Quando surgiu o SEM/RS já existia a Secretaria de Estado da Cultura (SEDAC), que havia sido desmembrada da Secretaria de Educação (a Cultura era uma subsecretaria). Coube a gestão comandada pelo PMDB implantar a primeira coordenação do sistema de museus gaúchos, em 1991.
Durante o governo seguinte (1991/1995), gestão de Alceu Collares (PDT em coligação com o PSDB), foi o período em que ocorreu um desmantelamento do Sistema Museológico Gaúcho, pois, buscando suprir a carência de professores nas escolas, foram retirados os profissionais dos museus. Estes profissionais não eram museólogos e não tinham formação em Museologia. Eram professores, técnicos ou funcionários antigos das instituições, que desenvolviam suas atividades com conhecimentos adquiridos na prática do dia-a-dia. O SEM/RS manteve-se e, com o apoio das regiões, deu continuidade ao importante trabalho já realizado até então.
No mandato subseqüente (1995/1999), no governo Antônio Britto (coligação entre PMDB e PSDB), é fundamental destacar uma descontinuidade do SEM/RS, que estava sem liderança, no ano de 1996. A saída da coordenadora (pela primeira vez uma profissional que não possuía registro de museóloga) para desenvolver um trabalho em Brasília, a pedido do governo, enfraqueceu o que havia sido realizado ao longo dos anos. Não foi nomeado outro profissional para o cargo e somente graças à coesão de alguns trabalhadores de museus fez com que não ficassem esquecidos os anseios da classe. Foi pela persistência da 1ª Região Museológica11 que o SEM/RS manteve-se em funcionamento.
No governo seguinte, o sistema museológico e a comunidade museológica gaúcha exigiram a retomada dos trabalhos. No governo de Olívio Dutra (PT – 1999/2003) destacou-se a atuação do Coordenador do SEM/RS, dando ênfase aos objetivos do órgão e trazendo melhorias aos projetos já implantados. Com apoio do SEM/RS foram criadas campanhas de fomento (Pró-Museu, através da FAPERGS), cursos e oficinas de formação profissional e várias atividades no mês dos museus,
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Esta Região se delimita geograficamente com Porto Alegre, Litoral Norte, Região Carbonífera e Vale do Rio dos Sinos.
além de uma série de ações integradas entre órgãos do Estado, da área cultural e também de convênios com outros estados e sistemas de museus de outros países.
Levando-se em conta a atuação do SEM/RS, em conjunto com o governo federal e com o governo estadual, podemos entender que o Rio Grande do Sul, mesmo tendo sido um dos primeiros estados a criar o seu sistema de museus, ainda apresenta problemas de implementação de políticas públicas. Em verdade, as ações e programas são descontinuados e esta sazonalidade reflete-se no dia-a-dia dos museus públicos gaúchos.
No governo Germano Rigotto (PMDB – 2003/2006), o SEM/RS desenvolveu uma política de parceria com o governo federal, dando continuidade às atuações anteriores, o que faz com que o Rio Grande do Sul, como já citamos, seja um referencial, na organização sistêmica, uma vez que funciona ininterruptamente desde sua criação. Cabe destacar que, além do Sistema de Museus do Rio Grande do Sul existem somente mais cinco sistemas de museus em funcionamento no Brasil (nos estados do Ceará, Paraná, Bahia, Santa Catarina e Maranhão), embora nem todos eles estejam ainda regulamentados.
As leis de incentivo à cultura são também parte de uma política importante para a área cultural. Elas foram criadas na década de 90 do século XX e hoje representam uma forma de apoio privado às instituições públicas, incentivando por meio de deduções nos impostos a captação de recursos nesta área. No nosso Estado, a Lei de Incentivo à Cultura (LIC) é um dos meios utilizados pelo governo para manter esta política. Foi criada através da Lei nº 10.846, de 19/08/1996. No âmbito federal, os incentivos se dão, atualmente, pela Lei Rouanet e outros programas de fomento, como os da Caixa Econômica Federal, BNDES e Petrobrás12.
Em 2004, foi criado pelo Decreto nº 5264/2004, o Sistema Brasileiro de Museus (SBM). Este sistema, juntamente com o recém-criado Sistema Nacional de Cultura, faz parte da política governamental vigente. O SBM vem atuando conforme suas diretrizes de ampliação e modernização de museus, dando reforço e organicidade a essa área de preservação museal. Portanto, temos, de fato, vinte anos depois da criação do Sistema Nacional de Museus, um órgão realizador de políticas museológicas. A instituição também preconiza estar em movimento e
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Todos estes programas de incentivo são fornecidos através de editais abertos em períodos determinados e que podem ser consultados no site http://www.sbm.gov.br.
construção, buscando uma museologia alinhada com o contemporâneo e que mantenha uma posição crítica e peculiar em relação à Nova e à Velha Museologia.
Figura 2: Modelo de gestão do Sistema Brasileiro de Museus
Fonte: Brasil (2006, p. 19)
Já o Sistema Nacional de Cultura, torna-se um desafio para a sociedade e deve ser prioritária a busca de transformações, um projeto de nação. Nas palavras de Célio Turino13
É pela cultura que a sociedade se afirma – de forma consciente ou não – como passiva, reivindicativa ou participativa. É com a cultura que uma nação se supera no refazer da solidariedade, no direito à apropriação de sua memória e como conhecimento da importância do seu papel transformador. (TURINO, 2005).
Não obstante aos esforços e à trajetória da área museológica no Rio Grande do Sul, observamos que os museus precisam alterar a situação em que se encontram. É necessário que se estabeleçam parâmetros mínimos de qualidade para dar conta da gestão de recursos – humanos, financeiros, materiais. A inaptidão dos operadores de museus para exercerem suas atividades precisa ser resolvida. Esperamos que as instituições que guardam a nossa memória possam observar regras mínimas de organização e pesquisa.
As políticas governamentais para a área museológica necessitam dar conta do desenvolvimento de critérios e políticas de atuação e, dentro destas, políticas de aquisição e de acervo para os museus.
Segundo Lourenço (1999), os museus constituem espaços privilegiados para produção e reprodução do conhecimento, em especial em países carentes como o Brasil, uma vez que trabalham com matéria viva e presente – a cultura material, um bem ressaltante com o qual nem sempre a escola e o ambiente familiar podem ir contra.
Sendo assim, torna-se fundamental que as “casas de memória” cumpram suas funções (aquisição, preservação, exposição, pesquisa e comunicação), buscando estar presentes na produção e difusão do conhecimento e na formação da cidadania. Atrair segmentos de públicos diversificados, ter programas variados, oferecer opções de lazer e entretenimento que sejam coerentes com suas atividades básicas. Este é o museu que se pensa ter as condições ideais de subsistir na sociedade contemporânea.