O presente trabalho propôs efetuar uma análise sobre a questão da aplicabilidade ou não da medida de segurança aos indivíduos portadores de transtorno mental que cometeram ilícitos penais, tendo sido elaborado um aprofundado estudo sobre o tema para que com isso pudesse chegar a algumas conclusões.
Nota-se que há uma preocupação acerca da questão, seja pelo avanço legislativo na sistematização das medidas de segurança, seja pela evolução na psiquiatria, agregando novos métodos de tratamento e reinserção social.
A evolução trazida pela reforma psiquiátrica nos campos filosófico clínico e jurídico, permite dar uma nova face à responsabilidade penal do portador de transtorno mental, tornando-a mais coerente com a realidade atual acerca da visão sobre a loucura.
Sendo um tipo de sanção penal de caráter preventivo, as medidas de segurança, que têm por fim a assistência e a cura, devem constituir-se num tipo de tratamento individualizado, com vistas à ressocialização do interno, bem como ao retorno ao convívio social.
A legislação penal vigente é antiga, e, por isso, não acompanhou a evolução dos tratamentos. A jurisprudência e a doutrina auxiliam na criação da modernização dos tratamentos, inserido a desinternação e o livramento condicional.
Ainda são necessários esforços legislativos atentando para a inserção gradual, com o fito de evitar uma transição desastrosa da realidade interna da internação para o ambiente externo. Isto deveria ser observado como regra e não como situações fortuitas de instituições isoladamente. Observa-se melhor rendimento de tratamento os pacientes que são submetidos à alta progressiva, contando com o apoio e o contato da família que representa o maior vínculo destes com a sociedade.
Além disso, os HTCPs poderiam exercer melhor a função ressocializadora, individualizando o tratamento para cada paciente. Juntamente a essa inovação, acrescenta-se a ideia de serem aumentados os tipos de execução das medidas, bem como, facilitação a interação entre o judiciário e os hospitais.
Com isso, tem-se que com a aplicação efetiva do princípio da individualização da pena, é possível chegar mais próximo ao ideal de tratamento em cada caso. Apontar a cura como objetivo das medidas de segurança mostra-se um pouco utópico. As patologias que acometem a maioria dos portadores de transtorno mental geralmente não apresentam cura. Portanto, torna-se mais inteligível fundamentar as medidas de segurança no tratamento em si ou no controle da doença, assim, assegura-se maior efetividade às medidas de segurança.
Entretanto, outro modelo de responsabilização dos loucos infratores, diferente das medidas de segurança, como são aplicadas atualmente, parece difícil de visualizar num futuro mais próximo. A interdisciplinaridade e a democracia devem ser os dois alicerces necessários que se baseiam os cidadãos na construção de uma sociedade que vise à reintegração do louco, resgatando a cidadania desses infratores, observando a peculiaridade da situação desses sujeitos.
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