3.1 Considerações iniciais
Em 2009.2, após uma experiência com a redação de uma revista na disciplina Jornal-Laboratório (a revista Cores, orientada pelo professor Luís Celestino a qual até a redação do presente trabalho, não foi publicada), foi iniciada uma retomada ao padrão de jornal na disciplina. Sob orientação da professora Klycia Fontenele, a retomada tomou forma através de duas diferentes publicações; o jornal Linha de Corte – produzido pela turma da disciplina em 2009.2, e o jornal Impressões, iniciado pela turma de 2010.1 e continuado em 2010.2 pela turma seguinte.
No total, até a presente data, foram impressos dois números do jornal- laboratório Linha de Corte (ambas em 2009.2) e um total de quatro edições do jornal- laboratório Impressões (três em 2010.1 e uma em 2010.2), sendo todas as seis edições orientadas pela professora Klycia Fontenele.
Além das publicações impressas de cada uma das edições de ambos os jornais, a pesquisa aproveita os depoimentos colhidos em três dos seis modelos de questionários (especificamente o 4, 5 e 6). Com isso, a análise trabalha com depoimentos de três ex- alunos da disciplina em 2009.2 (Ana Carolina Soares Nogueira, Arilo Assunção Silva e Thais Martins), quatro ex-alunos da disciplina em 2010.1 (Cleisyane Quintino, Geimison Maia, Mariana Lazari e Yuri Leonardo Silva), uma aluna atualmente matriculada na disciplina (Roberta Kelly Santos), além da professora-orientadora de Jornal-Laboratório nos últimos três semestres (Klycia Fontenele).
3.2 Linha de Corte – 2009.2
O currículo novo de Jornalismo da UFC começou com a turma que deu entrada na faculdade em 2006.1. Logo, a primeira turma a cursar Jornal-Laboratório no sétimo semestre, como previsto pelo currículo, o fez em 2009.1. A revista Cores, projeto que substituiu o jornal Cidade em Pauta – que era produzido por alunos do quarto semestre – foi orientada pelo professor Luis Celestino, mas, como já foi dito, acabou não sendo impressa.
No semestre posterior, a professora Klycia Fontenele iniciou um novo projeto na disciplina, criado e montado em conjunto com os estudantes do semestre 2009.2 (a maioria tendo entrado em 2006.2). A decisão de iniciar um novo projeto, apesar de acatada por toda a turma, é criticada por Thais Martins, uma das envolvidas no projeto, que defende a volta do Cidade em Pauta. Para ela, a vontade de renovação do projeto partia mais da professora-orientadora da disciplina do que da própria turma. Em seu questionário, no entanto, Klycia cita o fato de que, quando chegou a disciplina, só pôde ter contato com versões impressas do Cidade em Pauta, sem que tivessem sido mantido o projeto gráfico do mesmo.
Outro fator que diferencia em muito as duas experiências é a experiência dos envolvidos na construção do material; enquanto o Cidade em Pauta era produzido por estudantes do quarto semestre letivo – antes da metade do curso e ainda envolvidos em algumas disciplinas de fundamentação teórica –, os estudantes responsáveis pelo Linha de Corte eram do sétimo semestre – penúltimo para um aluno regular.
De qualquer forma, o semestre não retomou o projeto anterior, que somava 14 edições, nem se manteve pautado em revista, como na experiência fracassada do semestre anterior. Isso tudo volta com a sensação de falta de continuidade, tão presente no curso e na disciplina. A ex-professora da disciplina Naiana Rodrigues é uma das mais críticas em relação à falta desse projeto fixo:
A falta de um projeto dificulta o andar da disciplina, pois se perde muito tempo desfazendo coisas e refazendo ao bel prazer de cada turma, o que pode vir a comprometer o aprendizado dos alunos. Não que estes não terão apreendido nada, mas não poderão desfrutar de tudo o que a disciplina poderia oferecer se fosse mais organizada. Como em muitas outras áreas dentro da universidade, fica muito a critério do empenho do estudante e do professor
O processo de construção do visual – programação gráfica – desse novo projeto foi todo feito através de votações, imperando a democracia e o consenso. A ideia estabelecia que o jornal tivesse formato tablóide e fosse dividido entre quatro grandes grupos, responsáveis pelas editorias (cotidiano, política/economia, cultura/esporte e científico; com opinião, capa, contracapa e expediente divididos entre os grupos), cada um encabeçado por um editor (numa função rotatória). No projeto inicial, havia também meia página com notícias mais “quentes”, mas como o jornal não tinha garantias quanto à data de impressão, essa acabou sendo derrubada e posta uma fotografia produzida pelos estudantes no lugar.
