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2.3 İnternetin Etik Kullanımı

2.3.3 İnternet Etiği

Em O Imparcial, a literatura de jornal no estilo crônica é a que mais se aproxima do conteúdo veiculado no editorial ou no artigo de fundo. A crônica tem duas maneiras de aparição: a) como coluna titulada: 'Crônica Social', ‘Vida social’, ‘Crônicas do Rio’, 'Não há de ser nada' e 'A cidade'; b) em qualquer lugar do jornal sem um nome fixo ou autor estabelecido. Nas duas formas, a crônica tem um lugar de publicação: do Rio de Janeiro ou de Salvador.

A coluna ‘Vida Social’, que aparece na década de 1920, manter-se-á até o encerramento do periódico. Como o nome indica, ela noticia aniversários, festas sociais, particulares e as pérolas, rubis e turmalinas ― os formandos do semestre; primeiro, com uma lista de nomes, depois com verdadeiras biografias acompanhadas de fotos. Finalmente, anuncia-se o êxito do trabalho intelectual, geralmente confundido com as elites econômicas. Vindas da alta sociedade, também aparecem as senhorinhas vencedoras de “concursos” de “a mais bela normalista” e das rainhas e madrinhas do carnaval do ano corrente.

Por entre as notícias sociais, aparece uma crônica curta, em tipo pequeno e, quase sempre, no canto da página, local da encadernação visitado pelo desastre do truncamento da matéria impressa. O processo de encadernação e as dobras para a guarda dos periódicos são as ameaças a uma leitura integral da página. Tanto insetos que se alimentam da cotidianidade escrita quanto a própria mão que folheia deterioram o tomo indefeso. Se é verdade que o mais importante fica no centro,

também tal privilégio faz com que a cura (guarda) dos escolhidos seja menos tortuosa. Não é o caso de ‘Vida Social’, só colocado em destaque nesse estudo.

Há cronistas baianos (Stella Mares) e do Rio de Janeiro (Silvia Patrícia, Tetrá de Teffé170 e outros) e baianos que estão no Rio (Nelson de Souza Carneiro). A

pesquisa mostra a incidência pouco divulgada de escritores locais residentes na capital da República e colaborando no jornal. Percebo a irrelevância com que é tratado tal conhecimento na dificuldade de identificação dos cronistas e escritores do periódico. Muitas vezes é preciso ver no conteúdo dos textos os traços de escritor nascido na Bahia e residente no Rio de Janeiro, em outras, há a necessidade de uma pesquisa para descobrir quem são os nomes que assinam as crônicas. Alguns ficam sem resposta, quanto à sua identidade. Um exemplo dessa transposição geográfica e permanência intelectual é João Paraguaçu (também grafando João Paraguassú),171 pseudônimo de M. Paulo Filho, redator-chefe do jornal carioca Correio da Manhã, “diário de que seria diretor durante 40 anos, desde 11-6-1929.”172

Os textos de João Paraguaçu, Silvia Patrícia e Tetrá de Teffé vão de temas sociais à crítica literária rica e variada, passando por resenhas dos livros recém publicados. A aparente liberdade de temas e assuntos, talvez por causa dos locais e das páginas nas quais produzem no exemplar, permite que se perceba a ligação direta entre o político e o literário. João Paraguaçu é o cronista que mais publica em ‘Vida Social’. São tiras diárias de textos sobre assuntos políticos do momento e do passado, resenhas, análises, à feição de ensaios históricos. Uma leitura nos títulos apresenta Rui Barbosa como o tema mais visitado.

As ‘Crônicas do Rio’ têm um único autor, Nelson de Souza Carneiro.173

170 Tetrá de Teffé foi nora do Barão de Teffé, de quem escreveu a biografia. Ela foi romancista, poetisa, biógrafa e cronista.

171 PAULO FILHO, M. (Manuel P. Teles de Matos F., Cachoeira, Ba. 22 mar. 1890 – Rio de Janeiro, RJ, 16 mar. 1969). Ensaísta, jornalista, diplomado em Direito (1909), prof. Catedrático, político, procurador do Tribunal de Contas, membro da Academia Carioca de Letras, IHG-RJ; Comendador da Ordem de Cristo (Portugal), da Rainha Isabel (Espanha), Cavaleiro da Ordem do Mérito (Chile). Pseudônimo: João Paraguaçu. Bibliografia: Literatura e História, 1958 (ens.); Ensaios e estudos, 1961 (ens.); Memórias de João Paraguaçu, 1964 (mem.); Tempos idos... 1968. In: COUTINHO, Afrânio e SOUSA, Galante de. Enciclopédia de Literatura Brasileira. 2. ed. São Paulo; Rio de Janeiro: Global;Fundação Biblioteca Nacional-Academia Brasileira de Letras, 2001. 2 v. v. 1. p. 1226.

172 COSTA, Othon. 48 anos depois. Revista da Academia Carioca de Letras, Rio de Janeiro, Ano 1, n. 2, jun. 1974. p. 3.

173 “Nélson de Souza Carneiro, diplomado pela antiga Faculdade Livre de Direito da Bahia, exerceu brilhantemente a advocacia em sua terra natal, transferindo-se em seguida para o Rio de Janeiro, por

Apresentando-se como um baiano na capital da República, Souza Carneiro escreve crônicas no mesmo formato temático de ‘Vida Social’. Aparecidas na década de 1930 e indo até o início dos anos 1940, as ‘Crônicas do Rio’ são evidentemente postas como mais importantes do que ‘Vida Social’. Elas são publicadas em tipo maior do que os de ‘Vida’, estão emolduradas, sempre na página 3 do jornal. Por uma vez, o título muda para ‘Daqui Mesmo’, porque o autor está em viagem pela Bahia.

