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5) Oyun Ellerin aktif olmasını gerektiren etkinlikler sunar (Pehlivan, 2005:14)

2.9 İNTERNET VE BİLGİSAYAR OYUNLARI ÇOCUĞU NASIL ETKİLER?

Destaque-se, todavia, que, a mesma imprensa que publicava notas dessa natureza, veiculava também anúncios de combate ao preconceito racial. É o que nos mostra o conteúdo abaixo reproduzido:

Preconceitos raciais

A Conferência Mundial de Educação adotou resoluções pelas quais presta seu apoio á Organização Educacional, Cientifica e Cultural das Nações Unidas, relativamente ao curriculo escolar internacional.

Pelos delegados de 36 paises, foi proposta a organização de compêndios referentes ás Nações Unidas e suas organizações filiadas.

A conferência aconselhou aos professores de todo o mundo a eliminarem os preconceitos raciais ou nacionalistas através da instrução escolar, o que viria fortalecer a compreensão internacional e os trabalhos em prol da paz mundial.

Uma das resoluções, acatada por unanimidade, convida a Organização Educacional, Cientifica e Cultural das Nações Unidas a estabelecer um programa, o qual seja submetido á apreciação internacional.

Foi aprovada uma moção contrária a qualquer instrução que promova a agressão militar.

A conferência recomendou ainda, que todos os professores incentivem a permuta internacional de processos culturais, valores profissionais e livros (Cidade de Rio Claro, de 21/02/1947).

A aparente incongruência da imprensa analisada, no tocante às publicações relacionadas à raça, conduz ao entendimento de que o branco – enquanto grupo racial – tinha liberdade lexical efetiva para pronunciar o que bem entendesse sobre os negros. Essa incompatibilidade sinaliza também que orientações ideológicas tais como a do excepcionalismo racial brasileiro, por um lado, ou a do combate universal ao preconceito de raça do pós-guerra, por outro, na prática, não penetravam nem formatavam o cotidiano vivido dos atores em Rio Claro.

Mais um exemplo dessa incongruência pode ser aqui demonstrado. Em 1949 o Cidade publicou uma matéria intitulada “Raça Brasileira”. O texto (ao que tudo indica, oriundo de jornal de fora e reproduzido no jornal local) dizia respeito às conclusões do “dr. Kenneth E. Caster, professor de geologia da

Universidade de Cincinnati” acerca do Brasil. O trecho a seguir sintetiza as afirmações otimistas de Caster sobre o país:

Raça Brasileira

(...) A mestiçagem de raças – india, americana; negra, africana; e portuguêsa que, incidentalmente, já era resultado de uma grande miscigenação – produziu uma nova raça muito satisfatória [no Brasil]. Isso constitúi um argumento contundente contra os racistas que profligam, alarmados, os casamentos de pessôas de diferentes raças (...) Isso se deve em grande parte, sem dúvida ... à colonização portuguêsa e especialmente á tolerancia e a aceitação total da população indigena em bases de absoluta igualdade humana, assim como é a aceitação pelos colonizadores, com grande medida de êxito, das contribuições culturais indigenas (Cidade de Rio Claro, de 27/02/1949).

Mas em 1950, quando seria realizado novo recenseamento no Brasil, tanto o Cidade como o Diário publicaram a matéria (provavelmente advinda de jornal de fora) que reproduzimos, abaixo, na íntegra:

O Recenseamento e a côr

A fim de ser possivel acompanhar, passo a passo, o

problema da assimilação do grupo racial de origem africana ,

vai o próximo Recenseamento fazer, como o fizeram os anteriores, indagações a respeito da cor.

Na época de nossa Independência, os brancos constituiam 22 por cento da população total, os pretos 53 por cento e os pardos 17 por cento, excluidos os índios.

Em 1872, quando se realizou o I Recenseamento Geral, já era outro o quadro: 38,1 por cento de brancos, 19,7 por cento de pretos e 42,2 por cento de pardos. Em 1940, os brancos correspondiam a 63,5 por cento, os pretos a 14,6 por cento, os pardos a 21,2 por cento e os amarelos a 0,6 por cento.

Mostraram êsses números como se vem resolvendo naturalmente, em nosso país, o problema da assimilação racial, o qual ainda se mostra de solução dificil nos Estados Unidos.

O Recenseamento de 1950 nos dirá quanto mais caminhou no solucionamento da questão. É preciso, contudo, que ninguém fuja a verdade nas declarações, mesmo porque não há motivos que justifiquem uma atitude que conduzirá a resultados falsos uma operação que muito dinheiro vai custar ao pais.

Antes de tudo, é necessário sentir que, brancos, pretos ou pardos, somos todos muito bons brasileiros (Cidade de Rio Claro, de 13/05/1950; Diário do Rio Claro, de 11/05/1950) [grifo meu].

Cabe aqui uma comparação entre o diagnóstico otimista de Caster, acerca da mestiçagem no Brasil (matéria “Raça Brasileira”, acima), e a expectativa de erradicação do “problema da assimilação do grupo racial de origem africana” (matéria “O Recenseamento e a côr", acima). A semelhança entre os dois artigos reside em dois pontos: 1. ambos envolvem a questão da mestiçagem no Brasil; 2 ambos estão apresentando um raio–X otimista da questão racial no país. Todavia, há uma diferença fundamental entre eles: enquanto o primeiro exalta o vigor da raça mestiça brasileira, pressupondo a existência de um tipo ideal perfeitamente equilibrado em sua composição índia, negra e portuguesa, o segundo, enquadrando a presença africana como um problema, explicita um ideal concretizável de dissolução da presença africana na população do país.

Contudo, essa assimilação dissolutiva insistia em não atingir o seu ápice em Rio Claro, já que os contingentes branco, preto e pardo, de 1940, eram praticamente os mesmos de 1950.

Tabela 3: População, por cor e sexo em Rio Claro-SP, 1950

1950 Branca Cor Preta Cor Amarela Cor Parda Cor declarada Cor não

Sexo

Feminino 22.359 1.418 82 15 51

Sexo

Masculino 21.791 1.207 97 12 41

Fonte: Recenseamento Geral de 1950.

Os dados de 1950 mostram que mais de 93% da população era auto- declarada branca em Rio Claro, como ocorreu no censo de 1940. A população preta de 1950 compreendia pouco mais de 5% do total (6% no censo de 1940). Os demais grupos, tomados em conjunto, novamente não atingiram 1% do total populacional local. Essa continuidade é um forte reflexo do sistema racial bipolar tácito (ao qual já nos referimos). Nesse sistema, bem característico de Rio Claro no período em estudo, tanto o tipo mestiço ideal quanto o tipo

assimilado (leia-se tipo sintetizado a partir da diluição do negro pelo branco) são figuras pouco ou nada palpáveis.

Importa destacar que, antes dos anos 1950, tem início a mobilização negra por um lugar ao sol na política local rioclarense. Nesse aspecto, é útil recuperar algumas características da história política brasileira para a época. No Brasil, 1947 é um marco para a política local: foram realizadas, nesse ano, as primeiras eleições municipais após o fim do Estado Novo. Ao final do governo Vargas, como medida de “profilaxia” aos antigos regionalismos partidários, um novo código eleitoral autorizou a formação de partidos políticos de base nacional no Brasil.

Nesse cenário já eram atuantes tanto o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), de Getúlio, quanto a UDN (União Democrática Nacional), dos opositores do Estado Novo. Mais adiante, foram instituídos: o PSD (Partido Social Democrático), dos antigos interventores do Estado Novo e dos industriais (principalmente) de São Paulo; e o PSP (Partido Social Progressista), criado por Adhemar de Barros, expoente do antigo PRP (Partido Republicano Paulista). O PSP predominou por vários anos no Estado de São Paulo, inclusive no plano municipal. Também compunham o cenário político-partidário da época o PSB (Partido Socialista Brasileiro), o PC (Partido Comunista) e o PRP (Partido de Representação Popular). Surgiram, igualmente, outras agremiações, entretanto sem grande expressividade política (Bilac, 2001, p.120).

Nesse contexto é que se verifica o anseio negro de passar de cliente a gerente na política local rioclarense. Ocorrida em 1947, a candidatura de Wandico Norberto (destacado militante do movimento negro rioclarense, já mencionado no capítulo II) ao legislativo municipal é um divisor de águas, na medida em que personifica um marco inaugural histórico na corrida ascensionista negra pelos cargos políticos municipais em Rio Claro (Pereira, 2004).

Benzer Belgeler