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İnhalasyon Anestezikleri

2. GENEL BİLGİLER

2.2. İnhalasyon Anestezikleri

7.2. Estudos sobre a noticibialidade da violência escolar

A revisão da literatura conduz à reflexão de Hyman et al. (1997: 428) sobre o trabalho de W. Ruble (1977) que localizou um elevado número de artigos sobre a violência escolar, que foi noticiada no The New Times, entre 1960 e 1975. Para aqueles autores, os dados obtidos por Ruble, naquele jornal, não só assinalam um «pequeno» aumento de violência no espaço escolar, como podem ainda estar relacionados com um «aumento desproporcionado da cobertura mediática». Não clarificam, no entanto, a configuração dos respectivos conteúdos, fazendo apenas alusão aos participantes no processo noticioso, designadamente às fontes oficiais, aos jornalistas e ao público.

O primeiro estudo empírico que localizámos sobre a cobertura jornalística da violência escolar, no contexto europeu e que teve como objecto de análise peças da imprensa italiana sobre os comportamentos conflituosos entre alunos (bullying), é de Sergio Basalisco (1989:59-60). O autor escolhe como material para o seu corpus de análise 18 notícias seleccionadas pela Associação dos Pais Democráticos sobre crianças dos zero aos dezoito anos de idade, que foram publicadas em seis grandes jornais italianos. A cronologia e a

comparação das peças (duas referentes a 1982 e dezanove a 1987) levam o autor a referir que os media já não mantinham mais o silêncio sobre a violência “micro” e “macro” contra as crianças italianas. A noticiabilidade da violência escolar em Itália, na forma de bullying, conceito atrás explicitado neste trabalho, é deste modo localizada por este autor na década de 80, período igualmente de preocupação e consciencialização social do problema e que mereceu a atenção da referida associação de pais, admite aquele autor.

Apesar de reconhecer o poder dos media informativos como necessário, sobre o fenómeno em questão, junto da opinião pública, Basalisco (1989) alerta, no entanto, para o risco de um uso «não inteligente» do poder mediático em termos de filtragem das fontes de informação. Diz que as denúncias genéricas e superficiais são criadoras de piedade momentânea, ou formas de despoletar escândalos para a mobilização da opinião pública, isto se os jornais não apresentarem uma análise crítica adequada da complexidade da violência sobre as crianças e jovens, quer ela ocorra no espaço doméstico ou no universo escolar. A partir do que lhe foi dado observar, este autor italiano considera que é possível destacar duas linhas distintas na noticiabilidade do fenómeno na imprensa italiana:

a) Uma modalidade relativa à natureza dos incidentes reportados a contribuir para

a visibilidade do bullying entre jovens, fenómeno que na década de 80 ainda estava por explorar e clarificar;

b) Uma modalidade da ordem das representações sociais da violência entre crianças, que ainda não era percepcionada pelo público italiano, como um problema social, apesar dos casos divulgados pelos media de então (Basalisco, 1989: 62).

Um segundo estudo sobre a realidade canadiana faz parte integrante de um relatório da responsabilidade de Thomas Gabor (1995), no qual é apreciado o problema da apropriação de armas nas escolas daquele país, tornado público pelo respectivo ministério do Solliciteur geral. Nas páginas 28 a 30, é desenvolvido o tópico «violência» em destaque no título «La violence chez les jeunes et la presse écrite», que encabeça o estudo da representação da violência juvenil em alguns jornais da imprensa canadiana, no período de 1988 a 1994. O objectivo dessa análise consistiu em medir até que ponto a imagem resultante da cobertura jornalística era «deformada» ou «equilibrada» da realidade no terreno.88

88 Os jornais de onde foram retiradas os artigos para a respectiva análise são: o Star de Toronto, Herald de

A apreciação das peças seleccionadas pelo autor permitiu-lhe constatar que a maioria dos artigos contemplava as vias de facto contra os alunos ou docentes, a conduta

desordenada e a presença de armas nas escolas. Um pequeno número de artigos abarca a intimidação, o vandalismo, o roubo qualificado ou extorsão, ou outras actividades ilegais do

género. Outras peças exploravam itens como os conflitos raciais ou étnicos, ainda que com menor importância. As principais fontes de informação utilizadas pelos jornalistas das peças em questão foram os responsáveis da direcção das escolas e o restante pessoal, além das polícias, alunos, pais e autores de estudos, também citados frequentemente nos artigos (Gabor, 1995:28).

