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2.1. Kişiler Arası İletişim

2.1.8. İletişimde Kullanılan Dil

Por se tratar de uma pesquisa na lan house e não apenas sobre a lan house, recorremos a referenciais teóricos que pudessem nos acompanhar neste percurso que se constitui como parcial, cabendo então uma análise constante de nosso papel. Neste aspecto, encontramos na psicologia social referenciais muito importantes para nos ajudar em tal desaio e neste artigo destacamos a noção de pesquisa-in- tervenção.

Começamos por esclarecer ao nosso leitor o que entendemos como uma pesquisa-intervenção. Para tal nos referenciamos na obra de Virgínia Kastrup (2008), em que a autora discorre sobre sua proposta de método cartográico de pesquisa-intervenção.

Cabe destacar que nesta proposta metodológica a produção do conhecimen- to não se dissocia da transformação do objeto. Assim, pensando em nosso caso especíico, poderíamos indicar que a análise das lan houses em periferias não está dissociada de projetos e propostas institucionais que visem a interferir/potencializar estas realidades. Ou seja, identiicar a possibilidade de outros usos sócio-culturais das lan houses implicará também incentivar ou mesmo colaborar na organização de tais iniciativas.

A proposta defendida por Kastrup busca romper com o modelo de pesquisa positivista que defende a eliminação da participação do pesquisador na produção do conhecimento objetivo e a suposta neutralidade da pesquisa. Segundo a autora:

A pesquisa-ação crítica revela-se potencializadora da organização de grupos e de espaços de participação coletiva incluindo, no seio do próprio método, a articulação entre pesquisa e política. (2008, p.5)

93 Agradecemos aos donos das lan houses acompanhadas: Sérgio Amorin e Cláudio Canuto,

136 Pâmella Passos

Compreendendo as comunidades e as lan houses como espaços coletivos, cremos que tal proposta metodológica contribui na emergência/consolidação deste espaço de acesso coletivo à Internet como um espaço de atividades culturais e edu- cativas. Podemos citar como exemplo as oicinas realizadas por nossa pesquisa.

Optando por ir além do modelo tradicional de entrevistas, elaboramos um conjunto de 3 oicinas que foram oferecidas nas lan houses pesquisadas. A inscrição era gratuita e, tanto em Acari como no Santa Marta, a procura superou o número de vagas oferecidas, que estava limitado ao número de computadores da lan house.

Abordando os temas Orkut, Youtube, Blog e twitter, nos alternávamos entre o ensinar a utilizar essas ferramentas e a discussão sobre elas. Assim, a partir de dispositivos (textos, vídeos, charges) conduzíamos os participantes (usuários da lan house) a discutir questões como: acesso à Internet, proibições na rede, políti- cas públicas e outros assuntos. Abaixo apresentamos o planejamento de uma de nossas oicinas.94

Tema Como manter um blog e twitter

Objetivo q Consolidar a aproximação criada com esses jovens; q Discutir a opinião do senso comum sobre as lan houses;

q Criar um espaço no qual eles possam dar suas opiniões sobre todas as temáticas abordadas ao longo do

curso; Duração 90 minutos

Descrição da aula q Inicialmente cada um falará sobre o que fez com o blog criado na última aula e se tiveram alguma dúvida

ou diiculdade, essas dúvidas serão tiradas pelos bolsistas. 15 min;

q Pâmella explica a origem do termo lan house e como essas casas de jogos vem apresentando outros usos

nos mais diversos locais, principalmente nas comunidade, em seguida lê o dispositivo 1. 10 min;

q Debatemos a opinião deles sobre a reportagem e sobre a realidade deles. Pergunto: se eles concordam

com a proibição de lan houses próximas às escolas? Se eles acham que frequentar lan house atrapalha nos estudos? E se eles já usaram aquela lan house para fazer algum trabalho da escola?. 10 min

q Tatiana com a ajuda de Bruno e Yakini explicarão o que é o Twitter, depois nós vamos ler o dispositivo 2; 10 min q Opinião deles sobre o dispositivo-10 min

q Tatiana explica passo a passo a criação do Twitter e junto com Bruno e Yakini vão ajudando-os a construir

seu próprio twitter. Darão dicas interessantes de quem seguir. Exemplos: jornais, cursos e concursos, programações culturais...-20 min

q Para inalizar eu leio o dispositivo 3 e peço que cada um faça uma avaliação sobre o curso dizendo se gostou

ou não, se gostaria que tivesse mais vezes e quais os assuntos que eles gostariam de aprender- 10min

