2. SERBEST ZAMAN ETKİNLİKLERİNİ HAZIRLAMA
2.1. Serbest Zaman Etkinliklerinin Planlanıp Uygulamasında ve
2.1.1. İlgi Köşelerinin Planlanıp Uygulanmasında ve Değerlendirilmesinde
O estudo da prática argumentativa remonta à Grécia antiga, período em que os Sofistas ensinavam técnicas para a prática do debate público. Entretanto, os estudos sobre argumentação só foram organizados e sistematizados teoricamente a partir da contribuição de Aristóteles, o que se tornou a base para seus sucessores até os dias atuais: suas obras ainda hoje norteiam os trabalhos sobre argumentação e retórica.
Aristóteles, em suas obras, diferenciou três tipos de discurso argumentativo:
1) o discurso demonstrativo ou científico, também conhecido como analítico, é aquele que busca a verdade apoiando-se em premissas verdadeiras, cientificamente demonstráveis e que chegam a conclusões também, e necessariamente, verdadeiras (episteme);
2) o discurso dialético, aquele que parte de premissas prováveis para chegar a uma conclusão também provável; aqui os argumentadores estão menos certos acerca da verdade das premissas; elas são aceitas pela maioria das pessoas ou por aqueles considerados sábios (endoxa); 3) e o discurso retórico, aquele que tem por objetivo a persuasão do auditório. Suas premissas são formuladas a partir de ações presentes no cotidiano humano, lugares comuns e crenças vigentes na comunidade. Essas premissas são aceitas, por se apoiarem na crença popular (doxa).
Além desses três tipos, Aristóteles considerava ainda a argumentação falsa ou contenciosa, que difere das outras por se apoiar em premissas que só aparentam ser amplamente aceitas, que são errôneas ou falsas, falácias.
Para diferenciar esses tipos de discurso da esfera argumentativa, Aristóteles propõe dois critérios: a função e o contexto.
1) De acordo com o primeiro critério, o discurso demonstrativo, ou lógico, é aquele cuja função é demonstrar uma conclusão verdadeira; a função do discurso dialético é chegar a conclusões prováveis sobre questões específicas e a função do discurso retórico é a persuasão do auditório;
2) De acordo com o segundo critério, o discurso demonstrativo é aquele que se apresenta no contexto do ensino de uma ciência, orientado objetivamente para a apreensão de determinado conteúdo; o discurso dialético aparece no contexto de debates sobre ideias divergentes, em que, por meio de diálogo − perguntas e respostas, entre orador e interlocutor, o primeiro busca argumentar de forma a convencer o outro ou a chegar a um ponto em comum; e o discurso retórico, é aquele dirigido para o grande público (assembleias, multidões), um monólogo em que o orador usa suas habilidades para convencer seu auditório sobre a tese apresentada.
Essa classificação dos discursos argumentativos proposta por Aristóteles, bem como a identificação das situações de emissão de cada um deles, passou a constituir a base de toda a reflexão posterior sobre argumentação. Para Mendes (2010, p. 13) “saber argumentar, portanto, segundo os estudos ancestrais, implica conhecer a Lógica, a Dialética e a Retórica.”
Por fazer referência ao cotidiano da comunidade em que se insere, a Retórica se relaciona com a realidade histórica em que o discurso será produzido e proferido, por isso se apoia em premissas que regulamentam as boas práticas discursivas de acordo com o contexto, são elas: o kairós, a audiência e o decorum.
O kairós diz respeito à observação do contexto de comunicação que se apresenta, identificando as restrições e oportunidades efetivas de fala. Mendes (2016) afirma que este termo e seu conceito foram atribuídos ao sofista Górgias e consiste em “saber” a hora de falar e de calar, avaliando também as condições de recepção da audiência à qual se liga intimamente o kairós. Mendes (2016) apresenta algumas questões sobre a observância do
Kairós:
O assunto é oportuno ou urgente para o momento, ou é preciso mostrar sua oportunidade ou urgência, ou fazê-lo relevante para o presente?
Que argumentos são os mais vantajosos, para quais grupos de ouvintes, na presente ocasião?
Que linha de argumentação pode ser imprópria, considerando as necessidades e valores da audiência?
Que outros assuntos se ligam a esse assunto particular, neste momento, neste lugar e para este público?
Como é a estrutura de poder neste momento? Quem tem poder? Quem não tem? Quais instituições dão voz para quais lados da questão? Um grupo está em melhor situação quanto ao que arguir? Algum grupo tem menos voz que outros? Por quê? (MENDES, 2016, p.21).
A audiência, como o próprio nome diz, refere-se àqueles que são alvo do discurso, aqueles para quem se fala. Para que seu discurso seja persuasivo é necessário que se conheça esta audiência, é preciso avaliá-la para uma escolha adequada dos argumentos e demais elementos que compõem o discurso. Aristóteles afirma que “o discurso comporta três elementos: o orador, o assunto de que fala e o ouvinte; e o fim do discurso refere-se a este último, isto é, ao ouvinte”. (ARISTÓTELES, Retórica, (2005, p.104)). Ou seja, a audiência é determinante na empreitada persuasiva, sendo a quem o orador deve se adequar, assim como o seu discurso, para conseguir adesão à tese proposta. Mendes (2016) comenta sobre a existência de outras audiências que não somente as tradicionais ligadas ao gênero (judicial, deliberativo e epidíctico) conforme postulado na Retórica Clássica, “[...] por exemplo as múltiplas audiências no teatro, as audiências secundárias que a versão impressa de uma fala
alcança através do tempo e do espaço em uma obra escrita.” (MENDES, 2016, P.22). Atualmente, uma audiência fragmentada, multicultural e amplamente conectada após o advento, não só da internet, mas, principalmente, da organização dos indivíduos em redes sociais online.
