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2. KURAMSAL BİLGİLER VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

2.8. İlgili Araştırmalar

A capa da edição Summer/Autumn 2007 traz uma foto do editorial de Nick Knight sobre a coleção de John Galliano e o título “Gods and Monsters”, e um subtítulo para anunciar a coleção “New Extremes”. Estes novos extremos são ilustrados pelas duas fotos que dividem a página de abertura do editorial.

No alto, o homem rude, sério, com barba por fazer tira uma malha grossa de lã. Abaixo, um outro homem veste uma jaqueta de vinil com enorme capus e ombreiras e usa maquiagem feminina nos olhos. As duas fotos em preto-e-branco são complementadas pelo seguinte texto: “It jerks out of me / Like blood / In this still life / Heart beats up Love / The light, the light puts out of me”. Na página seguinte começa o editorial.

Em “Fotografi as para Vladimir Mayakovsky (1893-1930)”, de Bruce Weber, com produção de moda de Joe McKenna, o modelo tem a cabeça raspada e o olhar marcante, como o de Mayakovsky. As fotos são em preto-e-branco e aparecem palavras de uma poesia, assim é constituído o editorial. O casaco e a calça contrastam com a montanha branca e o céu nublado. Um homem que escorrega ao chegar ao topo sobressai entre o preto e o branco da montanha. Depois há dois closes, o modelo fuma e parece não nos ver. Outra foto, com fundo colorido, traz um painel de operários na fábrica e uma foto em preto-e-branco distorcida do modelo, ele parece transtornado. Na imagem seguinte, o vemos em pé, a olhar para a câmera, e pode-se ver partes de seu tronco e tatuagens em seu braço. Ao lado, em uma foto em que o modelo lê há um poema escrito sobre a foto da montanha branca. Mais fotos “dele” caminhando, mexendo na terra. Ele lê um livro em russo e a página seguinte é tomada por uma fotografi a de 1895 de um menino. Na última imagem a montanha branca se torna vermelha, o modelo está sem camisa e o vemos de costas, partindo.

Outro editorial poético, desta vez do fotógrafo Willy Vanderperre e do produtor de moda Olivier Rizzo, “Baby doll boy”. Num estúdio, o foco aponta para um jovem curvado sobre seu tambor. Sentado em um pequeno banco ou deitado com o tambor entre as pernas ele é uma criança. A seqüência de fotos o mostra com uma capa de couro, em outra imagem ele parece muito mais velho do que é e se veste todo de couro, surgem outras fotos com o tambor. Ao fi nal, a luz se acende no cenário, o modelo está sentado no mesmo banco com as pernas para o lado parecendo uma menina saída de um fi lme dos anos 40, com as mãos no bolso do seu casaco esperando o que o destino lhe reserva. Este editorial pode ser visto como dois grandes medos do homem: ser uma criança, no sentido da insegurança e da dependência, e ser a mulher enquanto o

oposto do gênero, o que o afastaria do seu “bando”.

Um outro editorial, “Batty boy” (garoto maluco), “batty” também é relativo a morcego, com fotografi a de Solve Sundsbo e produção de moda de Katie Grand, dois homens mais maduros são retratados em preto-e-branco com roupas que criam um novo corpo, ombros imensos fazem desaparecer o pescoço e usam estranhos arranjos na cabeça. Eles estão muito maquiados, com base, blush, sombras e cílios postiços. A maquiagem não esconde seus traços masculinos e esses corpos remodelados, graças a ombreiras de futebol americano por debaixo

de todas as peças, brigam com os sapatos altos e as unhas pintadas. Suas fi guras nos remetem a algo além do travestismo, parecem querer nos confundir: “Afi nal o que eles são? O que representam?” Causam-nos a sensação de não sabermos como qualifi car, uma angústia de não saber como decifrá-los. “No fi nal do século XX, apesar ou talvez porque depois de 100 anos de debate sobre igualdade sexual, identidades de gênero continuam a estar em mudança mantendo sua obscuridade, com a moda representando a subversão de ambos: masculino e feminino” (Arnold, 2001: 99). O que poderia ser desconcertante na nossa sociedade? O que é desconcertante no conceito de masculino? Certamente o que não podemos colocar em gavetas, o que nos confunde na hora de colocarmos em pastas, em arquivos, o que não é “nem isso nem aquilo”. Diante de tantas imagens, não se pode falar realmente de um homem, e fracassamos quando tentamos dizer o que é o seu universo, porque não há um só universo. Ainda que, para o bem de muitas estruturas sociais e políticas, facilite tanto essa forma de documentação, ela se perde e não consegue exaurir todas as possibilidades. Se ao assitir televisão e ler os grandes jornais tudo se pareça, ao “chegarmos mais perto” não há semelhança, há possibilidades de conexões entre os diferentes. Não há um homem e a moda aponta tipos que podem estar apenas em nosso imaginário, e fora de um estúdio ou de uma produção de moda eles talvez tenham sido materializados apenas no teatro, na literatura ou no cinema.

A moda não uniformiza, ela aponta várias possibilidades e mesmo um dos milhões de homens do planeta pode ser vários homens em um dia só e a moda o ajudará nesse plano. “Identidade e moralidade estão se tornando cada vez mais fl uidas, mudando a própria consciência e desmantelando as normas existentes. A moda, como o mais instantâneo e mutável aspecto da cultura visual, contém um microcosmo de ideais fragmentados, lançando algumas vezes desconfortáveis e desagradáveis luzes nas contradições da cultura ocidental, nesta difícil relação do corpo com os desejos e insultos” (Arnold, 2001: 124).

No projeto de Katie Grand, “Vinte e quatro horas, vinte e quatro homens, no corporate suits, um milhão de esperanças e sonhos”, publicado na edição Inverno 1998, para cada hora do dia há uma imagem elaborada por um fotógrafo diferente. A cada hora, um olhar retratando uma cena do cotidiano ou um personagem ou um sonho. Do meio-dia de um homem dono-de-casa (househusband), em foto de Liz Collins, ao caçador de borboletas às 13 horas, de Lee Jenkins. Da monotonia de um corredor a apresentação de um engulidor de fogo, o projeto trata do inesperado de cada minuto na vida de um homem. Ações que são o fi o de uma longa história, como “O escravo sexual”, de Robbie Furze, às 16 horas, ou “O padre”, de Andrea Giccobe. As seqüências remetem aos papéis de voyeurs e nos surpreende a infi nidade de fatos, de sentimentos, de atos inesperados que podem acontecer a qualquer momento. Diante de todas essas possibilidades, o homem diante do espelho não pode ser mais uma história entediante e previsível. Um pouco do que sabemos sobre este homem são os editoriais de moda que nos contam.