Localizada na via mais conhecida da cidade, a Casa das Rosas repousa em plena Av. Paulista e seu outro acesso, na Al. Santos, não é menos nobre. Fica próximo à Pça. Oswaldo Cruz, no bairro da Bela Vista, um dos extremos da avenida.
A Av. Paulista é um dos principais eixos da cidade, interligando grandes avenidas como a Dr. Arnaldo, Rebouças, 9 de Julho, Brigadeiro Luís Antônio, 23 de
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Maio e Rua da Consolação. Portanto, o acesso por automóvel está garantido por diversas rotas. E a orientação garantida pela sinalização turística viária, instalada no entorno da Casa das Rosas, desde 2008. Essa sinalização segue padrão internacional, na cor marrom, com o nome do ponto turístico, seta mostrando a direção a seguir e ícone indicativo sobre o tipo de atração. Os pontos de táxi mais próximos estão nas vias transversais da Av. Paulista e na Alameda Santos.
Por transporte público é possível chegar ao local utilizando metrô ou ônibus, municipal e intermunicipal. Segundo informações dos sítios na Internet da São Paulo Transportes (SPTRANS) e da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) são 22 linhas de ônibus municipais e três intermunicipais, sendo que dessas, 20 linhas municipais possuem ônibus acessível em sua frota. A EMTU não informa se as linhas em questão possuem carros acessíveis. No percurso, a partir das paradas de ônibus nos dois sentidos da avenida, há travessias com rebaixamento de guia, sinalizada com piso tátil de alerta, interligadas ao piso tátil direcional ao longo da calçada. A estação de metrô mais próxima está a cerca de 250m de distância da entrada principal da Casa das Rosas. A Estação Brigadeiro faz parte da linha verde do Metrô, que vai da Vila Prudente à Vila Madalena e está integrada às linhas azul (Norte-Sul) e amarela (Centro-Oeste). O acesso da estação mais próxima à Casa das Rosas é justamente o mais acessível, pois possui elevador.
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Figura 45 - Mapa de localização. Fonte: Google, 2011.
2.3. Plantas
As plantas a seguir foram fornecidas em cópia impressa pela Organização Social Poiesis – Associação dos Amigos da Casa das Rosas, da Língua e da Literatura, que administra o local, em convênio com a Secretaria de Cultura Estadual. As plantas originais do projeto, com diversas revisões, foram encontradas na casa durante o restauro e doadas à Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
As cópias fornecidas foram confrontadas com as plantas originais, e com as plantas anexadas ao Processo de tombamento nº 22104/1982, do acervo do Condephaat/ Unidade de Preservação do Patrimônio Histórico da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. As plantas aqui apresentadas foram digitalizadas a partir das cópias fornecidas, com exceção da planta do porão, digitalizada a partir de cópia da Biblioteca da FAU-USP e reproduzidos os nomes dos ambientes para facilitar a legibilidade.
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por mudanças de projeto ou ocorridas durante a obra. No caso da Implantação, por exemplo, a família relatou no processo de tombamento que a quadra de tênis representada nunca foi construída47. E as fachadas, datadas de 1928, apresentam- se com ornamentação diferente do que encontramos hoje, além de não representar o terraço do andar superior. Na Biblioteca é possível ter acesso a diversas pranchas com detalhes construtivos e diversas revisões das plantas.
47 Processo de Tombamento nº 22104/1982, fl. 127. Acervo do Condephaat/ Unidade de Preservação
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Figura 50 – Planta do porão. Data: [1928 ou 1929] (data não legível).
Sala de Engomar Dispensa Depósito Antec. Disponíve l Garr a- feira Banho e WC
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Figura 51 – Projeto para a fachada voltada à Av. Paulista. Data: 1929.
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As plantas atuais, a seguir apresentadas, foram feitas com uso do programa Auto CAD, com base nas cópias fornecidas e nas observações in loco.
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Acessibilidade nos bens culturais imóveis 2.4. Histórico
A Casa das Rosas, assim conhecida por seu jardim, tem projetos de autoria do escritório Ramos de Azevedo, datados desde 1922. Uma das últimas construções residenciais realizadas na avenida, a casa foi um presente para Lúcia Ramos de Azevedo, filha do arquiteto, recém-casada com o engenheiro Ernesto Dias de Castro, proprietário de uma firma de importação de materiais construtivos.
Finalizada apenas em 1935, a residência foi habitada por seus descentes por 51 anos. Após Lúcia e Ernesto, pertenceu ao filho do casal, Ernesto Dias de Castro Filho, também engenheiro da Politécnica. E sua segunda esposa foi a última descendente a habitar este casarão, permanecendo até 1986. Ramos de Azevedo não chegou a ver o projeto concluído, pois faleceu em 1928. Sua construção foi assinada por Felisberto Ranzini, integrante do escritório F.P. Ramos de Azevedo, Severo & Villares.
Figura 57 – Foto da residência de Ernesto de Castro na década de 1970 (TOLEDO, 1987).
