• Sonuç bulunamadı

3.8.1 Conversa com os alunos

Iniciamos as atividades de pré-leitura, indagando aos alunos se já presenciaram uma situação de enchente e, em caso positivo, pedimos que relatem o ocorrido, levando- os à discussão sobre os problemas causados por uma cheia.

Após a discussão, entregamos aos alunos cópia do poema “Enchente Amazônica” (BARATA, Anexos, p. 151), apresentamos o livro em que o poema foi publicado e damos informações sobre Ruy Barata, autor do poema.

90 3.8.2 Introdução do autor e do poema

Ruy Guilherme Paranatinga Barata nasceu em Santarém, em 25 de junho de 1920. Foi alfabetizado pelo pai. Aos dez anos, em Belém, prosseguiu seus estudos. Iniciou-se na poesia, escrevendo na revista Terra Imatura quando cursava o pré-jurídico no Colégio Estadual Paes de Carvalho.

Em 1938 entrou para a Faculdade de Direito do Pará. Em 1943, formou-se em Direito Trabalhou na redação do jornal Folha do Norte. Em 1943, publicou seu primeiro livro de poemas “Anjo dos abismos”.

Aos 26 anos, em 1946, foi eleito deputado para a Assembleia Constituinte do Pará pelo Partido Social Progressista (PSP). Foi reeleito em 1950. Em 1951, publicou “A Linha imaginária”. Em 1959, saudou a revolução cubana com o poema “Me trae una Cuba Libre/Porque Cuba libre está”. Nessa época, provavelmente, deu início à construção de “O Nativo de câncer”. O primeiro canto do poema foi publicado em fevereiro de 1960, no jornal Folha do Norte.

Em 1964, foi preso, demitido de seu cartório e aposentado, compulsoriamente, do cargo de professor da Faculdade de Filosofia da Universidade Federal do Pará, com menos de 10% de seus proventos. Passou a exercer a advocacia no escritório de seu pai, Alarico Barata e escreveu artigos e reportagens com pseudônimos, como Valério Ventura, para os jornais Folha do Norte e Flash. A partir de 1967, passou a compor em parceria com seu filho Paulo André Barata. Em 1978, lançou mais um capítulo do estudo sobre a Cabanagem, a revolução paraense de 1835, cuja publicação iniciara no ano anterior pela revista do Instituto Professor Sousa Marques (Rio de Janeiro).

Em 1979, foi reintegrado ao quadro de professores da UFPA. Ruy Barata morreu em 23 de abril de 1990, durante uma cirurgia, em São Paulo, para onde viajara, a fim de coletar dados sobre a passagem de Mário de Andrade pela Amazônia. Pouco depois de sua morte, foi lançada a segunda edição, revista e ampliada, do livro “Paranatinga”.

Em 2000, foi lançado o livro “Antilogia”, uma coletânea de poemas, organizada e revisada pelo próprio Ruy, entre janeiro e fevereiro de 1990, pouco antes de sua morte, cuja edição reúne catorze poemas e uma das correspondências, que lhe foram enviadas pelo poeta Mário Faustino.

91 3.8.3 Leitura e discussão do poema

Iniciamos, então, a leitura do poema, de forma silenciosa. Em seguida fazemos a leitura do poema em voz alta, procurando marcar a entonação e o ritmo de forma, que o aluno perceba a cadência própria de um poema. Depois realizamos com os alunos a leitura do poema em voz alta.

Os alunos, organizados em grupos, realizam a dramatização do poema. Podemos pedir que eles construam um cenário para enriquecer a performance.

Solicitamos aos alunos que exponham suas dúvidas sobre o vocabulário, buscando elucidar em conjunto com a turma o significado das palavras citadas através do contexto e, em seguida, buscamos auxílio em dicionário para as palavras, cujos significados eles não conseguiram elucidar. Realizamos uma reflexão a respeito dos termos coloquiais regionais utilizado por Ruy Barata na composição do poema.

Solicitamos, então, aos alunos, que exponham suas impressões gerais sobre o poema. Conversamos a respeito do título do poema, explorando as impressões que eles expuserem. Realizamos com os alunos uma análise oral verso a verso ou estrofe por estrofe do poema. Solicitamos que cada aluno destaque oralmente a estrofe ou o verso do poema de que mais gostou e explique o que o motivou a fazer a referida escolha.