94 Destacamos que estas oicinas foram ministradas em conjunto com os bolsistas de Iniciação

Cientíica Júnior da pesquisa que é apoiada pelo IFRJ. Assim, agradeço a Tatiana Gama, Bruno Labanca e Yakini Tavares por toda a colaboração.

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Juventudes na lan house: a experiência de (re)invenção de usos em duas favelas cariocas

A realização destas oicinas nos possibilitou não somente analisar, mas, so- bretudo, vivenciar outros usos da lan house. A participação e o envolvimento dos frequentadores em nossos encontros nos levaram a conirmar nossa hipótese de que a lan house pode, sim, ter usos educacionais bastante produtivos, mobilizando os desejos juvenis. A título de exempliicação destacamos alguns trechos das entrevistas feitas com os participantes das oicinas.

J morador de Acari- 18 anos e D morador do Santa Marta- 14 anos Pâmella: Você sente falta da lan house?

J: Sinto. Sinto falta de jogar e do pessoal jogando os jogos. Muito tempo que eu não apareço aqui. Deve ter uns três meses já.

(...)

Pâmella: Tem gente que eu conheço que mesmo tendo computador em casa com Internet vai pra lan house porque prefere.

J: É, porque ica mais gente jogando, e é tudo conhecido aí dá para jogar tudo na mesma sala. Que é o mesmo time, é como se fosse tipo uma equipe. É o jogo.

Quando indagados sobre os cursos de informática nas escolas e instituições formais de ensino e a oicina na lan house, os entrevistados responderam: Pâmella- O que você acha que a galera ia gostar mais? Fazer o curso na escola ou na lan house?

J: Na lan house.

J: Já estão acostumados de ir para lan house todo dia, vão preferir a lan house. Pâmella: O que as pessoas falaram dos cursos que têm na Faetec95?

D: São muito chatos. Eles ensinam o que a gente já sabe: Desligar o computador e ligar, essas coisas.

Pâmella: Você acha que se izéssemos mais cursos assim na lan house, de ensi- nar Twitter, montar vídeos, criar mesmo vídeos. Você acha que iria ter gente interessada?

D: Muita, muita gente...

Pâmella: E esse tipo de coisa não ensina nesses cursos que tem na Faetec e na Associação de moradores?

D: Não, não. Nunca fui para nenhum curso daqui [do Santa Marta] não. Pâmella: Mas tem algum motivo especíico? Por quê você nunca foi?

D: Muito chato. Quando eu fui era pra ligar o PC, desligar. Aí não me envolvi muito não.

138 Pâmella Passos

Tais relatos nos indicam que esses jovens possuem muito desejo de aprender, no entanto, desejam que tais ensinamentos sejam passados de uma forma signi- icativa, conectada à sua realidade de uso. Ao abordarmos redes sociais em nossas oicinas acabamos por auxiliar na utilização dos e-mails, sites de busca da inter- net, recursos do pacote Microsoft. No entanto, todos esses aprendizados estavam conectados ao objeto de interesse deles: o Orkut, o blog, o twitter.Constituindo uma experiência de ensino-pesquisa, a realização destas oicinas nos fez pensar sobre o aprendizado não-formal, o uso não instrumental, ou ainda, os saberes que estão muito além das instituições reconhecidas como educativas, indicando outras possibilidades de políticas públicas. Nossa hipótese de (re)invenção dos usos da lan house e da Internet pôde ser aplicada.

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Juventudes na lan house: a experiência de (re)invenção de usos em duas favelas cariocas

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Entretenimento, sociabilidade e mobilidade social: