• Sonuç bulunamadı

prurido)

1 10,0

2

4,7

-

-

-

-

2

2,3

“Estou esperando”

4 40,

0

9 20,1 4 23,5

5

27,8 22 25,0

Dispareunia ( sexo

doloroso)

-

-

2

4,7 1

5,9 -

-

3

3,4

Tontura, ansiedade

-

-

1

2,3 1

5,9

1

5,6

3

3,4

Irritabilidade,

nervosismo

-

-

4

9,3 1

5,9 -

-

5

5,7

Esgotamento físico e

mental

-

-

2

4,7

-

-

1

5,6

3

3,4

Problema no útero

-

-

2

4,7 1

5,9

-

-

3

3,4

Fonte: Campo de Pesquisa

Como se vê Tabela 4, as mulheres vinculadas ao Programa da

Maternidade Escola apresentam um leque de sintomas maior do que as demais. Constatação que nos levou a buscar uma explicação para essa particularidade. Assim, concluímos que várias queixas, tais como, dores ósseas e articulares, cefaléia, obesidade e “problemas de menopausa” ( não especificaram o tipo de problema ) estavam, na verdade, relacionadas a doenças como diabetes,

hipertensão, insuficiência cardíaca, hipertireoidismo, hipotireoidismo, entre outras.

Percebemos que “Sem sintomas” e “Estou esperando” possuem percentuais que somados chegam a 72,7% e que os “Fogachos”, o sinal mais aceito como característico das mudanças hormonais, não ultrapassou 13,6%. Seguido de “Problemas de menopausa” (3,4%) não especificados.

Investigando-se as circunstâncias da incidência das doenças e sintomas podemos reduzir ainda mais os problemas considerados como decorrentes da diminuição dos hormônios. Observa-se que algumas doenças como, obesidade, nervosismo e estresse são atribuídas tanto à idade quanto ao estilo de vida. As mulheres que mais queixas apresentaram foram aquelas que sofrem de doenças crônicas degenerativas. Já aquelas cujas queixas estavam relacionadas ao útero ou ovário eram portadoras de HPV (Human Papiloma Vírus). Desta forma, podemos inferir que o risco de adoecer e, portanto, de apresentar sintomas considerados como próprio do climatério é maior nas mulheres que têm problemas de doenças pré-existentes e, também, estão expostas ao estresse. Os depoimentos de algumas mulheres permitem-nos constatar, com clareza, a relação existente entre os anúncios do climatério e as particularidades de suas trajetórias e outros problemas de saúde.

Eu digo que meus problemas é porque eu não menstruo mais, mais eu acredito que seja, também, devido meu sofrimento” (MEJC, 43).

Gastei todo meu talento cuidando dos outros. Quando eu tinha nove anos minha mãe morreu e eu tive que cuidar do meu pai e de meus irmãos. Cheguei até a ficar doente dos nervos... hoje tô acabada mais não é da idade não, é da luta” (MEJC. 37).

Calor. Agora tô melhor. Artrite nos cotovelos, dor nas pernas, nos quartos. É por isso que as médicas dizem isso (que é da menopausa) e mais porque a pessoa não tem marido, aí mexe com a pessoa. Sei lá...(MEJC, 9).

Algumas pesquisas realizadas nos Estados Unidos concluíram que 10% das mulheres norte-americanas não apresentam nenhum sintoma da menopausa; 80% percebem alguns sinais e apenas 10% têm “sintomas” incômodos e

precisam de ajuda para enfrentá-los (VIVALDI, 1996; MARKHAM, 1998). Por sua vez, a endocrinologista espanhola Carme Valis Ilobet ( apud VIVALDI, 1996)

