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5) Oyun Ellerin aktif olmasını gerektiren etkinlikler sunar (Pehlivan, 2005:14)

2.5 ERGENLİKTE GELİŞİMİN BOYUTLARI

2.5.1 Ergenlikte Fiziksel Gelişim

Fonte: Cidade de Rio Claro, de 10/02/1938.

O conteúdo desta publicação personifica o protesto negro rioclarense pela manutenção de sua espacialidade, ou seja, pela continuidade de um “espaço vivido, organizado e representado” pelos seus, absolutamente repleto de enunciados e subjetividades étnico-raciais (Elhajji, 2002, 177). Tal protesto, que apresenta o formato do ponto (rima cantada) do Tambu, é endereçado diretamente ao chefe do executivo local, Francisco Penteado Junior,

representante de peso dos tradicionais PRH e PRP de Rio Claro. A contestação possibilita visualizar, nitidamente, uma incompatibilidade histórica entre o modo de concepção e elaboração do espaço apresentado pela coletividade do Tambu, de um lado, e o modo de concepção e elaboração do espaço apresentado pela administração Penteado, de outro. Dessa forma, em pleno país da “harmonia das raças” por excelência, o desenho da espacialidade ideal da comunidade do Tambu não refletia o arquétipo de espacialidade ideal do poder político tradicional. Mas ainda assim, em 1938, o Samba do 13 resistiu e aconteceu no largo de São Benedito.

A persistência do Tambu no referido espaço pode estar relacionada ao apoio, ou melhor, ao suporte estratégico que os negros estavam recebendo, na época, de Humberto Cartolano. Ora, a crítica pró-Tambu ao prefeito partia do jovem Cidade de Rio Claro, cujo proprietário era Cartolano (como já mencionado). Portanto é coerente inferir que, mais que abraçar a causa dos pretos, valia criticar e perturbar a situação local a todo custo. O “impasse Tambu” foi um prato cheio para denunciar publicamente a covardia dos grandes contra os pequenos levada a cabo pela administração municipal. E a alfinetada política de Cartolano pode ter, de fato, causado algum constrangimento ao prefeito, já que o Tambu de 1938 ainda ocorreu no largo de São Benedito. Vale acompanhar uma crítica dirigida ao PRP por meio do Cidade, logo após a instauração do golpe de 1937:

O PERIGOSO BACILLO PERREPISTA

A dissolução do P.R.P. é talvez e de prompto o mais relevante serviço que o Estado Novo prestou ao Brasil. Partido que a principio teve benefica e decisiva influencia na formação da mentalidade nacional consequente á instituição do regime republicano, aos poucos se foi abastardando, até chegar ao estado de esteria moral que apresentava em 1930, quando a Revolução de Outubro o atirou á poeira com um pinóte.

O egoismo politico desse partido foi causa da creação, no paiz, de um estado de animo geral contrario ao espirito de fraternidade. Manipulando eleições e desfructando as vantagens materiaes de todos os cargos, o P.R.P. não admittia que os quadros administrativos se renovassem pelo criterio da competencia e defendia, por todas as fórmas de compressão, o principio immoral das dymnastias burocráticas.

Assim, São Paulo, que refervia em anseios civicos e commungava com exaltação do sentimento de brasilidade, era apresentado, por culpa exclusiva do perrepismo, como possuido de espirito pronunciadamente bairrista.

Vinte e quatro de Outubro de 1930 deveria ter marcado o termino de um partido que se distanciara das aspirações da maioria dos paulistas e se patenteava no scenario nacional como modelo perfeito de escravismo despotico. Infelizmente, a ausencia de malicia e a bisonhice de alguns dos responsaveis pela transformação possibilitaram á velhacaria perrepista a sobrevivencia que chegou até o decreto-lei que extinguiu os partidos.

Nos sete annos decorridos, o P.R.P. não desmaçou dos seus propositos de egoismo e solapamento, procurando nas agitações que provocáva a base de sua existencia perniciósa e inutil.

