I. BÖLÜM 1
2.3. İlgili Araştırmalar 32
Em todas as edições do Jornal extra-classe observamos imaginários ligados ao trabalhismo e ao sindicalismo. Também apareceram imaginários sociodiscursivos ligados à responsabilidade socioambiental e à defesa dos movimentos sociais.
Os imaginários trabalhistas e sindicalistas veiculam assuntos associados a questões político-econômicas de esquerda. Destacam-se as atividades do sindicato em relação à luta pela melhoria das condições de trabalho dos professores, aumento salarial e direitos trabalhistas de um modo geral. Identificamos tais posicionamentos por meio de enunciados tais como:
Muito além das escolas, percebemos que em boa parte das empresas, o discurso da ‘crise capitalista mundial’ chegou antes das possíveis perdas. Empresários de vários setores da economia tentaram, no apagar das luzes de 2008, impor medidas draconianas contra os trabalhadores [...]. Essa pressão ocorreu até mesmo no setor privado da educação superior, que cresceu 36,1%, entre 2002 e 2007, segundo dados do Censo de Educação Superior de 2007, do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Escolas começaram, apesar do lucro, a atrasar salários por causa da ‘crise’. Esse cenário de desrespeito levou professores do Sinpro Minas a se mobilizarem pela luta em prol dos direitos trabalhistas e em defesa da educação. (Jornal Extra-classe, mar. 2009, p. 2).
Acreditamos que esse discurso referente ao trabalhismo busca demarcar as diferenças entre as duas categorias: trabalhador e empresário. Verificamos as seguintes características dadas pelo Se a estes dois grupos. Trabalhadores: pressionados, desrespeitados, defensores da educação. Empresários: pressionadores, desrespeitadores, defensores dos lucros das escolas. Percebemos, em editoriais como esse e em artigos, um discurso político imiscuído no discurso jornalístico polêmico.
Permeando o discurso trabalhista neste periódico, há também subtemas que remetem aos discursos de defesa das minorias e dos movimentos sociais.32 Essa
observação pode ser verificada por meio dos seguintes enunciados:
Para ampliar as discussões em torno das questões de gênero, diretores do Sinpro Minas participaram, nos dia 13 e 14 de março, do VI Seminário de Gênero [...]. O evento [...] debateu temas como a conquista da cidadania feminina, a mulher na América Latina, a promoção do direito sexual e reprodutivo [...]. (Jornal extra-classe, mar. 2009, p. 4).
O Brasil tem em sua história as marcas de um passado de escravidão e luta pela liberdade [...]. No entanto, essas e muitas outras lutas posteriores não foram suficientes para reduzir a desigualdade e o preconceito, que também chegaram na escola. (Jornal extra-classe, out. 2009, p. 12).
Em apoio à defesa das minorias, as fotos ilustram as lutas destas classes e a participação do sindicato em manifestações públicas como mostram as imagens abaixo:
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Lessa (2009) contrasta imaginários associados à esquerda ao longo do tempo. Neste trabalho, o pesquisador, baseando-se em Boaventura S. Santos, mostra como o discurso e a ação da esquerda, na contemporaneidade, passou a defender outras lutas além da luta trabalhista, classista, ou seja, incorporou as reivindicações que Boaventura S. Santos chama de “Novos Movimentos Sociais”, como o MST, o movimento feminista, os movimentos pela igualdade racial e sexual. Segundo Lessa, a reflexão de Boaventura aponta para uma conceitualização da esquerda que pode ser denominada de “radicalmente democrática”, pois defende uma “democracia participativa, radical em contraposição a uma democracia simplesmente representativa. Os “Novos Movimentos Sociais” representam o surgimento de uma emancipação anti-hegemônica, a formação de um paradigma emergente da emancipação, a criação de uma nova esquerda.