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Ernesto Filho, fechou, ficando cada vez mais difícil para a família arcar com os altos impostos de um imóvel em plena av. Paulista, uma das regiões mais valorizadas do País. Por isso, a família acabou obrigada a vendê-la.
Em 1982 o Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat) abriu processo para estudar o tombamento da casa, ato efetivado em 22 de outubro de 1985. A Construtora Júlio Neves e o empreendedor Mário Pimenta Camargo adquiriram o lote no ano seguinte com a intenção de construir dois grandes prédios comerciais. O lote estava desmembrado, e o quintal da casa pertencia a três entidades assistenciais, que concordaram com a venda à Construtora, permitindo a restituição do perímetro original.
Figura 58 – Restauro e construção do edifício Parque Cultural Paulista. Fonte: Laudo técnico do restauro – Construtora Marino Barros.
Diante do tombamento e do interesse da Construtora em aproveitar o potencial construtivo do terreno tão valorizado, iniciou-se complexo processo de viabilização do empreendimento na parte dos fundos do terreno. Conforme
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se a restaurar a residência, [...] e a considerar no projeto a manutenção da visibilidade do bem de valor histórico”. O Condephaat exigiu que o bloco de escritórios repousasse sobre pilotis, elevando-se 10 metros, para desobstruir as visuais da casa, inclusive da Alameda Santos.
Figura 59 – Casa das Rosas e Edifício Parque Cultural. 2011.
De 1987 a 1991 acontecia a restauração da residência, sua edícula, jardins, caramanchão e estufa, paralelamente à construção do edifício de escritórios. A restauração, primeira da residência, ficou a cargo do Eng. Alberto Barth, da Construtora Marino Barros, com a consultoria do Arq. Prof. Dr. Carlos Alberto Cerqueira Lemos, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo.
Ao término do restauro, o governo estadual desapropriou a residência para instalar um espaço cultural conhecido por Casa das Rosas – Galeria Estadual de Arte, que exibia mostras temporárias de obras do acervo artístico do Estado.
Em 2003 a galeria foi fechada e o espaço passou por reforma para, em 09 de dezembro de 2004, ser reinaugurada como o primeiro espaço público do País destinado à poesia, nomeado Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura,
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administrado, hoje, pela Organização Social denominada Poiesis.
De julho a novembro de 2007 a Casa das Rosas, como espaço de literatura e poesia, ficou fechada ao público para receber a mostra CAD Brasil – Casa Arte & Design, evento de arquitetura de interiores semelhante à CASA COR. A organização do evento diz ter preservado completamente as estruturas do prédio e realizado algumas benfeitorias, tais como, reforma total da elétrica, revisão da hidráulica, construção de um elevador, colocação de rampas de acesso e banheiro para pessoas com deficiência, além do espaço de cafeteria na edícula.
A motivação para as adaptações às pessoas com deficiência adviria de um despacho48 da Secretaria de Planejamento da Prefeitura de São Paulo que exigia o atendimento de diversas exigências, entre elas a acessibilidade. Em contato com a Comissão Permanente de Acessibilidade, órgão ligado à Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida da Prefeitura de São Paulo, foram discutidas as soluções que iriam garantir o acesso e circulação desse público à Casa das Rosas pela primeira vez.
Após a mostra, a rampa de estrutura metálica e de madeira não demorou a se deteriorar, justamente por não ter sido feita com materiais e técnicas visando sua incorporação definitiva, ainda que garantindo reversibilidade. Por deliberação do Conpresp a rampa para a mostra deveria ser removida após o término de evento49.
Os visitantes, usuários de cadeiras de rodas, ficaram, então, sem opção adequada de acesso, apesar do elevador no interior da edificação.
48 Despacho SEMPLA.CTLU/246/2007, publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo em 11 jul.
2007.
49 Despacho Secretaria de Cultura – Conpresp, publicado no Diário Oficial da Cidade de São Paulo
em 13 jul. 2007. Sobre a solicitação de execução da rampa de acesso ao imóvel, o colegiado aprovou “desde que seja rampa provisória, removível após o termino do evento, sem causar dano de qualquer espécie a integridade física do imóvel”. Isso demonstra a completa ignorância quanto ao assunto, e a falta de senso de oportunidade para conquistar o acesso pleno à Casa, sem dispor de recursos públicos.
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Figura 60 – Rampa colocada para a mostra. Fonte: http: http://www.casaartedesign.com.br
Desde 2008 a Poiesis e o CONDEPHAAT estão estudando a implantação de uma rampa que será incorporada à residência definitivamente. Em fevereiro de 2011, o Colegiado deliberou pelo indeferimento do pedido de aprovação de proposta de rampa, por considerar que a intervenção afetaria negativamente a fachada, e que
os interessados deveriam apresentar uma solução mais adequada50. Em novembro
do mesmo ano, o Colegiado deliberou pela manutenção do indeferimento do projeto da rampa, determinando que a acessibilidade do local deva ser realizada a partir de plataforma elevatória, solução considerada mais adequada e conciliatória com a preservação do bem tombado51.
