TARTIŞMA, SONUÇ VE ÖNERİLER
5.3 ÖNERİLER
5.3.2 İleride Yapılabilecek Araştırmalara Yönelik Öneriler
Nos depoimentos em que Laura fala de sua atuação no marco do levante em Cutral-có, identificamos a escolha da palavra “cuidar” para dar nome ao tipo de atuação desenvolvida nesses dias, “nosotros tratamos de cuidar gente y teníamos que salir de
esa situación en donde todos estábamos corriendo riesgo”. Assim, consideramos pertinente examinar um pouco essa questão, desde que, como afirma Joan Tronto, em nossas noções de cuidados é possível identificar algumas das dimensões mais profundas da diferenciação tradicional dos gêneros.
A autora, numa breve explanação, mostra as distintas abordagens do tema: o cuidado como um tipo de trabalho; dando atenção para as atitudes e pensamentos envolvidos no ato de cuidar; um fazer, que pela sua concretude, colocaria as mulheres “fora do mundo”, quer dizer, imunes a apelos abstratos e religiosos (TRONTO, 1997, p.187). No texto, a autora revela a existência de um roteiro tradicional sobre a atividade de cuidar de acordo com o gênero: os homens têm cuidado com, enquanto as mulheres cuidam de. Desta maneira, na tarefa de cuidar se demarca “a divisão do mundo masculino e feminino como sendo respectivamente público e privado” (id. ibid., p.199).
A partir de uma abordagem feminina do cuidar, é possível entender que a atuação das mulheres no piquete seja interpretada como “extensão amplificada à escala coletiva de seus „naturais‟ papéis de cuidadoras do espaço doméstico” (CARABAJAL, 2002), ou, no caso pontual de Laura, como uma espécie de “comodín” (coringa), desenvolvendo funções da “típica y subestimada ama de casa” (AUYERO, 2004). Porém, não podemos concordar com essa interpretação que, embora responda a esse “roteiro tradicional”, assinalado por Tronto (op. cit.), revela seus limites ao refletirmos sobre o ato de cuidar e suas implicações. Quem deve cuidar e de quem, como afirma a autora citada, está enraizado em valores, expectativas e instituições. O cuidar envolve assumir uma responsabilidade, um compromisso e tem um objeto, assim é sempre relacional. Geralmente, a família é o lócus por excelência dos cuidados e a mulher sua principal “cuidadora”. Contudo, isso não quer dizer que a família esteja isenta de outros tipos de relações: de poder, exploração, violência etc.
Em “Gênero, patriarcado, violência”, Heleieth Saffioti afirma “o gênero, a família e o território domiciliar contêm hierarquias, nas quais os homens figuram como dominadores-exploradores e as crianças como os elementos mais dominados- explorados”, desde que a mulher também possa exercer a função patriarcal. A autora
68 chama a atenção sobre uma imagem muito presente na nossa sociedade a de que na família impera necessariamente a harmonia, dizendo que nela podem estar presentes também “a competição, a trapaça, a violência” (SAFFIOTI, 2004, p.74)
Nancy Fraser, numa crítica à obra “Teoria da Ação Comunicativa”, de Jürgen Habermas, discute o contraste que o autor estabelece entre a família nuclear moderna como contexto de ação social integrada (em que predominam as práticas comunicativas na procura de consensos, utilizando como meio a solidariedade), e os contextos de ação sistêmica integrada regidos normativamente (em que predominam as estratégias e os meios são o poder e o dinheiro). Fraser (1998) aponta que nos trabalhos das feministas a respeito de processos de tomada de decisão, gerenciamento financeiro e maus-tratos de mulheres, ficou demonstrado que as famílias estão completamente permeadas pelo dinheiro e poder. “São lugares de egocentrismo, estratégia e cálculo instrumental assim como lugares de intercâmbios usualmente exploratórios de serviços, trabalho, dinheiro e sexo e, frequentemente, lugares de coerção y violência” (id. ibid., p.119-120, TN).