Figura 81 – Jornal extra-classe, mar. 2009, p. 4
Figura 82 – Jornal extra-classe, out. 2009, p. 12
Cremos que tais imaginários sociodiscursivos amparam-se no saber de crença de opinião, demonstrando as ideias que defendem a luta pela igualdade de direitos nas questões de gênero, raça e classe sócioeconômica.
O posicionamento ideológico do enunciador, marcado pelos imaginários trabalhistas, sócioambientalistas e de defesa das minorias estão não só nos editoriais, notícias e reportagens, como no discurso relatado dos entrevistados. Todos os convidados para entrevistas pingue-pongue são intelectuais, políticos e economistas, como o sociólogo e professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Emir Sader, o economista Marcio Pochmann – presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o político Nilmário Miranda – ex- ministro da Secretaria Especial de Direitos Humanos e o escritor Leonardo Boff, que se pronuncia a respeito da questão ambiental:
O modelo até hoje de produção, de consumo, a relação que tínhamos com a natureza não pode continuar porque a Terra não agüenta as devastações que, devido ao aquecimento, poderão ser de magnitude trágica. (Jornal
extra-classe, mar. 2009, p. 7).
Também os imaginários ligados aos discursos ambientalistas baseiam-se no saber de conhecimento científico que aponta ser preciso preservar a natureza para que o homem possa sobreviver na Terra. Isso porque há mecanismos de verificação e comprovação desse fato, por meio de inúmeras pesquisas que comprovam
questões ligadas à ação devastadora do homem sobre a natureza como o desmatamento, a poluição do ar, da água, etc.
4.3.5 Análise dos ethé
Para verificarmos os ethé projetados pelo Sc, Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais, observamos os procedimentos discursivos e linguísticos do modo de organização enunciativo e descritivo, conforme mostramos. Após essa identificação, passamos à análise dos imaginários em que o enunciador se alicerça para a construção de sua imagem no discurso. Uma vez que percebemos neste periódico imaginários e assuntos ligados principalmente ao discurso trabalhista, de esquerda, socioambiental e de defesa dos movimentos sociais, como vimos na seção anterior, podemos dizer que as estruturas de saberes de crença e de conhecimento que sustentam esses discursos remetem ao ethos de credibilidade, por meio da competência e da responsabilidade socioambiental, e ao ethos de identificação, por intermédio da cidadania e da solidariedade. Na matéria de quase uma página dedicada à informação sobre a campanha salarial que estava começando em 2009, a projeção do ethos de credibilidade/competência do sindicato parece-nos aparente logo no primeiro parágrafo.
Em 2009, O Sinpro Minas faz uma campanha salarial fundamental para garantir as conquistas dos professores com valorização, principalmente num momento de mudanças na economia global. (Jornal extra-classe, mar. 2009, p. 3).
Por intermédio desse enunciado percebemos que a credibilidade do Sinpro, em termos de representatividade trabalhista, está ligada não só à identidade social do Sindicato do Professores, como também à discursiva. Isto porque a identidade discursiva permite ao Sinpro tornar-se digno de crédito sob a verificação de que seu discurso é condizente com o que o sindicato pensa – o que corresponde à sinceridade e transparência – e com as condições de colocar em prática o que divulga, ou seja, a eficácia e a performance. A foto que ilustra esta matéria nos parece reforçar a credibilidade da organização, por meio de um cartaz confeccionado especificamente para a campanha de valorização do professor.
Figura 83 – Jornal extra-classe, mar. 2008, p. 3
Verificamos no título da matéria acima, “Categoria supera argumento de crise e luta pela valorização”, uma nominalização que torna implícito um outro ponto de vista combatido pelo Se. Isso enfatiza que esse house organ possui, como característica de sua discursividade, a polêmica, uma marca do seu contrato de comunicação.
