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İnşaat bakım onarımı yapılan bina sayısı

Üniversitemiz 2016 yılı Performans Programı uygulama sonuçları ve buna ilişkin bilgilere aşağıdaki tablolarda yer verilmiştir

14 İnşaat bakım onarımı yapılan bina sayısı

Depois de realizarmos algumas leituras interpretativas do corpus, cremos ter elementos suficientes para discorrer a respeito da enunciação em avaliações como o Enem e o baccalauréat. O elemento que mais chama nossa atenção no contexto avaliativo é a organização da alternância de turnos.

Vimos nas considerações teóricas de Volochínov que a linguagem é responsivamente ativa em relação à complexidade do meio no qual ela opera. Assim, um diálogo informal pode adotar um esquema de alternância de turnos com enunciados que podem ligar-se entre si ou podem fluir aleatoriamente. Já em uma entrevista de emprego, o diálogo corre entre os interlocutores guardando mais atentamente uma coerência, um fio condutor que interliga cada manifestação enunciativa de cada um dos participantes da entrevista. No primeiro caso, trata-se de uma conversa sem fins específicos, como a de dois amigos que tratam aleatoriamente de fatos corriqueiros de suas vidas. No segundo, em que os enunciados de cada um dos interlocutores são regidos por um projeto enunciativo maior, a relação responsiva se torna mais complexa, tecendo um vai- e-vem constante entre os temas e os assuntos abordados no diálogo. Consideremos para nossa análise que as duas avaliações se caracterizam mais como o segundo caso do que como o primeiro.

Pensando especificamente no caderno de provas das duas avaliações, temos que tanto Estado quanto État elaboram um projeto enunciativo complexo, que vamos compreender aqui em duas instâncias, uma ampla e uma que recorta da amplitude apenas um fragmento. No final, conduzimos a partir da metáfora da linguagem enquanto engrenagem.

Na perspectiva mais ampla, État e Estado organizam um caderno de provas a partir de um projeto enunciativo que é constituído de vários fragmentos. Cada fragmento também é dotado de um projeto enunciativo próprio, e o conjunto dos fragmentos suportam o projeto enunciativo amplo, o de avaliar competências, habilidades e aquisição de saberes escolarizados. Assim, o projeto enunciativo amplo só se realiza através dos projetos enunciativos combinados dos fragmentos. Para ambos os enunciadores dos exames, o projeto enunciativo amplo é determinado pelos objetivos gerais que cada exame carrega. Dessa maneira, uma análise que considera as questões dos exames sem levar em conta o todo do projeto discursivo acaba por mutilar o objeto de análise, o que pode gerar resultados frágeis.

A maneira de arranjar os projetos enunciativos dos fragmentos determina em muito a diferença entre baccalauréat e Enem. Cada item elaborado nas duas avaliações vai carregar um valor avaliativo do quadro geral de competências, habilidades e conhecimentos que o avaliando deve ter desenvolvido em sua vida escolar. Assim, o Enem, por exemplo, se servirá com muita frequência de pequenos textos que subsidiam as questões, e considerando a quantidade de questões por prova, o resultado é um caderno de questões bastante extenso. Ao mesmo tempo, o baccalauréat também se serve de um corpus de textos sobre o qual as questões são propostas, mas a maneira de articular os textos e de solicitar conhecimentos de textos que não estão no corpus altera completamente o projeto enunciativo e a dinâmica de leitura no exame.

De todo modo, considerar que cada questão é um enunciado dotado de um projeto enunciativo próprio e que este projeto enunciativo é o elemento que une todas as questões do exame, garantindo a unicidade dele, nos leva a considerar que o mecanismo discursivo da enunciação pode ser equiparado ao de uma engrenagem, em que cada roda dentada exerce uma função específica ao mesmo tempo em que contribui para o plano maior da engrenagem como um todo.

Observemos mais atentamente a esta metáfora. Uma engrenagem é, grosso modo, um círculo dentado. O espaço entre dois dentes é um vão que é preenchido por um dente de outro círculo dentado. Cada participante do contexto da enunciação possui um círculo dentado, que representa seu projeto enunciativo amplo. Os dentes e o espaço entre eles são os projetos enunciativos fragmentados. É o fato de preencher as lacunas das engrenagens mutuamente, o fato de fazer valer os projetos enunciativos fragmentados que move as engrenagens, que se realiza o projeto enunciativo amplo.

A comparação com as engrenagens nos parece uma estratégia didática boa para explicar a dinâmica enunciativa porque cada engrenagem já está pronta e produzida para o momento da enunciação quando pensamos nos exames. Não se trata de uma produção enunciativa como num diálogo simples em que os interlocutores elaboram seus enunciados com vistas às respostas que já obtiveram. Independentemente do que o avaliando responda a uma questão, isso jamais alterará o plano enunciativo da questão seguinte. Contudo, a engrenagem pode ser tida como enunciação somente no momento em que o avaliando se coloca em posição de leitor dela para que ele a responda. Exploramos melhor esses aspectos relacionados à leitura na terceira parte da tese.

O resultado dessa dinâmica é que o projeto enunciativo do Estado e do État já está materializado em todas as enunciações fragmentadas. Não existe uma produção contínua do projeto de dizer por parte do Estado e do État. Ao mesmo tempo, o avaliando deve elaborar seus projetos enunciativos um após o outro, resultando no constante processo de produção em um movimento quase que unilateral. No caso do baccalauréat, o avaliando elabora projetos complexos para sua resposta. Já no Enem, ele tem seu modo de enunciar mecanizado pelo acabamento específico do enunciado fragmentado do Estado.