O decorum trata sobre a adequação do uso das palavras e expressão dos sentimentos por meio dos argumentos dispostos no discurso, ao assunto a ser tratado pelo orador. É necessário um equilíbrio entre o assunto tratado, a escolha das palavras que tragam clareza à fala, argumentos adequados à postura exigida pelo assunto, local e audiência, assim como adequação das emoções do orador a estes elementos. Segundo Aristóteles (2005)
O discurso será emocional se, relativamente a uma ofensa, o estilo for o de um indivíduo encolerizado; se relativo a assuntos ímpios e vergonhosos, for o de um homem indignado e reverente; se sobre algo que deve ser louvador o for de forma a suscitar admiração; com humildade, se sobre coisas que suscitam compaixão. (ARISTÓTELES, Retórica, 2005, p. 257)
O filósofo acrescenta que esta adequação, o atendimento ao decorum, torna o discurso mais convincente e faz com que seus ouvintes acreditem na verdade do orador, mesmo que ela seja parcial ou circunstancial. O decorum também vai além das palavras e entonação de voz corretas, é a atitude correta no momento da comunicação. É não extrapolar o limite da cordialidade e boa educação a despeito de uma empreitada persuasiva. É, sobretudo, respeitar a si mesmo e ao outro a quem se dirige o orador.
Como forma de estudar mais detalhadamente a retórica, Hermágoras (séc. I a.c) foi o primeiro a dividir o discurso em partes: invenção, arranjo, estilo, memória e apresentação, que foram desenvolvidas mais profundamente por Cícero (87 a.c.) em suas obras. Assim descreve Cícero as partes da Retórica a Hermênio:
O orador deve ter invenção, disposição, elocução, memória e pronunciação.
Invenção é a descoberta de coisas verdadeiras verossímeis que tornem a causa provável. Disposição é a ordenação e a distribuição dessas coisas: mostra o que deve ser colocado em cada lugar. Elocução é a acomodação de palavras e sentenças adequadas à invenção. Memória é a firme apreensão, no ânimo, das coisas, das palavras e da disposição. Pronunciação é a moderação, com encanto, de voz, semblante e gesto. (CÍCERO, 2005, p.55)
Aliás, muito do que nos chegou da retórica devemos aos romanos, que tiveram o grande mérito de sistematizar os conhecimentos retóricos herdados dos gregos. De fato,
embora se deva a Hermágoras o mais antigo tratamento das partes da retórica − invenção, arranjo, estilo e apresentação −, foi Cícero que, efetivamente, legou para a posteridade essa divisão dos estudos retóricos, o que se passou a chamar de partes da Retórica (MENDES, 2010). Essas partes da retórica são resumidamente caracterizadas por Lineide Mosca (2001):
INUENTIO: É o estoque de material, de onde se tiram os argumentos, as provas e outros meios de persuasão relativos ao tema do discurso. A topica de que trata Aristóteles. O estudo dos lugares – elemento de prova de onde se tiram os argumentos – é parte essencial da inuentio. Trata-se, portanto, da retórica do conteúdo.
DISPOSITIO: É a maneira de dispor as diferentes partes do discurso, o qual deve ter os seguintes componentes: exórdio, proposição, partição, narração/descrição, argumentação (confirmação/refutação) e peroração. Trata-se da organização interna do discurso, de seu plano.
ELOCUTIO: É o estilo ou as escolhas que podem ser feitas no plano de expressão para que haja adequação forma/conteúdo. [...] correção, clareza, concisão, adequação, elegância. […] a conhecida teoria dos três estilos, de acordo com a adequação de elocução: simples, médio e sublime. A Retórica seria, portanto, uma arte funcional, por todos esses aspectos.
ACTIO/ (PRONUNCIATIO): É a ação que atualiza o discurso, a sua execução e constitui o próprio alvo da Retórica. Nela se incluem os elementos suprassegmentais (ritmo, pausa, entonação, timbre de voz) e a gestualidade. Há, portanto, lugar para o não verbal, que faz parte integrante do ato da comunicação. Tem-se que considerar a presença de um auditório, em relação ao qual o princípio básico é o de adequação, tendo-se como finalidade não apenas convencer pelos raciocínios, mas persuadir com base na emoção.
MEMORIA: É a retenção do material a ser transmitido, considerando-se sobretudo o discurso oral, em que um orador transmite mensagem a um auditório. Para Quintiliano, a memória era não somente um dom mas uma técnica que também poderia ser desenvolvida por processos mnemônicos, os famosos truques para a retenção do discurso. [...] permite uma melhor posse do discurso, o que não elimina a improvisação e a capacidade de adaptação às eventuais refutações. A memoria permite não somente reter, mas também improvisar.(MOSCA, 2001, p.28-30)
Todas essas partes estão presentes em todo discurso argumentativo/persuasivo retórico. No entanto, a Invenção, como se viu, desempenha papel fundamental na argumentação.