A divisão hierárquica, se é que pode ser chamada assim, era representada por quatro editores – um para cada núcleo –, que deveriam se comunicar e influenciar a produção das outras editorias. Esse diálogo, de fato, nunca aconteceu, como destaca Klycia em seu questionário. O restante todo era de repórteres, sem sub-divisão para os que trabalhassem com texto, com fotografias ou diagramassem, o que causou uma sobrecarga em quem diagramou o jornal (notadamente Thais Martins e Raquel Dantas).
Para a impressão do Linha de Corte foi necessário um esforço conjunto da orientadora da disciplina e da coordenadora do curso de Comunicação Social, prof. M. Glícia Pontes. Depois de negociações com a Coordenação de Marketing Institucional da UFC, com a Reitoria e com a Coordenação do Instituto de Cultura e Arte (ICA), foi conseguida a garantia de impressão das edições do Linha de Corte junto a Imprensa Universitária.
O problema, de acordo com análise feita por Klycia Fontenele, é que a demanda de impressão parece apenas cumprir uma obrigação:
Tenho a sensação de que garantiram uma impressão porque era preciso, mas não havia (e não há ainda) um embasamento, uma proposta pedagógica que justifique, por exemplo, o projeto gráfico do jornal, o número de páginas, seu conteúdo, etc.. Quer dizer, até existe no projeto pedagógico do curso a referência a um produto para esta disciplina, mas não há detalhado, portanto não há um projeto que tenha sido assimilado pelos professores e alunos do curso e muito menos pela Reitoria.
Ana Carolina Nogueira é irônica com a relação do Linha de Corte com a Universidade. “A Reitoria sabe que fazemos um jornal? (Sinceramente, risos!)”. A reação mostra o distanciamento sentido pelos estudantes entre as demandas do curso e tudo que é oferecido pela direção da Universidade; entre as possibilidades de apoio e o apoio efetivo.
As dificuldades para a garantia de impressão foram ainda maiores no momento da impressão propriamente dita. Depois de acertado o tamanho com a própria Imprensa Universitária (em movimento que eu mesmo participei), a Imprensa não aceitou o modelo por conta do formato do papel, sugerindo que se fosse impresso em tamanho menor. Além disso, em outro processo que atrapalhou na receptividade ao jornal, o papel utilizado para a impressão deixou de ser o papel-jornal, passando a ser o papel- couché, o que descaracterizava ainda mais o jornal. Fato é, que após a impressão, a sensação tanto dos alunos envolvidos quanto do restante é que o jornal se assemelhava muito mais a uma revista do que a um jornal propriamente dito.
Apesar de não ter participado do projeto, o estudante Geimison Maia traçou um paralelo entre as mudanças a que foi obrigado o Linha de Corte a passar e o resultado final aquém do esperado. Geimison, apesar de ter trabalhado diretamente com o Impressões, sem ligação ao Linha de Corte, ressalta que a quebra de um para o outro foi muito influenciada pela decisão tomada pela Imprensa Universitária, que obrigou o jornal a ser em formato A4; originalmente, o projeto seria modelo tablóide, com cerca de 31cm (comprimento) X 28 (largura), mas acabou sendo no tamanho de uma folha A4, com 31 x 21, o que representa uma perda de sete centímetros em cada uma das oito páginas do jornal, num total de 25% do texto.
Geimison Maia credita ao azar essa mudança a que foi vítima o Linha de Corte, mas o termo pode mascarar a verdadeira razão do ocorrido. Levando-se em consideração que no semestre seguinte, o tipo de papel e o formato do jornal atenderam às demandas da turma, o que ocorreu com o Linha de Corte só prova o distanciamento da Reitoria com o material, ao mesmo tempo que um descaso da Imprensa Universitária com o mesmo. O papel da direção da Universidade nesse caso deveria ser de, caso não fosse possível a impressão através do órgão destinado a isso na instituição, viabilizar o processo junto a outra gráfica.
