• Sonuç bulunamadı

İMAN VE PARADOKS

Belgede Kierkegaard'da Fideizm (sayfa 54-58)

KİERKEGAARD’DA FİDEİZM 2.1 İMAN VE AKIL

2.3 İMAN VE PARADOKS

O material empírico analisado neste capítulo deriva de uma série de pesquisas desenvolvidas nos últimos 15 anos , coordenadas por mim ou das quais participei ativamente, realizadas tanto no Brasil como em outros países da América Latina, entre as quais três foram as mais importantes.

A primeira delas desenvolveu-se no começo dos anos 90, no Brasil, Argentina, Chile, Colômbia e México. Seu objetivo principal era analisar o impacto dos processos de modernização tecnológica e organizacional sobre o emprego e as condições de trabalho. Entre os temas abordados estava a relação entre a mudança tecnológica, as estratégias de reestruturação das empresas e o emprego feminino. Seus resultados trazem elementos importantes para discutir as imagens formuladas pelos empresários sobre as mulheres empregadas em seus estabelecimentos, assim como a relação dessas imagens com as políticas de recursos humanos dirigidas à mão-de-obra feminina.5

O contexto geral dos cinco países considerados na pesquisa, com exceção do Chile, se caracterizava por um elemento comum: estagnação ou crescimento muito modesto do setor industrial durante os anos 80, tanto em termos da produção, como, principalmente, do emprego. Nos primeiros anos da década de 1990, no momento em que se realizava a pesquisa, foram identificados três tipos de situações nos cinco países considerados: expansão sustentada do produto e do emprego no Chile, e México; recuperação na Colômbia e Argentina; forte crise, com queda do produto e do emprego no Brasil.

5 Trata-se da pesquisa “Estratégias de competitividade, produtividade, recursos humanos e emprego nos anos

1990”, realizada entre 1992 e 1993 como parte do Projeto OIT (Organização Internacional do Trabalho)/ACDI (Agência Canadense para a Cooperação Internacional), intitulada “Inovação tecnológica e mercado de trabalho na América Latina”. Os dados que serão analisados provêm basicamente de um questionário aplicado às gerências de um total de 270 estabelecimentos metal-mecânicos e 130 da indústria de alimentação nos cinco países assinalados. No contexto da pesquisa foram realizadas também entrevistas em profundidade e workshops de pesquisa-ação que contaram com a participação de gerentes e sindicalistas desses setores.

industrial havia aumentado ao longo dos anos 80, principalmente nos setores mais dinâmicos em cada um dos casos considerados. Em 1990, a presença feminina no emprego manufatureiro variava de 21,2% na Argentina a 33% na Colômbia. No Chile, respondia por 23,6% do total dos trabalhadores industriais; no México, 26,3%, e no Brasil 27,3%.6

A expansão do emprego feminino na indústria manufatureira nesse período, marcada por fortes processos de crise e ajuste estrutural, mas também pela reconversão e modernização do aparato produtivo, questiona a idéia de uma “expulsão” da força de trabalho feminina associada linearmente aos processos de desenvolvimento industrial, acompanhados de um maior ou menor grau de inovação tecnológica.7

Em alguns países latino-americanos, essa expansão esteve associada à entrada e ao crescimento das empresas maquiladoras, principalmente no norte do México, na América Central e no Caribe. Em outros, como é o caso do Brasil, não esteve relacionado a esse fenômeno, ou sequer diretamente a uma estratégia de desenvolvimento orientado às exportações. O grande incremento da participação relativa das mulheres empregadas na indústria ocorreu durante os anos 1970, em um contexto de forte expansão do emprego industrial total. Entre 1970 e 1980, enquanto o volume de homens empregados aumentava 5,7% ao ano, o número de mulheres aumentava 8,2%. Como resultado desse incremento, a participação feminina nesse setor passou de 20% para 23%. Segundo os dados dos censos demográficos, o número de mulheres empregadas na indústria aumentou 181% ao longo da década, o que representa o dobro tanto da taxa de crescimento da atividade feminina em geral (95%), como da incorporação da mão-de-obra masculina à indústria (91%) (Humphrey, 1987).8

A participação feminina no

6 Elaboração própria a partir dos censos demográficos e industriais dos países. 7 Para o caso de Brasil, ver discussão a respeito realizada por Humphrey (1987).

