I. BÖLÜM
4.4. İletişim Sürecine İlişkin Bulgular
Com os graves problemas apresentados pelos Jogos de Atlanta e os questionamentos sobre a real existência de qualquer legado positivo para a cidade após as Olimpíadas, o Comitê Olímpico Internacional estabeleceu uma postura mais rígida não apenas em relação aos estádios e demais instalações esportivas, mas também na maneira como esses edifícios se conectam aos sistemas de mobilidade urbana oferecidos pelas cidades-sedes.
Assim, os Jogos de Sidney em 2000 tinham a oportunidade de apresentar soluções eficientes para a relação entre a construção de um estádio de última geração e os sistemas mobilidade urbana.
A implantação do Estádio Olímpico e de todas as demais instalações esportivas foi feita em uma área afastada quinze quilômetros do centro comercial da cidade, um vazio urbano, uma antiga e poluída região chamada Homebush Bay, às margens do Rio Parramatta, onde antes funcionava uma gama de indústrias estatais desativadas desde 1988.
Desde o final da década de 1980, vários planos de regeneração haviam sido traçados para o Homebush Bay, todos eles propundo a construção de um estádio multifuncional para a área. No entanto, o plano de regeneração da área através do esporte ganhou novas proporções quando Sidney foi anunciada como a sede dos Jogos Olímpicos de 2000.
Nesse sentido, talvez em razão das críticas feitas aos Jogos de Atlanta, a cidade de Sidney apresentou soluções completamente distintas que possibilitassem a perfeita integração entre os estádios e o sistema de transporte de massa da cidade. Assim, a começar pelo local de escolha do Parque Olímpico, afastado do congestionado centro comercial da cidade, onde deveriam estar implantados o Estádio Olímpico e todas as demais instalações esportivas, além da criação de grandes áreas verdes que corroboravam com a proposta sustentável dos Jogos. Com isso, a proposta apostava na regeneração de todo o entorno do Parque Olímpico, mediante os investimentos privados que seriam atraídos para o local.
No entanto, para que o processo de regeneração ocorresse como proposto, e para atender às demandas feitas pelo Comitê Olímpico Internacional, ainda traumatizado com os resultados obtidos em Atlanta, grandes investimentos foram feitos na extensão do sistema de transporte de massa local e na extensão da malha viária de Sidney buscando conectar o Homebush Bay ao centro comercial da cidade.
Assim, o plano de transporte para o Homebush Bay propunha a criação de um sistema de transporte de massa sobre trilhos que circundasse especificamente a região do Parque Olímpico e que se conectasse às linhas de metrô de Sidney por meio de uma estação a ser construída a poucos metros do Estádio Olímpico. Além disso, foi construída uma extensa rede viária servindo à área do Parque Olímpico, permitindo qu, durante as Olimpíadas, grandes massas de espectadores, assim como atletas e público especializado, tivessem acesso ao estádio Olímpico por intermédio de uma frota de ônibus que serviam a linhas designadas temporariamente para os Jogos e que depois seriam revertidos para o sistema de transporte urbano da cidade. Para garantir o acesso da frota de ônibus, principalmente aqueles destinados ao transporte dos atletas e de seus equipamentos, restrições quanto a áreas de estacionamento e acesso ao Parque Olímpico de automóveis particulares foram metas inseridas no processo de concepção do estádio. Por essa razão, o complexo possui poucas áreas de estacionamento, destinadas aos ônibus, e veículos profissionais. Além disso, a população foi informada através de campanhas publicitárias que o acesso ao Parque Olímpico deveria ser feito por meio dos sistemas de transporte de massa. Assim, Sidney tornou-se a primeira cidade a organizar os Jogos Olímpicos cem por cento por intermédio de sistemas de transporte de massa,
transformando-se, nesse quesito, referência para outras metrópoles-sedes de grandes eventos esportivos.
Portanto, a relação estádio contemporâneo e o sistema de transporte de massa havia sido estabelecida com êxito durante os Jogos Olímpicos de Sidney, porém observou-se nos anos seguintes que as pressões feitas pelos organizadores do evento levaram a cidade de Sidney a concentrar seus investimentos na criação de um sistema de transporte que respondesse às necessidades dos Jogos Olímpicos com precisão. Apesar disso, esse sistema foi superdimensionado, de forma que após os Jogos Olímpicos não havia demanda suficiente para mantê-lo funcionando.
Assim como os sistemas de transporte criados para os Jogos Olímpicos, os estádios construídos para o evento não fomentaram o surgimento de novos usos e de uma renovação urbana na região do Homebush Bay como era esperado. Isso se explica pela falta de usos dos edifícios, uma vez que, diferentemente de outros países, a Austrália não possui ligas consolidadas que demandem estádios com mais de 50 mil pessoas.
Imagem 17: Homebush Bay, região onde foi implantado o Parque Olímpico para os Jogos de Sidney. Fonte: Google Earth
No caso dos estádios Olímpicos de Sidney, a previsão de uso feita pelos investidores privados se mostrou distante da realidade. O prospecto do Estádio Olímpico previa que em 2002 haveria 41 jogos de futebol no estádio com um público médio de 40 mil espectadores, no entanto, nesse ano apenas oito partidas foram disputadas ali. (SEARLE, 2002, p. 857, tradução nossa).
Além disso, Sidney já possuía outras instalações esportivas que possuem capacidade para receber os eventos com grandes públicos. No entanto, esses edifícios não foram utilizados para os Jogos Olímpicos, por não comportarem um público de 80 mil pessoas, como era exigido pelo COI. Além disso, estavam localizados em regiões adensadas, próximas ao centro da cidade, que foram descartadas em função dos problemas enfrentados em Atlanta quatro anos antes.
Da mesma maneira que o sistema de transporte que circunda o Homebush Bay, o Estádio Olímpico de Sidney e todas demais instalações distribuídas pelo Parque Olímpico foram concebidos para atender à demanda gerada pelos Jogos de 2000, o que foi feito com êxito, porém não foram pensados em um aspecto amplo, levando em consideração as possibilidades de uso dessas instalações após os Jogos Olímpicos.
Em uma tentativa de manter o Parque Olímpico vivo e ativo, o governo criou a Autoridade do Parque Olímpico de Sidney – SOPA –, em 2001, que tinha como objetivo preservar a área, coordenar a organização de eventos, e o desenvolvimento do tecido urbano de seu entorno. (DANIELS, 2009, Apud KASSENS, 2009, p. 122 , tradução nossa).