A década de 90 tem como marco principal a aprovação da Lei de
Diretrizes e Bases da Educação Nacional No 9.394/96 que traz em seu
arcabouço o art. 26, § 2o a obrigatoriedade do ensino de artes em toda
educação básica. Este fato nos confere afirmar que a arte tem lugar de importância na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, bem como em outras modalidades de ensino.
Além disso, na referida legislação a arte é considerada como área do conhecimento, com conteúdos próprios ligados à cultura artística e a educação estética e não apenas como atividade ou disciplina.
A teoria que eu compreendo melhor é a proposta triangular e não só na proposta triangular em artes plásticas, eu também em cima da proposta, eu trabalho no teatro, em cima da teoria, até mesmo quando eu não tinha esta teoria, eu já trabalhava com meu aluno a teoria, aí eles viam o que tinham feito na proposta triangular, ela fica no tripé né? Ela fica né? Ela se divide em três, justamente a história da Arte, e depois você ver o que foi feito pelos artistas, a produção artística e depois tem a exatamente a fruição, que o aluno vai ser artista também né, ele vai desenvolver a parte teórica e a parte prática da coisa, isso aqui no Brasil, quem criou esta proposta foi a Ana Mae Barbosa.
Observamos no primeiro discurso afirmações sobre ações docentes desenvolvidas incluindo a proposta triangular que refere-se ao estudo de Ana Mae Barbosa. A imagem no ensino de artes, formulada a partir das disciplinas que compunham o ensino da arte na experiência educativa das escolas de pinturas ao ar livre no México, como: produção, crítica, história da Arte e estética (DBAE), sugestões originadas pelo grupo de pesquisadores norte americanos que sugerem este núcleo de disciplinas de artes como forma de valorização a este ensino, visto que o movimento expressionista da livre expressão, também influenciava as práticas dos educadores nos Estados Unidos, que tem na base teórica os pressupostos de Dewey e Read, focados na criatividade e na livre expressão.
Então eles dão uma amplitude muito grande, tipo assim você pegar uma obra de Arte, diz tudo como você deve fazer como o aluno observar, fruir, como diz na proposta triangular, é a observação, a fruição... Mas na Escola é tão difícil, tão difícil mesmo, você pegar um grupo de alunos, e fazer com que estes alunos conheçam esta Arte, pense nesta Arte! Eu sei que existem
muitos espaços que a Arte é de graça, mas existe o deslocamento, este trabalho não é desmembrado da realidade não! Esta Arte aí está mais focada na questão da elite, sabe? E nós aqui dentro da Escola, não dá pra viver esta proposta.
A proposta curricular da formação do Programa MAGISTER para o professor de Artes contemplou as diferentes linguagens artísticas, seja em forma de disciplinas, de seminários e de oficinas. Portanto a observação em campo no locus da sala de aula e nas entrevistas indagou-se aos professores sobre as linguagens que apreciavam trabalhar em sala de aula, evidenciando o que nos mostra o gráfico a seguir.
Gráfico 3 – Linguagens artísticas trabalhadas pelos professores
Fonte: Elaboração do Autor, 2007.
Conforme expõe o gráfico os professores têm preferência pela linguagem teatral e as artes visuais, destacando-se o desenho, a colagem, a pintura espontânea ou livre expressão seguindo os preceitos da arte moderna e contemporânea. Os dez professores expressaram trabalhar com mais freqüência com artes visuais, principalmente nas releituras de obras, que no Brasil foi divulgado pela proposta de Ana Mae Barbosa que enfatiza a interrelação entre a observação da obra, ou seja a apreciação interpretativa da obra de arte, a contextualização
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histórica, social, antropológica, ética e estética da obra em estudo, e o fazer artístico. Na pesquisa o fazer artístico mais presente no caso das reeleituras consistia na imitação pelo desenho da obra do autor.
A leitura de obras no Brasil teve as primeiras orientações do professor do departamento de arte-educação da Universidade da Pensilvânia Robert Ott, cujo trabalho desenvolvido conhecido por sistema Image Watching consta de cinco fases de leituras de imagens: descrevendo, interpretando, analisando, fundamentando e revelando. (ARSLAN e IAVELBERG, 2006)
Ao serem indagados sobre as linguagens artísticas que mais se identificavam para desenvolverem o trabalho com Artes os professores destacaram:
P6L2E: Eu, por exemplo, na questão da Arte, dificuldade eu tenho, por exemplo, na Dança eu acho que sou muito mais o teatro, eu tenho mais tendência pro teatro, tenho mais facilidade com o teatro, na Dança eu gostaria de me aprofundar. Música, até que eu arranho um violãozinho, mas não tenho formação em música, é tanto que aqui no Liceu nós temos aulas. Flauta aprendi, mas foi por pouco tempo. Para você sair assim tem que ser quatro anos dedicando ao instrumento.
Na fala constata-se que apesar do destaque ao aprendizado da flauta doce e do violão o professor enfatiza a necessidade de aprofundamentos na área de música, diz ter preferência e mais facilidade para o trabalho com teatro. O teatro na escola apresenta
P5L2M: A minha a única deficiência que eu tenho assim sabe, mais é em música, a parte não leio partitura, de música, o que eu faço com música é muito intuitiva, e depois dos cursos que eu fiz em música e participando desses corais, eu dou aula de música, embora não entenda, não leia partitura de música, quando eu vou dar aula pra um grupo, a primeira coisa, eu digo para o grupo, eu disse logo não leio partitura, que eu vou trabalhar com vocês aqui, é a minha vivência de vida...
P3L1E: Das linguagens que vivenciamos, pra mim foi o teatro, pela exigência da professora Tutti, tinha que fazer né, era sério, era duro, muito exigente mesmo, tinha que fazer, puxava muito, era assim mesmo, já a dança foi mínima, mas pra mim a dança foi mínima, também, a linguagem melhor foi o teatro, assim, né, mas tem ai fora as artes visuais, a música, mas o teatro foi marcante!