8 No caso brasileiro, esse processo ocorreu em quase todos os setores industriais e não somente nos mais

tradicionais e nos anteriormente mais feminizados. Foi, inclusive, mais intenso nos setores mais dinâmicos da indústria: apresentou-se superior, por exemplo, na metal-mecânica, na indústria química e de plásticos se comparado ao das indústrias de alimentação, têxtil e confecção. Foi também relativamente mais significativo na Região Metropolitana de São Paulo, a mais industrializada e modernizada do país (Humphrey, 1987).

alcançou 27,3% do total. Na metal-mecânica evoluiu de 7,7%, em 1970, para 15,4%, em 1990. Na alimentação, caracterizada por um nível superior de participação feminina em 1970 (15,5%), as taxas de crescimento foram menores: em 1990 as mulheres representavam 23% dos empregados.9

A distribuição por sexo do pessoal empregado nos estabelecimentos analisados na pesquisa não corresponde exatamente à que caracteriza o conjunto dos setores considerados. Mas, em todos os casos, a proporção de mulheres empregadas nos estabelecimentos da indústria da alimentação pesquisados era sistematicamente superior à encontrada na metal-mecânica, o que é coerente com sua distribuição setorial, com exceção do México.10

A segunda pesquisa foi realizada entre 1998 e 1999 no Chile, com o objetivo de analisar a percepção empresarial sobre o desempenho das mulheres no trabalho. Seu objetivo central era tratar de identificar as opiniões dominantes entre empresários/as e executivos/as chilenos/as a respeito de imagens freqüentemente presentes no discurso empresarial a respeito das mulheres.

Noções que atribuíam ás mulheres um maior custo, maior absenteísmo, maior taxa de rotatividade, menos eficiência, assim como um impacto negativo da proteção à maternidade sobre a produtividade das empresas emergiam com

9 As cifras para os demais países são as seguintes: no Chile, em 1989, as mulheres representavam 7,2% dos

ocupados na indústria metal-mecânica e 25% na indústria de alimentação (Agacino e Rivas, 1995 e Wormald, 1995); na Comolbia correspondiam a 14,4% dos trabalhadores da metal-mecânica em 1990 (Guterman, 1995); no México em 1988 registrava-se a mais alta proporção de mulheres empregadas na indústria metal-mecânica entre os cinco países considerados (26,2%), sendo também o único caso em que essa cifra era superior à proporção de mulheres empregadas na indústria de alimentação (22%) (Censo Industrial de 1989), o que, sem dúvida, se relaciona à sua presença na indústria maquiladora.

10 As porcentagens médias de participação feminina nos estabelecimentos pesquisados da indústria da

alimentação eram as seguintes, em ordem crescente: 12% (México), 17% (Colômbia), 32% (Argentina), 33% (Brasil) e 42% (Chile). O volume médio de mulheres empregadas nos estabelecimentos – critério importante se pensamos na disposição empresarial de estruturação de políticas de recursos humanos dirigidas às mulheres – era o seguinte: 76 (México), 123 (Colômbia), 134 (Chile), 137 (Argentina) e 397 (Brasil). No setor metal-mecânico, tanto a participação média como o volume médio de mulheres empregadas por estabelecimento eram significativamente inferiores. Em termos de participação, o único país que superava os 20% era o Brasil. Nos demais, essa cifra variava entre 7% e 12%. Chama a atenção a diferença entre esse dado e a cifra de participação feminina no conjunto da indústria metal-mecânica no caso de México (26%). Uma possível explicação é o fato de a pesquisa não ter abarcado as empresas maquiladoras da Região Norte, responsáveis, em grande medida, pela significativa participação feminina no conjunto da metal-mecânica nesse país. Em relação ao volume médio de mulheres empregadas, na Argentina e Chile esse índice era inferior a 15; na Colômbia e México, situava-se entre 40 e 80; no Brasil, era próximo a 200.

países da América Latina. No entanto, nenhum deles era conclusivo no que se refere a quais eram efetivamente as opiniões dominantes entre os empresários.O objetivo da pesquisa foi verificar quais são essas opiniões e de quais fatores dependem, assim como verificar se é possível identificar tendências gerais ou opiniões claramente majoritárias na conformação do imaginário empresarial com relação a esses temas.11

As hipóteses que a orientaram foram basicamente as seguintes.