Dos vários géneros jornalísticos identificados, o comentário (67%), seguido da

apresentação objectiva dos factos (11%), são os que apresentam uma maior frequência, em

detrimento das estatísticas e investigações (8%) e análise política (6%). Quanto às fontes de informação utilizadas pelos jornais, foram identificadas as seguintes categorias: o pessoal escolar (58%), o corpo directivo (44%), a polícia (25%), investigações e documentos (24%), alunos (21%), pais (21%), universitários (14%), representantes eleitos (14%), técnicos de especialidade (13%), Ministros da Educação (13%), cidadãos (12%), chefias policiais (12%). No que se refere à gravidade dos factos, 28% foram considerados «extremamente graves», comparativamente aos 43% de anos anteriores, em que «o problema era muito pior», segundo as conclusões apresentadas no relatório por Gabor (1995:228-29), responsável do estudo.

O terceiro estudo incide num caso que ocorreu em França, no ano de 1998, e um segundo acontecimento sobre o universo de referência norte-americano, de 1999, ambos com cobertura na imprensa francesa. Os dois casos seleccionados pela autora do estudo, Sandrine Guillerm-Aubertier (1999:37-38), do contexto escolar dos dois países, originam consequências mortais para os seus protagonistas. Analisa a cobertura jornalística do caso Columbine, na semana de 20 a 27 Abril de 1999, comparando-a aos incidentes violentos reportados pelos media que se deram na cidade de Toulouse no ano anterior. Após a morte de um jovem em 13 de Dezembro de 1998, seguiram-se sucessivos confrontos durante dias entre a polícia e os jovens dos bairros daquela cidade, como forma de protesto contra a acção policial.

Chronicle Herald de Halifax, Maclean´s e Financial Post. Da leitura do gráfico, relativo ao número de peças recolhidas entre 1988 e 1994, constata-se um aumento significativo de artigos a partir do ano de 1992.

Da sua análise anotámos a referência a temas da actualidade internacional em foco na imprensa francesa, assinalando que o conflito da NATO – Jugoslávia no Kosovo, então em guerra, permaneceu o evento estrangeiro maioritário nos jornais Le Monde, Libération e Le

Fígaro. Guillerm-Aubertier (1999) constatou que Columbine foi tratado como «fait divers estrangeiro isolado», tendo merecido uma reduzida cobertura jornalística na imprensa francesa. Como veremos na terceira parte deste trabalho, o Diário de Notícias89 propõe uma

leitura algo diferente dos noticiários portugueses de então, que terão dado maior relevo ao evento americano em detrimento do cenário bélico do Kosovo.

A apreciação da cobertura do caso Columbine pelo jornal americano USA Today, no mesmo período, permitiu a Sandrine Guillerm-Aubertier identificar um número importante de artigos, com exclusividade diária de primeira página. A autora observou um desenvolvimento regular na rubrica The Nation e na página Opinion, mais uma página especial intitulada: Massacre in Colorado. Localiza o estilo referencial dos USA Today e, em contrapartida, a adopção de um ponto de vista crítico naqueles quotidianos franceses sobre a violência na sociedade americana.

Assim se justifica a preferência pelo “comentário” e “análise” como géneros jornalísticos dominantes na cobertura da imprensa francesa, com entrevistas a especialistas, politólogos, historiadores, para explicar o fenómeno da violência nos Estados Unidos e apreciar o que a distingue daquela que é experimentada pelos jovens franceses, sugerindo esses discursos que a violência «à americana» é distinta. No quotidiano USA Today, a análise da venda livre de armas está presente na página Opinion, sob a rubrica «Nosso ponto de vista», e nas páginas interiores é feito o relato dramático do evento suportado pelo discurso (reportagens a reconstituir os factos, entrevistas dos sobreviventes, dos pais e das vítimas, retratos psicológicos dos assassinos…) e pelas imagens que preenchem a totalidade da página Massacre in Colorado (Guillerm-Aubertier, 1999:38-39).