Com o tempo, quando se fizer um estudo sereno e desapaixonado dos acontecimentos occorridos a partir de Outubro de 1930, chegar-se-á á conclusão de que se o Brasil não seguiu, desde então, os rumos que as nossas necessidades e interesses aconselhavam, é porque o P.R.P. sobreviveu miraculósa e absurdamente ao chóque que lhe tirou a primazia politica que immerecidamente estava desfructando.

Que nos sirva, agora, a amarga lição colhida dos acontecimentos destes ultimos sete annos. O Brasil não tem problemas insoluveis, não tem decepções que afetam a alma do povo, não é, como tantos outros, uma nação movendo-se num circulo de riscos mais fortes que a vontade collectiva.

Entretanto, para que a grande Reforma de 10 de Novembro prevaleça e continue, mister se faz impedir que o perrepismo sobreviva á depuração saneadora que ôra se processa.

Se a mentalidade do caciquismo perrepista conseguir insinuar se no Estado Novo, este em breve se montará no ról dos regimes-victimas de um Partido que, não podendo conduzir a escancaras, solapa e contamina e se alaparda nas chagas que provoca.

Se ha perigos externos que devemos considerar com extremo cuidado – e o comunismo é um delles – ha internamente o bacillo perrepista tendo dentro de si elementos silenciosos de destruição (Cidade de Rio Claro, de 10/12/1937).

Inferimos que, ligadas a Cartolano, as organizações negras rioclarenses estavam mostrando sua incompatibilidade com os moldes da política tradicionalista do Partido Republicano Paulista, pouco ou nada disposto a descer do seu pedestal estabelecido para arregimentar apoio político entre a “ralé miúda” negra. Como observa Florestan Fernandes, o grosso da gente

negra de São Paulo “não tinha conhecimento nem acesso às famílias brancas tradicionais” de então. Ademais, “como nada mais deviam ou tinham a temer de ‘famílias tradicionais poderosas’, passaram a competir com elas pelo poder político”. No meio negro em geral, “sentia-se um secreto júbilo pela derrocada daquelas famílias”, já que tal queda representava o alargamento ou a diluição dos “grilhões que prendiam o “negro”, de modo invisível, à antiga condição de “escravo” ou “liberto” ” – determinada pela “dominação racial tradicionalista”

(Fernandes, 1965, pp.9-10).

Analisando o negro no pós-abolição, Andrews (1988) destaca que

a República os havia tratado particularmente mal. Começou privando a maioria deles do direito de participar da política, negando o voto aos analfabetos. Os negros de São Paulo assistiram o governo do Estado investir milhões de dólares nos imigrantes estrangeiros, enquanto se recusavam a gastar qualquer quantia com os trabalhadores negros nascidos no Brasil. A educação pública, exigência constante dos negros, era fortemente limitada. Votar no Partido Republicano (como o fizeram, comumente, os eleitores negros – e brancos – em São Paulo, seguindo o sábio conselho do mulato republicano Francisco Glicério de que “se unir à oposição neste país é um ato de total insanidade” (Love, 1980, p.112) não proporcionou aos negros sequer sua parcela justa de empregos públicos.

Por isso, quando a resistência à República ganhou forças durante a década de 1920, correntes similares também começaram a se movimentar na comunidade negra (Andrews, 1988, pp.225-226).

Não nos resta dúvida de que, em Rio Claro, a criação do Centro Cívico Luiz Gama sintomatiza e emblematiza essa oposicionalidade negra ao tradicionalismo político representado pelo PRP. A associação representava o protagonismo negro na elaboração de projetos voltados para o estado de bem- estar social da raça, com o que a aristocracia paulista no poder nunca se comprometera.

Mediante pesquisa em documentos pessoais de Aristides Souza Santos, na época secretário geral do Centro Cívico Luiz Gama, encontramos o informativo que segue:

Documento 24 – CENTRO CÍVICO E BENEFICIENTE

Benzer Belgeler