No trecho a seguir, a notícia destaca no título “ Direito à moradia digna motiva ocupações nas cidades”, observamos a projeção do ethos de identificação/ solidariedade do Sinpro em termos de suas convicções sobre o problema das minorias e dos movimentos sociais, aqui representados pelos “sem teto”:
Para transformar essa história, os movimentos sociais promovem
ocupações organizadas em terrenos abandonados. ‘A Ocupação está para
os sem casa como a greve está para os trabalhadores, ou seja, para conquistar direitos. Ocupação é uma forma de pressionar os governantes a fazerem a reforma urbana’, aponta José Lana, membro do Fórum de Moradia do Barreiro. (Jornal extra-classe, jun. 2009, p. 9).
Vemos no enunciado supracitado “para conquistar direitos”, o signo-sintoma do imaginário de uma esquerda moderna, como falamos anteriormente.
Figura 84 – Jornal extra-classe, out. 2009, p. 9
Quanto à dimensão técnica dessa imagem, verificamos o ponto de vista da foto que designa um local real, apesar de não identificado, que sugere ao leitor um lugar inadequado para a moradia de uma família, com barracões mal construídos em rua sem pavimentação, o que justificaria a solidariedade do sindicato com a causa dos sem teto.
Já o parágrafo abaixo, que narra a cobertura de um evento sobre os 30 anos da Lei da anistia no Brasil, parece-nos evidenciar o ethos de identificação do Sindicato em relação ao seu posicionamento de esquerda, como uma organização cidadã.
‘Temos aqui mulheres símbolos da resistência a um regime em que a liberdade política estava cassada. Acreditamos que as histórias singulares dessas combatentes precisam ser lembradas sempre, porque elas fazem parte da história do país’, disse a diretora do Sinpro Minas, Lavínia Rodrigues, em referência as mulheres homenageadas em evento realizado no auditório do sindicato, no dia 21 de agosto. (Jornal extra-classe, out. 2009, p. 6).
Também essa matéria parece ser comprovada pela fotografia seguinte tirada no evento, onde aparecem as mulheres que lutaram contra a ditadura militar no Brasil.
Figura 85 – Jornal extra-classe, out. 2009, p. 6
Boa parte das matérias aborda a preocupação do Sinpro Minas com o meio ambiente e isso remete ao ethos de organização socialmente responsável. Uma notícia de quase uma página do jornal extra-classe narrou o resultado da 15ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-15), realizada em dezembro de 2009, na Dinamarca, intercalando comentários de membros do sindicato.
Segundo o diretor do Sinpro Minas e secretário estadual de Meio Ambiente da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), Marco Eliel de Carvalho, a discussão econômica serviu como escudo para o não cumprimento dos países com as metas de redução da emissão de CO2 (Jornal extra-classe, fev. 2010, p. 12).
Figura 86 – Jornal extra-classe, fev. 2010, p. 12
Também nessa matéria, intitulada “COP-15 mobilizou governos e sociedade para discutir o clima”, vemos o imaginário da participação cidadã, da mobilização, conforme uma esquerda radicalmente democrática. Nesse caso, percebemos a junção da democracia participativa (popular) e a representativa (o governo).
Em relação à dimensão técnica da fotografia, que acompanha a referida matéria, percebemos o close no presidente do Sinpro MG, discursando para os participantes da manifestação pública sobre o COP-15, em Belo Horizonte. e liderando a mobilização das pessoas em torno da questão ambiental. Parece-nos que a foto atua como estratégia de presentificação, ou seja, o próprio representante dos professores não só está presente no ato público, como fala para todos os participantes do evento a respeito da Conferência sobre a mudança do clima mundial.
O ethos de humanidade também aparece em matérias como a que mostra a ajuda do Sinpro Minas aos sobreviventes do terremoto no Haiti, ocorrido em 2009.
Sensibilizado com a situação de extrema miséria do povo haitiano, o Sinpro Minas incentivou a criação do Comitê Mineiro de Apoio ao Haiti, lançado no dia 29 de janeiro, com o objetivo de arrecadar donativos para os sobreviventes do terremoto que necessitam de ajuda para garantir as mais elementares condições de vida. (Jornal extra-classe, fev. 2010, p. 2).