Do tratamento diferenciado de Littleton, no USA Today e em Le Monde, Libération e

Le Fígaro, a investigadora conclui realçando o quanto é importante no estudo das

representações veiculadas pelos media, num contexto específico, a escolha do suporte de comunicação, as condições de produção do discurso, as expectativas dos autores visados, além de outros parâmetros. Para o efeito, a investigadora sugere a análise do discurso dos media, frequentemente considerado catalisador da violência, mas que representa o «ponto de

89 Diário de Notícias de 24 de Maio de 1999. Em chamada de primeira página, são referidos dois assassinatos

partida para um olhar crítico sobre a violência e suas representações» (Guillerm-Aubertier, 1999:40).

Por sua vez, Christine Escallier (2002:325) – o quarto estudo empírico identificado – passa em revista alguns títulos da imprensa francesa para avaliar a crise e o clima em que navega aquela sociedade, e que transparecem nos discursos políticos com incapacidade para gerir o fenómeno, refere.90 Lembra pesquisas que estudam a «dimensão étnica» da violência

escolar, um dos principais não-ditos tratados no artigo La violence à l´école91 onde se

pergunta «Por que é que durante tanto tempo era proibido colocar a questão tabu, a questão da associação entre imigração magrebiana-africana e a nova delinquência?». Pergunta se «Oficialmente ou oficiosamente, as classes étnicas são uma realidade?» E prossegue dizendo que «os media que relatam as exacções dos jovens designam os responsáveis segundo a sua tendência política: à esquerda, evoca-se o desemprego e as cidades gueto, à direita, acusa-se a família, a ligação entre violência dos jovens e dissolução dos laços familiares sobressaem dessa análise» (Escallier, 2002:326).

A autora também faz alusão à percepção dos professores que reconhecem o seu papel de educadores antes de serem instrutores, ocupando o espaço dos pais que falham na sua função educativa. As aulas tornaram-se locais para guardar as crianças antes de serem locais de formação. Remete para o jornal Le Fígaro Magazine92 de 1999, recordando que em

Inglaterra os castigos corporais sobre as crianças são mantidos na «condição que sejam administrados com mãos nuas e num quadro de amor e afectuoso» (Escallier, 2002:326), tópico este também tratado no Diário de Notícias, em 2000,93 como veremos na terceira parte

deste nosso trabalho.

Deve com isto depreender-se que o regresso aos castigos físicos poderia tornar-se, por hipótese, numa medida disciplinar aplicável também à realidade escolar francesa ou portuguesa? Esta autora não se alonga na análise do artigo do referido jornal Le Fígaro

90

Escallier (2002) adianta alguns títulos : «La violence scolaire: le laisser-faire en accusation», «L´escalade de la violence. Les chiffres que l´on vous cache: 8000 voitures incendiées, 26000 agressions par an », «Grenoble, les ´ruses de guerre´ d´un principal », « Le désastre éducatif », «14,9% d´illettrés en sixième», «Un bon prof ne peut être que pessimiste», «Emeute au collège», «Police, justice, école, quelle collaboration possible ?» Uma reportagem da televisão aconselha aos pais: “Laisse pas traîner ton fils!”, sublinhando que hoje os pais devem ser responsáveis. Mas pais e educadores dizem que não são apoiados pelos poderes públicos que tomam medidas impopulares, como suspender o abono de família. Escallier (2002:326) critica algumas soluções irrisórias para os problemas como «aulas de golfe e rap para iniciar os jovens ao civismo».

91In Revue Panoramiques. Éditions Corlet. 92

Le Fígaro Magazine de 18 Dezembro de 1999.

93

O tema constitui chamada de primeira página do Diário de Notícias, de 9 de Janeiro de 2000, com o título Pais ingleses adeptos de castigos físicos nas escolas e na peça do interior do jornal Pais ingleses querem escola com castigos físicos.

Magazine, apenas o refere como argumento para sustentar a opinião de que no sistema de

ensino francês paira uma instabilidade inegável, cuja representação emerge da leitura da imprensa desse país. Das breves observações de Christine Escallier não se fazem notar críticas negativas ao modo como os media noticiam a violência escolar, distinguindo-se neste ponto de Jean-Louis Lorrain (2003) que acusa uma certa imprensa de construir uma representação social mais «alarmista» do fenómeno em questão.

