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İLKÖĞRETİMDE MÜZİK EĞİTİMİ (TÜRKİYE VE NİJERYA ÖRNEĞİ)

Belgede II. CİLT / VOLUME II / TOM II (sayfa 185-195)

O distrito do Pecém abriga belo cenário fisiográfico, constituído por belas praias com enseadas e piscinas naturais de água salgada, coqueirais, jangadas e dunas brancas, contrastando com o verde das águas do mar. Com ondas convidativas, é excelente local para a prática do surf. Atualmente a praia abriga o Complexo Industrial e Portuário conhecido pela sigla CIPP, sendo uma das principais portas de saída dos produtos exportados pelo país.

29 É espacialmente dividido em comunidades costeira e lacustre, cordão de dunas e Complexo Industrial e Portuário do Pecém – CIPP, como é possível visualizar por meio da fotografia aérea (figura 03), abaixo.

Figura 3. Imagem aérea do distrito do Pecém em São Gonçalo do Amarante, Ceará. Fonte: Google Earth, 2011.

Segundo censo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará – IPECE3, o distrito do Pecém possuía em 2010 uma população total de 9156 habitantes, dos quais 2711 em área urbana. Acredita-se que este número aumente a cada dia, decorrente dos projetos de expansão do CIPP.

A implantação do Complexo teve início bem antes de sua presença física. A sua idealização teve como ponto de partida o Projeto Áridas, realizado em 1994 pela Secretaria de Planejamento, Orçamento e Coordenação da Presidência da República, com o intuito de mapear as condições para a formulação e implementação de políticas de desenvolvimento sustentável no Nordeste semiárido.

O diagnóstico feito pelos pesquisadores a partir da investigação apontava para a importância da mudança do padrão de planejamento e gestão do desenvolvimento local no

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30 Nordeste, o que motivou a formulação de planos de desenvolvimento para os estados, dentro da concepção do desenvolvimento sustentável (ANDRADE, 2000, p.8).

O Plano de Desenvolvimento Sustentável do Ceará - PDS buscou orientar políticas e definir objetivos, sendo o objetivo síntese a melhoria de qualidade de vida dos cearenses na escala temporal de uma geração, supondo:

a proteção do meio ambiente; o reordenamento do espaço; a capacitação da população;

o crescimento da economia, geração de empregos e redução das desigualdades; o desenvolvimento cultural, científico, técnico e inovador; e

a melhoria da gestão pública.

Destacando as prioridades do governo (meio ambiente, educação, saúde, saneamento, segurança, agricultura, emprego) o plano atrela a execução destas à promoção de mudanças culturais significativas e ao avanço científico e tecnológico.

Fato interessante também é ter sido o plano elaborado já durante a campanha, como projeto de governo para a futura gestão, sendo alegado amplo processo participativo, e não consumindo, portanto, anos de administração. (ANDRADE, op cit, p.9)

Um dos carros-chefe do PDS cearense é a implantação do Complexo Industrial e Portuário de Pecém – CIPP (detalhado em tópico abaixo), devido à proximidade da capital, à profundidade próxima à linha de costa e à proximidade aos outros continentes.

3.3.1. CIPP: contexto histórico e político

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém - CIPP, localizado no município de São Gonçalo do Amarante é um projeto do governo do Estado do Ceará implementado no governo Tasso Jereissatti que foi inaugurado em 28 de março 2002. Desse modo, é pertinente ressaltar que o CIPP completa em março de 2012 uma década de existência com muitas ações de cunho social, econômico, ambiental e institucional.

31 Segundo Araújo, Freitas e Albuquerque (2009) o município de São Gonçalo do Amarante foi escolhido para a implantação do CIPP por possuir uma posição geográfica privilegiada em relação aos principais mercados de consumo internacional (Comunidade Europeia e Estados Unidos da América) no atual processo de globalização da economia e também devido à maior profundidade da água na região (16 m de profundidade a uma distância de 2 km da costa).

Freire (2003) revela que alguns projetos e ações têm sido direcionados para o CIPP visando fomentar seu processo de construção e consolidação. Percebe-se que os projetos e ações do CIPP envolvem dimensões de cunho turístico, econômico e empresarial, assim como uma dimensão política e urbana e ainda uma dimensão ambiental e institucional.

Porém, é inegável que boa parte das ações constituídas visa o efetivo crescimento da economia cearense sem uma preocupação mais direta com os fatores ambientais e os processos de distribuição de renda, especialmente no que se refere à sociedade de São Gonçalo do Amarante com destaque para os moradores do distrito do Pecém. As ações do governo estadual implicam em grande crescimento econômico e político, mas com grande degradação ambiental que promove o agravamento de problemas sociais. Araújo, Freitas e Albuquerque (2009, p. 3) levantam o questionamento sobre a natureza e magnitude dos impactos socioambientais relevantes sofridos de fato pelas populações mais vulneráveis nesta localidade.

Com efeito, entende-se que os impactos ambientais podem ser inseridos aos mais diversos setores sociais, tais como: agricultura, comércio, pesca artesanal, dentre outros. Como exemplo Araújo, Freitas e Albuquerque (op cit, p. 8) afirmam que os impactos socioeconômicos sobre os pescadores a rtesanais abrangem as va riáveis demográficas, sociais, econômica s e ambientais, tendo como ba se a percepção dos pescadores frente aos prováveis impactos decorrentes da implantação do CIPP.

Assim, acredita-se que a implantação do CIPP tem promovido problemas referentes às questões demográficas, sociais, econômicas e ambientais, o que tem causado prejuízo direto as comunidades do entorno do complexo portuário.

É interessante afirmar também que se a implantação do CIPP promove desenvolvimento econômico para o Estado esperam-se como consequência investimentos maiores e melhores planejados em questões vitais, como saúde, educação, habitação, entre outros, visando conciliar desenvolvimento econômico com desenvolvimento social.

32 Em outras palavras, assim como o ambiente físico, os atores sociais são tanto os que sofrem influência direta, ou seja, vivem no distrito, como os que sofrem influência indireta, que vivem na região impactada pela dinâmica do distrito. Sobre estes, se destacam os diversos estudos (IDACE, 1997; PICANÇO, 2006; BRISSAC, 2008; MEIRELES et al, 2009) que detalham o forte embate entre a etnia indígena Anacé contra a expansão do CIPP, claramente detalhada por Nóbrega & Martins (2010) na afirmação:

os conflitos que envolvem a construção do CIPP e os Anacé não são apenas sobre a posse ou propriedade de um dado território, mas situam-se, principalmente, no campo do simbólico, da definição de modelos de desenvolvimento e de projetos de futuro, nas formas de produzir e gerir os recursos naturais.

Com relação aos Anacés, foi instituído pela Fundação Nacional do Índio - FUNAI, por meio da Portaria nº 1.035, de 21 de julho de 2010, um Grupo de Trabalho com a ―finalidade de realizar estudos de natureza etno-histórica, antropológica e ambiental necessários à identificação e delimitação da área de ocupação tradicional do povo Anacé, situada nos municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia, no estado do Ceará‖. Até o momento esse estudo não foi concluído e, portanto, a área ocupada pelos Anacés ainda não foi quantificada e delimitada.

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