afirma que 70% das mulheres do seu país, com mais de 45 anos de idade, apresentam “sintomas” típicos das mudanças biofisiológicas do climatério, destacando-se os fogachos e as dificuldades respiratórias. Outros “sintomas” destacados pela endocrinologista e que, segundo ela, tem relação com a diminuição e o desequilíbrio hormonal são as mudanças no ritmo cardíaco, secura e prurido na pele, secura vaginal e dos olhos, aumento de peso, aumento dos lipídios no sangue, entre outros. Entretanto, ela não considera, como fazem outros autores, que a insônia, a irritabilidade, a depressão e a ansiedade sejam decorrentes da diminuição do nível dos hormônios feminino, e sim, que são causados pelas condições de vida, doenças crônicas ou outros problemas de saúde. Nesta mesma direção caminha Helman (1995), quando afirma não haver uniformidade no modelo biomédico quanto à especificação do que seriam os “sintomas” do climatério e da menopausa. Ressalta ainda esta autora, que o modelo biomédico tem privilegiado os sintomas que são mais facilmente tratados com a TRH (Terapia da Reposição hormonal) e não outros.

As conclusões a que chegaram essas pesquisas servem para reforçar o que vimos sempre sugerindo neste estudo, ou seja, que devemos falar preferencialmente em “sinais” e não “sintomas” do climatério, posto que muitos dos “sintomas” reais nada têm a ver com as mudanças hormonais dessa fase da vida feminina. Acreditamos, também, no caso do universo pesquisado, que a ênfase no termo sintomas, constatados tanto junto às profissionais quanto junto às usuárias deve-se às particularidades da organização do conteúdo de suas representações em torno dos campos semânticos velhice/doença. São esses elementos centrais que, como já falamos anteriormente, orientam a construção de novos sentidos e a incorporação de novos elementos ao conteúdo representacional predominante. Da mesma forma, é a articulação desse conteúdo representacional com as estruturas cognitivas que “inscrevem duradouramente nos corpos” o poder masculino, como enfatiza Bourdieu (1999, p. 52), que está na base da produção da crença de que é a mulher quem adoece mais. Durante as entrevistas, quando perguntávamos sobre quem adoece mais, a partir de 45 anos, e quem aparenta ser mais velho nesta idade (o homem ou a mulher?) quase todos as mulheres respondiam automaticamente “é a mulher” e justificavam dizendo: a mulher tem mais responsabilidades, trabalha mais, tem menstruação, tem filhos, cuida da casa, dos filhos e do marido, tem mais partes, tem mais preocupação, tem muitos problemas, é mais “puxada”, é mais doente, tem a menopausa. Observe-se que não se faz aqui nenhuma associação entre um agente vivo ( vírus, bactéria, bacilo, entre outros.) e o processo de instalação

de uma doença. Quase todas as respostas estão associadas a aspectos socialmente construídos, portanto vinculados a uma divisão social de tarefas e papéis fundadas na desigualdade de gênero. É a mulher quem se vê obrigada a cuidar da casa, dos filhos e do marido e, em muitos casos, ser, também, provedora do sustento familiar. Como mostra a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, no Brasil, uma em cada quatro famílias é chefiada por mulheres. Realidade que não representa nem uma conquista feminina, nem a sua emancipação, mas, pelo contrário, a “desagregação da família” e a “feminização da pobreza” (IBGE,2000).

Não é perceptível ao senso comum o fato de que são os homens que estão mais predispostos aos fatores de risco, em decorrência da “liberdade” que lhes é oferecida pelo poder masculino. O poder de desfrutar a vida com mais liberdade do que a mulher termina por colocá-los em situações com muito mais riscos para a saúde. Como afirma Helman (1995, p. 163), dependendo da cultura, os homens são estimulados a ingerir mais bebidas alcoólicas, a fumar mais e a correr mais riscos diários através das práticas esportivas e das provações públicas de virilidade e de machismo. Espera-se que o homem seja forte diante da dor, principalmente a dor psicológica ( “homem não chora” ), mas ao mesmo tempo, acredita-se na sua incapacidade para suportar a dor provocada por uma doença – uma dor vinda de dentro do corpo, como a dor do parto. Essa ambigüidade cultural entre força e fraqueza masculina traz prejuízos para os homens, pois os afasta dos serviços de saúde, dos exames preventivos, como também leva muito profissional da saúde, mais especificamente da medicina, a não considerar as queixas dos homens como indicadoras de uma doença e, muita vezes, de uma doença grave.

6.4 – A assistência e educação para a saúde da mulher no

Benzer Belgeler