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Taraf İradelerinin Yorumlanması Suretiyle Sübjektif Olarak Yatırım Kavramını Belirleyen Kararlar

O discurso de que a escola é importante e de que é necessário estudar para “ser alguém na vida” é corriqueiro e reproduzido desde muito cedo pelas diferentes instâncias e

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segmentos sociais. Ao indagá-los sobre se gostam de estudar e quais motivações fazem com que frequentem a escola, eles informaram:

Gráfico 16 – Índices das respostas do alunos que gostam de estudar

Fonte: elaborado pela autora.

Gráfico 17 – Motivação informada pelos estudantes para frequentar a escola

Fonte: elaborado pela autora.

O grau de escolaridade dos pais e do grupo de convívio (outros familiares, amigos, colegas de escola e trabalho, vizinhos etc.) é o primeiro contato com a experiência prática que confere uma visão de mundo e pode propiciar e motivar as escolhas e trajetos de vida dos indivíduos. A escola pode representar para as famílias das classes populares uma realidade que elas não experimentaram, podendo aparecer como pelo menos dois cenários: a) ter pouco valor objetivo na vida cotidiana frente às necessidades prementes de sustento familiar; ou ainda, nos dias de hoje, b) ser indicado aos filhos como uma esperança de ascensão social, reversão de suas precariedades ou a mínima expectativa de melhoria de vida.

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Carmo (2001, p. 20-21) lembra que: “O grau de aspiração de estudo para o jovem é influenciado pela imagem social que a família tem da escola.” Assim, mesmo que haja um incentivo a frequência escolar, a dimensão do nível de escolaridade pretendida, o volume de investimentos, o alcance dos propósitos que as famílias anseiam para seus filhos depende, na maioria das vezes, da compreensão restrita que eles (pais ou familiares) tiveram em suas experiências pessoais, sendo difícil a apropriação de perspectivas de retornos em longo prazo, que podem ser incertas diante das urgências cotidianas. Por isso, verificamos o panorama que eles informaram sobre a participação da família ou de outros em seu grupo de convívio. São agentes que promovem o interesse pelos estudos em forma de incentivos, ou de quem costumam receber apoio:

Gráfico 18 – Incentivo aos estudos pelos familiares ou outros agentes

Fonte: elaborado pela autora.

Observamos que nesse grupo, o estímulo familiar para vida escolar não é geral, mas já apresenta um percentual significativo, ainda que seja um acompanhamento sem muito envolvimento, que se revela nas falas dos jovens, em que seus pais não costumam perguntar e nem participar da vida escolar, mas costumam dizer: “Meu filho, estude!”. No entanto, é possível perceber a influência de outros atores e de outros vínculos na formação de redes de relacionamentos e compartilhamentos de valores.

Para os alunos pesquisados, a inserção escolar é um investimento de afirmação no mundo social. Somam-se a esta justificativa, outros importantes motivos para a entrada e permanência na escola, como: influência familiar, os ganhos afetivos no convívio com os pares, a certificação com a aquisição dos títulos escolares ampliando as chances no mercado de trabalho, enfim, todos esses elementos foram mencionados pelos sujeitos. Por isso, é

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possível entrever uma organização e planejamento mínimos quanto aos alvos desse investimento escolar, já que todos mencionam, pelo menos, a conclusão do nível médio para o melhoramento de suas vidas.

Bourdieu (2011a) analisa os prováveis percursos que os indivíduos terão pela bagagem socialmente herdada na sua trajetória de vida. A composição dessa herança se faz pela posse ou aquisição, e manuseio de determinados componentes objetivos e externos ao indivíduo como: capital econômico, que corresponde ao acesso a bens e serviços; e o capital social, que corresponde a uma rede durável de relações, vinculada a um grupo que garanta influência e reconhecimento social, facilitando o trânsito e a participação dos indivíduos nos espaços sociais que lhes interessa e convém.