Uma das feições características da crônica é adquirida a partir da militância no informativo. Por isso, trata-se de um gênero de literatura de jornal. O formato, estilo e função estão diretamente ligados a um deguste de leitura diária. Para Coutinho e Sousa, “na imprensa, seções contando os fatos, ou notícias da semana ou do dia, ou rumores, boatos e maledicências que circulam numa região ou cidade. (...).”174 Após reunião em livro e estudo por especialistas, temos um gênero.

A elaboração lingüística na crônica, a serviço da análise dos acontecimentos, enquanto eles vão ocorrendo, exprime uma das peculiaridades da literatura de jornal. Nas linhas de ‘Vida Social’, ‘Crônicas do Rio’ e outras, a distensão dos termos texto literário e texto jornalístico é levada ao limiar dos significados. À medida que os dois termos se imbricam, mais ganha contorno um terceiro, que amalgama todo o escrito e ilustrativo do matutino, o político.

O aparecimento de duas colunas em páginas e nomes facilmente reconhecíveis incrementa o que o informativo deseja ser: imparcial. Se a permuta de autores locais e nacionais em ‘Vida Social’ estabelece um fascínio por transformar acontecimentos locais ― casamentos, batizados, formaturas ― em rituais nacionais, pela aparição ali de notícias e análises da capital do País, a “ambigüidade” propícia de Nelson de Souza Carneiro é estabelecida na sua condição de provinciano

onde se elegeria deputado federal e, após disso, em sucessivas legislaturas, senador da República, chegando a presidente da Câmara Alta, o que vale dizer, a presidente do Congresso Nacional. Entre os seus grandes e polêmicos projetos parlamentares, o da lei do divórcio granjeou-lhe prestígio inusitado. Devotado discípulo do estadista Dr. José Joaquim Seabra, um dos maiores tribunos do seu tempo, foi, em toda a sua vida pública e profissional, um edificante exemplo de coerência moral e política.” In: MORAES, 1997, p. 207.

Ele começa a publicar em O Imparcial assinando Dr. Nelson de Souza Carneiro (13 dez.1932 e 31 dez. 1933), resenhas políticas e assinando Souza Carneiro em 30 dez. 1933.

escrevendo do Rio de Janeiro, como indica o título da coluna. Talvez o jornal esteja a afirmar que ele é um de nós, digno de confiança, informando e analisando notícias decisivas do centro do País ou de passado recente, sempre com um enfoque que começa ou termina na Bahia.

Um dos traços que distinguem a literatura dos outros discursos é a desnecessária ligação com o real para o estabelecimento de sentido. Dizemos que é ficção, que a literatura é o construto ou urdidura de mundo suficiente. A medida da literatura são intervenções, incursões ou subversões no real. Elas são feitas por um espaço, no mínimo, intelectual e em sentido mais rigoroso, teórico. Dessa ampla e pouco controlável maneira de se acercar do universo literário (uma área de estudo), vem algumas das dificuldades de conceito das teorias da literatura, análise da crítica literária e descrição da história da literatura. A ampla configuração obediente ou insolente faz da literatura um discurso encantatório e veiculador de ideologias culturais e partidárias.

O estudo da crônica a partir da perspectiva das idéias no jornal pode caracterizá-la como ambígua, ambivalente e híbrida. Numa ponta, está a ambigüidade mais cômoda para o trabalho das ideologias dominadoras que sempre se valem dos discursos literários. Entre dizer tudo e nada, sorrateiramente, são inseridos anseios de dominação. A sua característica ambivalente começa a ser notada como contra-ataque de discursos engajados do menor, do pobre, daquele que não pertence à fisionomia de tudo que é belo, puro e alto, propagado pela literatura ambígua.

Enquanto o letramento está em posse de uma só classe social, o uso do discurso literário não demonstra interesse por outra coisa que não as belas letras. Por entre as propagandas de universal, que parece incluir todas as formas de expressão humana, na verdade, se estabelece uma elitização. O percurso notado como literatura ambivalente, explicitamente engajada, abre caminho para o trabalho antropofágico da literatura híbrida ― agenciamento sem precedentes de idéias que misturam as impurezas e os discursos estéticos e éticos. Por esse olhar, as crônicas percorrem livremente todos os outros setores da imprensa, prontas a informar, divertir e “cooptar”.

N'O Imparcial, o outro modo de aparecimento da crônica é aleatório. Nas outras colunas (‘Pela Ordem...’, ‘De tudo e para todos’, ‘Página Feminina’, ‘Página Literária’, ‘Página de Ala’, etc.) e em partes do jornal reservadas ao ensaio, à crítica literária e artística podem aparecer esse tipo de texto. Os autores de outros gêneros como a poesia, ensaio e conto, vez por outra, praticam-na. O crítico Eugênio Gomes, no final da década de 1920, escreve crônica sobre humor, fatos sociais e outros. De uma parte ― as colunas de crônica ― ou de outra ― de modo aleatório ―, elas agradam ao jornal e aos leitores, por isso, são utilizadas para dar vazão aos anseios e idéias dos jornalistas dirigentes.

Benzer Belgeler