A primeira delas sugere que, apesar das resistências dos empresários e/ou executivos a contratar mulheres terem como justificação importante o suposto maior custo relativo da mão-de-obra feminina, seu discurso se constrói em torno de argumentos que vão além dos que se poderiam definir como custos mensuráveis em termos monetários. Como se pôde verificar, tanto nesta pesquisa, como em Lerda e Todaro (1997) e também na pesquisa que serve de base à discussão realizada no próximo capítulo desta tese, em geral os empresários não contam com nenhum sistema de mensuração de custos do trabalho desagregados por sexo, a partir do qual se pudesse sustentar em termos mais objetivos tais opiniões. Por outro lado, ainda são minoria os que têm sistemas mais elaborados de avaliação do desempenho e a produtividade de seus trabalhadores e trabalhadoras.12

A segunda hipótese considera que as condições para a incorporação de mulheres à força de trabalho, assim como as percepções dos empresários a

11 Como a maioria das pesquisas até então realizadas consistia em estudos de caso baseados em métodos

qualitativos, a estratégia adotada foi a aplicação de um questionário em uma amostra representativa de 203 empresas de distintos tamanhos, localizadas em diversas regiões do país em todos os setores produtivos: agrícola, financeiro, eletricidade, gás e água, indústria manufatureira, transporte e comunicações, comércio e serviços. Além disso, foram realizadas 17 entrevistas em profundidade a uma sub-amostra dessas mesmas empresas, o que permitiu analisar aspectos qualitativos dificilmente captados por meio de um questionário fechado. A pesquisa foi realizada como parte do projeto “Inserción laboral de las mujeres: el punto de vista empresarial”, do Centro de Estudos da Mulher (CEM) de Santiago do Chile. O questionário foi auto-aplicado, modalidade que em parte modifica a estrutura da amostra. Por isso, os resultados foram ponderados segundo a estrutura por setor de atividade e tamanho do universo conhecido de empresas do país.

12 A porcentagem das empresas da amostra que contava com qualquer tipo de avaliação de desempenho é

inferior a 10% (8,6%). Era ainda mais baixa a porcentagem que media a produtividade de seus trabalhadores (6%). Em nenhum caso, a avaliação de desempenho ou de produtividade incorporava o critério do sexo do trabalhador. Entre as 17 empresas entrevistadas, só uma possuía um sistema de medição da produtividade (em função do cumprimento de metas de produção de acordo com o cargo do funcionário).

à sua maior flexibilidade para reorganizar os processos de trabalho e absorver os eventuais problemas e custos derivados da contratação de mão-de-obra feminina. A terceira hipótese é que os empresários que já contratam mulheres, ou que se encontram em setores mais feminizados da atividade econômica, tendem a adotar opiniões mais favoráveis com relação ao desempenho da mão-de-obra feminina.

A terceira pesquisa foi realizada no Brasil no final dos anos 90. Seu objetivo era analisar as condições de inserção de mulheres e negros na região do Grande ABC paulista e desenhar um experimento de políticas públicas com o objetivo de enfrentar as dificuldades para que essa inserção se desse em igualdade de oportunidades com os homens e os brancos. Além de um diagnóstico geral da situação do mercado de trabalho com base em uma amostra expandida da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) da Fundação Seade-Dieese, foram realizadas entrevistas em profundidade com os gestores públicos da prefeitura de Santo André e workshops de pesquisa-ação com gerentes e sindicalistas de empresas localizadas nos seguintes setores: automotivo, químico, bancário e de supermercados.13

2.3.1.

Imagens de gênero: as mulheres são mais indisciplinadas e

Belgede Kierkegaard'da Fideizm (sayfa 54-58)

Benzer Belgeler