ESER SÖZLEŞMESİNDE MÜTEAHHİDİN AYIBA KARŞI TEKEFFÜL BORCU VE İŞ SAHİBİNİN
B- Muayene ve İhbar
4- AYIBA KARŞI TEKEFFÜLDEN DOĞAN HAKLARIN ORTADAN KALKMASI
Ao contrário do que faz na sua busca pela felicidade, Agostinho quando investiga o mal procura em primeiro lugar uma resposta ontológica. Ele quer saber o que é o mal e qual é a sua origem. É uma averiguação bastante diferente daquela que ele realiza no tocante à vida feliz por que as percepções que se tem de mal e de felicidade são antagônicas em todos os sentidos. Isto encontra reflexo de diversas formas: enquanto a felicidade é desejada como finalidade da vida e, portanto, é uma busca humana por algo ainda não experimentado em seu todo; o mal é diametralmente oposto,
pois se investiga pelo caminho inverso, busca-se a sua origem, a fim de encontrar uma fuga, uma vez que já foi experimentado de diversas formas.
Agostinho, assim como Platão, lança-se ao desafio de observar o bom e o belo sob o prisma de hierarquização das naturezas dos bens. É mister perceber que para estes dois filósofos o bom e belo estão representados, em sua forma perfeita, apenas, e tão somente, naquilo que é perennis, pois só na aeternitas se encontra aquilo que é incorruptível. O devir, por sua vez, é apenas uma imagem, uma mera imitação, da perfeição encontrada nos modelos platônico e agostiniano (para este último, o próprio Criador). Na filosofia agostiniana, que sempre esteve sob forte influência platônica, os bens são valorados conforme a sua perpetuidade ou efemeridade, pois tudo aquilo que se destrói, que perece, que se pode perder, enfim, tudo que pode sofrer mudanças no transcorrer do tempo, como riquezas, reputação e saúde são bens inferiores.
Embora sejam evidentes as diferenças entre a filosofia de Agostinho e a de Platão, há algo em comum quando se trata dos valores superiores que estariam representados naquilo que “sempre é e nunca teve princípio”. 209 Para ambos, o que é bom está estabelecido no que é (aeternitas). Eis a origem metafísico-ontológica do mal: a diferença entre o criador e a criatura, entre o eterno e o efêmero.
Porque a divindade, desejando emprestar ao mundo a mais completa semelhança com o ser inteligível, mais belo e o mais perfeito em tudo, formou-o à maneira de um só animal visível que em si próprio encerre todos os seres vivos aparentados por natureza. 210
Afastar-se, portanto, desse modelo perfeito significa afastar-se do que é bom e belo, logo é aproximar-se do mau. Quanto mais diferente o homem é do seu modelo eterno, mais a maldade se expressa através dele e o domina. A lógica é: à medida que
209 Tim., 65. 27-d. 210 Tim., 67. 30-c.
algo se distancia do perfeito, torna-se cada vez mais imperfeito. Logo, o mal está ontológica e metafisicamente expresso neste afastamento entre o devir (brevis) e o eterno (aeternitas). Esse distanciamento só é possível, segundo Agostinho, porque uma coisa é ser criado com vistas em um modelo e outra é ser criado a partir da substância do modelo. Assim, se a criação fosse substância do modelo, a corrupção não seria possível, pois a natureza do modelo eterno é incorruptível devido ao caráter de imutabilidade do seu ser.
Todas as naturezas corruptíveis não são naturezas senão porque procedem de Deus; mas não seriam corruptíveis se tivessem sido geradas d’Ele, porque então seriam o que é Deus mesmo. Por conseguinte, qualquer que seja o seu modo, qualquer que seja a sua espécie, qualquer que seja a sua ordem, elas só os possuem porque foram criadas por Deus; e, se não são imutáveis, é porque foram tiradas do nada. Seria uma audácia sacrílega igualar Deus e o nada, fazendo com que o que é gerado de Deus seja igual ao que é criado do nada.211
É, então, mais do que a questão do afastamento. É a questão de que a natureza corruptível é ex nihilo factae (feita a partir do nada)212, ou seja, as naturezas corruptíveis não têm a substância eterna. O mal, no seu aspecto metafísico, surge, portanto, a partir da diferença de substância entre as naturezas brevis e aeternitas, que, por sua vez, gera o distanciamento que existe entre elas.
Santo Agostinho invoca como boa toda a natureza criada, ele afirma que:
Nenhuma natureza, por conseguinte, é má enquanto natureza; a natureza não é má senão enquanto diminui nela o bem. Se o bem, ao diminuir nela, acabasse por desaparecer de todo, assim como subsistiria bem algum, assim também deixaria de existir toda e qualquer natureza.213 211 De nat. bon.. X. 212 Ibid., X. 213 Ibid.. XVII.
Entendendo por esse prisma, percebe-se que o mal não existe enquanto substância, mas tão somente enquanto fruto da ausência do bem ou da corrupção da natureza do bem. Assim, “é como se disséssemos a respeito de um quarto escuro, que possui as trevas, equivalendo a: não possui a luz. Pois não são as trevas que vêm ou se retiram, mas, sim, a luz”.214 Então, não haveria em tal quarto uma substância chamada escuridão que poderia facilmente ser reputada por mal, haveria, tão somente, a ausência completa de um bem chamado luz cuja carência não era saciada. Ora, desta forma, o mal é percebido apenas pela ausência de um bem, não requerendo sua origem ou autor, pois a ausência ocasional de um bem pode ocorrer de muitas formas. Esta é, por excelência, a representação do mal enquanto “não ser”, pois se identifica apenas como ausência. A ausência, por sua vez, embora possa ser caracterizada como alguma coisa, representa apenas aquilo que não está. Na realidade, a ausência representa a falta, sendo uma propositura essencialmente negativa, assim se diz que ausência “não é”.
Por outro lado, o mal é corrupção da natureza dos bens e neste caso é mister encontrar o que seja a corrupção e o seu autor. Pois, o simples residir do mal na diferença existente entre o devir e o eterno, não responde de maneira satisfatória a questão do mal. É preciso saber de onde vem a corrupção das naturezas dos bens.
Quando, então, se pergunta de onde vem o mal, deve-se primeiro indagar o que é o mal e este não é outra coisa senão a corrupção seja da medida, da forma ou da ordem que pertence à natureza. A natureza que, portanto, foi corrompida é tida como má, porquanto certamente é boa quando não é corrompida; mas mesmo corrompida, é boa enquanto natureza e é má enquanto corrompida. 215
Não parece haver uma causa metafísica para a corrupção, a menos que se considere o sofrimento oriundo do pecado, ao qual Agostinho refere-se como
214 De beat. vit.. IV, 30. 215 De nat. bon.. IV.
penalidade existente para “reintegrar à reta ordem a natureza pecadora”.216 Ou outra possibilidade considerável seria aquelas privações de certos bens da natureza, como, por exemplo, lugares nos quais não existe luz ou mesmo calor. Mas, estas privações são vistas por Santo Agostinho como um contraste inteiramente conveniente ao conjunto da criação.217