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İpotek Hakkına Konu Olan Gayrimenkul ile Ticari İşletme Farklı Kişilere Aitse

ÇATIŞMASI MESELESİ

B) Ticari İşletme Rehninin Kapsamının Ticari İşletmeye Ait Gayrimen- Gayrimen-kul Üzerinde Tesis Olunan İpoteğin Kapsamı ile Çatışması Meselesi

2) İpotek Hakkına Konu Olan Gayrimenkul ile Ticari İşletme Farklı Kişilere Aitse

Agostinho sempre traz a sua vida para dentro das mais profundas reflexões, independentemente de elas serem mais teológicas ou mais filosóficas. Por isso, o período de dissolução pelo qual passou na sua mocidade é freqüentemente citado quando ele trata de suas concepções sobre a questão da vida feliz. Talvez por não ter encontrado nas suas prodigalidades nada que de fato o saciasse, ou, talvez, pela grande influência que as palavras de Cícero fizeram em sua vida.

Há certos homens – certamente não filósofos, pois sempre prontos a discordar – que pretendem ser felizes todos aqueles que vivem a seu bel-prazer. Mas tal é falso, de todos os pontos de vista, porque não há desgraça pior do que querer o que não convém. És menos infeliz por não conseguires o que queres, do que por ambicionar obter algo inconveniente. De fato, a malícia da vontade ocasiona ao homem males maiores do que a fortuna pode lhe trazer de bens.110

O fato é que Agostinho, naquelas épocas anteriores a sua conversão, questionava com vivacidade: “O que é que nos atrai e afeiçoa aos objetos que amamos? Se não houvesse neles certo ornato e formosura, não nos atrairiam”.111 Queria, assim, por meio de perguntas eloqüentes e de falsos silogismos fazer entender que aquilo que desejava era bom e belo. Tentando convencer, talvez a ele mesmo, que as alegrias que encontrava na libertinagem eram verdadeira felicidade (veram felicitatem). Mas, anos depois, faz, em grande parte de sua obra, uma clara distinção entre a falsam felicitatem e a veram

felicitatem. Talvez por perceber que a vida dissoluta que levava podia parecer

110 De beat. vit.. I, 10. 111 Conf.. IV, 13.20.

felicidade, mas não era.112 Como, de fato, o percebeu, quando encontrou o mendigo algures citado.113 Mas, no apelo mais contundente da afirmativa de Cícero é a moral que faz separação entre a falsa e verdadeira felicidade. A primeira conquistada a partir da posse daquilo que é inconveniente, a segunda conquistada pela prática do bem.

Nesse ponto Santo Agostinho ensina, carregado pelas suas próprias experiências e percepções da realidade que o cerca, que aquilo que é mal se reveste, muitas vezes, de bem, numa tentativa de imitar-lhe certos aspectos,114 encaminhando por essa fraudulenta aparência o homem a falsa felicidade. Para o Santo Bispo, o homem é atraído para o mal por que nele existe essa aparência de bem, uma beleza que encanta os sentidos. “O ouro, a prata, os corpos belos e todas as coisas são dotadas dum certo atrativo”.115 São esses atrativos materiais, e, portanto, temporais, que encantam o homem, que neles busca enganosamente a felicidade. Porque a humanidade encontra ali, em tais bens, a sensação de poder e de domínio, imitando a onipotência que é bem de fato. Além do poder e dos bens materiais, também o orgulho imita a posição altaneira, a ambição imita a glória, a volúpia imita o amor, a curiosidade imita a ciência, a ignorância e estultícia imitam a simplicidade e a inocência, a luxúria tenta imitar a abundância e assim por diante.116

Enfim, o mal, neste caso, pode ser apresentado, ou mesmo definido, como o temporal “disfarçado” de eterno. Assim, engana o homem e o compele a “ambicionar obter algo inconveniente”. E a causa ordinária desse mal é o egoísmo117 que encontra vazão no desejo de possuir, ou mesmo no medo de perder o que possui. Esta falsam

felicitatem, que não deixa de ser uma busca pela verdadeira, é conseqüência do mal que

é proveniente do mau uso do livre-arbítrio, que, por sua vez, é desejar aquilo que não

112 Ibid. X, 21, 30. 113 Ibid.. VI, 6, 9. 114 Ibid.. II, 6, 13. 115 Ibid.. II, 5, 10. 116 Ibid., II, 6, 13. 117 Ibid.. II, 5, 10-11.

convém, seja conscientemente ou não. Porque se a ética aristotélica preocupa-se com a voluntariedade ou não do ato,118 analisando a imputação de culpa, para Agostinho o mal se consuma como moral através do livre-arbítrio da vontade ou como metafísico na substância corrompida, independentemente de qualquer culpabilidade. O importante é que a sua presença, ainda que como simples ausência do bem, é impeditiva para a realização da veram felicitatem.