Em relação a Laura, as pessoas lhe pediram que permanecesse no piquete. Contudo, é fundamental considerar que não existe, inicialmente, um vínculo que determina o dever dela assumir essa função, pois as pessoas que “cuidou” não eram membros de sua família. Como afirma Tronto (op. cit.):
A atribuição da responsabilidade de cuidar de alguém, alguma coisa ou alguns grupos pode então ser uma questão moral. O que faz “cuidar de” ser tipicamente percebido como moral não é a atividade em si, mas como essa atividade se reflete sobre as obrigações sociais atribuídas a quem cuida e sobre quem faz essa atribuição. (id. ibid., p.189)
Joan Tronto verifica que o cuidar é uma atividade que desafia a teoria moral contemporânea e parece fundamentar uma concepção mais rica sobre a vida moral das pessoas. No entanto, afirma que o cuidar sofre uma “amputação moral fatal” quando se restringe às pessoas mais próximas de nós (id. ibid., p.199). Assim, o compromisso que nossa entrevistada assume, quando cuida de pessoas além dos membros de sua família, questiona essa visão restrita dos cuidados, abrangendo uma comunidade mais ampla. É pertinente salientar que o contexto onde se estabelece a relação de cuidados não é o lar, o “espaço privado”. Assim, temos relações de cuidados que excedem o espaço familiar, sendo assumidas e desenvolvidas por pessoas que não têm essa obrigação, abrangendo o espaço público, durante o protesto. Portanto, chamamos a atenção para o fato de que a visão tradicional de gênero não é adequada para interpretar essa atuação.
69 Para perceber os aspectos verdadeiramente transformadores e feministas do cuidar, necessitamos reformular “nossa visão do contexto político em que eles se situam como um fenômeno moral” (id. ibid, p. 187). A autora esclarece que a teoria moral contemporânea não ignora as necessidades dos outros, mas “elas são consideradas apenas como um reflexo de quem pensa, se ele ou ela estivesse na situação do outro. Em contraste, os cuidados fundamentam-se no conhecimento completamente peculiar da pessoa em particular que está sendo cuidada” (id. ibid., p.191). Para isso é necessária a capacidade de atenção. Portanto, se a pessoa que decide fornecer cuidados está apenas preocupada consigo mesma, é reduzida sua possibilidade de sucesso.
Nos depoimentos de Laura a respeito de sua atuação vão-se desvendando as dimensões morais do cuidar como, por exemplo, essa capacidade de atenção. Ela menciona que estavam numa situação de risco e que, de fato, ela sentiu medo de serem reprimidos pela Gendarmeria por estarem cometendo um delito (bloquear uma rodovia provincial), mas também mostrou-se capaz de perceber a vulnerabilidade de um dos grupos presentes no piquete: os jovens, que provavelmente “no tengan idea de lo que
significan los gendarmes. No vivieron los años de la represión militar; nosotros, los más viejos, sí pasamos por eso.” (AUYERO, 2004, p.121).
Tronto (op. cit.) aponta a existência de uma relação entre o que a pessoa que está sendo cuidada pensa desejar e seus verdadeiros interesses e necessidades, e que essa relação pode não ter uma correspondência perfeita. Por isso, afirma que “A genuína capacidade de atenção presumivelmente permitiria à pessoa que cuida ver através dessas pseudo-necessidades e chegar a compreender o que o outro realmente necessita” (id. ibid., p.192). Foi isso que Laura fez com o grupo de jovens. Conversou com eles, percebeu que, por estarem bebendo, poderiam ser manipulados facilmente; identificou suas necessidades e fez um acordo.
Inicialmente, nossa entrevistada tentou convencer as pessoas de voltar para suas casas, mas lhe disseram que no piquete havia comida. Diante da impossibilidade de convencer a “massa” e do sentimento de perigo iminente, ela e outras pessoas com as quais foi dialogando definiram os destinatários do cuidado e as formas de “cuidar de”:
“No sé por qué me quedé; teníamos que proteger a la gente. Uno empieza a pensar en los otros, los que están indefensos. Cuando uno empieza a hablar con los otros, a conversar sobre cómo proteger a la gente que estaba en la ruta, uno se compromete. Mi intención era volverme pero me quedé. Una vez que empecé tenía un compromiso.” (AUYERO, 2004, p.103)
70 Assumir esse compromisso envolveu tempo e esforço: “Fueron seis días en los
que no dormí”. Também, requereu autoconhecimento, ao ponto de ser capaz de eliminar as preocupações consigo mesma para atender aos outros. Este aspecto questiona a teoria moral, e acreditamos que nele radica uma das principais dificuldades de compreender o caso apresentado. Sendo parte de uma sociedade que é regida pelo paradigma das relações de troca do mercado e que põe os próprios interesses em primeiro plano, a ação destas mulheres poderia nos parecer como “irracional” (não racional, vinculada ao emocional e assim “natural”). Contudo, explorar a partir de uma abordagem feminista a atuação de Laura permite dimensioná-la em termos morais.