Solicitamos que os alunos pesquisem e reúnam vídeos de reportagens sobre o drama das enchentes na região amazônica. Em seguida, organizamos uma seção de projeção dos vídeos coletados. Após a sessão, estabelecemos um debate a respeito do tema, levando os alunos a relacionarem o conteúdo dos vídeos ao poema estudado. Esta atividade pode ser substituída por ou complementada com uma exposição de painéis construído com imagens sobre enchente, coletada pelos alunos em jornais e revistas, ilustrando o poema estudado.

3.8.4 Análise, a partir da leitura do poema

O poema “Enchente amazônica”, que possui sessenta e cinco versos, distribuídos em sete estrofes, apresenta, já a partir do título, uma situação de enchente, expondo a agonia do eu poético quanto às providências imediatas, a serem tomadas, diante da força que se aproxima. A enchente é realidade da população ribeirinha da Região Amazônica e ano após anos desabriga e causa prejuízo a essas pessoas que, por não terem alternativa se submetem a essa mazela que é morar em lugar tão inseguro.

92 Empregando a linguagem coloquial, com características típicas do falante ribeirinho e em tom de discurso direto, o eu poético, a partir da primeira estrofe, conclama os companheiros, provavelmente parentes e vizinhos a juntarem suas posses e seus pertences e fugirem correndo das águas que “vêm vindo”, inundando tudo.

Na segunda estrofe, o apela pelo socorro divino, ao perceber que a água já começava a cobrir tudo “os teso sumindo. / (Valha-nos Deus!)” (BARATA, Anexos, p. 151), pois, para ele, só a força divina pode conter a força da natureza, que, ano após ano, destrói tudo o que encontra pela frente, fazendo com que a vida dos ribeirinhos seja feita de aflição e susto.

A enchente que iniciou de véspera já toma proporção ameaçadora, inundando as vilas próximas à que ele se encontra. O rio vem, aos poucos, saboreando o que encontra pela frente, “lambendo calmo”, “comendo chão” (BARATA, Anexos, p. 151).

Na quarta estrofe, o poeta retoma as recomendações feitas na primeira estrofe, que, prevendo que a enchente vai ser grande, pois “não é cheia só pru gasto” (BARATA, Anexos, p. 151), insiste que seus companheiros tomem as providências, que urgem diante da cheia que se apresenta. “Corre, corre Zé Basto,/ corre no pasto,/ junta o que é teu./ E te açulera Celecindo,/ as águas vêm vindo” (BARATA, Anexos, p. 151).

E para justificar sua inquietação, na quinta estrofe, o eu poético enumera os estragos causados pela enchente nos lugarejos por onde passou, mostrando-se desesperado com a tragédia que se pronuncia. Relata os prejuízos das pessoas que já foram surpreendidas pela cheia: “Disque no São Raimundo/ um curral no fundo amanheceu./ E que nas Três mulatas/ Das trinta vacas/ Já dez morreu. /Disque no Salé/ sucuriju e jacaré/ come o que qué/ e no estirão do Nhamundá,/ só vendo lá,/ não sobrou juta nem pru chá”. (BARATA, Anexos, p. 152).

Ele prossegue, enumerando os prejuízos causados pela cheia, acrescentando as mazelas e doenças, que acompanham a inundação, que “vem de piracema, no subir das água”. (BARATA, Anexos, p. 152), causando-lhe dor por não dar indícios de que vai parar.

Na última estrofe, o poeta mostra a aflição dele, na apelação para o Senhor Bom Jesus e para a Virgem da Conceição, que o socorram da situação tão desesperadora que se aproxima com a enchente.

Encerra o poema com a retomada da primeira estrofe, onde o eu poético conclama aos companheiros que ajam rápido para salvarem o que podem da enchente do rio que se aproxima. “Corre, corre Zé Basto,/ corre no pasto,/ junta o que é teu./ E te

93 açulera Celecindo,/ as águas vêm vindo/ os teso sumindo./ (Valha-nos Deus!)” (BARATA, Anexos, p. 153).

3.9 AULA 9 – LEITURA DO POEMA “LARGO DO RELÓGIO” DE JOÃO DE

Benzer Belgeler