O item classificado com a segunda maior especificidade foi “serviços em poços”,
o qual obteve escore 4,38. Durante o período analisado, a Petrobras assinou contratos para diversos tipos de serviços em poços, sendo que as maiores quantidades foram para
Perfilagem, Testes de Formação e Cimentação.
A perfilagem é a operação que tem como objetivo fornecer informações sobre as formações geológicas atravessadas pelo poço, como os tipos de rocha, a espessura, a porosidade e fluidos existentes. Os perfis são obtidos através do deslocamento de um sensor dentro do poço.
Os principais perfis são de potencial espontâneo (SP), que mede a diferença de potencial entre a superfície e o interior do poço, o de raios gama (GR), que detecta a radioatividade total da formação geológica, o neutrônico (NPHI), que mede a quantidade de nêutrons epitermais e/ou termais da rocha, o de indução (ILD), que mede a resistividade da rocha, o sônico (DT), que mede a diferença nos tempos de trânsito de uma onda mecânica através das rochas, e o de densidade (RHOB), que detecta os raios gama defletidos pelos
elétrons orbitais dos elementos componentes das rochas, após terem sido emitidos por uma fonte colimada situada dentro do poço (THOMAS, 2004).
Para a perfilagem são utilizadas unidades móveis chamadas de “Unidades de Perfilagem”, como a mostrada na figura 15, e o resultado é apresentado na forma de “perfis”,
como o que é mostrado na figura 16.
A perfilagem dá indicativos da presença de hidrocarbonetos na formação, mas isso não é suficiente para confirmar a economicidade do poço. Assim, como forma de avaliar de forma mais precisa a presença de hidrocarbonetos e obter dados a respeito das condições de fluxo nas imediações do poço, são realizados testes de pressão chamados testes de
formação. Tais testes visam avaliar o potencial produtivo de uma formação e são realizados
com o isolamento do intervalo a ser testado, o que é feito com a utilização de equipamentos chamados obturadores, os quais são introduzidos no interior do poço. Após o isolamento da zona de interesse, força-se a produção do intervalo em períodos de tempo pré-determinados e registram-se continuamente as pressões encontradas no fundo do poço. Os testes podem ser realizados com o poço aberto (teste de formação TF), situação caracterizada pela ausência do revestimento tubular no intervalo a ser testado, normalmente durante a fase de perfuração do poço, ou com o poço revestido (teste de formação TFR), situação caracterizada pela presença do revestimento tubular instalado no poço (THOMAS, 2004).
Figura 16: Perfil de poço de petróleo.
Fonte: http://logdigi.com/client/product_info.php?products_id=48.
Normalmente, após a perfilagem e os testes de formação, os poços são revestidos (instalação de tubos de aço) e cimentados. A cimentação é a operação que consiste no preenchimento, com uma pasta de cimento, do espaço existente entre a tubulação de
revestimento e as paredes do poço. Os objetivos da cimentação são “fixar a tubulação e evitar
que haja migração de fluidos entre as diversas zonas permeáveis atravessadas pelo poço, por
A figura 17 mostra o esquema de uma cimentação típica de um poço de petróleo. Na superfície são posicionados os equipamentos a serem utilizados na operação, os quais
normalmente são instalados em unidades compactas chamadas “Unidades de Cimentação”
(figura 18). O poço é equipado internamente com diversos acessórios e a pasta de cimento é bombeada por dentro da tubulação. Ao término da operação, o espaço entre os tubos e as paredes do poço (espaço anular) está preenchido com a pasta, bem como algum trecho interno da tubulação.
Figura 17: Esquema de cimentação típica de um poço de petróleo. Fonte: Nelson (1990, p. 2).
Quanto à estratégia de execução dos três serviços em poços descritos acima, a Petrobras utiliza tanto empresas terceirizadas, como um mix de recursos próprios e empresas
terceirizadas, embora a maior parcela dos serviços seja contratada e haja limitações no escopo dos serviços realizados com recursos próprios. A Petrobras não executa todas as operações devido à alta tecnologia envolvida na prestação dos serviços e a dificuldades na absorção e emprego desta tecnologia. Este resultado é condizente com os argumentos de Quinn e Hilmer (1995), de que uma das vantagens da terceirização é o acesso à tecnologia, e reforça os argumentos de Kvaløy (2007), Ruzzier (2009), Osmundsen (1999), Anderson, Glenn e Sedatole (2000) e Milgrom e Roberts (1992), de que muitas vezes, por motivos diversos, as firmas podem decidir contratar ativos específicos no mercado. É importante frisar que a opção entre comprar ou fazer é dependente do domínio de conhecimento. Se a firma tem conhecimento para fazer melhor e mais barato que as opções de mercado, ela internaliza. Se o mercado tem mais conhecimento e competência, ela contrata no mercado. Isso é regra na ECT.
Figura 18: Unidade de cimentação.
Fonte: http://www.petrokh.com/petrokh/cement_2.htm
No Brasil existem apenas 16 empresas, participantes de 5 grupos (Baker Hughes, Halliburton, Schlumberger, Tucker Energy e Weatherford), autorizadas pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para a utilização de fontes nucleares em serviços de prospecção de petróleo, condição sine qua non para a realização de serviços de perfilagem. Da mesma forma, existem pouco mais de 50 profissionais credenciados pela CNEN para o
exercício da função de supervisor de radioproteção para a perfilagem de poços.13 Todos os cinco grupos dos quais participam as dezesseis empresas de perfilagem autorizadas pela CNEN são multinacionais, sendo três de origem norte americana (Baker Hughes, Halliburton e Tucker Energy), uma francesa (Schlumberger) e uma suíça (Weatherford).
Na área do Rio Grande do Norte e Ceará, as operações de perfilagem são realizadas por empresas terceirizadas, as quais empregam mão de obra altamente especializada. Já na região de Sergipe e Alagoas (fora da área de interesse da pesquisa), a Petrobras realiza operações de perfilagem com recursos próprios, mas essa experiência não irradiou para outras regiões, em parte pela dificuldade de acompanhar o desenvolvimento tecnológico inerente à atividade.
No caso dos testes de formação e de cimentação, na área do Rio Grande do Norte e Ceará, as operações podem ser feitas tanto com recursos próprios, como com contratos de serviços. Especificamente no que se refere aos testes de formação, os testes a cabo são executados apenas por empresas terceirizadas.
Por motivos estratégicos, as contratações dos serviços de perfilagem, testes de formação e cimentação são realizadas por órgão central de contratação, na sede da empresa no Rio de Janeiro. Esta prática da Petrobras é condizente com o que defendem Quinn e Hilmer (1995) que argumentam que para absorver a terceirização as organizações precisam fazer alguns ajustes nos seus processos de gerenciamento, entre eles alçar as atividades de contratação e de logística a níveis corporativos estratégicos.
Embora classificados como de alta especificidade (escore 4,38), os contratos de serviços em poços não compõem uma amostra adequada para a análise de eficiência, pelo menos nos moldes proposto neste trabalho, pelos seguintes motivos: a) dificuldade para a elaboração de uma matriz de insumos e produtos, uma vez que os serviços não são uniformes, mesmo dentro de um mesmo contrato; b) inexistência de número de contratos suficientes para compor uma amostra mínima, mesmo nos casos onde existe certa homogeneização de serviços nos contratos, como é o caso dos serviços de cimentação; e c) dificuldade para acesso aos dados de contratação uma vez que o processo de contratação é realizado pela sede da companhia, e não pelas Unidades Organizacionais que fazem parte da pesquisa.
Assim, passou-se a analisar o tipo de serviço que obteve o terceiro maior escore quanto à especificidade.
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