Mas há um patrimônio transmitido pela família que vai constituir a subjetividade do indivíduo: a incorporação do capital cultural. Bourdieu (2011a) nomeia como capital cultural o processo de composição e transmissão doméstica de bens, valores e práticas que se dão em três modos: a) em estado incorporado como um habitus feito crenças e aptidões encarnadas na pele (linguagem, gostos, preferências, percepção de mundo e postura social; b) em estado objetivado pelo contato de intimidade e apreciação com bens culturais como livros e instrumentos, dentre outros; c) e emestado institucionalizado em forma de certificado escolar, que será imbuído de uma necessidade premente e valorização social deste tipo de bem, enquanto formalização cunhada, carimbada e timbrada da comprovação do quanto se sabe. Este estado institucionalizado é expresso em Curriculum Vitae ou plataformas digitais equivalentes, nos quais os saberes e competências devem ser devidamente confirmados.

As experiências iniciais de introjeção do capital cultural se fazem mais eficazes quanto mais cedo este capital for impresso no indivíduo pela literal encarnação e incorporação desse patrimônio adentrando pelo corpo, pela carne, por vias sensoriais. Depois, tais elementos ficam patentes na pele, na linguagem, na maneira de olhar, perceber, pensar, sentir, estar e agir no mundo. Nogueira e Nogueira (2009, p. 52) destacam como elemento constitutivo deste tipo de capital a chamada “cultura geral”, enquanto:

[...] expressão sintomaticamente vaga e indefinida, porque designa saberes difusos e adquiridos de modo variado e informal [...] o domínio maior ou

menor da língua culta; o gosto e o “bom gosto” (em matéria de arte, lazer,

decoração, vestuário, esportes, paladar, etc.); as informações sobre [como funciona] o mundo escolar.

Verifico junto aos estudantes se há algum investimento da família em educação, como compra de livros e outros equipamentos de estudos, financiamento de cursos

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extraescolares ou algo que fomente um adicional formativo. De 54 estudantes, 41 disseram nunca ter recebido qualquer aquisição ou estrutura para ampliar sua formação escolar, que não têm livros em casa (apenas livros didáticos) e nem têm o costume de comprar. Apenas 13 deles disseram ter recebido algum tipo de apoio material (cursos pagos, livros e computadores).

Para exemplificar, averiguo suas experiências com algumas formas de práticas culturais a partir da frequência em teatros, bibliotecas, museus, cinemas, exposições de arte, espetáculos de dança, musicais e eventos dessa natureza, no que eles revelam o seguinte:

Gráfico 19 – Frequência em teatros, bibliotecas, cinemas, exposições e espetáculos de arte

Fonte: elaborado pela autora.

Estes dados demonstram que a maioria dos indivíduos pesquisados mantém uma relação de desconhecimento ou de distância, ou, ainda, esporadicamente se deparam com elementos e práticas deste tipo de cultura. O que falta: acesso gratuito, tempo, motivação e apoio de seu grupo de convivência, afinidade, “falta de vontade”? Não sentem necessidade? Ou outros fatores que não consigo vislumbrar?

Tais produções e mostras culturais são ainda pouco experimentadas pelas camadas populares, ou pelo preço das entradas, ou pelas distâncias geográficas dos espaços destes bens culturais, em geral, afastados dos espaços de acesso dos estudantes. Mas, acredito que a infrequência ou pouca participação nestas atividades culturais acontece por pouco fazerem parte do ambiente cotidiano dos grupos de convivência dos estudantes pesquisados, pelo alheamento a estas formas de expressão cultural e social. Percebo que muitos alunos fazem da escola o único espaço de aprendizagem formal. Apreciar e consumir arte, nas mais variadas formas de manifestações artísticas e culturais, é um valor e uma maneira de olhar o mundo, resultado de uma experiência de vida em que se ensina e se aprende. E esta bagagem não é

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mero acessório, é elemento que permeia nossa constituição, aperfeiçoando, diversificando e enriquecendo nosso “estoque de conhecimento”9.

Por fim, apresento aqui uma breve caracterização dos sujeitos da pesquisa, tentando oferecer uma visualização de seus perfis em aspectos mais gerais. Nos capítulos que se seguem conheceremos a relação que estabelecem com as categorias: escola, territórios sociais, trabalho e projetos de vida.

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4 A ESCOLA PARÓQUIA DA PAZ NO CONTEXTO DA CIDADE: SITUANDO O

Benzer Belgeler