Para Lorrain (2003:16) – o quinto estudo do género – a construção da violência escolar na imprensa francesa é «desmesurada» e sugestiva de um «quadro negro» a partir de uma rixa entre alunos, a agressão a um docente ou o vandalismo numa escola. Diz ter constatado que tais eventos são elevados a «verdades absolutas», a partir do momento em que viram acontecimento e são tornados públicos nos media, o que impede que os actores sociais, que trabalham no terreno, ajam com a devida serenidade, sublinha. Identificou três tipos de abordagens emergentes da imprensa francesa: a consulta a especialistas, o relato de faits-

divers e a descrição de problemas, que estabelecem, segundo o autor três grandes tendências

merecedoras de reparo pela influência que podem exercer sobre os leitores (Lorrain, 2003:20):

a) O recurso a títulos alarmistas e sensacionalistas;

b) O uso de estereótipos, suscitando o medo, receio dos jovens e xenofobia;

c) A pretensão de algum jornalismo94 se atrever a propor soluções concretas para os

problemas de violência escolar.

Reconhece na imprensa francesa a tendência para um ângulo de abordagem segundo a perspectiva de especialistas, nomeadamente investigadores do CNRS, sociólogos, professores de Ciências da Educação, inspectores de Educação, psicólogos, psiquiatras, teólogos moralistas e, por vezes, políticos ou representantes institucionais. A estas fontes é pedido que forneçam o seu testemunho num discurso, frequentemente, idêntico e articulado em torno de alguns traços essenciais identificados por Lorrain (2003:17):

• O aumento da violência e das incivilidades;

94

Lorrain (2003:17) dá conta de alguma variação nas secções em que as peças jornalísticas sobre violência escolar estão inseridas, podendo figurar nas rubricas «Sociedade» de France Soir, «Vida quotidiana» ou «Nossa Vida» no Le Figaro, «Educação» no Le Monde, «Debates» no Libération, «Nossa época» no Le Nouvel Observateur.

• A violência atinge os adolescentes cada vez mais jovens;

• A violência urbana implica os estabelecimentos ZEP;95

• Os contextos familiares e económicos, assim como a situação de insucesso escolar, são vistos como factores determinantes para a ocorrência da violência escolar.

Na apreciação das peças jornalísticas com maior enfoque na instituição escolar, em que é dada voz aos docentes e chefes de estabelecimentos de ensino, Lorrain (2003:18) identificou artigos da imprensa local francesa a enfatizar práticas inéditas experimentadas no terreno.96 Essas experiências, tornadas públicas por via da imprensa, adquirem o valor de

autênticos êxitos para lutar contra a violência na escola. Noutros jornais impelidos por “interesses alarmistas”, o autor apurou maior ênfase das dificuldades dos docentes, sustentadas pela descrição do estado depressivo de alguns deles, de que resulta uma tonalidade optimista um quanto pejorativa por valorizar a capacidade de resistência da maior parte dos elementos do corpo docente no desempenho da sua actividade profissional, sublinha.

O autor faz ainda notar que a imprensa francesa serve também para a divulgação de exemplos de cooperação entre os diferentes agentes sociais, designadamente a polícia, os magistrados e os educadores. O seu desempenho social é representado numa relação de partenariado, frequentemente anunciada como uma das soluções possíveis para lutar eficazmente contra a violência no contexto escolar, que passou a ser um assunto de todos e não, apenas, um problema da responsabilidade exclusiva da escola (Lorrain, 2003:19).

8. Resumo

8. Resumo

95 A filosofia subjacente ao modelo das ZEP francesas (Zones d´Éducation Prioritaires) e das EAZ inglesas

(Education Action Zones), para a definição de cartografias dos estabelecimentos escolares que apresentam um determinado número de problemáticas entre as quais a violência, aproxima-se do modelo TEIP português (Territórios Educativos de Intervenção Prioritária), criado, a título experimental, no ano de 1996/97, pelo despacho n.º 14-B/ME/96 e pelo Despacho conjunto n.º73/96, dos secretários de Estado da Educação e Inovação e da Administração Educativa. Barroso (org.) (1999), AA.VV. (2000), Canários et al. (2001) propõem um quadro comparativo deste tipo de medidas políticas em diversos países europeus.

96

Lorrain 2003:18) lembra que o quotidiano Les Dernières Nouvelles d´Alsace apresenta as acções realizadas pela associação Thémis que agrupa advogados, psicólogos, magistrados, docentes, educadores e trabalhadores sociais, tendo como função ajudar os jovens nas escolas, ouvindo-os e informando-os, para a diminuição da violência.