Agostinho declara que as pessoas felizes seguem a lei eterna,119 eis aí o que ele considera o grande referencial de bem e mal: a lei eterna. Portanto, a veram felicitatem é caminhar segundo a lei eterna, ou seja, é fazer o que é correto. Ainda que faltasse uma expressão clara, na obra de Santo Agostinho, indicando que ele considerava felizes apenas os homens bons, isso não impediria de se chegar a esse entendimento.

Nem ele [Agostinho] nem os filósofos que uma vez seguira questionam a idéia de que a busca da bondade também é a busca da verdade, da sabedoria e da felicidade. O bom senso concorda em que o homem bom é homem feliz. No debate em Cassicíaco, a partir do qual Agostinho escreveu o diálogo Sobre a vida feliz (De beata vita) em 386, ele e os amigos consideraram esta suposição à luz de suas crenças como cristãos. Não viram a necessidade de questioná-la.120

A verdadeira felicidade é, portanto, um estado dependente do bom uso do livre- arbítrio. Pois, a alegria provinda daquilo que não é correto é engodo, é fraude. Quando relata, em suas Confissões, um episódio no qual ele havia, com um grupo de colegas, furtado algumas pêras, o Santo Bispo reconhece: “Colhi-os simplesmente para roubar. Tanto é assim que, depois de colhidos, os lancei fora, banqueteando-me só na iniqüidade com cujo gozo me alegrara. Se algum dos frutos entrou em minha boca, foi o

118

Ética a Nicômaco. 1109a 30.

119 C.f. De lib. arb.. I, 15, 32.

meu crime que lhes deu o sabor”.121 Mais uma vez o rememorar de suas iníquas aventuras está envolvido numa profunda reflexão, que faz pensar se é possível que alguém se torne feliz apenas com a mera aparência do bem. Será que gozar de alegria promovida apenas pelas imitações daquilo que é bom pode fazer alguém feliz? A resposta do Bispo, certamente, seria não. Pois, ele afirma que naquele lamentável roubo teve “o gosto de lutar pela fraude contra a vossa lei, já que o não podia pela força, a fim de imitar, sendo cativo, uma falsa liberdade, praticando impunemente, por uma tenebrosa semelhança de onipotência”.122 Era contra a lei eterna que ele se alegrava em lutar. Agostinho colocou-se num divã e fez uma auto-análise, percebendo que a sua alegria estava em praticar impunemente aquilo que a lei lhe proibia e assim sentia-se superior a ela, onipotente. A verdadeira felicidade não pode, segundo o Bispo, firmar-se em sentimentos, experiências ou percepções falsas, pelo contrário ela precisa ser modelada busca pela verdade. “Porque não são felizes? Não são felizes porque, entregando-se com demasiado afinco a outras ocupações que, em vez de ditosos, os tornam ainda mais desgraçados, recordam, apenas frouxamente, aquela Verdade que os pode fazer felizes”.123

A aparência é mera imagem do ser, é sombra, não é o ser. Assim, os lampejos de bem que enganosamente fazem-se presentes naquela substância corrompida não podem ofertar o bem que o verdadeiro bem oferta. A veram felicitatem não pode possuir mácula da corrupção, pois “toda e qualquer natureza sujeita a corrupção é um bem imperfeito, porque a corrupção não a pode danar senão destruindo ou diminuindo nela o que constitui a sua bondade”.124 A veram felicitatem é bem perfeito, pois só se completa na quietude da eternidade. 121 Conf.. II, 6, 12. 122 Ibid.. II, 6, 14. 123 Ibid.. X, 23.33. 124 De nat. bon.. VI.