1.3 İNTERNET SİTESİ MALİYETLERİ
1.3.1 İnternet Sitesi İle İlgili Tanımlar ve İnternet Sitelerinin Önemi
Entre os vários pesquisadores da infância, Phillipe Ariès foi o primeiro a destacar, em seus estudos, a infância como categoria sócio-histórica, desmistificando opiniões “fantasmagóricas”, ou mesmo biologicistas que compreendem essa época da vida do ser humano como categoria natural (do nascimento à idade adulta e, desta, à velhice e à morte), numa linha contínua e linear.
É a partir da nova configuração de infância que a humanidade volta seus olhares para a criança, produzindo, ao longo de muitos séculos, aspectos próprios da infância. Neste sentido, cria-se uma cultura infantil: jogos, folguedos, brincadeiras, costumes, vestuário, modo de ser, de agir, de pensar próprios da infância, ainda que determinados pelos adultos, mas com foco no protagonismo infantil.
Como destacado anteriormente, na Antiguidade, a infância não era vista, dado que, somente após os séculos XVII e XVIII, é relatada e retratada a sua existência na sociedade, passando a ser reconhecida como ser social. Hoje, na modernidade líquida, verifica-se uma destituição de sua identidade própria:
A conformação da identidade infantil, e de sua institucionalização, acompanha os solavancos da constituição da modernidade e de suas transformações, em especial sua crise e transição de um estado sólido para um líquido, quando esta é reinstitucionalizada. Nesse sentido, a modernidade líquida configura infâncias líquidas (OLIVEIRA, 2014, p. 123).
Como infâncias líquidas, pode-se entender a criança que vive e acompanha as diferentes mudanças e solavancos constituídos na contemporaneidade. Essa contemporaneidade é concebida por Bauman (1999) como uma sociedade situada em uma “modernidade líquida”, pois, para o autor, a opção pelo termo modernidade líquida é uma forma de esclarecer uma confusão semântica na distinção entre Sociologia “pós-moderna” de Sociologia da “pós-modernidade”; “pós-modernismo” de “pós-modernidade”. Ambos os termos possuem significados distintos: o primeiro refere-se a uma sociedade ou a um tipo de condição humana; o segundo, porém, apresenta uma visão de mundo que pode vir a surgir, independentemente da condição pós-moderna (BAUMAN, 2004).
Para Bauman (2001), na modernidade, os padrões e configurações não são mais dados, esses são outros e muitos, chocam-se entre si. Como todos os fluídos, eles não se mantêm, modificam-se, isso é, não mantêm a forma. Assim, como resultados têm “uma versão individualizada e privatizada da modernidade. (...) chegou a vez da liquidificação dos padrões de dependência e interação” (p. 14).
São esses padrões, códigos e regras a que podíamos nos conformar que podíamos selecionar como pontos estáveis de orientação e pelos quais podíamos nos deixar guiar que estão cada vez mais em falta. Isso não quer dizer que nossos contemporâneos sejam guiados tão somente pela própria imaginação e resolução e sejam livres para construir seu modo de vida a partir do zero e segundo sua vontade, ou que sejam mais dependentes da sociedade para obter as plantas e os materiais de construção. Mas quer dizer que estamos passando de uma era de „grupos de referência‟ predeterminados a uma outra de „comparação universal‟ em que o destino dos trabalhos de autoconstrução individual está endêmica e incuravelmente subdeterminado, não está dado de antemão, e tende a sofrer numerosas e profundas mudanças antes que esses trabalhos alcancem seu único fim genuíno: o fim da vida do indivíduo (BAUMAN, 2001, p. 14).
A partir dessa reflexão, dadas as profundas mudanças produzidas na condição humana, com o advento da “modernidade líquida e /ou fluida” defendido por Bauman (2001), que Oliveira (2014), adverte em relação à nova constituição da infância.
Para Del Priore (2000), as crianças, hoje, são percebidas com barulhenta autonomia; vão de rei a ditador. Desafiadoras e difíceis de serem controladas nas últimas décadas do século XX, não pensam e agem como quem necessita do adulto para lhes darem permissão para isso, ou para aquilo, mas esses [os adultos] continuam desqualificando a sua maneira singular de ser e compreender o mundo ao seu redor.
É preciso pensar as crianças como sujeitos coletivos, capazes de participarem de sua construção cultural e política (DEBORTOLI; LINHARES; VAGO, 2002); isto é dar a elas vez e voz e não apenas concebê-las como um projeto de vir a ser.
Diante dessa perspectiva, o campo educacional não pode mais estar alheio a essas reflexões, pois ou a educação dos pequenos se fará para a submissão, ou para a emancipação.
