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), expedido pelo CNAS.
Utilidade Pública Federal (UPF)
O Título de Utilidade Pública Federal foi instituído pela lei ordinária mais antiga em vigência no país, a Lei nº. 91 de 1935. A referida lei é regulamentada pelo Decreto nº. 50.517 de 1961 que determina que o título pode ser concedido apenas àquela organização:
[...] que, comprovadamente, mediante apresentação de relatórios circunstanciados dos três anos de exercício anteriores à formulação do pedido, promove a educação ou exerce atividades de pesquisas científicas, de cultura, inclusive artísticas, ou filantrópicas, estas de caráter geral ou indiscriminado, predominantemente” (BRASIL, 1935).
Portanto, a UPF só pode ser concedida pelo Ministério da Justiça a entidades que já tenham mais de três anos de funcionamento e que se dediquem às finalidades acima dispostas. Ademais, caso seja indeferido o pedido, a legislação determina que o mesmo só poderá ser reapresentado após dois anos da publicação do despacho denegatório.
Se reconhecida a utilidade pública, a organização fica sujeita a determinadas exigências legais como a apresentação anual ao Ministério da Justiça de relatório circunstanciado dos serviços prestados e de demonstrativo das receitas e despesas realizadas no ano civil anterior, sob pena de cassação do título após três anos consecutivos de não apresentação (SZAZI, 2003).
No que se refere aos benefícios, com o título de utilidade pública federal a organização fica apta a:
a) Instruir o pedido de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS);
b) Requerer ao INSS, após a obtenção dos demais documentos necessários, a isenção da quota patronal;
c)Fornecer às pessoas jurídicas, doadoras de benefícios, recibo dedutível do imposto de renda (IR);
d) Receber subvenções e auxílios da União e suas autarquias; e) Receber receitas das loterias federais;
f) Realizar sorteios, desde que autorizada pelo Ministério da Fazenda. (BARBOSA, 2001; SZAZI, 2003)
Apenas a título de esclarecimento, existem títulos de Utilidade Pública Estaduais e Municipais, cuja regulamentação é dada por cada Estado ou Município.
Registro no Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS)
A legislação que disciplina o registro no CNAS é a Resolução do próprio órgão nº. 31 de 1999, a qual determina que podem se registrar as organizações que promovam alguma das atividades abaixo:
[...]. proteção à família, à infância, à maternidade, à adolescência e à velhice;
. ações de prevenção, habilitação, reabilitação e integração à vida comunitária de pessoas portadoras de deficiência;
. integração ao mercado de trabalho; . assistência educacional ou de saúde; . desenvolvimento da cultura;
atendimento e assessoramento aos beneficiários da Lei Orgânica da Assistência Social e defesa e garantia de seus direitos. (SZAZI, 2003, p. 92)
Diferente do que ocorre com a UPF, o registro no CNAS pode ser concedido a organizações com menos de um ano de existência legal, mediante o preenchimento de alguns requisitos concernentes ao conteúdo de seu estatuto, como a exigência de disposição sobre a vedação de percebimento por parte de sua diretoria de qualquer vantagem pecuniária. Também não se exige que a organização aguarde dois anos para a reapresentação do pedido de registro caso o mesmo seja denegado.
Obtendo o registro, a entidade fica obrigada a comunicar ao CNAS as alterações de seus dados cadastrais, de seu estatuto e da composição de sua diretoria. No que se refere aos benefícios, a entidade garante um dos requisitos para instruir o pedido de CEBAS e para ter acesso a subvenções ou convênios com o CNAS e fundos públicos.
Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS)
O CEBAS é regulamentado pelo Decreto nº. 2.536/98, alterado pelos Decretos 3.504/00, 4327/02 e 4381/02 e regulado pelas Resoluções do CNAS 177/00, 2/02 e 107/02 (BRASIL, 1998).
Além de possuir a UPF e o registro no CNAS há mais de três anos antes do pedido, a entidade que deseja obter o CEBAS deve também neste mesmo período, estar previamente registrada no Conselho Municipal de Assistência Social do município de sua sede, se houver, ou do correspondente estadual e demonstrar que está legalmente constituída e em funcionamento no país.
Portanto, o CEBAS só pode ser concedido às organizações que já estejam funcionando há pelo menos três anos. Os pedidos denegados seguem os mesmos procedimentos para o registro no CNAS. Já aos pedidos deferidos, seguem a expedição do certificado, o qual terá a validade de três anos, podendo ser renovado por iguais períodos.
A obtenção do CEBAS permite que a entidade requeira a isenção do recolhimento da quota patronal da contribuição previdenciária incidente sobre a folha de pagamento da organização, mediante o atendimento dos procedimentos específicos do INSS, incluindo a apresentação dos títulos de utilidade pública federal e estadual ou municipal.
Para a obtenção tanto do UPF, como do CEBAS e do registro no CNAS, além dos requisitos elencados, a legislação exige uma série de documentos que vão desde cópia autenticada do estatuto social e do CNPJ da organização até atestados de idoneidade e notas explicativas das principais práticas contábeis.
Organizações Sociais (OSs)
Cabe aqui fazer alguns esclarecimentos sobre o modelo da organização social (OS), a qual não se configura como um título a ser adquirido, mas um novo formato para determinadas entidades.
As Organizações Sociais (OS) são organizações originárias de transferência de recursos públicos, criadas pelo Estado para absorção de atividades anteriormente desenvolvidas por entidades ou órgãos públicos da União. Elas são entidades dependentes de recursos públicos, que contam com a participação de membros do poder público em sua direção e podem celebrar contrato com o Estado sem licitação. No âmbito federal, tais entidades foram idealizadas como parte do Plano de Reforma do Aparelho do Estado criado pelo Ministério da Administração Federal e Reforma do Estado (MARE) no primeiro governo Fernando Henrique Cardoso.
De acordo com o Plano Diretor, as organizações sociais viriam a “[...] permitir a descentralização de atividades no setor de prestação de serviços não-exclusivos”, como ensino, pesquisa científica e saúde, por meio de um instrumento jurídico denominado “Contrato de Gestão”.
A Lei no. 9637/98 disciplina a qualificação das organizações sociais, a criação do Programa Nacional de Publicização, a extinção dos órgãos e entidades que menciona e a absorção de suas atividades por organizações sociais (DI PIETRO, 2002).
Conforme pesquisa publicada em 2003, desde 1997, haviam sido qualificadas sete OSs no âmbito federal (SANO e ABRUCIO, 2003).
4.2.2 Instrumentos jurídicos para a regulação das articulações entre Estado e