Na rememoração do levante, ela menciona que pediram a intervenção de um bispo que ministrou uma missa no piquete, para que intercedesse por eles diante do governador. Porém, não lhe esclareceram o porquê estavam na rodovia. Assim, começaram a pensar nas reivindicações que deveriam ser encaminhadas ao governador, “es como que salimos a preguntar qué era lo que quería la gente. ¿La gente qué era lo
que quería? Quería que le conectaran la luz, quería que el gas, querían fuentes de trabajo, o sea, surge una serie de puntos”.
Os diferentes documentos consultados para esta breve explanação a respeito do levante e da participação de nossa entrevistada, mencionam a presença de diferentes funcionários, autoridades locais, deputados etc., nos piquetes. Assim, estar num dos vinte e um piquetes instalados nesses dias, possibilitou também que ela fizesse suas reivindicações particulares. Quando se aproximou um juiz do bloqueio, Laura, aproveitando a ocasião, apresentou-lhe um documento escrito pelo seu advogado, referente à demanda da pensão alimentícia e da restituição da casa de General Roca:
“Entonces cuando viene el juez, yo me agrando, viste, como todo el mundo se agrandaba y le decía cosas, „¿Si se lo doy en la mano va más rápido? Porque, le digo, cada vez que voy allá, a Tribunales, tengo que esperar dos o tres meses que usted resuelva.‟ Y el tipo me echó a la mierda, pero yo me sentí, decirle en la ruta algo de lo mío, de mi juicio de alimentos, de que yo quería mi casa en Roca, fue todo un placer [com ênfase].”
O verbo utilizado por Laura “agrandarse”, de uso coloquial, pode ser relacionado com “empoderar-se”, no sentido de superar uma situação hierárquica existente, no caso, entre ela e o juiz. As pessoas do povo, só quando se “empoderam”, conseguem falar de igual a igual, conseguem expressar suas reivindicações. Esse lugar possibilita esta interação, o piquete, o protesto no espaço público, o lugar da “igualdade”, que é o lugar da cidadania, ao contrário do Tribunal, onde há uma
71 hierarquia, predomínio do burocrático, de um status, em detrimento do pessoal/humano. Nesse sentido, é pertinente mencionar uma reflexão das Madres de Plaza de Mayo a respeito da escolha da Praça como lugar de reunião e reivindicação. Elas explicaram que, na época em que surgiu o movimento, não pensaram o porquê da escolha da Praça, mas esclareceram que “en los otros organismos no nos sentíamos bien cerca; había
siempre um escritorio de por medio, había siempre uma cosa más burocrática. Y en la Plaza éramos todas iguales.” (AMPM, 1999, p.7).
Essa foi a percepção que muitos tiveram nos piquetes, ser todos iguais, como uma das testemunhas de Auyero manifesta: “estaban los que necesitaban y los que no
necesitaban. Estábamos todos allá. El diariero, el taxista, el colectivero, el empresario” (AUYERO, 2004, p.124). A presença de “todo el pueblo” será palpável no momento mais forte do levante: a chegada da polícia militar.
“Cuando vino Gendarmería fue tremendo, porque más allá de que bueno yo tenía muchísimo miedo, yo creí que iban a, reprimir, qué sé yo. O sea, veinte mil personas que es más o menos el cómputo que hay de la gente que estuvo significa que solamente faltaron en la ruta los bebitos y los abuelos. Eso quiere decir que estuvo todo el pueblo.”
Esse sentimento, diante da possibilidade de enfrentamento com a Gendarmeria, é semelhante a outros ouvidos em pesquisa com pessoas que participavam, pela primeira vez, em protestos ou retomavam uma militância que tinha sido abandonada durante a ditadura militar (BOGADO, 2006). Não se trata apenas do sentimento de perigo, de medo do enfrentamento com as forças policiais, também estão lidando com outros medos e lembranças da ditadura militar, mesmo sem ter vivenciado a repressão. Assim, no caso de Laura, embora não haja uma vivência direta da repressão durante a ditadura, a transmissão das memórias pelas organizações de direitos humanos e pela mídia fez com que ela ressignificasse sua memória individual, dando-lhe um olhar crítico e político.
