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O editorial “Diamond Geezers”, de Elaine Constantine, traz o ator inglês John Thomson representando vários estereótipos que poderiam ser chamados de “atos heróicos do cotidiano”.

O bom moço que salva o gato das velhinhas; o treinador de um time de futebol de crianças; o parteiro na beira da estrada; o segurança de um grande ídolo infantil e, por último, a foto em que o ator está apartando uma briga entre dois travestis.

Em todas as cenas está a possibilidade de cada homem ter seus momentos de herói. Ao contrário do super-herói, do musculoso ou do jogador de futebol, os homenageados neste editorial são os homens que levam vidas sem grandes acontecimentos. As fotos apresentam fl ashes do cotidiano de qualquer cidade e representam momentos especiais, que podem dar sentido a uma vida entediante, sem novidades ou expectativas. Representam momentos em que assumimos o papel que esperamos ser de um herói. As boas ações aqui substituem os grandes feitos e o reconhecimento não aparece nos jornais da TV, mas, ao contrário, podem passar despercebidos, porém transmitem, mesmo que por alguns instantes, coragem, poder e determinação, características nem sempre associadas aos comuns mortais.

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nome vinculado a vários produtos, também aparece em editoriais de moda. Sua fi gura foi associada ao termo “metrossexual” pela ousadia do estilo de vestir, por gostar de “extravagâncias”, como unhas pintadas e cortes de cabelos “ousados”.

Para qualquer criança o primeiro herói é o pai, e este, parece ser o ponto de partida do editorial “Father Figure”, com fotos de Paul Wetherell e produção de Paul Sinclaire. As roupas usadas são pretas e brancas, o que pode signifi car uma referência à tradição e ao passado. Logo na primeira foto pai e fi lho são apresentados com paletós e calças pretas e camisas brancas, eles se vestem da mesma maneira, porém no jovem a gravata preta é substituída pelo laço que sai da camisa branca, apontando um fator desviante. Na segunda foto o pai está no escritório, ainda com a gravata preta, o fi lho está em frente a um muro de pedras e usa camisa branca e jeans preto. Nas fotos seguintes pai e fi lho estão em um parque, ambos posam brincando, ele de paletó preto e jeans e o fi lho com uma camisa de manga muito comprida simulando um braço gigante. Estas fotos podem nos remeter à infância quando pais e fi lhos estão mais próximos, e suas posturas também remetem a desenhos animados. As duas últimas fotos têm o céu como fundo, símbolo do infi nito, do futuro. O pai, de paletó e gravata, posa de forma clássica, com um leve sorriso, e o fi lho, de paletó e sem gravata, faz com os dedos um sinal de “ok”.

A imagem do pai está ligada àquele que assume os encargos fi nanceiros da moradia, da alimentação e da educação dos fi lhos, ainda que tais responsabilidades representem grande esforço, não são sufi cientes para representar a fi gura do herói. Neste editorial, a escolha da roupa preta e branca representa um território formal, sem grandes inovações – as peças usadas são clássicas, sem grandes surpresas.

Na única foto em que pai e fi lho estão juntos não parece haver entendimento. O velho parece falar sem ser ouvido pelo jovem. Nas outras fotos, em que estão separados, o clima é mais alegre. Isso talvez represente que a fi gura do pai se aproxima do herói no campo da idealização.

Complementando o ensaio de fotos, há uma matéria de Gareth Gundy “Pais nos cinemas: os trinta tops”. O cinema está repleto de personagens que representam os

pais heróis e a matéria escolhe alguns deles. Além de Marlon Brando em O poderoso

chefã chef

chef o (1972) e Dustin Hoffman em Kramer vs. Kramer (1979), a matéria homenageia

os desenhos animados O rei leão (1994) e Pinóquio (1940), entre outros. O texto que abre a matéria fala desse herói do cotidiano e também da indústria do cinema: “Eles criaram vocês. Eles nutriram vocês. Eles protegeram vocês dos monstros assassinos das noites. Pais são sempre grandes amigos, mas em Hollywood eles precisam ser super-homens”.

1.12 “A salsa”

No último editorial, “A salsa”, com fotos de Mikael Jansson e moda de Karl Templer, a fi gura do herói segue dois caminhos que se cruzam: o latino e a sedução.

O “amante latino” ganhou força com Rodolfo Valentino. O ator que nasceu em 1895, “mudou- se da Itália para os Estados Unidos em 1913 e, depois de dançar profi ssionalmente nos cafés de Nova York, em 1927, aventurou-se na Califórnia. Em 1921, como o herói playboy em Os quatro cavaleiros do

apocalipse, tornou-se o maior latin lover das telas, a versão

masculina da mulher fatal. O

Sheik (1921) selou para sempre

sua imagem de sedutor” (Bergan, 2007: 20).

A “versão masculina da mulher fatal” representa outra face do homem, diferente da imagem apolínea, em que a força da sedução não está nos músculos, mas em tudo aquilo que o cinema sabe tão bem valorizar: o olhar, a beleza do rosto, a força gestual. Rodolfo Valentino depois de um século representa o homem galante, que envolve a mulher em seus braços e que a deixa loucamente apaixonada. Representa, portanto, um herói, pois materializa o sonho de muitos homens. É dono de uma energia que muitos homens tentam demonstrar, mas nem todos podem por não possuí-la.

Este editorial da Arena Homme Plus, nos leva a um salão de baile onde se dança aos ritmos latinos, especialmente aqueles relacionados a grandes emoções, músicas carregadas de sentimentos, como paixão, conquista, desespero da falta e da perda. Os modelos aparecem suados, suas expressões são de perplexidade quando não estão nos braços da mulher amada, que no ensaio é representada por uma modelo da qual quase não se vê o rosto.

Entre passos de dança, olhares desenganados e disputa, representada por dois homens lado a lado, o editorial apresenta um homem herói, porém frágil. A literatura, a música e o cinema nos mostram que mesmo o mais forte e corajoso dos homens quando envolvido num romance se “desarma” e se torna um herói caído. Talvez por isso, este editorial tenha sido escolhido para fechar esta edição sobre heróis, pois se aproxima deste homem que hoje assume seu romance e se vê ameaçado pelo poder feminino.

Ser herói pode deslocar o homem de uma situação confortável, pode mexer com todas as questões comumente abafadas, nos levando à perplexidade ou, no mínimo, à refl exão. A última página da revista traz novamente a imagem de um leão e o texto: “O governo adverte: heroísmo pode causar danos a sua saúde”.

A Imagem nas Revistas de