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1. Giriş

3.4. İnsanın Yüceliği

Para sabermos interpretar o objeto em estudo faz-se necessário entendermos o significado de espaço e de dinâmica espacial, uma vez que estes consistem no ponto chave para compreensão das várias interpretações e indagações surgidas a respeito desse meio.

As áreas estuarinas representam, principalmente nos dias atuais, pelo seu grande valor produtivo, um espaço de relações intrínsecas, uma vez que é nesse espaço que o homem, com sua imaginação, objetividade e lucratividade, busca, de forma incessante, o desenvolvimento cada vez maior de projetos de exploração econômica. O que se pretende dizer é bem ilustrado por Corrêa (1991) ao afirmar que: “O espaço é concebido como lócus da reprodução das relações sociais de produção, isto é, reprodução da sociedade”.

De acordo com Lefebvre (apud GOMES, 1998) o espaço representa ao mesmo tempo um objeto material e um processo que envolve relações sociais e que recria continuamente tais relações ou ajuda a reproduzi-las. O conflito de classes ocorridos no espaço representa a

48 hierarquia de poder, ou seja, parte das forças sociais de produção, inerentes ao capitalismo reforça interesses predominantes na sociedade.

O mesmo autor retrata ainda que o espaço deve ser entendido como espaço social, vívido, em estreita correlação com a pratica social e não como espaço absoluto, e nem como um produto da sociedade, ou seja, não é nem um ponto de partida (espaço absoluto), nem o ponto de chegada (espaço como produto social).

A partir da concepção de espaço dada pelos autores anteriormente citados, podemos acrescentar ainda outro de grande relevância pela sua enorme contribuição no campo de estudo da geografia, Milton Santos. Santos (1985), em sua obra “espaço e método” ao buscar descrever, definir e interpretar o espaço, leva em conta os ingredientes sociais e “naturais” que compõe o espaço sob o enfoque social. A postura de Santos sobre a natureza e o conceito de espaço é claramente evidenciada como um fator da evolução social. Assim,

Consideramos espaço como uma instância da sociedade, ao mesmo título que a instância econômica e a instância cultural-ideológica. Isso significa que, como instância, ele contém e é contido pelas demais instâncias, assim como cada uma delas o contém e é por ele contida (SANTOS, 1985).

Objetivando identificar a natureza e o significado do espaço nos seus diversos estudos o autor em tela, aborda o papel das formas e interações espaciais, os fixos e os fluxos. Em sua obra interdisciplinar intitulada “A natureza do espaço: razão e emoção” oferece um tratamento pioneiro as relações entre a técnica e o espaço e entre o espaço e o tempo bases para a construção de conceitos coerentemente formulados, objetivando definir o espaço geográfico e seu papel ativo na dinâmica social. Os fixos, fixados em cada lugar, permitem ações que modificam o próprio lugar, já os fluxos são um resultado direto ou indireto das ações e atravessam ou se instalam nos fixos, modificando a sua significação e o seu valor, ao mesmo tempo em que, também, se modificam.

Santos destaca ainda que:

A relação homem/meio ocorre em uma determinada forma de organização espacial, sendo, portanto, essa forma de organização espacial um meio de vida no presente (produção), mas também uma condição para o futuro (reprodução) (CORREA, 1991).

Para entendermos melhor as relações existentes do homem com o meio natural, partimos do pressuposto que o estudo do espaço passa pelo entendimento de seu funcionamento e estruturação. De acordo com o pensamento de Marchand (1996) dentro do espaço utilizado pelo homem interagem várias pressões, de ordem física, natural, histórica, econômica, social, mental (Figura 18). Por isso, toda abordagem sobre a relação sociedade/natureza deveria compreender dimensões comuns a ambas, como o tempo e o espaço. O tempo quando se trata de processo, de evolução, de transformação; e o espaço quando se trata de repartição e de distribuição. Desta forma, a informação espaço-temporal torna-se um elemento chave da análise geográfica.

50 A dinâmica espacial, entendida como processo de articulação e rearticulação permanente do movimento solidário, conflituoso, contraditório, complexo do viver-pensar, sentir-fazer humanos no território, organiza o espaço de acordo com a estrutura de classes do lugar e, essa estrutura de classes é sobredeterminada pelo próprio espaço, adverte Moreira (1988). Assim, em sociedades rígidas, as classes sociais definem-se por lugares geográficos determinados, enquanto em sociedades ditas democráticas, o espaço se caracteriza pelo entrosamento e mistura das diversas classes sociais. A dinâmica espacial determina o arranjo espacial4.

A sociedade como um todo, para sobreviver, necessita produzir e reproduzir bens de consumo. É na reprodução dos bens de consumo que a dinâmica espacial ganha existência continua, pois o processo de produção e reprodução desses bens repete-se indefinidamente, dando ao espaço geográfico uma formatação econômico-social. O motor da reprodução dos bens é o próprio consumo, sempre em concordância com as leis históricas de produção do momento.

As leis históricas de produção do momento revelam que a reprodução dos bens materiais é feita somente para os que consomem. A dinâmica espacial ganha existência continua na reprodução dos bens de consumo. Estes, por sua vez, são comandados pela ortodoxia do momento, que é o próprio consumo.

Contudo, a dinâmica espacial percebida sob o resultado de uma produção histórica das relações sociais, a natureza tida como natural é substituída por uma natureza completamente humanizada com a construção pelos homens de fábricas, estradas, portos, plantações etc. Esta realidade é totalmente visível quando nos deparamos com imagens, fotos ou mesmo diante do ambiente em estudo e verificamos o quadro atual, bastante modificado nos últimos anos.

No que concerne ao estuário do Potengi, Medeiros (2004), chama atenção para as transformações ocorridas visando à prevenção de uma situação ainda mais critica. Segunda a autora, [...] não podemos esquecer de associarmos a essas mudanças a enorme preocupação quanto ao equilíbrio ecológico, se realmente queremos que futuramente a população encontre meios de obter o seu próprio sustento, e a sua sobrevivência. A relação homem/meio ora discutida, a qual se configura na dinâmica espacial, não representa na referida área uma

4 Arranjos espaciais são as configurações do espaço, como disposição das formas, natureza dos serviços, estética

situação positiva uma vez que esta resultou em uma realidade que traduz vários problemas de cunho ambiental, social e econômico.