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Torna-se necessária uma perícia médica a fim de comprovar a cura do internado. Esse exame deve ocorrer posteriormente ao decurso do prazo mínimo e ser realizado anualmente até que se constate a cessação da periculosidade do agente.

O art. 176 da Lei de Execuções Penais ainda prevê a possibilidade de o magistrado determinar a realização do exame em qualquer tempo, ainda no decorrer do prazo mínimo de duração da medida de segurança, diante do requerimento do Ministério Público ou interessado, de seu procurador ou defensor, mas também pode ser realizada de ofício. Nucci comenta que “não há sentido para privar-se o juiz da execução penal dessa possibilidade, desde que chegue ao seu conhecimento fato relevante, indicativo de necessidade do exame”

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Sobre as formalidades quanto a realização da verificação de cessação da periculosidade, o art. 175 da LEP determina que a autoridade administrativa, até 1 (um) mês antes de expirar o prazo de duração mínima da medida remeterá ao juiz minucioso relatório que o habilite a resolver sobre a revogação ou permanência da medida, e que este relatório deverá ser instruído com o laudo psiquiátrico. Após, deverão ser ouvidos o Ministério Público e o curador ou defensor do indivíduo. Novas diligências poderão ser requisitadas e o juiz, então, proferirá sua decisão.

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NOGUEIRA, Carlos Frederico Coelho, Efeitos da condenação, reabilitação e medidas de segurança. Curso sobre a reforma penal. Damásio E. de Jesus (coord.). São Paulo: Saraiva, 1937, p. 145.

Ressalta-se o direito de ter assistência médica particular, de acordo com o art. 43 da LEP57, podendo acompanhar e orientar o tratamento no caso de divergência de pareceres médicos, cabe ao juiz decidir. Bitencourt relaciona essa assistência ao princípio da ampla defesa58.

Nos casos de desinternação ou de liberação do tratamento, o art. 178 da LEP determina a aplicação dos art. 132 e 133 da mesma lei que se referem ao livramento condicional e preceituam as condições para a aplicação deste instituto.

As obrigatórias são: obter ocupação lícita, comunicar periodicamente ao juiz sua ocupação, não mudar do território da comarca, sem autorização judicial. As condições facultativas são: não mudar de residência sem comunicação ao juiz e à autoridade incumbida da observação cautelar e de proteção, recolher-se à habitação em fora fixada e não frequentar determinados lugares.

Passado o período de um ano sem razões para se restituir a medida de segurança, esta se torna extinta, sendo o sujeito denominado egresso, segundo o art. 26, I, da LEP. Durante esse ano o agente fica sob prova, podendo retornar à situação anterior. Sobre isso, Nucci diz que “normalmente, faz-se o controle através da folha de antecedentes do liberado,

pois não há outra forma de acompanhamento mais eficaz” 59

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O autor traz, ainda, a possibilidade de desinternação progressiva:

Questão interessante, merecedora de destaque, é a viabilidade da conversão da internação em tratamento ambulatorial, denominada desinternação progressiva. Prevê a lei penal que o tratamento ambulatorial pode ser convertido em internação,

caso essa providência seja necessária para “fins curativos”. Nada fala, no entanto,

quanto à conversão da internação em tratamento ambulatorial, o que se nos afigura perfeitamente possível.

Essa desinternação não seria direta, o que ocorreria seria a conversão da internação em tratamento ambulatorial, ambos em medida de segurança, continuando o tratamento, porém não estando mais internado. No caso de o paciente se encontrar completamente curado de sua doença, com capacidade de convivência social, atestado por

57 Art. 43 - É garantida a liberdade de contratar médico de confiança pessoal do internado ou do submetido a

tratamento ambulatorial, por seus familiares ou dependentes, a fim de orientar e acompanhar o tratamento. Parágrafo único. As divergências entre o médico oficial e o particular serão resolvidas pelo Juiz da execução.

58 BITENCOURT, 2016, p.873 59 NUCCI, 2011, p. 585

meio de exame de cessação de periculosidade, o juiz deve conceder a desinternação condicional comum, já não prescinde a necessidade de submeter o indivíduo ao tratamento ambulatorial obrigatório.

Nucci sobre esse assunto comenta: “Essa medida torna-se particularmente importante, pois há vários casos em que os médicos sugerem a desinternação, para o bem do próprio doente, embora sem que haja a desvinculação do tratamento médico obrigatório 60”.

Na hipótese de desinternação ou liberação do tratamento ambulatorial, as condições trazidas nos artigos 132 e 133 da LEP, não preveem a obrigação de continuar o tratamento ambulatorial após a desinternação. Nesse caso, a melhor opção seria fazer a conversão da internação em tratamento ambulatorial até que o agente esteja apto à convivência da sociedade, com a cessação da periculosidade, ocorrendo a liberação condicional.

Sobre este assunto, decidiu a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Habeas corpus nº 89212 SP 2007/0198658-7 pela relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura pela desinternação progressiva do paciente para que se adapte ao meio externo antes da convivência em sociedade, minimizando os prováveis riscos de uma desinternação imediata.

EXECUÇÃO PENAL. MEDIDA DE SEGURANÇA. 1. DESINTERNAÇÃO.

PACIENTE QUE TEVE ATESTADA A CESSAÇÃO DE SUA

PERICULOSIDADE POR DOIS LAUDOS CONSECUTIVOS. DOENÇA CONTROLADA APENAS COM O USO CONTÍNUO DE MEDICAMENTOS. FALTA DE ASSISTÊNCIA DA FAMÍLIA DO INTERNADO. EXTENSA FOLHA DE ANTECEDENTES. COLOCAÇÃO EM REGIME DE SEMI-INTERNAÇÃO PELO PRAZO DE 1 ANO. POSSIBILIDADE. 2. ORDEM CONCEDIDA. 1. Ainda que a cessação da periculosidade do paciente tenha sido atestada por dois laudos consecutivos, não é recomendável a desinternação imediata, tendo em vista as circunstâncias do caso, já que a doença do paciente é controlada apenas mediante o uso contínuo da medicação, que este não tem qualquer respaldo familiar, e que possui extensa folha de antecedentes, demonstrando a possibilidade de reiteração de condutas previstas como crime. Cabível no caso, a desinternação progressiva do paciente, para que se adapte ao meio externo, e à responsabilidade de dar continuidade ao tratamento quando em liberdade. (...)

A desinternação progressiva prova-se, assim, ser a melhor maneira de proporcionar a realocação do indivíduo submetido à medida de segurança, ao invés de ser

60 NUCCI, 2011, p. 585

jogado na sociedade sem ainda estar preparado e com a periculosidade cessada, não se tornando um perigo para a comunidade nem para si.

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