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2.1.6. Hemofilide Tedavi Seçenekler

2.1.6.1. Faktör Konsantreleriyle Yerine Koyma Tedavis

Antes de discutir o conceito de signo toponímico, faz-se necessário recordar o conceito de signo linguístico que, ao longo dos tempos, tem sido objeto de estudo dos pesquisadores que se dedicam ao estudo da linguagem. Conforme Ullmann (1964. p.7), já na

Antiguidade constata-se que os filósofos voltaram suas atenções para os estudos linguísticos, dedicando-se à motivação ou arbitrariedade do signo linguístico. Tais estudos seguiram basicamente dois pensamentos: um naturalista, liderado por Platão, que defendia a existência de uma relação intrínseca entre a imagem acústica e o sentido; o outro, convencionalista, representado por Aristóteles, o qual sustentava ser a relação puramente arbitrária.

Vale dizer que, apesar de defender ideias opostas, essas duas correntes de pensamento apresentam um traço em comum, já que as duas buscavam identificar se havia conexão entre o significado de uma palavra e a sua forma.

Retomando as ideias aristotélicas, no início do séc. XX, em seus estudos, Saussure chega à conclusão de que a arbitrariedade do signo e a linearidade do significante são características fundamentais do signo linguístico que, de acordo com o linguista, é definido como “a combinação do conceito e da imagem acústica”. (SAUSSURE, 1972, p. 81)

Apoiando-nos em Biderman (1998, p.109), podemos dizer que o que está implícito na definição saussuriana de signo linguístico é que a nomeação de um referente com este ou aquele nome é arbitrária, isto é, o nomeador poderia atribuir qualquer nome (significante) a qualquer objeto da realidade.

Embora reconheça o caráter imotivado e arbitrário do signo em muitas situações, Ullmann (1964, p. 134-140) afirma que, em outras, pelo menos em certo grau, os signos são motivados e transparentes e que tal motivação pode ocorrer no nível fonético, as onomatopeias, por exemplo, no morfológico, palavras simples ou compostas, sendo que, nas simples, os componentes, os morfemas, veiculam um determinado significado, e as compostas são formadas da mesma maneira que as simples. Desse modo, ao questionar a noção saussuriana de arbitrariedade do signo linguístico, Ullmann toma para sua defesa o fato de ocorrer motivação semântica do signo dentro de uma relação metafórica ou metonímica.

No caso específico do signo linguístico em função toponímica, de acordo com Dick (1990a, p. 33-34), não se deve desconsiderar a relação significante/significado apresentada por Saussure. Entretanto, segundo ela, não há, na Toponímia, a possibilidade de existência de signos imotivados, pois “o elemento linguístico comum, revestido, aqui, de função onomástica ou identificadora de lugares, integra um processo relacionante de motivação onde, muitas vezes, torna possível deduzir conexões hábeis entre o nome propriamente dito e a área por ele designada”.

Sob essa perspectiva, para a autora, a noção saussuriana de arbitrariedade pode, em princípio, ser acatada na abordagem do signo toponímico, uma vez que o topônimo, como qualquer outra forma da língua, é, estruturalmente, um significante animado por uma substância de conteúdo. Ressalta-se, no entanto, que considerando que sua função é indicar ou identificar um lugar e não significar, o nome próprio de lugar adquire uma dimensão maior e passa a ser marcado duplamente: primeiro, pela intencionalidade do denominador no ato da seleção de um determinado nome para identificar um lugar; segundo, pela origem semântica da denominação pelo significado que revela, de modo transparente ou opaco. Assim, a motivação semântica, característica principal do signo toponímico, pode estar relacionada a aspectos sociais, culturais ou ambientais, que motivam, ou são levados em consideração, no ato de nomear acidentes físicos ou humanos, o que, conforme Dick (1990a, p. 38), ocorre porque “o que era arbitrário, em termos de língua transforma-se, no ato do batismo de um lugar, em essencialmente motivado, não sendo exagero afirmar ser essa uma das principais características do topônimo”.

Em síntese, podemos concluir, face ao exposto, que o signo toponímico é semelhante aos demais signos linguísticos e pertence ao mesmo sistema. O que lhe confere certa singularidade em relação aos demais é o fato de não possuir, como muitos deles, uma natureza arbitrária ou convencional, já que o nome do lugar representa a sua realidade ou a realidade

daquele que o nomeia. A esse respeito, Dick (1990a, p. 22) esclarece que “se, em nível de língua, a função denominativa se define pelo arbitrário ou convencional, no plano da Toponímia, ela se apresenta essencialmente motivada, ou impulsionada por fatores de diferentes conteúdos semânticos, que poderão conduzir à localização de áreas toponímicas, em correspondência, ou não, às respectivas áreas geográfico-culturais”.

Dado o conceito de signo toponímico, convém trazer aqui a definição de léxico

toponímico, que de acordo com Isquerdo (2012), constitui-se das unidades lexicais – signos linguísticos diversos – que, investidos da função de nome próprio de lugar, podem reunir formas do vocabulário comum, alçadas à categoria de topônimos, tais como: nomes próprios de pessoas, de lugares, de crenças, de entidades sobrenaturais que são ressemantizadas com o fim precípuo de nomear um lugar, desde espaços geográficos mais amplos (continentes, países, regiões administrativas, estados, cidades, grandes rios, montanhas, vales...), até elementos geográficos de menores proporções (ilhas, córregos, vilas, povoados, bairros, ruas...). Nas palavras da autora, “define-se léxico toponímico como o universo de topônimos de uma língua que, por sua vez, estão circunscritos a diferentes espaços geográficos do território coberto por esse sistema linguístico.” (ISQUERDO, 2012, p.116) Por meio dessa definição, a autora explica que os sistemas toponomásticos subjacentes à toponímia de uma área territorial representam, em primeira instância, a perpetuação do léxico representativo do momento histórico em que o elemento geográfico foi nomeado.

Se no âmbito do vocabulário comum a manutenção de uma unidade lexical na língua é estreitamente dependente do seu uso frequente e regular, na toponímia isso não acontece, pois, uma vez incrustado em um sistema toponomástico, o topônimo perpetua-se e projeta-se no tempo, adquirindo autonomia e, consequentemente, não mais ficando à mercê do uso da unidade lexical que lhe deu origem na língua. Isso explica o fato de formas linguísticas usadas em épocas pretéritas se perpetuarem por meio da toponímia que, em face disso, é interpretada também como um meio de conservação linguística, à medida que conserva, cristalizados nos topônimos, elementos formadores da língua em voga quando foi gerado o designativo, como também pode perpetuar formas linguísticas de línguas de povos que habitaram a região em épocas remotas, como ocorre na toponímia brasileira, em que muitas línguas de povos autóctones, historicamente dizimados, têm elementos (morfológicos, lexicais) conservados em nomes de lugares que se mantiveram nas regiões por onde passaram esses povos. (ISQUERDO, 2012, p.117)

Sob esse enfoque, à medida que o topônimo traduz uma realidade, apresenta-se como veículo de manifestações ideológicas, culturais, políticas, sociais e históricas, o que se explica pelo fato de fatores extralinguísticos influenciarem diretamente na escolha das designações dos acidentes geográficos. Entretanto, muitas vezes, o que se percebe é um distanciamento do

momento da nomeação e daquele que nomeou, em relação à atualidade, o que nos deixa, em alguns casos, uma impressão de não-motivação. Essa questão dicotômica de arbitrariedade/motivação será o assunto discutido na próxima seção.

Benzer Belgeler