Destarte, outros setores da sociedade qualificam a infância e dão a ela o protagonismo que a tornam sujeito de direitos e deveres aparentemente reconhecidos. O setor econômico, representados pelas mídias, comércio e indústria,
introduz o pequeno consumidor com vistas à participação na fatia de suas economias. Temas infantis, como: mortalidade, educação dos pequenos, trabalho infantil, criança e criminalidade etc., são palcos de intensas discussões no campo educacional, científico, filosófico, presentes também na política nacional, em teses de especialistas, psicanalistas, sociólogos e psicólogos que, com suas produções, contribuem para melhor inserção da criança na sociedade, com a proposição de vislumbrar para a infância uma nova ética nesse novo século (DEL PRIORE, 2000).
Nessa realidade líquida, crianças consumidoras, indiferentemente da classe social às quais pertençam, pois nos estudos apontados por Mono e Costa (2010), crianças em situação de pobreza também “se movimentam e se integram nesse mundo organizado no, sobre e pelo consumo” (p. 971) utilizando-se das mídias, principalmente da TV para vivenciarem o glamour das estrelas, o heroísmo dos super heróis, tornam-se consumidoras de artefatos culturais. Tem essa nova infância sua identidade e subjetividade forjadas pela liquidez, fluidez, efemeridade no modo de viver pós-moderno.
Ambivalência, efemeridade, descartabilidade, individualismo, visibilidade, superficialidade, instabilidade, provisoriedade fazem parte das vidas das crianças de hoje. São crianças que procuram de modo incansável se inscrever na cultura globalmente reconhecida e fazer parte de uma comu- nidade de consumidores de artefatos em voga na mídia do momento; que produzem seu corpo de forma a harmonizá-lo com o mundo das imagens e do espetáculo; que se caracterizam por constantes e ininterruptos movimentos e mutações. São crianças que buscam infatigavelmente a fruição e o prazer e, nessa busca, borram fronteiras de classe, gênero e geração. São crianças que vão se tornando o que são, vivendo sob a condição pós-moderna (MOMO; COSTA, 2010, p.969).
A falta de identidade na infância líquida a aproxima, cada vez mais, dos modismos produzidos pelas mídias televisivas, musicais, novas tecnologias, novos modos de ser, viver e participar na modernidade; tornando obsoleto, em um curto espaço de tempo, tudo o que a circunda, criando uma cultura do descartável, volátil, seja de consumo prático - como vestuário, objetos, ícones - como os de consumo social, diferentes modos de relacionar-se com o outro, linguagem televisiva, gosto musical etc. Toda essa fluidez é explicada por Bauman7, na metáfora dos líquidos,
7Bauman, Zydmunt. Sociólogo contemporâneo, nascido na Polônia e radicado na Inglaterra, desde 1971.
Empenhado há meio século em „traduzir o mundo em textos‟. Um dos líderes da „sociologia humanista‟. Usando a metáfora da „liquidez‟, sugere caracterizar o estado da sociedade moderna como líquidos Esta caracteriza-se pela incapacidade de manter a forma. Tudo o que sempre se solidificou como referência no passado: instituições, estilo de vida, crenças e convicções, tendem a mudar antes mesmo de se solidificar em costumes,
ao referir-se a esse contínuo estado de mudança, vivido hoje em nossa sociedade e que, consequentemente, verifica-se, também, na infância.
Os fluídos se movem facilmente. Eles “fluem”, “escorrem”, “esvaem-se”, “respingam”, transbordam”, “vazam”, “inundam”, “borrifam”, “pingam”; são “filtrados”, “destilados”, diferentemente dos sólidos, não são facilmente contidos – contornam certos obstáculos, dissolvem outros e invadem ou inundam seu caminho (BAUMAN, 2001, p. 8).
Importa, hoje, a visibilidade. E se essa visibilidade não constituir a identidade do ser, ao menos o torna visível, numa “sociedade do espetáculo” (DEBORD, 1997), pois, nessa sociedade de consumo, o que interessa é aparecer, para poder “ser”. Tornar-se a si mesmo mercadoria, vendável, consumível. Ser famoso/famosa, para ser notada/desejada, tornar-se feliz.
Diante dessa ilimitada fronteira social, da qual não há limite para o que se pode ser e o que é possível ser, onde eventos tradicionais já não mais existem, o futuro é incerto e sem barreiras; a modernidade líquida representa o presente da liberdade, da segurança e do medo. “Para a infância como fase da inocência, da dependência, da insegurança e ignorância dos segredos do mundo e da vida parece que está desaparecendo rapidamente” (MONO; COSTA 2010, p. 988). As crianças se espelham nos adultos para atingir precocemente ao que ao adulto é permitido: um apelo exacerbado à erotização do corpo, por meio do vestuário, de gestos e de comportamentos expressos na musicalidade. Um anseio a uma antecipação da adolescência e, ao mesmo tempo, um prolongamento da mesma até os 30 anos. Para Costa (2009), a infância parece desaparecer.