Ao contrário do Impressões, que dá chance de um leitor ter contato direto com os autores de cada matéria, o máximo que o Linha de Corte ofereceu foi um e-mail – especificado quase escondido na contracapa do jornal. Não consegui confirmação se esse email chegou a receber alguma correspondência ou mesmo se ele foi, de fato, criado.
A gráfica universitária se tornou muito mais do que solução, um problema para a produção do jornal-laboratório, em algo que o professor José Marques de Melo já tratava em seu trabalho, citado por Dirceu Lopes:
É o caso das gráficas das escolas de Comunicação utilizadas para serviços externos, deixando em segundo plano os órgãos laboratoriais elaborados durante os cursos. Isso prejudica a periodicidade do veículo e colabora de forma negativa para a frustração dos alunos e professores que os elaboram (...), além de prejudicar o aspecto pedagógico dos cursos. (LOPES, 1989, p. 34)
As duas edições publicadas do Linha de Corte – uma de outubro, outra de dezembro de 2009 – acabaram sendo impressas com uma tiragem de 1.000 exemplares, tendo sido distribuído entre departamentos, cursos de comunicação do Estado e
coordenações de cursos, aproveitando-se da mala direta oferecida pela Universidade. A logística de distribuição foi problemática – na verdade, nem houve um planejamento prévio –, o que acabou resultando em montes de jornais-laboratório na coordenação do curso e a falta de sua presença material em alguns outros momentos.
A iniciativa dos estudantes na distribuição foi mínima. A partir de terminado um processo, a maioria se esquivou das responsabilidades, terminando um ciclo jornalístico antes mesmo de buscar atingir um receptor.
A distância com o público leitor também é reflexo de um distanciamento dos repórteres com a edição. A situação foi ainda mais clara na primeira edição do jornal, que foi obrigada a reduzir drasticamente o seu planejamento de caracteres por matéria por conta da diminuição dos espaços. Em virtude do pouco diálogo entre os grupos (e dentro dos grupos), muitas das matérias tiveram de ser sumariamente cortadas, ignorando um pressuposto levantado pelo jornalista Ricardo Kotscho: “O trabalho do repórter nunca termina no ponto final da matéria que ele escreveu, ainda mais quando se trata de um assunto polêmico, delicado. O ideal, sempre, é o repórter participar de todo o processo, da pauta à edição final.” (KOTSCHO, 1995, p. 35). Além da possibilidade (eu diria obrigação) de ir mais além, ao que refiro em Marques de Melo:
Porque para se ter um verdadeiro laboratório, é indispensável que tenhamos um processo integral, e que possamos ver como ele se completa, como é que aquela mensagem é recebida, como é que ela é assimilada, como é que é contestada, como é digerida. (MARQUES DE MELO, 1985, p. 123)
Essas atitudes ferem diretamente as diretrizes básicas apontadas por Marques de Melo: “Como órgãos laboratoriais, possuem todos eles características definidas: periodicidade, público, formato”. O público foi ignorado, a periodicidade ficava pendente à “disposição” da Imprensa Universitária que foi, também, protagonista na descaracterização do formato do jornal-laboratório (tornando-o um protótipo feio de revista). A isso se soma ainda a falta do projeto pedagógico, definida por José Marques de Melo em seu estudo: “Mas o passo seguinte precisa ser dado: usar o equipamento com segurança, tranqüilidade, e usar a partir de um projeto politicamente definido, pedagogicamente planejado”. (MARQUES DE MELO, 1985, p. 121, 122).
Dirceu Lopes (1989, p. 32) completa a análise da situação ao lembrar a falta de infraestrutura dos cursos, que não oferecem uma redação-modelo, um laboratório
fotográfico equipado e entre outros mecanismos indispensáveis para a experiência laboratorial.
