2.1.7. Hemofilinin Komplikasyonları
2.1.7.4. İnhibitör Geişimi ve Tedavis
No que se refere à questão da motivação toponímica, Dick (1990a, p.49) considera dois pontos de vista: a do denominador, e das razões que o levaram a escolher, dentro de diversas possibilidades, a que correspondesse às suas necessidades do momento da escolha, e o da substância do topônimo, revelado por seus componentes linguísticos. Segundo a autora, nem sempre será possível, seja pela ausência do denominador, seja pelo distanciamento cronológico do surgimento do nome, assegurar a intenção que norteou o ato da nomeação. Nesse sentido, “se o topônimo escolhido não estiver registrado, historicamente, em fontes fidedignas, a pesquisa resultará em longo e improfícuo caminhar entre hipóteses e sugestões que dificilmente conduzirão à ‘verdade’ do designativo” (DICK, 1990a, p.49-50).
Em trabalho posterior, Dick (2006) relaciona o processo de nomeação a marcas ideológicas envolvidas na memória coletiva de um grupo social, destacando o fato de que, em um estudo toponímico, é necessário levar em conta as coordenadas tempo-situacionais, nas quais gravitam ‘actantes básicos’: o nomeador, o sujeito que enuncia o nome em primeiro lugar; o objeto nomeado que se liga ao espaço e as suas divisões conceituais, incorporando a função referencial nomeada; e o receptor, ou enunciatário, que recebe os efeitos da nomeação.
A peculiaridade do processo denominativo é exatamente a constituição dessa cadeia gerativa de enunciação, que revela contornos particulares; um denominador isolado, construtor de uma mensagem (doador de um único nome ou de vários nomes, em situação de abrangência areal), interferindo em uma coletividade receptora, que passa a ser usuária do(s) designativo(s), sem que se restringisse na dinâmica do processo. A adequação da escolha, que passa pelo crivo da objetividade ou da subjetividade do nomeador, ainda que inconscientemente, será sentida ou pela reação do grupo ou pela análise do linguista, em uma fase posterior, distinta do momento inicial de marcação do lugar” (DICK, 1998, p.103)
É útil retomar aqui a contribuição teórica do semanticista italiano Mário Alinei, sobretudo no que diz respeito à noção de arbitrariedade/motivação do signo linguístico:
Como relação ao problema da arbitrariedade do signo, podemos também observar que arbitrária é somente a relação entre modelo e signo, enquanto aquela entre
modelo e referente é, por definição motivada. Como consequência, qualquer significado lexical é contemporaneamente arbitrário e motivado, a causa dessa dupla estrutura imanente ao significado, e por razões de todo independentes da opacidade e da transparência do signo. (ALINEI, 1984, p.19)
O autor defende, pois, a existência de duas estruturas do significado: a genética (motivada) e a funcional (arbitrária). A primeira corresponde à estrutura triádica, ao passo que a segunda corresponde à estrutura dual do significado. A partir do estabelecimento dessas duas estruturas imanentes do significado, Alinei (1984) esquematiza o processo denominativo, propondo o seguinte triângulo:
FIGURA 4 – Triângulo de Alinei
Fonte: ALINEI, 1984, p.19
Desse modo, diferentemente de Saussure, Alinei defende a presença de motivação no processo de nomeação dos elementos da realidade, demonstrando que, em sua gênese, o signo é sempre motivado. Considerando a relação existente entre língua e cultura, podemos dizer que essa teoria vai ao encontro da teoria toponímica apresentada por Dick (1990), no que concerne ao fato de que a principal característica do signo toponímico é ser inerentemente
motivado. Nessa perspectiva, concordamos com Biderman (1998), ao constatar a importância dos estudos do linguista italiano que
Mostrou como o signo é motivado no momento de sua criação. Nesse momento de gênese, as características distintivas do referente serão individualizadas e ressaltadas, motivando aposto a esse referente. Esse semanticista fez escola na Europa. Um dos melhores trabalhos de sua escola foi o realizado por ele e seus discípulos sobre o arco-íris. A conceptualização desse mesmo referente materializou-se de modo bastante distinto em várias línguas europeias, cada cultura destacando um conjunto de traços desse fenômeno físico. Assim, a definição de arco íris varia em cada cultura, dependendo de crenças e outros aspectos culturais que envolvem esse objeto. Reconhece Alinei que, na gênese, a nomeação é motivada; porém, como o passar do tempo e a permanência do signo, a palavra pode tornar-se opaca em sua significação. A elucidação da motivação semântica original dos nomes levaria à descoberta da etimologia da palavra e da história de sua evolução semântica. (BIDERMAN, 1998, p.110)
Embora, em virtude do desconhecimento da motivação do designativo, muitas vezes, tenha-se a impressão de haver, no processo de nomeação dos lugares, uma aparente arbitrariedade sob o ponto de vista coletivo. Desse modo, aplicando a teoria da motivação de Alinei aos estudos toponímicos, podemos afirmar que, em sua gênese, o nome próprio de lugar é sempre motivado. Ressalta-se, além disso, o fato de que, para o denominador, o signo toponímico jamais é arbitrário, visto que, ao fazer sua escolha, encontra sentido e faz associação entre nome e referente, refletindo a realidade daquele que o escolheu.
Em outros termos, pode-se dizer que o topônimo cristaliza uma época, perpetua costumes de um grupo, o que pode ser evidenciado pela falta de preocupação dos indivíduos em mudar os nomes estabelecidos por outros povos. Acidente e nome de lugar configuram, pois, uma unidade inseparável, tornando-se difícil, por vezes, recuperar as distâncias entre a expressão e o objeto representado. Ou seja, nem sempre o nome produz no terreno o semanticismo da forma ou a ideia conceitual que condiciona e seu o emprego, tornado, por vezes, excessivamente opaco, ou aparentemente inexplicável, o batismo ocorrido. (DICK, 1999, p.122)
Desse modo, partindo do pressuposto de que os nomes atribuídos aos locativos são necessariamente motivados, não se pode buscar nos estudos toponímicos apenas a sua origem. Faz-se, pois, necessário investigar a motivação que subjaz à escolha do designativo, já que a nomeação dos acidentes geográficos, conforme Aguilera (1999, p.125), “não é feita aleatoriamente pelo homem, mas o faz movido por alguma impressão sensorial e/ou sentimental que o acometa no momento da denominação”, o que significa que o “batismo de
lugares” é profundamente influenciado pela cultura do povo, da sociedade, por meio de eventos ocorridos tanto sincrônica quanto diacronicamente.