As rádios e jornais locais anunciaram em diversas oportunidades a chegada iminente da Gendarmería, que concretizou finalmente na manhã de 25 de junho, quando a Juíza dirigiu-se a Cutral-có, acompanhada por várias efetivos da polícia federal e polícia militar. Na reconstrução dos fatos, nos foram sendo revelados, aos poucos, alguns episódios ou detalhes que, em outro momento, nossa entrevistada, pela proximidade dos acontecimentos, tinha preservado. Numa entrevista publicada em 2002, ela esclareceu que o prefeito em exercício promoveu o bloqueio da rodovia “En
72 ela apontava a existência de um consenso a respeito de como lidar diante de uma ação repressiva:
“El consenso general es: no vamos a permitir que nos toquen. Apenas se vayan volvemos a la ruta. Pero no vamos a dejar que nos toquen. Queremos paz. No queremos violencia. Uno de los lemas es: „Todos tenemos que estar vivos cuando esto termine así podremos contarles lo que pasó a nuestros hijos, hijas, nietos, parientes y vecinos. Tenemos que cuidar nuestros cuerpos, protegernos nosotros mismos” (AUYERO, 2004, p.116)
Porém, no seu livro, Auyero questionou essa ideia de consenso, revelando a existência de diferentes posturas a respeito do quê fazer diante da possibilidade de um enfrentamento: “Mucha gente con la que conversé me habló de las bombas Molotov,
piedras y palos que tenían preparados para enfrentar los gases lacrimógenos y las balas de goma” (id. ibid., p.116). Esta afirmação pode nos levar a pensar que havia pessoas armadas esperando pela Gendarmeria. A respeito disso, nossa entrevistada comenta:
“El día que vino Gendarmería, por ejemplo, yo lo niego a muerte y vos me decís „Laura, la gente estaba armada‟, „No‟. ¡Sí la gente estaba armada hasta los dientes!, porque por lo menos el setenta por ciento de la población de Cutral-có no se fue con las manos vacías a esperar a Gendarmería, porque sino [não
teriam nenhuma proteção, não poderiam se defender]. Yo estaba hablando así
con un papá y me dice „Laura, yo estaba en la ruta, pero yo no sabía mi hijo de diecisiete, dieciocho años con los otros compañeros de la escuela dónde se había metido y no iba a dejar que le pasara nada a mi hijo.”
Assim, observamos que os depoimentos vão sendo modificados, que as lembranças vão sendo moldadas pelas conjunturas favoráveis ou desfavoráveis do tempo presente (POLLAK, 1989; PORTELLI, 1998). Silêncios e “não-ditos” não implicam esquecimento, desde que as fronteiras entre o dizível e o indizível podem ser deslocadas. Pollak (op. cit.) afirma que “Essa tipologia de discursos, de silêncios e também de alusões e metáforas, é moldada pela angústia de não encontrar uma escuta, de ser punido por aquilo que se diz ou, ao menos, de se expor a mal-entendidos” (id. ibid., p.8).
Neste ponto, recorremos ao trabalho de Paula Klachko para a reconstrução de uma cena quase épica que ficou registrada na memória coletiva. Inicialmente, a Juíza dirigiu-se à multidão pedindo que se retirassem da rodovia. As forças repressivas avançaram sobre o primeiro piquete acionando o “tanque hidrante”. Em seguida, umas 20.000 pessoas impediram seu avanço:
havia homens, mulheres, jovens e anciãos. Nas primeiras fileiras discutia-se se enfrentar ou não à Gendarmería; alguns o fizeram com pedras e outros tentavam
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detê-los. Pois cada pedrada trazia como resultado inevitável a réplica: gases lacrimogêneos, água gelada, balaços de borracha. Porém, a água e o gás movidos, por ação do vento, voltavam-se contra os policiais. (KLACHKO, 1999, p.13, TN).
