3. TEKNİK ANALİZ
3.3. İnsan Kaynakları
Seria impossível, com a escassa bibliografia e a falta de um acervo específico, se reconstruir a história do curso de Comunicação Social/Jornalismo da UFC através de seus inúmeros projetos iniciados. Da mesma forma, é impossível, com o material recolhido para este trabalho, precisar em números a quantidade de projetos a terem uma segunda edição, a quantidade a ser descontinuada simplesmente, a quantidade a ser planejada em uma edição única ou mesmo os projetos a circularem por diversos semestres.
Apesar de recentes, as últimas três descontinuações da produção na disciplina sintetizam alguns dos movimentos que ocasionam a iniciativa do recomeço. O curso de Jornalismo da UFC sofreu uma renovação total em seu currículo em 2006, fazendo com que as turmas egressas a partir desse ano tivessem, entre diversas outras mudanças, a oferta da disciplina Jornal-Laboratório para o sétimo semestre, em vez do quarto, como era há alguns anos.
Em 2009.1, sete semestres depois da entrada da primeira turma do currículo novo, os estudantes regulares começaram a disciplina ministrada pelo professor Luis Celestino, que havia tido uma experiência bem sucedida no semestre anterior com a publicação da revista Recortes, na disciplina Jornalismo Especializado (que fazia parte da grade curricular antiga). Com um novo programa de disciplina e demandas diferentes (era um semestre bem mais avançado do que anteriormente), a turma acabou descontinuando o jornal-laboratório Cidade em Pauta, criado pelo professor substituto Elizeu de Souza em 2002 e que contou com apoio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB) e da Fundação Cearense de Pesquisa e Cultura (FCPC) para publicação de parte de suas 14 edições (o apoio não foi renovado para todas as edições). Essa foi a primeira das três últimas descontinuações e demonstra a falta de estrutura pedagógica no curso, ao descontinuar-se um projeto com anos de história e que ficou sem um registro formal nos acervos.
A revista Cores, que não pode ser chamada de publicação, já que nunca foi impressa, é um caso ainda mais emblemático. Envolvido na construção do material como orientador da disciplina, o professor Luis Celestino tenta trazer uma resposta para o que deu errado com a disciplina:
Em 2009.1, a turma dividiu-se em editor-chefe, editor-adjunto, repórteres, repórteres fotográficos e designers (antigamente chamávamos de diagramadores). Foi um equívoco. Os repórteres não identificavam o colega como editor-chefe e passaram a ser relapsos no cumprimento dos prazos e funções. Some-se a isso o fato de boa parte dos alunos estarem em estágio em redações. Foi um equívoco completo e perdemos a oportunidade de publicar bons textos e ótimas fotos.
Após a não publicação da Cores, a turma de 2009.1 chegou à disciplina com uma nova orientadora (Klycia Fontenele) e sem projeto algum de jornal-laboratório. Depois da construção e impressão do material, que resultou em duas edições do jornal no semestre, (o processo será esmiuçado no próximo capítulo), a experiência foi descontinuada no semestre seguinte pela turma que assumiu a disciplina. Quem justifica o término do jornal Linha de Corte é Cleisyane Quintino, uma das responsáveis por seu sucessor, o jornal Impressões:
O formato do jornal anterior era direcionado para os estudantes de Comunicação e se assemelhava a uma revista. E decidimos que queríamos que ele se parecesse com um jornal mesmo e que fosse escrito para toda a universidade. A diagramação do Linha de Corte também era muito “quadrada”, optamos por ousar
Em 31 anos de produtos impressos são poucos os projetos impressos reconhecidos no curso. O reconhecimento foi ponto central na avaliação que a atual orientadora do Jornal-Laboratório, professora Klycia Fontenele, fez da produção na disciplina:
Não creio que haja apenas um fator que impeça a continuidade do projeto do Jornal Laboratório ou de outros (como um produto para a disciplina de jornalismo na internet que até agora não existe). Primeira coisa é que é preciso existir este projeto... e para que ele exista, ele precisa aparecer... ser conhecido. Com todas as críticas que possam existir as três últimas turmas da disciplina estão dentro de uma proposta pedagógica que resultou no Linha de
Corte e no Impressões.
Sobre a continuidade, o professor José Marques de Melo, um dos maiores estudiosos dos jornais-laboratório no Brasil, advertia já em 1985 em seus estudos:
É indispensável que a gente compreenda isso e busque retirar esses órgãos daquele vazio pedagógico, encontrando a fundamentação de que eles estão precisando para não permanecerem como atividades segmentadas, atividades que não têm continuidade, atividades que, quase sempre, nem sequer têm memória (MARQUES DE MELO, 1985, p. 124)
Passados 25 anos, a lição ainda vem sendo aprendida na UFC. A experiência no primeiro semestre letivo da atual professora da disciplina Jornal-Laboratório Klycia Fontenele sintetiza os recomeços, reestruturações e descontinuações de projetos da disciplina. Por falta de amparo estrutural e memória, além de partir de um projeto frustrado no semestre anterior (a revista Cores, orientada pelo professor Luis Celestino e que, apesar de diagramada, nunca foi publicada), a professora Klycia e a turma de Jornal-Laboratório de 2009.2 foi mais uma a iniciar um novo projeto do zero:
Não creio que haja apenas um fator que impeça a continuidade do projeto do Jornal Laboratório ou de outros (como um produto para a disciplina de jornalismo na internet que até agora não existe). Primeira coisa é que é preciso existir este projeto... e para que ele exista, ele precisa aparecer... ser conhecido. (...) Acredito que é necessária uma publicização maior – através de documentos, reuniões que forcem um comprometimento político- pedagógico – da necessidade deste produto como critério para realização da disciplina e para aprovação dos estudantes, consequentemente para a continuidade da formação.
Para Klycia Fontenele, a principal dificuldade foi estrutural. “(...) o mais grave é que não existia nada que apontasse a linha editorial do jornal, um projeto gráfico, nada, (...) nenhum resgate dos semestres anteriores”. O problema, recorrente entre outros problemas, esbarra numa falta de projeto pedagógico e, ainda, uma falta de memória do curso – sempre sendo amparado por arquivos pessoais de estudantes, ex- estudantes e professores.
A falta de um acervo específico com as publicações jornalísticas do curso, além de ser um entrave para a confecção do seguinte trabalho, dificulta a continuidade da produção da disciplina. Klycia se queixa da falta de um acervo digital, já que mesmo o Cidade em Pauta – último jornal-laboratório a ser impresso antes de a professora assumir a disciplina – só foi disponibilizado para consulta dela em arquivos impressos, sem um projeto gráfico disponível para que os alunos pudessem trabalhar em cima e desenvolver na mesma base.
Junta-se a falta de um acervo, de uma experiência acumulada e arquivada, o isolamento dos professor-orientador da disciplina, em especial ultimamente, quando os
orientadores foram todos professores substitutos (professores Luis Celestino e Klycia Fontenele). Para a atual orientadora a mudança constante de professores é menos um entrave do que a falta de uma institucionalização de um jornal. Dando voz a sua experiência, ela diz que, além de estar enfrentando, muitas vezes, um desafio novo na profissão, não há nada que oriente o novo professor da disciplina, assim como há um distanciamento dos veteranos dessas produções. Assim, no início de um semestre o professor chega a ter apenas a ementa da disciplina em que se apoiar, o que torna o processo ainda mais truncado e frágil.