Neste capítulo, procedeu-se à revisão da literatura sobre o modo como os meios de comunicação social dão relevo à indisciplina e violência em meio escolar, com base numa lógica de produção e difusão organizadas em torno de diferentes formatos, tendo sido apresentadas propostas de análise da imprensa nacional e internacional e estudos com foco na construção jornalística da violência escolar. Desses trabalhos, é possível depreender que a frequente visibilidade da violência nos media parece estar a contribuir para a construção de uma cultura da violência e uma cultura da insegurança a uma escala global pelo crescente alcance tecnológico e digital nos tempos mais recentes.

Assim, talvez se possa depreender que uma cobertura jornalística da violência escolar, alargada no tempo, tende a contribuir para a ideia de que as escolas estão em crise e são lugares perigosos tanto para os seus públicos mais jovens e adultos, como para os seus bens materiais e os da própria instituição escolar. Nesse cenário instável, familiares e demais actores sociais reclamam o reforço de medidas legais e securitárias, tendo como propósito o restabelecer da ordem escolar e contribuir para a criação de um clima favorável à convivência entre os sujeitos e às aprendizagens escolares.

No que respeita à abordagem jornalística, não raras vezes acusada de (re)construir uma representação sensacionalista e deturpada das violências escolares, deve-se sobretudo ao papel social e profissional do jornalista e dos seus colegas de trabalho, enquanto (re)construtores de representações de lugares e eventos. Como refere Stuart Hall (1995), os media produzem representações do mundo social e constroem sentidos ancorados em imagens, descrições, explanações e quadros representativos na perspectiva dos grupos sociais dominantes ou maioritários (Gross, 1998), que determinam o que é suposto ser entendido como violência escolar, agressividade ou indisciplina.

Pelo que assinala Van Dijk (1991), grande parte dessas crenças, sociais e políticas (mas também éticas, étnicas ou outras) de conhecimento público derivam de milhares de narrativas de notícias vistas ou lidas diariamente e cujo conteúdo é parcial ou totalmente assimilado pelos sujeitos receptores. Isto leva a acreditar que as matérias publicadas ou editadas sobre a violência escolar influenciam directa ou indirectamente as percepções sociais da educação escolar e, por analogia, das estruturas familiares, sociais e políticas tendencialmente enfraquecidas. Se os leitores mais pequenos ou jovens do mundo inteiro assistem a um relato em directo de um evento, como foi o de Columbine, é possível que fiquem inquietos face ao fenómeno reportado e ao poder da imagem, em especial se

noticiado na televisão. É um facto que as crianças são confrontadas diariamente, e desde muito pequenas, com diferentes formas de violência nos media, tema controverso que tem merecido inúmeras reflexões com conclusões pouco consensuais, em estudos que procuram acompanhar a evolução dos tempos.

O factor «escola», associado à violência, é efectivamente susceptível de maior sensibilidade para a percepção da violência escolar como matéria de medo, paranóia ou de imitação dos comportamentos relatados e observados pela ilusão do directo. Os públicos são diversificados – desde alunos, professores, pessoal não docente, familiares dos alunos (uns e outros potenciais vítimas ou agressores), as pessoas em geral e os políticos – as representações e discursos, atendendo às experiências dos sujeitos e aos seus interesses pessoais, profissionais, sociais ou políticos. Neste sentido, a reconstrução e reprodução de cognições sociais, ideologias, estereótipos, marcados pelo distanciamento entre grupos sociais, potenciam o reforço implícito ou explicito da condição instável de algumas minorias sociais e étnicas em relação às condições sociais dominantes. É tempo de questionamento em diferentes campos sociais que fornecem as mais variadas percepções do fenómeno da violência escolar, tornado público pelos media, quer na qualidade de veículo difusor dos eventos, com títulos informativos e tom assertivo, quer na criação de cenários de análise para o seu entendimento.

Os trabalhos empíricos, inscritos no âmbito da análise de imprensa sobre as violências escolares, apresentam um carácter precário, disperso e esporádico, não tendo sido encontrado nenhum estudo de fundo sobre o assunto em questão, que permitisse explorar algumas das acusações dirigidas aos media por alguns autores a que já se fez alusão. Por isso, consideramos necessária uma análise dos registos jornalísticos predominantes nos últimos anos, em torno de um tema tão controverso como a violência escolar, que levanta questões

Benzer Belgeler