Enfrentando tais entraves, o processo se tornou ainda mais truncado para os pressupostos receptores – mesmos os mais próximos, colegas do curso de Comunicação Social da UFC. Roberta Kelly Santos, atualmente trabalhando no segundo semestre de produção do jornal Impressões, da disciplina Jornal-Laboratório, ilustra o contato com a produção, ao lembrar que “vi o Linha de Corte há muito tempo e nem me lembro direito”, ao que se afere que não há uma marca, apesar de passado apenas um ano da publicação de sua última edição. Klycia Fontenele explica que, para ela, muita da resistência de estudantes do curso é devida aos problemas visuais do jornal, que não lhe faziam atrativo.
A presença de Klycia como orientadora dos três jornais, inclusive, entra em diálogo com uma tendência apontada por Dirceu Lopes em seu livro, partindo de uma citação de Patrícia Mollo Menandro:
essa tendência do professor de formação essencialmente profissional de reproduzir na universidade a sala de redação da empresa jornalística na qual trabalha, leva-o a podar qualquer iniciativa criadora que não se enquadre nos modelos utilizados pela imprensa tradicional”. (LOPES, 1989, p. 34, 35)
Com uma formação voltada mais para o jornalismo comunitário e fugindo da tendência apontada pelos autores, a orientação de Klycia tenderia a fugir do modelo de redação de uma empresa jornalística. O limite disso, porém, são os estudantes e até que ponto eles estão dispostos (e volúveis) o suficiente para ousar.
As principais críticas à primeira edição do jornal Linha de Corte (e ao projeto todo, como reflexo) residem, justamente, no seu projeto gráfico. A impressão que fica (e, tendo participado da confecção do jornal, eu sei que a impressão é verdadeira) é que o jornal foi montado no improviso, o que, além de incomodar a vista, acaba não atraindo o leitor a abrir o jornal. A única página que realmente se sobressai é a contracapa, o que passa mais pela rara seleção boa de uma fotografia quanto pela falta de material diagramado na página. Apesar de bela, a página é preenchida até sua metade com um Expediente extenso demais, o que diminui o já escasso espaço para textos.
O excesso de linhas, muitas delas bem mais grossas que o padrão jornalístico, e mesmo o logotipo do jornal, interrompido por uma coluna informativa são incômodos; já a falta de cor numa das únicas quatro páginas coloridas do jornal é um deslize bobo.
A segunda edição consegue avançar no projeto, ao adotar apenas uma foto principal e três pequenas chamadas e sem interferência no logotipo do jornal.
Outro fator que demonstra o improviso (que pode soar, para o leitor, como desinteresse na construção do material) é a total falta de margens na capa da primeira edição. Apesar de ser explicada pelo corte brusco de 25% do jornal – depois dos alunos serem obrigados, pela Imprensa Universitária, a rediagramar o jornal com menos espaço –, o fato é recorrente em todo o jornal, com inclusive o corte de um crédito de foto na página oito.
A jornalista Cremilda Medina traça um paralelo sobre as diagramações no jornalismo latino-americano, mostrando a mesma preponderância do texto sobre a imagem que é vista no Linha de Corte:
no caso da América Latina, antes de se encontrar a estratificação dos códigos verbais, encontramos a falta de domínio técnico dos códigos visuais. Assim, os jornais mais conservadores em diagramação e aproveitamento de espaço mostram sinais evidentes que não podem fugir à tentação de se alterarem em função do sucesso social das mensagens visuais da fotografia, da diagramação dinâmica, do filme ou do desenho. (MEDINA, 1982, p. 148)
A única ilustração presente no jornal foi feita para figurar junto a uma crônica do mesmo autor5. Essa ilustração sintetiza o descaso visual, já que, mesmo sem aptidão
nenhuma com manipulação de imagem, o autor acabou manipulando uma foto encontrada na internet para poder figurar uma imagem do ex-presidente Fernando Collor de Mello, figura central da crônica.
Em sua quase totalidade, em ambas as edições, as fotografias foram improvisadas. “O repórter, quase sempre, era improvisado por quem fazia a matéria, ou as fotos eram enviadas pelas assessorias de órgãos pautados”, destaca Arilo Assunção, em seu questionário. As páginas 2, 8, 11 e 13 da primeira edição e 6 na segunda edição, além de não serem especialmente representativas (como a maioria das fotos no jornal), apresentam uma resolução baixíssima para um padrão impresso – o que resulta em uma imagem totalmente dividida em pixels evidentes.