Se o projeto enunciativo do exame como um todo está diluído no projeto enunciativo de cada questão, não existe outra maneira de depreender o exame se não um olhar que leva em conta a totalidade dos itens que os constitui. Contudo, uma análise que privilegia item por item acaba por se tornar infactível, pois os projetos enunciativos, apesar de privilegiarem características diferentes a serem avaliadas, acabam por denunciar uma mesma dinâmica ideológica. Por isso, a análise enunciativa de cunho bakhtiniano que propomos aqui não é a de desvendar cada um dos projetos enunciativos

de todos os fragmentos, mas compreender como o diálogo entre esses fragmentos sustenta o projeto enunciativo central, como explicado a partir dos exemplos de questões. Assim como um enunciado é dotado de um projeto enunciativo, é necessário recuperar aqui suas duas faces: ser orientado para o outro e denunciar a estrutura sociológica. Vamos observar como esses dois aspectos se encontram no exame. Vimos que o enunciado, ao ser projetado, leva em conta seu interlocutor. Assim, o interlocutor também é responsável por parte da enunciação feita pelo Estado e pelo État. Para proceder a análise a seguir, tomaremos como parâmetro somente o Estado e seus avaliandos.

Quando o Estado estabelece um projeto enunciativo amplo que é composto de 91 fragmentos de projetos enunciativos (90 questões mais a redação) aos quais o avaliando deve responder corretamente para obter êxito, o perfil deste avaliando pode ser recuperado. Não se trata de um estudante que não tem o hábito de estudar, pois uma prova que se realiza em cinco horas e trinta minutos não pode ser realizada com a mesma atenção e concentração do que uma prova que se realiza em trinta minutos. Assim, além dos saberes e habilidades pretendidos na verificação do exame, o avaliando também deve portar um perfil de estudos que o coloca em atividade mental contínua e sob pressão por horas. É neste ponto em que a seleção do exame se inicia.

Alguns aspectos sociais devem ser levados em conta quando tratamos deste assunto, que se coloca um tanto quanto delicado em nossas mãos. No entanto, não podemos nos abster de falar sobre isso, porque o perfil do aluno é algo que compõe a enunciação. É desse modo que começamos a enxergar com quais avaliandos especificamente o Estado se volta quando prepara sua avaliação.

Um adolescente ou jovem adulto nascido em uma família que tem o hábito da leitura, que atribui valores à prática leitora, que tem livros e revistas em casa, que faz da leitura parte de suas práticas sociais domésticas, tem mais chances de se tornar leitor do que aquele que não possui a mesma estrutura. Considerando o alto preço dos produtos do mercado editorial, também a disponibilidade física e mental dos adultos de uma família de se colocar na atividade da leitura, podemos dizer que a atividade da leitura também passa por um crivo econômico. Este crivo se repercute logicamente no momento do exame. O aluno que não tem a estrutura social em torno de si que valoriza ou que

possibilita ao estudante ficar horas e horas por dia estudando automaticamente contará com menos possibilidade de sucesso no exame.

Lidar com a pressão, a autoestima, o cansaço mental, a concentração e não deixar que esses elementos afetem a memória pode sim ser uma habilidade alcançada, mas isso resulta de muito treino, de uma cabeça que não precisa se preocupar intensamente com a realidade extraescolar. Essa não é uma característica comum a todos os brasileiros que se inscrevem para o exame. Basta observarmos o índice de pobreza do país, os índices de violência doméstica, a quantidade de pessoas que estudam no contra turno de seus trabalhos, etc. São muitos os fatores que devem ser levados em conta. Todos esses fatores contribuem para o recorte do Estado quando este projeta uma prova nos moldes do atual Enem.

Em contrapartida, de modo a atenuar esses fatores que acabamos de denunciar, o Estado propõe políticas educacionais como o Prouni e o Fies, que facilita o ingresso ao ensino universitário àqueles que não conseguem êxito seja na seleção promovida pelo Enem, seja pelos vestibulares tradicionais. O que o Estado está dizendo com essas políticas é que de fato o vestibular tradicional e o Enem enquanto mecanismo de seleção não podem dar conta da heterogeneidade do público que se submete ao exame. Ao mesmo tempo, ele não propõe novos formatos destes exames que sejam de fato modos de democratizar o ensino universitário.

De maneira similar, quando o État se direciona aos estudantes franceses através das provas do baccalauréat, esse horizonte social constitui também o contexto da interação. Resguardadas as diferenças sociais que os dois países apresentam entre si, o fato comum entre eles é que considerar um grupo grande de estudantes em um único projeto enunciativo vai promover necessariamente um direcionamento favorável a um determinado grupo. Este é o efeito que devemos nos atentar, o da exclusão de um certo grupo de estudantes e o dos privilégios que outro determinado grupo pode ter em relação ao exame em detrimento de suas estruturas sociais. “Todos” têm igual oportunidade de prestar o exame, tanto no Brasil quanto na França. Porém, não são todos os perfis de alunos que se encaixam na perspectiva de estudante que o Estado e o État utilizam como ponto de partida para a elaboração da prova.

Esses são os diálogos que pulsam nas veias da arena do Enem, que carrega sua herança sígnica do vestibular tradicional. O projeto enunciativo amplo é o elemento que promove o diálogo entre as ideologias, enquanto os projetos enunciativos dos fragmentos dão conta dos diálogos mais próximos do nível enunciativo, estabelece a ponte entre os interlocutores. Os objetivos do enunciado como um todo são o resultado do diálogo entre o projeto enunciativo amplo e o projeto enunciativo dos fragmentos. Essa dinâmica interativa é amparada por uma base relacional que se molda de acordo com o contexto e os projetos enunciativos. Estamos falando aqui do discursivo e sua relação indissociável da esfera em que ocorre. É sobre esses dois conceitos que discorremos nas considerações a seguir.