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İnternet Vergi Dairesi/ İnteraktif Vergi Dairesi Uygulaması

1.6 E-Devlet Hizmeti Olarak E-Maliye Uygulamaları

1.6.2. Hazine ve Maliye Bakanlığı (GİB)’nda Mükelleflere ve Muhasebe Meslek

1.6.2.1. İnternet Vergi Dairesi/ İnteraktif Vergi Dairesi Uygulaması

A literatura que se dedica à conceituação do trabalho é muito mais extensa e abrange muito mais campos do que a dos outros conceitos apresentados até aqui. O próprio campo da filosofia se dedicou muito ao estudo desse conceito, uma vez que nele há uma dimensão ontológica de valor fundamental para o entendimento do humano. No texto “Fundamentos filosóficos do conceito de trabalho”, Marcuse (1998) apresenta algumas definições de autores sobre o trabalho. Segundo ele, Max Weber define o uso do conceito de trabalho somente para o “trabalho planejado, orientado por planos” (Marcuse, 1998, p.8), enquanto que Gottl o conceitua como “uma performance de ocupação temporal ao alcance de qualquer um, com resultados mensuráveis nos termos do tempo” (Marcuse, 1998, p.8). Nessas definições, entre outras, Marcuse ressalta que o que se privilegia na significação do termo trabalho acaba sendo a dimensão econômica deste.

45 De fato, a tendência em dar o “privilégio do termo trabalho para designar a atividade econômica em relação às outras atividades dentro da totalidade da experiência humana” (Marcuse, 1998, p.9) é uma marca das teorias mais sociológicas sobre o trabalho. Karl Marx conceitua o trabalho da seguinte forma:

“um processo de que participam o homem e a natureza, processo no qual o ser humano regula e controla seu intercâmbio material com a natureza.” (Marx, 1867/1980)

Contudo, Marx vai além ao também afirmar que o trabalho seria um “tempo de vida vendido”, e, “uma condição para a existência do homem”. A dimensão econômica, mesmo de fundamental importância, pois é material e histórica, não esgota o que seria o trabalho, graças a sua dimensão intrinsicamente ontológica.

É essa dimensão ontológica que garante o trabalho como objeto da Psicologia Social e do Trabalho. O problema do trabalho ultrapassa a dimensão meramente técnica e econômica, pois pode ser visto como um problema essencialmente psicossocial. O trabalho seria um conceito ontológico porque apreende o ser da própria existência humana (Marcuse, 1998).

Esse valor ontológico do trabalho vem como uma dualidade, apontada por Ribeiro (2006), como o trabalho sendo uma realização de uma obra, ou uma construção humana (e que dessa forma constrói o humano); ao mesmo tempo em que o trabalho seria como um esforço rotineiro e repetitivo, que fadiga e é penoso. Essa dualidade ontológica também é encontrada na conceituação de Hannah Arendt (1987) acerca do trabalho, ao separá-lo em três dimensões: o labor, que consiste na dimensão do trabalho enquanto atividade mecânica, de mera manutenção da vida, cujos produtos não permanecem e são consumidos; o trabalho propriamente dito, que consiste na produção

46 de bens duráveis no tempo, e que por consequência cria o mundo propriamente humano; e a ação, que consiste na construção da história e do humano pelas trocas sociais advindas do trabalho, colocando a humanidade como objeto dela mesma (ou seja, se construindo nas relações entre os humanos). Para cada dimensão do trabalho, Arendt destaca uma condição humana. A condição humana do labor seria a própria vida (biológica); a condição humana do trabalho seria a mundanidade (o mundo que o homem habita); e a condição humana da ação seria a pluralidade humana (Arendt, 1987).

Todas essas dimensões de construção do que é o humano podem se perder ao tratar o conceito de trabalho de forma prioritariamente econômica, sendo assim de extrema importância para a orientação profissional revisitar essas outras dimensões ontológicas ao se trabalhar com projetos de vida e projetos de carreira com as pessoas que nos procuram, pois

“É através do trabalho que as relações do indivíduo com a comunidade se estreitam e justificam sua existência na sociedade. Socialmente, o valor do trabalho está se transformando e com sérias consequências nas expectativas de se formar um vínculo criativo e não- alienante com a sociedade.” (Lehman, 1992)

O trabalho poderia representar para o trabalhador hoje mais que seu tempo vendido ao capital, mesmo que por muitas vezes é justamente essa a dimensão que a primeira vista baliza a trajetória de vida no trabalho da população de menor renda e menor escolaridade.

Ainda no conceito de trabalho, há mais três autores que contribuem teoricamente para embasar o olhar multifacetado de trabalho sobre o qual essa pesquisa pretende se apoiar. Um deles é Schwartz, da área da Ergologia, que busca definir o momento do

47 nascimento do trabalho na história humana. Esse momento, para ele, seria o momento em que, através do trabalho, o homem não somente dominou o meio de exploração da natureza, mas também passou a mediar a sua própria cultura e suas estruturas mentais, que acabaram por se enraizar pelo trabalho (Schwartz, 2011). Esse conceito de mediação do trabalho parece ser importante para pensar a construção de trajetórias de vida de trabalho dentro de classes sociais fortemente apoiadas em redes sociais, como são as classes mais pobres no Brasil.

Entendo o trabalho como mediador, outro teórico, com diálogos com a psicanálise, é Dejour. Ele coloca que o trabalho seria o mediador primordial da relação do sujeito com os outros e com o real, em um processo triangular, e que nesse processo se constrói os lugares sociais e a identidade da pessoa (Dejour, 1999). Ao incluir a dimensão do real na construção ontológica pelo trabalho, Dejour ajuda-nos a embasar o trabalho em orientação profissional com adultos, pois nesses casos geralmente a realidade comparece como algo que não pode ser totalmente simbolizado pela fantasia ou pelo desejo, como acontece geralmente com o adolescente durante processo de orientação profissional. A realidade aparece mais como limites e impossibilidades com as quais a pessoa (e o orientador) terá que se bater na construção de um projeto para a sua vida.

A outra teórica que pode contribuir para a discussão sobre trabalho nessa pesquisa é Dominique Lhulier, teórica da clínica do trabalho, para quem o trabalho apresenta também uma dualidade, mas, diferentemente da dualidade ontológica já exposta, aqui se trata de um duplo caráter. Para ela, o trabalho seria uma relação universal entre homem e natureza, portanto estando presente como condição de existência para qualquer cultura humana (comum a todos os homens); mas também o

48 trabalho seria aquilo que dá o suporte para as relações sociais específicas daquela determinada cultura (portanto diferente para cada cultura) (Lhulier, 2013). Isso porque o trabalho não seria uma atividade individual, pois é sempre realizado com o outro e para o outro, pois é subordinado (e assim validado) a um objetivo coletivo. Nesse processo, o trabalho seria um operador simbólico indispensável do separar-se de si mesmo diante do outro para se constituir com o outro (Lhulier, 2013).