As pessoas cantavam o Hino Nacional. Uma das entrevistadas de Auyero afirmou “Cantar el Himno Nacional es como decir que estás defendiendo lo tuyo” 27
(AUYERO, 2004, p.127). Recentemente, uma matéria, que rememorava o golpe militar de 24 de março de 1976, resgatou as histórias de pessoas que não militavam na época, mas que sofreram a repressão nos “anos de chumbo”. Uma das testemunhas, que morava numa favela, descreveu algumas das ações das mulheres para evitar que os militares levassem ou reprimissem pessoas no bairro. Ao invés de se trancarem nas casas, saíam fora, tentavam detê-los, e, num enfrentamento, uma tinha sugerido que cantassem o Hino Nacional, para que não fossem detidas (DANDAN, 2008). Cantar o Hino é como um divisor de águas, ser patriota ou não, assinalando de que lado está a pessoa.
A juíza subiu ao teto de um veículo e anunciou sua incompetência, ordenando a retirada da Gendarmeria. Os/as manifestantes aplaudiram a retirada. Contudo, alguns manifestantes começaram a atirar pedras nos policiais e estes revidaram com gases lacrimogêneos, balas de borracha, água gelada e cachorros (id. ibid., p.14). Finalmente, foi anunciado aos/as manifestantes que o governador chegaria naquela noite a Cutral-có.
Após passar vários dias sem dormir no piquete, Laura foi levada ao hospital, “me
pusieron unos calmantes, no sé qué, porque es como que estaba pasada de rosca, no sé qué me pasaba”, e voltou para sua casa para descansar, acreditando que tudo estava solucionado. Para ela, o povo tinha demonstrado seu poder e união, Sapag viria e tudo seria resolvido. De fato, naquela noite, Sapag chegou ao piquete principal da Torre Uno, felicitou as pessoas por chamar a atenção do país para as necessidades da província, mas não ofereceu nenhuma solução, por isso foi insultado e apedrejado.
Na manhã do dia seguinte, uns piqueteiros apareceram na casa de Laura dizendo que haveria uma reunião com o governador e os representantes dos piquetes e era preciso que ela fosse fazer as negociações na Prefeitura. Ela expressou assim o porquê da decisão e sua dificuldade em assumi-la:
“(…) la única que hablaba por radio y televisión era yo, era la que, yo tendría que hacer las negociaciones con él. Yo les decía, pero una cosa es pedir
27 Assim, veremos que cantar o Hino Nacional Argentino é uma ação de resistência do MML para
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ambulancias, porque nos hacían falta ambulancias porque había gente que se ponía mal, y otra cosa es hacer una negociación, que yo no tengo ni la más pálida idea. Bueno dice „Pero eso es lo que la gente decidió‟.”
Ficou surpresa ao descobrir que as pessoas ainda estavam na rodovia. Quando chegou à Prefeitura, segundo ela, havia mais de mil homens, supostamente todos representantes de piquetes. Diante dessa situação, um agente da polícia militar a reconheceu e lhe pediu que indicasse quem poderia entrar na reunião com o governador. Ela disse: “Y viste cuando decís „¿Y yo, por qué?‟ [risos] Y yo le decía a los otros
„¡No!‟ le digo a los otros, „a mí me van a meter en cana (encarcerar)‟, porque yo hasta hacía poquito estaba en cana, negra.”. Quando lhe perguntamos por que ela achava que seria encarcerada, esclareceu:
“Vos no te olvides que mientras la gente estuvo en la ruta, lo que estuvo cerrado fue la destilería, por día no sé la cantidad de millones de pesos que se perdían, entonces por eso era la que. Y vos sacá la cuenta que en cualquier manifestación si vos no le tocás algo económico no pasa nada. O sea, porqué nosotros teníamos todo esto. Y entonces vinieron ahí dos o tres amigos y dicen „Laura, me dicen, sos la única que está identificada, sos la única que salía por televisión‟.”
Rememora que o governador acreditava que o protesto era em razão da falta de empregos e, durante algumas horas, discutiu a respeito e levantou algumas propostas. Porém, o tempo passava e continuavam sem chegar a um acordo. Começara a nevar e ela decidiu intervir na discussão:
“Entonces me paré, yo tenía que hacer algo, pero no sabía qué. Sabía que tenía que ser algo por escrito, la gente no se iba a mover si no tenía algo por escrito. Entonces le digo, „Está nevando y hay gente en la ruta‟ [com voz lastimosa], le digo [exigindo], „Haga algo‟. Me mira el viejo así y me dice „No se van con