A página 13 da primeira edição, inclusive, é um caso à parte que pode ilustrar ainda melhor o descaso da apuração fotográfica. A foto é do vereador e advogado João Alfredo, que havia concedido uma entrevista para o Linha de Corte. A foto, porém, em
vez de ser produzida pelo corpo do jornal (ou um repórter fotográfico), ficou por conta do próprio João Alfredo, que cedeu uma foto de seu arquivo pessoal (ou pelo menos assim dita o crédito). Mesmo que a entrevista tenha sido concedida por telefone (o que representa ainda mais descaso na apuração, já que o entrevistado reside em Fortaleza), a reportagem podia ter conseguido produzir uma foto exclusiva para o jornal.
Voltando as atenções para o conteúdo, um pormenor chama muito a atenção. A maciça presença de representantes de movimentos sociais e/ou movimento estudantil nas páginas do jornal – mais especificamente em textos opinativos. José Marques de Melo traz um embasamento na questão:
A independência de um órgão laboratorial não depende exclusivamente das suas fontes de financiamento (externas ou internas). Ela é uma conseqüência da organização política dos seus participantes e da sua disposição de lutar com conseqüência para preservar a sua autonomia didática e científica, sem sucumbir à tentação de confundi-la com os interesses partidários ou ideológicos das corporações que atuam na sua manutenção. (MARQUES DE MELO, 1985, p. 137)
Apesar da crítica do jornalista, no Linha de Corte – um jornal-laboratório que, por definição, busca reproduzir em laboratório aquilo que não é veiculado em mídias formais – o destaque traz uma marca. Ao traçar um paralelo entre Linha de Corte e Impressões, Geimison Maia analisa que a principal razão para a predisposição do jornal mais antigo a envolver-se na discussão de “luta de classes” seria o fato de que um contingente considerável de estudantes envolvidos fosse “pessoas ligadas ao movimento social” e que, portanto, usavam o Linha de Corte como meio de divulgação dessas causas. Essa tendência mostra o caráter pessoal influenciando no material – mesmo que nesse caso cumpra uma função que, em perspectiva, dialoga bem com a função de um jornal-laboratório e sua fuga das mídias tradicionais e seu diálogo com novos públicos.
Analisando-se a presença tanto de artigos opinativos escritos representantes de movimentos sociais (como o de Francisco Marcelo, na página 15 da primeira edição do jornal), como em artigos escritos por representantes da turma que confeccionou o jornal (como o artigo da página 9 da segunda edição do jornal, assinado por Amanda Sampaio e Raquel Dantas que, à época, faziam parte do Movimento Estudantil), a oportunidade de se dar voz a quem não costuma ser ouvido foi buscada frequentemente. O visual do jornal, porém, atrapalha a aproximação de leitores.
O caso mais emblemático – e mais educativo – do jornal aconteceu em sua primeira edição, na matéria “Quando a Experiência fala mais Alto”, na página 10,
assinada por Natália Lima. Apesar de tratar de um assunto interno do curso de Comunicação Social da UFC, a matéria apresentava um erro de informação considerado grave tanto pelos envolvidos na produção do jornal, quanto pelos entrevistados na produção da matéria. O caso, além de tudo, mostra o distanciamento entre os editores e repórteres, já que o erro na apuração passou também por um editor e deveria ter passado pelos outros editores, mas estes não se comunicavam e não influenciavam a produção das outras editorias, que se tornavam pequenos feudos independentes na nação-jornal.
José Marques de Melo critica esse tipo de atitude ao falar da falta de rigor no que é publicado em jornais-laboratório:
No entanto, me parece que muitas vezes, por essa questão do aluno querer publicar qualquer coisa com o nome dele, nós estamos incentivando produção de baixa qualidade, ou seja, os professores das disciplinas técnicas não têm exercido o necessário rigor metodológico nos trabalhos de laboratório”. (MARQUES DE MELO, 1985, p. 122)
A esse pensamento, corrobora Ricardo Kotscho que, por sua vez, aproxima as máximas de Marques de Melo para o jornalismo profissional – exercido fora do laboratório e dentro das redações. O jornalista defende que, independente de onde se está trabalhando, a “essência do trabalho do repórter é a mesma (...) contar tudo o que