Desde dezembro de 2010 a proposta de rampa de acesso à Casa das Rosas, em discussão no Condephaat, está aprovada pelo Conpresp52.
50 Comunicado Secretaria de Cultura – Condephaat, publicado no Diário Oficial [do] Estado de São
Paulo, em 24 fev. 2011.
51 Comunicado Secretaria de Cultura
– Condephaat, publicado no Diário Oficial [do] Estado de São Paulo, em 12 nov. 2011.
52 Ata da 494ª reunião extraordinária do Conpresp, publicado no Diário Oficial da Cidade de São
Acessibilidade nos bens culturais imóveis 2.5. Características físicas
A residência é dividida em térreo, pavimento superior, mansarda e porão. Na sua função original o pavimento térreo tinha ambientes sociais, como sala de jantar e de estar; ambientes íntimos, como gabinete, biblioteca e sala de almoço (Lunch); e ambientes de serviço, como cozinha e sala de almoço dos empregados. Os ambientes do pavimento superior são predominantemente de caráter íntimo, como os dormitórios, salas de banho e terraço; o único ambiente com características de serviço é a rouparia. Na mansarda temos ambientes de serviço para uso apenas dos empregados da casa, como dormitórios, banhos, rouparia e depósito de malas.
Próximo à Al. Santos, no fundo do lote, está a edícula, com garagem e quartos para os empregados homens, e o quintal, que tinha um galinheiro e área para horta. Na lateral do lote fica a estufa.
Em questão de características formais, o palacete segue o padrão descrito por Lemos (1989, p. 78-79) do que seria usual nas residências mais ricas, a partir da Primeira Guerra. As construções passavam a estar isoladas no lote, e ter internamente um hall distribuindo “[...] as três zonas: de serviço, de estar e de repouso. […] No hall ficava a escada de ligação aos quartos, nos casos dos palacetes assobradados”. Outros aspectos observados por Lemos (1989, p. 74), estão presentes na Casa das Rosas, como a edícula assobradada com espaço para os automóveis, tanques e instalação sanitária no térreo, e quarto do chofer no andar superior. Além do galinheiro, estufa e caramanchão. Esses dois últimos “[...] sobre o alinhamento do lote em jardim lateral”. Ou seja, se insere no padrão de programa residencial do período.
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do início do século XX, diferente das casas urbanas do século XIX que ocupavam os limites do lote. Ela atende as características descritas por Reis Filho em que “os esquemas arquitetônicos [...] prendiam-se a soluções de rígido paralelismo em relação aos limites, ainda que os lotes apresentassem, em média, maiores dimensões” (2010, p. 71).
Especificamente sobre a residência, Lemos afirma, que a casa foi construída nos padrões do classicismo, com “jardim geometrizado ao gosto francês [...] mansarda coberta de ardósia assentada pelo sistema de escamas onde vemos as aberturas típicas [...] rodeada por uma varanda coberta por um terraço, parecendo ambos predispostos à fruição do jardim” (1987, p. 155).
Talvez a diferença na implantação da Casa das Rosas está em ter sua frente voltada para o jardim, e não para a av. Paulista; para este lado ficava a entrada próxima ao gabinete usado por Ernesto de Castro, que se caracteriza como uma entrada não social mas para atender demandas de trabalho. Não que a avenida seja ignorada: há um pequeno balcão no quarto do casal, o principal da casa, voltado para ela. A casa se orienta da seguinte forma: frente voltada para o jardim (a lateral do terreno), uma lateral para a Av. Paulista e outra para a Al. Santos, e fundos para o lote vizinho, onde ficava a entrada e desembarque de veículos (porte-
cochère).
Apesar da conclusão de sua construção datar de 1935, seu projeto foi iniciado pelo Escritório de Ramos de Azevedo em 1922, o que ajudaria explicar a eleição do ecletismo. Características do ecletismo classicizante afrancesado podem ser vistos no seu telhado, frontões com pilares marcando as entradas e jardins geométricos, além dos elementos decorativos, externos e internos.
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importados da Europa: “[...] de requintados detalhes de acabamento, executado com os melhores materiais para construção, grande parte deles de qualidade superior aos encontrados atualmente em nosso mercado.” (BARTH, 1987, p. 01).
O sobrado, avarandado no pavimento térreo e com terraços descobertos, guarnecidos de guarda-corpos com elementos vazados, no superior, possui telhado em ardósia, com águas acentuadamente inclinadas. Esta é uma construção de alvenaria de tijolos estrutural revestida com argamassa do tipo raspada e do tipo batida. Destacam-se o uso de ladrilho de cimento no jardim, terraços e áreas de serviço, os pisos de régua de madeira bicolor e mármore, e forros de estuque e gesso trabalhado. Tudo à moda da época.